domingo, 12 de julho de 2026

a hora da vida

Capítulo 01
...
Década de 40.
A guerra continua no leste.
Lá está um caos.
Mas aqui nada acontece.
O país está protegido.
Pelo menos por enquanto.
Eu sou rosa Norton. 
Uma detetive particular.
Com uma vida medíocre.
Alguns casos interessantes.
Agora é noite.
A rua está fria.
O chão é molhado.
Uma neblina paira no ar.
Todos estão em casa.
Silêncio é absoluto.
Minha mãe está no quarto.
Sua tosse aumentou.
Seu nome é Maria. 
Ela está doente.
Já faz um tempo.
Tomou muito remédio.
Nada ajuda.
Não sei o que fazer.
Não tenho mais dinheiro.
Gastei tudo com bebida.
Com aluguel também.
Viver em cidade grande não é fácil.
Muita despesa.
Muita conta pagar.
Tô sem muito trabalho.
Os que tenho, pagam pouco.
Época de Crise.
Situação é complexa.
O telefone toca.
É Tião, meu secretário. 
- o que você quer?
- tenho um trabalho para você.
- é mesmo?
- sim.
- sobre o que é?
- amanhã, no escritório.
- tá bom então.
Desligo o telefone.
Tomo um gole de chá.
Eu não gosto.
Jogo resto fora.
Prefiro café.
O sono está chegando.
Eu vou dormir.
Amanhã continuo esta história.
Boa noite.
...
Capítulo 02
...
Outro dia começa.
Eu levanto cedo.
Tomo meu banho.
Preparo meu café.
Dou os remédios a minha mãe.
- ora minha filha, você já vai?
- sim, eu tenho um cliente novo.
- tá bom então.
Dou um beijo nela.
Chego no escritório.
Encontro Tião. 
- olá chefa, bom dia.
- bom dia, ele já chegou?
- ela já chegou.
- é uma mulher?
- sim.
- OK.
Eu entro no escritório.
Ela está sentada.
Mantém uma atitude calma.
Fico surpresa com a pessoa.
- Patrícia Thompson?
- bom dia, detetive Rosa.
Ela estende a mão.
Eu a cumprimento.
Patrícia Thompson é uma escritora.
Ela é famosa.
Escreve romances policiais.
Irônico né?
Eu me sento.
- eu gosto de seus livros.
- obrigada.
- em que posso ajudá-la?
- me indicaram voce.
- porque?
- uma mulher neste ramo é raro.
- isso é verdade, e então?
- quero que você encontre alguém.
- um familiar?
- é quase isso.
- e quem seria?
- um namorado meu.
- hum, o que aconteceu?
- ele foi esquiar e desapareceu.
- como assim desapareceu?
- uma avalanche.
- quando foi isso?
- há 6 meses.
- compreendo, ele não morreu?
- eu pensei que sim.
- houve alguma busca?
- sim, mas não o encontraram.
- eu não entendi.
- há 3 dias me mandaram isto.
Ela me deu um bilhete anônimo.
Letra de forma.
"Tenho informações sobre Lucas.
Ele está vivo.
Eu lhe direi algo interessante.
Ligo para você daqui a 3 dias." 
Olho para ela.
Devolvo o bilhete.
- a ligação é hoje.
- sim.
- e já fizeram?
- sim.
- o que disseram?
- que eu fosse hoje ao café do Rick.
- eu conheço este lugar; a que horas?
- às 8 horas da noite.
- você vai?
- lógico que não.
- você quer que eu vá?
- sim.
Ela tira um cheque da bolsa.
- aqui está uma parte do pagamento.
Me dá o cheque.
Eu olho valor.
Tomo um gole de whisky.
Ofereço a ela.
- aceita?
- não, obrigada.
- eu irei lá.
- só mais uma coisa.
- o que é?
- quem me ligou foi uma mulher.
- interessante.
- ela estará vestido de amarelo.
- certo.
- o resto pagamento darei no final.
- OK.
- aguardo sua ligação.
Ela me dá seu cartão.
Nós nos despedimos.
Ela vai embora.
Eu olho pela janela.
Meu dia está só começando.
...
Capítulo 03
...
A noite chega.
O encontro está próximo.
Vou ao café Rick.
Ambiente é cheio.
Há música no ar.
Risadas e conversas.
Vasculho lugar.
Eu a encontro.
A mulher amarelo.
Sentada numa mesa de canto.
Me aproximo dela.
Ela olha para mim.
- quem é você?
- eu sou rosa Norton.
- o que você quer?
- sou detetive particular.
- não tenho nada para falar a você.
Ela se levanta.
Quer ir embora.
Eu a seguro pelo braço.
- por favor, fique.
Ela olha para mim.
- onde está Patrícia Thompson?
- ela não pode vir.
- porque?
- você sabe porque.
Ela senta-se novamente.
Eu também me sento.
- qual é o seu nome?
- Rosália Ramirez.
- qual sua ligação com Patrícia?
- eu sou cafetina de Lucas Matheus.
- direta no ponto você.
- nós temos que ser.
- como você sabe que ele está vivo?
- um Amante dele me contou.
- ele tem um amante?
- ele é um prostituto.
- compreendo.
Um garçom traz bebida.
- você quer?
- não, obrigada.
- quem vai me pagar?
- vai receber quando for confirmado.
- que história é essa?
- não achou que seria fácil, né?
- eu conto tudo a imprensa.
- faça isso, e você não terá nada.
Rosália joga um cartão na mesa.
- o endereço Guillermo Paolo.
Eu pego cartão.
- quem é ele?
- o amante Lucas Matheus.
- Patrícia Thompson sabe disto?
- eu não sei.
Um rapaz bonito chega até nós.
- madame, já está na hora.
Ela oferece a sua mão.
Beija ele, e olha para mim.
- com licença, tenho que ir.
- eu falo com você depois.
- espero meu pagamento.
Ela sai com o rapaz.
Olho para eles.
Sinto algo estranho.
Minha intuição é alerta.
Eu saio do restaurante.
Começa a chover.
Eu me agasalho bem.
Rua está deserta.
Um carro começa me seguir.
Eu tento fugir dele.
Alguém tenta me atropelar.
Eu me jogo de uma escada.
Pego minha arma.
Atiro no carro.
Ele vai longe.
Era só o que me faltava.
...
Capítulo 04
...
A guerra continua.
Uma bomba explodiu na praia.
Ela veio de longe.
Do outro lado do mar.
Do país inimigo.
Povo está em Pânico.
Governo está em alerta.
Em breve, teremos confusão aqui.
Minha mãe ficou nervosa por ontem.
Fui com ela ao hospital.
Tião cuidou de casa.
Ela ficou internada.
Passo uns 3 dias com ela.
Voltamos para casa.
Eu continuo a investigação.
Vou até Guillermo Paolo.
Ele é jovem.
Um rapaz bonito.
Me atende de kimono.
Está bebendo saquê.
- pois não?
- eu preciso falar com você.
- sobre o que?
Explico tudo a ele.
- você aceita um saquê?
- não, obrigado.
- o que você quer saber?
- onde Lucas Matheus está.
- muito bem, eu vou explicar.
Ele me diz alguma coisa.
Lucas foi esquiar nas montanhas.
Patrícia Thompson patrocinou tudo.
Ela não foi com ele.
Estava divulgando um livro.
Ocorre a avalanche.
A escritora procura ele.
Sabe relacionamento dos dois.
Paga ele para ir a montanha.
Procurar pelo seu amante.
Guillermo Paolo vai até lá.
Não encontra Lucas Matheus.
Meses depois, recebe uma ligação.
Ele está vivo.
Os dois marcam um encontro.
Lucas pede sigilo a Guillermo.
Que Patrícia não saiba nada.
Eles se encontram.
Eu fico intrigada com isso.
- porque este mistério todo?
Algo ruim acontece.
Uma bala atravessa janela.
Estoura cabeça dele.
Sangue respinga em mim.
Tento ajudar Guilherme Paolo.
Ele está morto.
Corro até a janela.
Não vejo ninguém.
Chamo a polícia.
O procedimento acontece.
...
Capítulo 05
...
Delegado Fonseca me faz perguntas.
Eu respondo tudo.
- isto é estranho.
- porque?
- porque alguém mataria ele?
- queima de arquivo.
- você sempre me coloca nisto.
Olho para ele.
- nisto o que?
- em problema.
- eu não tenho culpa.
- sei que não.
- então não fale assim comigo.
- desculpa.
- tudo bem.
Eu me levanto.
- já vou embora.
- OK.
- eu vou falar com a cafetina.
- certo, se cuida.
- você também.
Eu saio dali.
Porque aquele cara foi morto?
O que alguém ganharia com isso?
Tenho que encontrar Rosália Ramires.
Só ela pode dizer algo sobre isso.
O meu celular toca.
Meu pensamento é interrompido.
Eu atendo a ligação.
- alo?
- eu vou matar voce.
Paro na calçada.
- quem é?
- eu sou chocolatra.
Desliga na minha cara.
Eu olho para o céu.
É só o que me faltava.
...
Capítulo 06
...
Eu vou caminhar.
Estou cansada.
Mal comecei neste trabalho.
Eu vou assim.
Não é só questão de trabalho.
É esta geurra toda.
Doença de minha mãe.
Tudo isto me afeta.
Este é o meu último caso.
Depois disto, paro.
Vou trabalhar em outra coisa.
Eu faço uma caminhada.
Isto me ajuda a pensar.
Hoje é frio.
Faz os meus ossos doerem.
Presente última pandemia.
Aquela coisa horrível.
Sofri com ela.
Fiquei com sequelas.
Avenida está vazia.
Hoje tem algum jogo.
Fogos de artifício no ar.
Pessoas nos bares.
Bandeiras nacionais hasteadas.
Não sei o que é.
Não gosto de esportes.
Nada contra isto.
Cada um curte o que quer.
Só não gosto.
Meu celular toca.
Eu atendo.
É Tião.
Ele diz que minha mãe foi baleada.
Está no hospital.
Minha respiração fica ofegante.
A mão treme.
Eu pego um táxi.
Vou para lá.
...
Capítulo 07
...
Eu chego ao hospital.
Tião está lá.
- o que aconteceu?
- ela foi baleada.
- como ela está?
- ela está bem.
- cadê ela?
- na enfermaria.
Eu vou vê-la.
Uma enfermeira cuida dela.
- mãe.
Ela olha para mim.
- minha filha.
Nós nos abraçamos.
Tirou pegou no ombro.
- o que aconteceu?
- alguém invadiu a nossa casa.
- um ladrão?
- eu não sei, ele estava mascarado.
- certo.
Eu ligo pro delegado Fonseca.
Conto tudo a ele.
Vamos nos encontrar em casa.
- senhora vai ficar com Tião.
- o que está acontecendo?
- é o que eu vou descobrir.
Tião a leva a sua casa.
Eu me encontro com delegado.
Vamos a minha casa.
Investigamos o lugar.
Encontro a bala.
Ela vai ser periciada.
Encontro um cartão.
"Estou de olho em você" 
Sinto o cheiro.
Aroma é chocolate.
Mostro isto ao delegado.
- isto é estranho.
- e como é.
Olho para porta.
Ele olha para mim.
- o que você pretende fazer?
- eu vou falar com alguém.
- quem?
- Patrícia Thompson.
...
Capítulo 08
...
Eu vou até a casa dela.
Um baile acontece.
Há muita gente.
É o lançamento de um livro.
Eu a encontro.
Ela fica surpresa.
- o que você faz aqui?
- nós precisamos conversar.
Ela me leva ao seu escritório.
- o que aconteceu?
- minha mãe foi baleada.
- como assim?
- ela sofreu um atentado.
- eu sinto muito.
- obrigada.
- como ela está?
- bem.
- ótimo.
- você sabe alguma coisa?
- sobre?
Eu mostro bilhete.
Ela lê a mensagem.
Sente o cheiro.
- isto é chocolate?
- sim.
- meu Deus.
- o que foi?
- eu sei quem.
- e quem é?
- um mercenário chamado chocolatra.
- eu sei, ele ligou para mim.
- ele tem esse codinome ridículo.
- o que você quer dizer com isto?
- alguém o contratou para me matar.
- porque?
- eu não sei.
- quando foi isso?
- a um ano atrás.
- onde?
- numa estação de esqui.
- não entendo porque minha mãe.
De repente, algo acontece.
A porta é aberta com um chute.
Um homem com máscara aparece.
Vestido de roupa escura.
Eu sinto cheiro.
É o chocolatra.
Ele pega uma arma.
Empurro Patrícia no chão.
Eu luto com ele.
Desarmo e jogo a arma da janela.
Nós brigamos.
Ele me acerta com um chute.
Eu torço tornozelo.
Chocolatra pega uma faca.
Ele vai me matar.
Patrícia bate nele com um jarro.
Ele dá um soco nela.
Ela cai desmaiada.
Pessoas entram no escritório.
O assassino foge.
Eu desmaio.
...
Capítulo 09
...
Eu acordo num barco.
Não sei como vim parar aqui.
Ele parece estar abandonado.
Eu saio da cabine.
É noite.
Névoa ao redor.
Estou no meio de um lago.
Nunca vi este lugar antes.
Guillermo Paolo aparece a mim.
Não sei o que pensar.
- você aqui? Não está morto?
- sim, eu estou.
- então eu morri também?
- não, você está sonhando.
- o que significa isso?
- eu quero te dar um recado.
- qual?
- eu sei onde Lucas Matheus está.
- onde?
- no prostíbulo de Rosália Ramirez.
Eu olho a neblina.
- ela brincou comigo.
- sim.
- quem matou você?
- o chocolatra.
- quem contratou ele?
- isso eu não sei dizer.
Começa a chover.
Olho para o céu.
Um barulho acontece.
Olho para Guillermo Paolo.
Ele se transforma num corvo.
Voa para o meio da noite.
Um trovão se faz presente.
Eu acordo no hospital.
...
Capítulo 10
...
Meu olho dói.
Eu ponho colírio.
Minha cabeça lateja.
Vento balança cortina.
Leio no jornal.
"O inimigo ataca nosso país" 
Uma declaração de guerra é feita.
Inferno chegou até nós.
Eu troco roupa.
Vou até Rosália Ramirez.
Seu negócio é movimentado.
- o que você faz aqui?
- eu quero falar com vc.
- já não basta confusão que causou?
- eu posso fazer ainda mais.
- venha comigo.
Ela me leva até o seu quarto.
- o que você quer?
- onde está Lucas Matheus?
- eu não sei.
- mentira.
- porque eu saberia?
Aponto uma arma a ela.
- você está louca.
- você não viu nada.
- eu não sei nada sobre isso.
Atiro na perna dela.
Cai no chão.
Ela me xinga.
Barulho de música é alto.
Ninguém escuta nada.
Aponto arma para ela.
- a próxima é na cabeça.
Rosália Ramirez fecha os olhos.
Lucas Matheus aparece.
- por favor, não atire na minha mãe.
Aquilo me atinge como um soco.
Sento na cama.
- o que você disse?
Lucas abraça Rosália Ramirez.
- ela é minha mãe.
...
Capítulo 11
...
Eu não creio no que escuto.
- o que tá acontecendo aqui?
Lucas Matheus se levanta.
- eu vou explicar tudo.
- acho bom mesmo.
De repente, a sirene toca.
Estamos sob ataque.
Bombas inimigas em nossa direção.
Explosões começam a acontecer.
O local onde estamos é atingido.
Eu ajudo Rosália sair dali.
Prédio tá desabando.
Escapamos por pouco.
Rua está em polvorosa.
Pessoas correndo para todo lado.
Olho pro céu.
Dirigíveis inimigos sobrevoam o local.
Eu atiro neles.
Estou com raiva desta guerra.
Uma moto surge no meio do caos.
Ela vem em direção a Lucas Matheus.
Atiro no motoqueiro.
Ele vai atropelar Lucas.
Rosália se joga na frente.
Ela é atropelada.
Morre no local.
Motoqueiro nos encara.
Ele arranca com a moto.
Vem em nossa direção.
A polícia chega.
O motoqueiro foge.
Lucas segura mãe morta.
Tudo é um caos.
...
Capítulo 12
...
Eu trago Lucas a minha casa.
Ele tá nervoso.
Eu o acalmo.
- o que está acontecendo?
- eu tenho que contar a verdade.
- o que é?
- eu me fingi morto.
- porque?
- Patrícia Thompson tentou me matar.
- como assim?
- na verdade, ela é uma espiã fascista.
- o que?
- isto mesmo.
- como você descobriu isso?
- eu descobri um diário dela.
- o que tem nele?
- várias citações a encontros dubios.
- encontro com agentes inimigos?
- sim.
- então ela tentou matar você.
- num acidente aparente de esqui.
- isto é complicado.
- ela tem que pagar por tudo.
- ela vai pagar sim.
Eu ligo para Tião.
Quem atende é minha mãe.
- mãe, o que foi?
- venha aqui; aconteceu algo.
- já estou indo.
Chamo delegado Fonseca.
Ele fica com Lucas Matheus.
Eu vou até a casa do Tião.
Chego lá.
Minha mãe me recebe.
- o que aconteceu?
- Tião está morto.
- como assim?
- eu o encontrei no porão.
Saco a minha arma.
Vou até lá.
Tião está caído.
Um tiro na cabeça.
Me viro para subir a escada.
Minha mãe tem uma arma.
Aponta para mim.
Eu fico surpresa.
- o que a senhora está fazendo?
- desculpe, não posso deixar você ir.
- o que é isso?
- eu trabalho com Patrícia.
...
Capítulo 13
...
- mãe, não faça isso.
- eles tem razão, tudo precisa mudar.
- eles quem?
- os nossos amigos fascistas.
- eles são criminosos.
- sabem o que é o mundo, de fato.
- sua ideologia é rascista.
- você não enxerga verdade.
- senhora não enxerga moral.
Ela aponta arma para mim.
- senhora teria coragem disto?
- você me obriga a isso.
Uma luz toma sala.
O ar muda densidade.
Um ser luminoso aparece.
Nós ficamos perplexas.
Minha mãe atira neste ser.
Nada acontece.
Ele toca arma dela.
O objeto desaparece.
Minha mãe fica trêmula.
- o que foi que eu fiz?
Ela começa a chorar.
Eu a abraço.
O ser luminoso some.
- me desculpa, minha filha.
O ambiente muda de energia.
...
Capítulo 14
...
Alguns dias se passam.
Tudo foi difícil.
Minha mãe foi presa.
Cúmplice de espionagem.
Ela ajudava agentes inimigos.
Foi julgada e condenada.
15 anos de prisão.
Eu sinto muito.
Não posso fazer nada.
Ela escolheu este caminho.
Patrícia Thompson morreu.
Delegado Fonseca foi a sua procura.
Ela tentou fugir.
Sofreu um acidente de carro.
Chocolatra não foi pego.
Ninguém descobriu quem ele é.
Guerra ainda continua.
Nós entramos nela.
O exército é preparado.
Ele vai ao outro lado do oceano.
Eu não me sinto segura.
Espero seu ataque a qualquer dia.
Lucas Matheus foi a outra cidade.
Ele conheceu alguém lá.
Está tentando recomeçar a vida.
Espero que tudo dê certo.
Eu me aposentei desta vida.
Abri uma cafeteria.
Estou cansada disto.
Eu quero viver.
Não correr perigo de morte.
Mais um dia começa.
Eu início minha nova jornada.
Vamos ver até onde isso nos leva.
...
(Fim)

domingo, 5 de julho de 2026

pássaros no muro

Eu vi os pássaros no muro. 
Estava olhando céu.
Melancolia me visita.
Sol contrasta comigo.
Olho para alguém.
Não sinto afinidade.
Nossos caminhos não se cruzam. 
Não sinto vontade.
Estou aqui preso.
Quero me libertar.
Minhas asas não estão.
Meu pensamento também não.
Limpo as lágrimas.
palavras me cortam.
Tantos anos se passaram.
Nada mudou.
Ele me chama.
Hora almoço.
Sua voz me desagrada.
Não quero olhar para ele.
Os pássaros vão embora.
Meus sonhos também vão.
Volto ao pesadelo.
Logo eu adordarei dele.
Serei livre.


domingo, 21 de junho de 2026

um sonho (im) possível

Eu li uma matéria agora. 
É sobre um filme.
Uma garota vai a Itália.
Ela faz uma aventura romântica.
Eu também gostaria de viver isto.
Ir até a Itália.
O meu país favorito.
Ir com meu marido.
Fazermos um turismo clichê.
Ir nos locais mais lindos.
Tirar várias fotos.
Comer aquela comida maravilhosa.
Beber aquele vinho esplêndido.
Tudo pode ser possível.
Ou não?
Isto eu não sei.
O que eu sei, é que meu sonho é forte.
Ver vários italianos lindos.
Termos uma amizade colorida.
Curtir o sol da Toscana.
Apreciar as praias e ilhas.
Mergulhar na renascença.
Vejo muitos vídeos deste tipo.
Confesso ter uma certa inveja.
Aspirar o perfume cultural.
Admirar a arquitetura.
Me perder naqueles museus todos.
Conhecer gente interessante.
Ter hora para ir.
Não ter hora para voltar.
Eu não nasci para este lugar.
Eu não nasci para esta vida.
Não sei o que fazer.
Me sinto confuso.
Tenho que fazer alguma questão.
Meu tempo não pode passar assim.
Não estou menosprezando nada.
Apenas, não me sinto indentificado.
Minha alma pertence a outros ares.
Isto para mim é um desejo.
Ou será um sonho (im) possível?

sábado, 20 de junho de 2026

e tudo termina em pizza

Vim com meu marido comprar pizza. 
Hoje é aniversário da minha sogra.
Ele foi comprar um bolo.
Já fizemos o pedido.
Estamos aqui esperando.
Eu estou numa mesa.
Do lado de fora.
Vejo o movimento.
Noite está fria.
O cheiro das pizzas me inebria.
Algumas pessoas chegam por aqui.
Fazem os seus pedidos.
Vão comer por aqui.
Nós vamos levar para casa.
Outras pessoas passam por mim.
Fico imaginando as suas vidas.
Como serão as suas histórias.
O que estão passando.
Se eu poderia ajudá-las.
Então eu me percebo.
Já tenho problemas demais.
Não quero olhar para baixo.
Eu vejo acima de mim.
O céu tem poucas estrelas.
Só a lua reina absoluta hoje.
Isto é um pouco como eu.
Quero reinar só.
Sair por aí sem destino.
Ser como a lua.
Ver o mundo de cima.
Não ter nada haver com isto aqui.
Meu pensamento divaga.
A mesa está posta.
Um som toca ao longe.
A pizza ainda não chegou.
Assim como eu que não cheguei lá.

domingo, 14 de junho de 2026

gente de paz

Capítulo 01
...
O caminhão chega.
Novidades na cidade.
Os boatos correm.
Todos olham pela janela.
Uma família chinesa chegou.
Vão morar ali.
Isto nunca ocorreu antes.
Alguns balançam a cabeça.
Será um sinal de aprovação?
Ou de reprovação?
Isto não sabemos.
Os tempos são difíceis.
A sociedade é complexa.
Este é bairro é tranquilo.
Todo lugar o é.
Ares de velhos tempos.
Paz e segurança ainda prevalecem.
Vizinhos conversam até tarde.
Crianças brincam na rua.
Cheiro de café na padaria.
A vizinhança se conhece pelo nome.
Alguns casamentos entre si.
Algo bem familiar.
Semanas se passam.
A família Lee já está estabelecida.
(Este é o sobrenome deles)
Ninguém sabe onde são.
Nem porque vieram.
Eles são cordiais.
Também são comedidos.
...
Capítulo 02
...
O frio chega.
O inverno bate a porta.
Zhiyuan é cronista.
Ele trabalha para um jornal.
Está em bloqueio criativo.
Uma leve depressão.
Não acha graça em nada.
Não vê sentido na vida.
Vive por viver.
Sua família percebe isso.
Zihan é sua esposa.
Lhe traz um chá.
- obrigado, meu amor.
- você está bem?
Ele olha para xícara.
- eu estou bem.
Zihan segura o seu rosto.
- você não precisa fazer isso.
- isso o que?
- suportar isso sozinho.
Ele da um beijo nela.
- está tudo bem.
Ela suspira.
- eu vou me deitar.
- daqui a pouco eu vou.
- te amo.
- também te amo.
Ela vai pra o quarto.
Ele olha sala.
Silêncio e escuridão.
Ele vê um vulto indo a cozinha.
Vai ver o que é.
...
Capítulo 03
...
É um fantasma.
O espírito olha para ele.
- olá, meu nome é Oscar.
- você é um fantasma?
- sim.
- interessante.
- você não está assustado?
- porque eu estaria?
- por eu ser quem sou.
- já vi coisas piores.
- agradeço o elogio.
- eu vou voltar a escrever.
- posso te ajudar.
Zhiyuan olha para ele.
- você?
- sim.
- por acaso você era escritor?
- eu sou sim.
- hum, interessante.
- e então?
- qualquer coisa eu te aviso.
- tá bom então, tô sempre por aí.
Ele some na parede.
Zhiyuan da de ombros.
- eu hein, cara estranho.
Ele conta novidade para esposa.
- você tem certeza?
- eu estou depressivo, não alucinado.
- as crianças vão adorar isso.
Chega zihao, filho deles.
- o que eu vou adorar?
Sua mãe dá uma xícara de chá a ele.
- aqui em casa tem um fantasma.
Zihao toma um gole de chá.
- é mesmo?
- seu pai falou com ele.
Zhiyuan deita-se no sofá.
- é uma alma penada qualquer.
- legal, eu vou a biblioteca.
- cuidado por aí.
- tá bom mama.
Ele da um beijo nela e sai.
...
Capítulo 04
...
Zihao chega biblioteca.
Pega um livro sobre estoicismo.
Faz algumas anotações.
Ele vai a cafeteira.
Douglas trabalha lá.
É o dono do lugar.
- olá, seja bem vindo.
- obrigado.
- você é novo na cidade né?
- sim, me mudei algumas semanas.
- legal, o que vai querer?
- um espresso, por favor.
- OK.
Zihao olha ao redor.
- sua cafeteria é linda.
- obrigado.
- meu nome é zihao.
Estende a mão a ele.
Douglas corresponde o gesto.
- eu sou Douglas.
- prazer em conhecê-lo.
- igualmente.
- bonito seu nome.
- obrigado.
- o que significa?
- "sábio e grandioso" 
- gostei.
- valeu.
Zihao toma um gole de espresso.
Chega outro cliente.
- com licença.
Douglas vai atender outra pessoa.
Zihao olha para ele.
Dá um sorriso discreto.
Volta sua atenção ao livro.
Ele sente algo diferente.
A cafeteria é grande e iluminada.
...
Capítulo 05
...
Chegou a estação das cerejeiras.
Ruas pintadas de rosa.
Pessoas por todo lado.
Um espetáculo de natureza.
Zhiyuan e zihan passeiam por ali.
Observam as flores.
Zihan tira fotos.
- você se lembra disto na China?
- sim.
- nossos passeios eram agradáveis.
- verdade.
- o que mudou?
- eu não sei.
Zihan beija o marido.
Ele acaricia seu rosto.
- você me faz feliz.
- você também.
- desculpe por isso.
- não tem porque.
Eles sentam embaixo de uma árvore.
Pétalas caem sobre eles.
Zhiyuan pega uma flor.
- eu me sinto como ela.
Zihan olha flor.
- como uma natureza efêmera.
Zhiyuan olha ao redor.
É quase noite.
Ele deita-se na grama.
Ela o acompanha.
Eles se beijam novamente.
- wo aí ni.
- também te amo.
Uma brisa passeia entre eles.
...
Capítulo 06
...
É sábado a noite.
Yuchen vai ao karaokê.
Ela canta música pop.
Sua paixão é a música.
Ela interpreta várias músicas.
É aplaudida por todos.
Sua voz é interessante.
Yuchen vai ao balcão.
Pede uma cerveja.
Vê os outros se divertirem.
Alguém a olha distância.
Este alguém é Mina.
Ela é bibliotecária.
Mina escuta algo.
Ela fecha os olhos.
Um pensamento lhe sussurra.
Ela abre os olhos.
Pega o seu caderno.
Anota alguma coisa.
Vai até yuchen.
Estende o caderno a ela.
Yuchen repara nela e no caderno.
Ela lê o que está escrito.
"Eu tenho uma história pra você" 
Yuchen olha pra ela.
- quem é você?
Mina escreve o seu nome.
Ela analisa o nome.
- você não fala?
Mina afirma com a cabeça.
- você quer uma cerveja?
Ela confirma que sim.
- meu nome é yuchen.
As duas se cumprimentam.
- o que você quer dizer com isso?
Ela aponta para o caderno.
"Eles falaram de você para mim" 
- eles quem?
"Os outros" 
- quem são os outros?
Mina gira mão pelo ar.
- os espíritos?
A bibliotecária escreve.
"Algo do tipo" 
Yuchen bebe a cerveja.
- interessante.
"Você não tem medo disso?" 
- não, lá em casa tem um fantasma"
Mina olha pra ela.
" Sério?"
- sim, você quer ir lá?
Ela afirma que sim.
- ótimo, então vamos.
...
Capítulo 07
...
Yuchen e mina chegam em casa.
Todos estão dormindo.
- vem comigo.
Yuchen pega mina pela mão.
A leva ao seu quarto.
As duas sentam na cama.
- e então, o que você tem para mim?
" Fechei os olhos, e confie em mim"
Yuchen olha pra ela.
- tá bom então, eu pago pra ver.
Ela fecha os olhos.
Mina toca suas temporas.
Yuchen sente um calor em seu corpo.
Ela abre os olhos.
Está num cemitério.
Lanternas chinesas por toda parte.
Ela vê yanluo Wang.
Ele é o rei do submundo.
Uma figura mítica chinesa.
Yuchen o reconhece.
- eu estou morta?
Ele olha pra ela.
- você não está morta.
- o que eu faço aqui então?
- você está prestes a morrer.
- como assim?
- isto não importa.
- eu não entendi.
Yanluo Wang aponta para Mina.
- você vê esta garota?
- sim.
- ela vai ajudar vc.
- em que sentido.
- em breve você saberá.
O rei do submundo some.
Mina desaparece também.
As lanternas se apagam.
Yuchen está só no cemitério.
Ela ouve um barulho no céu.
Olha pra cima.
Um dragão vem em sua direção.
Ela fecha os olhos.
Yuchen desperta do transe.
Vê Mina parada diante dela.
- o que foi isso?
"Eles me mandaram até você" 
- porque?
"Eu ainda não sei" 
Mina observa ao redor.
"Onde está o fantasma?" 
- ele só aparece quando quer.
Ela fica desapontada.
- não fique assim.
Mina dá de ombros.
Yuchen a pega pela mão.
- vamos tomar café.
As duas vão a cozinha.
...
Capítulo 08
...
Douglas convida zihao ao teatro.
- hum, isto é interessante.
- porque?
- eu estava lendo sobre o teatro grego.
- sério?
- sim.
- vamos ter uma aula de campo.
- você aceita ir comigo?
- claro que sim.
- ótimo, até mais tarde.
A noite chega.
Douglas vai buscá-lo.
Há muita gente.
Conversas e risos.
O espetáculo começa.
É uma peça teatro físico.
Sem diálogos e palavras.
Só a expressão corporal.
O Bacanal Herodes.
Homens e mulheres nus.
Alguns espectadores gostam.
Outros se retiram.
Arte divide opiniões.
Zihao aprecia isto.
Douglas o observa.
Seus olhos brilham.
Sua respiração pesa.
Danças ecoam pelo palco.
O bacanal em si começa.
Alguns atores se beijam.
Outros convidam o público ao palco.
Algumas pessoas aceitam.
Douglas se levanta.
Estende a mão a zihao.
Ele aceita o convite.
Eles vão ao palco.
Dançam no ritmo música.
Zihao puxa Douglas pra si.
Os dois se beijam.
A cena termina.
A peça acaba.
Aplausos ecoam por ali.
Eles se olham.
Caem na risada.
Uma noite perfeita.
...
Capítulo 09
...
Zhiyuan olha para o computador.
Nada sai de sua mente.
Há um café esfriando.
Ele olha pela janela.
Aperta o casaco contra o corpo.
Oscar olha pra ele.
- ainda deste jeito?
- sim.
- eu posso te ajudar.
- como?
- contando minha história.
- porque você ainda está aqui?
- eu não consigo desapegar.
- como você morreu?
- acidente de carro.
- eu sinto muito.
- eu também.
- como é aí do outro lado?
- é confuso pra mim.
- imagino que sim.
- você vai contar minha história?
- isso é importante para você?
- sim.
- porque?
- não quero ter morrido em vão.
- tá bom então, pode começar.
"Eu nasci no exterior.
Meus pais moravam fora.
Eram bem de vida.
Eu tive um irmão.
Não nos dávamos bem.
Eu era diferente.
Gostava de garotos.
Queria ser escritor.
Fui a faculdade.
Conheci um cara.
Tivemos um caso.
Minha família descobriu.
Eles me deserdaram.
Meu irmão me bateu.
O cara me deixou.
Comecei a beber.
Vim parar nesta casa.
Meus pais não me queriam perto.
Fui mal nos estudos.
Comecei a brigar.
Fui expulso da faculdade.
Minha família me abandonou.
Arranjei um emprego.
Deixei a bebida por um tempo.
Arranjei alguém.
Moramos juntos.
Um dia, voltei do trabalho.
Peguei ele com outro na nossa cama.
Nós brigamos.
Ele foi embora.
Voltei A beber.
Briguei no trabalho.
Eu fui despedido.
Enchi a cara.
Fui atropelado.
Agora, eu tô aqui.
Esta é a minha história"
Zhiyuan olha para ele.
- isso é tão triste.
- Eu sei disso.
- vou escrever sobre você.
- obrigado.
Oscar some.
Zhiyuan enxuga os olhos.
O café estava bom.
...
Capítulo 10
...
Zihan chora no quarto.
Ela olha ao seu redor.
Não sabe o que fazer.
Sua vida é estagnada.
os filhos estão crescidos.
O marido tem o seu caminho.
Ela sente-se inútil.
Uma brisa percorre o quarto.
Um retrato cai parede.
Ela olha o que aconteceu.
Uma sombra percorre o corredor.
Ela pensa em chamar o marido.
Ele dorme tranquilo.
Ela veste o roupão.
Escuta um barulho na cozinha.
Vai até lá.
Oscar está parado.
Ele observa a cafeteira.
Zihan fica pasma.
Não sabe o que dizer.
- então é verdade.
Oscar olha pra ela.
- é verdade sim.
Ela se aproxima dele.
- você não tem medo?
- porque eu teria?
Ele volta olhar a cafeteira.
- eu adoro café.
- eu também gosto.
- pena que não posso mais.
- imagino que não.
- eu vi você chorando.
- eu vi que você viu.
- gostaria de poder ajudar.
- você está morto.
- você também está.
Zihan olha os seus pés.
Oscar fica constrangido.
- me desculpa.
- você tem razão.
Ela vai até a cafeteira.
- você quer um café?
- eu aceito sim.
Zihan faz o café.
Prepara uma xícara para ela.
Serve uma xícara para ele.
Oscar agradece a gentileza.
- pelo menos, posso imaginar o gosto.
- como é estar morto?
- é como estar vivo.
Zihan olha confusa para ele.
- um dia você saberá.
- espero que este dia demore.
- pois é.
Ela toma um gole de café.
Oscar aspira o aroma imaginário.
- porque você está triste?
- porque não estou bem.
- eu posso ajudar você.
- como?
- você gosta de dançar?
- sim.
- então feche os olhos.
Zihan fica desconfiada.
- confie em mim.
Ela da um suspiro.
Fecha os olhos.
Oscar sussurra ao seu ouvido.
Ela se vê dançando no céu.
Acima das nuvens.
Leve como vento.
Uma noite estrelada.
Um sentimento de liberdade.
Sem passado, nem futuro.
Apenas o presente.
A lua brilha.
Zihan rodopia pelo ar.
Ela pousa num jardim.
A música termina.
Ela abre os olhos.
Oscar não está mais lá.
Ela contém um choro.
Limpa uma lágrima.
Olha para cima.
Agradece ao fantasma.
...
Capítulo 11
...
Duas xícaras no chão.
Uma cama bagunçada.
Roupas jogadas por aí.
Zihao e Douglas suados.
Nenhum barulho no quarto.
Zihao lê alguma coisa.
Douglas observa cena.
- o que você lê?
- Sêneca.
- legal.
- você conhece?
- já ouvi falar.
- ótimo.
- você está na faculdade?
- sim.
- termina quando?
- ano que vem.
- o que você pretende fazer?
- ser professor.
- aqui?
- eu não sei.
Douglas se levanta.
Veste a roupa.
Vai até a cozinha.
Bebe um copo d'água.
Zihao o abraça por trás.
- eu falei algo errado?
- não.
- porque você ficou assim?
- não é nada.
Zihao o vira para frente dele.
- você pode falar comigo.
Douglas olha para o lado.
Zihao puxa seu rosto para ele.
- fala comigo.
- eu gosto de você.
- eu também gosto de você.
- e então?
- eu não quero te perder.
- eu estou aqui.
- até quando?
Zihao beija Douglas.
- vamos viver o agora.
- eu tento mas...
- não pense em nada.
- como não pensar?
- tudo que temos é o agora.
- sei.
- o amanhã deixa para depois.
- tão filósofo você.
- tão lindo você.
Os dois se abraçam.
- vamos para cama.
- OK.
Zihao dá um meio sorriso.
Douglas compreende tudo.
Lá vão eles novamente.
...
Capítulo 12
...
Os pássaros cantam.
Yuchen vai a um teste.
A gravadora lhe recusa.
Ela esfrega os olhos.
Dá um suspiro.
Joga a ficha de inscrição no lixo.
Vai embora.
Se encontra com mina.
"Como você está?" 
- eu estou péssima.
"Imagino que sim" 
- logo isto passa.
Mina escreve alguma coisa.
Passa mão pela página.
Borboletas ganham vida.
Voam ao redor da amiga.
Depois, desaparecem.
Yuchen fica admirada.
- obrigada.
As duas se abraçam.
- eu posso perguntar uma coisa?
Mina afirma que sim.
- como você ficou assim?
"Meu pai morreu quando era pequena"
- compreendo.
"Então nunca mais falei" 
- mas você não pode falar?
"Eu não quero falar" 
- porque?
"Por enquanto não tenho vontade" 
Yuchen passa mão pelo ombro dela.
A tarde vai indo.
A noite vem chegando.
...
Capítulo 13
...
Zhiyuan dorme.
Oscar aparece para ele.
Sussurra algo ao seu ouvido.
Ele acorda assustado.
Pega o telefone.
Liga para zihan.
Ela não atende.
Ele olha para 0scar.
- eu sinto muito.
Um carro cruza estrada.
Chove lá fora.
Zihan tem uma crise de enxaqueca.
Carros vem em sua direção.
A luz é forte.
Ela não enxerga direito.
O telefone toca.
Ela tenta atender.
O celular cai.
Ela vai pegá-lo.
Perde o controle.
O carro derrapa.
Capota várias vezes.
O alarme dispara.
O silêncio da noite é quebrado.
...
Capítulo 14
...
A chuva cai lá fora.
Folhas caem no quintal.
Zhiyuan olha para o céu.
A lua é nova.
Ele se pergunta porque.
Porque isto aconteceu com ele.
Oscar aparece ali.
- eu sei como é isso.
- isto o que?
- esta sensação.
- já faz 6 meses.
- não fica mais fácil.
- sei que não.
- o que você pretende fazer?
- eu vou embora.
- e o seu livro?
- eu já terminei.
- o que você vai fazer?
- vou publicá-lo, e depois ir embora.
- sentirei sua falta.
- eu também, mas preciso recomeçar.
- creio que preciso disto.
- então se desapegue daqui.
- eu vou tentar.
Zhiyuan vai para o quarto.
Oscar olha para Lua.
Fecha os olhos.
Imagina brisa suave.
Seu espectro desaparece.
...
Capítulo 15
...
O vinho está bom.
A noite agradável.
Pizzaria está agitada.
Hoje é dia de jogo.
Há muito movimento.
Zihao olha através de Douglas.
- você ouviu o que eu disse?
Zihao volta si.
- oi?
- deixa para lá.
Douglas toma um gole de vinho.
- desculpa, meu pensamento tá longe.
- relaxa, está tudo bem.
- você quer ir embora?
- não, está bom aqui. Lembrei de algo.
- você pode contar?
- minha mãe adorava pizza.
- eu não devia ter trazido você aqui.
- relaxa, você não fez nada errado.
- eu passei por isso, sei como é.
Zihao muda de assunto.
- como está cafeteria?
- está ótima, você não foi mais lá.
- desculpa, fim de faculdade é isso aí.
- uma correria só né?
- sim.
O jogo acaba.
A plateia aplaude.
Alguém começa tocar piano.
Uma música romântica no ar.
Zihao estende a mão para Douglas.
- você quer dançar comigo?
- lembrei do teatro.
Ele dá um sorriso.
- só se for agora.
Os dois dançam.
Tudo perde a importância.
O mundo para girar.
Eles se beijam.
A Neve cai.
A lua brilha.
...
Capítulo 16
...
Yuchen pega o microfone.
Olha a plateia.
O foco de luz está em si.
Ela olha pro alto.
Mina está sentada sua frente.
Seu pai e irmão também.
Ela canta música preferida sua mãe.
Sua voz reverbera no restaurante.
Respiração em suspenso.
Yuchen canta cada vez mais.
As notas vibram.
A música termina.
Todos aplaudem.
Ela agradece a gentileza.
Vai para sua mesa.
Sua família abraça.
- você foi ótima, filha.
- obrigada, pai.
- parabéns, irmãzinha.
Ela beija o irmão no rosto.
Se vira para Mina.
- agradeço a sua presença aqui.
Yuchen ergue uma taça.
- um brinde a ela.
Todos erguem as suas taças.
Uns dias se passam.
A família Lee vai a um templo.
Acendem incensos.
Ficam em silêncio.
Só os pássaros cantam.
As árvores conversam entre si.
Seu pensamento está com zihan.
Cada um tem seu sentimento.
Lembranças e saudades.
As coisas são como são.
A vida continua.
...
(Fim)














segunda-feira, 25 de maio de 2026

uma flor na imensidão

Capítulo 01
(Não pense duas vezes)
Noite de terça feira.
Aldo escuta música.
Seu trabalho acabou.
As fotos foram feitas.
As luzes da cidade iluminam tudo.
Ele está na janela.
Uma soda whisky.
Uma mensagem recebida.
- oi, você está bem? Tô na cidade.
Seu coração acelera.

Capítulo 02
(Simples assim)
Ele sabe quem escreveu aquilo.
Lembra quem é.
Hiro, seu amigo de infância.
Alguém que importa.
Ele responde.
- oi, eu tô bem. Há quanto tempo.
A soda whisky não mata sua sede.
Só alivia tensão.
Olha o celular. 
Sem resposta.

Capítulo 03
(Cores)
Na rua, a vida acontece.
Carros vem e vão.
Pessoas nos parques.
Conversas e risos.
As cores se misturam.
Aldo termina bebida.
Uma notificação.
- ótimo, vamos sair amanhã?
Aldo olha o horizonte.
Ele responde: - OK.

Capítulo 04
(Olhos nos olhos)
O despertador toca.
O sol reflete na janela.
Um café é preparado.
Aldo senta-se em silêncio.
Sente o calor do café.
O aroma perfuma cozinha.
Ele segura o sorriso.
os dois num dia de domingo.
Passeio de bicicleta no parque.
Olhando esquilos nas árvores.

Capítulo 05
(Fantasmas)
Fotos antigas de álbuns.
Ele e hiro num ônibus.
Excursão escolar.
Espírito livre.
Jeito espontâneo.
Naquela época, Aldo já sabia.
Havia alguma coisa.
Um sentimento diferente.
Seus olhos brilhavam.
Um interesse surgia.

Capítulo 06
(Melody)
- acorda, homem.
Aldo levanta cabeça.
- o que você tem?
- nada.
- hum, sei.
Melody dá um beijo nele.
- você é meu irmão preferido.
Aldo sorri.
- você é minha única irmã.
Os dois se abraçam.

Capítulo 07
(Fotos, porque não?)
- e então, estas fotos saem ou não?
- claro que sim.
- ótimo, quero minha livraria linda.
- deixa comigo.
Uma mensagem chega. É dele.
Um endereço e um horário.
Melody toma o celular dele.
- olha ele, só no contatinho.
- me dá isso, sua enxerida.
Os dois riem.

Capítulo 08
(Meu ou seu?)
- quem é ele hein?
- não é ninguém.
Melody faz uma cara de brava.
Aldo tira umas fotos, olha para ela.
- tá bom, eu vou te contar.
Ele fala tudo.
Melody toma um café.
- não acredito. Aquele gato?
Ele afirma com a cabeça.
- arrasou, maninho.

Capítulo 09
(O som da vida)
- eu não sei se vou.
- você vai sim, nem pense nisso
- já faz tanto tempo.
- e daí?
- sei lá.
Chega Rainer, o namorado da Melody.
- você não sabe o que hein?
Os dois se cumprimentam.
- bobeira minha.
Ele beija Melody.

Capítulo 10
(Mais um pouco)
- ele não quer ir a um encontro.
Aldo fica constrangido.
- você também hein?
- ué, não é verdade?
Rainer dá um soquinho nele.
- vai fundo, cara. Aproveita chance.
Melody olha para Aldo.
- viu? Não te falei?
Ele faz um gesto de rendição.
- tá bom, vocês venceram.

Capítulo 11
(Por favor, entenda)
Aldo vai encontrar hiro.
O restaurante é francês.
Hiro levanta-se da mesa.
Os dois se abraçam.
- você não mudou nada.
- você também não.
Eles sentam-se.
Aldo admira cada traço de hiro.
10 anos se passaram.
Parece que foi ontem.

Capítulo 12
(Isto ainda continua)
Os dois tomam champanhe.
Aldo começa a conversar.
- me fala de você.
- eu moro no Japão.
- que bom, você faz o que lá?
- eu sou advogado.
- ótimo. - e você?
- eu sou fotógrafo.
- você sempre gostou disso.
- eu gosto sim.

Capítulo 13
(Noite sem luar)
- você casou?
- não e você?
- também não.
Aldo toma um gole de champanhe.
- você não mudou nada.
- você também não.
- e o Japão é bom?
- é ótimo, você precisa conhecer.
- é só voce convidar.
- então sinta-se convidado.

Capítulo 14
(O convite)
Aldo termina bebida.
- porque você me chamou?
- eu senti sua falta.
Aldo olha fixo para taça.
- eu também senti.
- vi umas fotos suas no site.
- é mesmo?
- sim, você tem talento.
- obrigado.
- quero te fazer um convite.

Capítulo 15
(Os Pássaros cantam)
- então faça.
- venha comigo a uma casa de chá.
- casa de chá?
- sim.
- porque?
- eu tenho uma surpresa para você.
- minha surpresa é você.
- esta é outra surpresa.
- vamos lá.
Os dois saem.

Capítulo 16
(Não diga nada)
Eles vão a casa de chá.
São recepcionados por um gato.
- olá! O gato fala.
Aldo fica surpreso.
- o que é isso?
O gato pisca pra ele.
- sejam bem-vindos.
Hiro pega na mão dele.
- vem comigo.
O gato olha pra eles. Toma seu leite.

Capítulo 17
(Tudo por nada)
Eles chegam a uma sala.
Uma mesinha no centro.
Espaço minimalista.
Um jogo de chá posto na mesa.
Hiro convida Aldo a sentar-se.
Há 3 xícaras ali.
- nós estamos esperando alguém?
- sim.
Chega o professor.
- olá, rapazes.

Capítulo 18
(Os cães latem ao longe)
O professor senta-se.
Toma um chá.
Aldo olha para ele e hiro.
- o que está acontecendo?
O professor lhe dá uma câmera.
- nós precisamos de você.
- de mim porque?
- queremos que vá até o submundo.
- do que vocês estão falando?
O gato aparece.

Capítulo 19
(O portal)
O animal fala com ele.
- nós estamos falando disso.
O gato mia, um portal aparece.
Aldo toma um gole de chá.
- eu estou sonhando, é isso?
Hiro olha para ele.
- de certa forma, sim.
O professor sorri para ele.
- quero que você capture uma alma.
Aldo olha para câmera mágica.

Capítulo 20
(Do outro lado)
O professor explica tudo.
Aldo é um mágico.
Ele não sabe disto.
Seu objeto mágico é a câmera.
Ele descobre e desvenda almas.
Tudo isto no mundo espiritual.
O professor é um guia.
Hiro, o seu ajudante.
O gato, um ser fantástico.
Aldo vai ao terraço pensar.

Capítulo 21
(Ventos sonoros)
Hiro chega junto a ele.
- desculpa, não pude falar antes.
- você me chamou para isto?
- também, mas não só isto.
- para que então?
- para isto.
Os dois se beijam.
O gato e o professor observam.
O vento sopra.
A noite respira neon.

Capítulo 22
(Escola de pensamento)
Aldo olha as estrelas.
- tudo isso é verdade?
- sim.
- porque eu não lembro?
- este poder é inconsciente.
- você também faz isso?
- eu ajudo você.
- quem são eles?
- nossos mestres.
O gato se transforma em Melody.

Capítulo 23
(Revelações)
Aldo não crê nisso.
- você também?
- sim.
Ela o abraça.
- não sei o que pensar.
- também fiquei assim no começo.
Aldo olha para ela.
- até eles me ajudarem.
Melody olha para hiro.
Começa a chover.

Capítulo 24
(O grilo falante)
Todos voltam para o chá.
O professor lê um livro.
- só alguns tem este poder.
- porque?
- são os mistérios da vida.
Hiro lhe serve um bolo de arroz.
- o que importa é o fim.
- e qual é o fim?
- ajudar os espíritos.
Aldo come o bolo.

Capítulo 25
(Até tu, Melody?)
Aldo olha para irmã.
- Rainer sabe sobre isso?
- não.
Ele se dirige ao professor.
- o que devo fazer?
- há um espírito que precisa de ajuda.
- porque eu devo saber disso agora?
- porque é a sua mãe.
Aldo procura o olhar da irmã.
- isso é verdade.

Capítulo 26
(Mexa isso aí)
Aldo e hiro são hipnotizados.
Eles vão a outra dimensão.
Um hospital colorido surge.
As pessoas lá são transparentes.
- onde nós estamos?
- no hospital colorido.
- minha mãe tá aqui?
- sim.
- o que aconteceu com ela?
- ela desistiu da vida.

Capítulo 27
(Os gatos estão aqui)
Um gato roxo aparece.
- vocês são do outro lado?
Hiro afirma com a cabeça.
- venham comigo.
Eles percorrem um corredor.
Chegam a um quarto vermelho.
- ela tá ali.
Aldo vai até ela.
Tenta acorda-la.
Sua mãe dorme numa cama de vidro.

Capítulo 28
(Isto é pura diversão)
- o que devo fazer?
O gato roxo se aproxima.
- ponha mão na cabeça dela!
- para que?
- para levá-la até o ponto central.
- que ponto?
- onde ela perdeu a razão de viver!
Aldo põe a mão na cabeça dela.
Ele fecha os olhos!
É transportado ao passado.

Capítulo 29
(Uma noite fria)
Uma noite fria é.
Aldo está em casa.
Há 25 anos atrás.
Sua mãe toma um chá.
olha pela janela.
A Neve cai.
Uma lágrima também.
Seu marido morreu.
Sua vontade de viver, também.
Nada mais importa.

Capítulo 30
(Uma viagem para mim mesmo)
Aldo fala com a sua mãe.
Ela não escuta.
Está deitada num diva.
Um livro caído no chão.
Flores na mesa.
Ele não sabe o que fazer.
Fecha os olhos.
Começa a cantar.
Sua mãe começa a dançar.
A Neve para.









segunda-feira, 18 de maio de 2026

lágrimas a noite

Eu estou aqui. 
Num quarto de hospital.
Acompanhando alguém.
Gemidos de dor.
Suor e lágrimas.
Cheiro de remédio.
Ambiente frio e impessoal.
paredes brancas.
Profissionais de saúde.
Estão por todos os lados.
Entram e saem dos quartos. 
Dia e noite.
Movimento incessante.
Olho pela janela.
Estou no quinto andar.
Carros passam.
Um movimento incessante.
Vida lá embaixo.
Prisão aqui em cima.
Olho para o paciente.
Não vejo futuro.
Não sinto meu presente.
Vontade de um café.
Sentir o seu calor.
Me dizendo que tudo está bem.
Que vai ficar bem.
Quero ir para casa.
Corredores cheios de sofrimento.
Olho a parede a minha frente.
Não vejo saída.
Conversas aleatórias.
Tentativa de fuga.
Uma realidade que não quero.
Nó na garganta.
Medicamento em uso.
Tenho que vigiar.
Avisar o seu fim.
Nada consigo.
Tudo eu vejo.
Sinto e fujo.

sábado, 16 de maio de 2026

amigos de papel

Há muitas amizades. 
Poucas são verdadeiras.
A necessidade faz a ocasião.
Quem é amigo, fica.
Quem só aparenta, vai.
Boas fontes, e boas amizades.
Adversidade é o seu teste.
Já passei por isto.
Em hora de alegria, há uma multidão.
Em hora de necessidade, vazio.
Silêncio e solidão.
Descaso e falta de empatia.
Na foto, todos querem ficar bem.
No teatro, todos querem atuar.
Pena que a imagem é suja.
A atuação, péssima.
No final, a luz ilumina tudo.
As sombras voltam para o nada.
A vida continua.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

hipocrisia

Alguém diz que é santo. 
Aponta o dedo pros outros.
Suas unhas estão sujas.
A sua moral também.
É a favor de Deus e da família.
Não resiste a tentação.
Ambição ter sempre mais.
Não importa o que tenha que fazer.
É muita sujeira.
Máscaras de virtude.
Espírito de porco.
Se julgam melhores.
Se tornam piores.
Esta é a nossa pátria.
Que país é esse?

segunda-feira, 11 de maio de 2026

dias melhores virão

As coisas nem sempre são simples.
Há dias difíceis.
Existem dias fáceis.
Hoje foi um dia complicado.
Alguém teve que ceder.
Uma batalha foi perdida.
Não a guerra.
Novos capítulos se aproximam.
Um ciclo se fecha.
Outro precisa ser iniciado.
Assim caminha humanidade.
Dias melhores virão.

domingo, 10 de maio de 2026

a caneca

Eu tenho uma caneca. 
Ela tá quebrada. 
É a minha favorita. 
Me acompanha por aí. 
Já mudei de vários lugares. 
Conheci várias cozinhas. 
Me lembro de uma delas.
A luz entra pela porta.
Eu sentia o calor no rosto.
Os raios desenhando no chão.
Eu era testemunha disto.
Minha caneca também. 
Frio e quente. 
Muito líquido tomou. 
Ela foi um presente. 
Alguém me deu. 
Alguém especial pra mim.
Um dia brigamos.
Não nos falamos mais.
O presente ficou.
Eu gostei dele.
É algo importante. 
Eu olhei pra caneca. 
Ela olhou pra mim. 
Foi amor a primeira vista. 
Estamos juntos até hoje.

o bolo

Um bolo na mesa. 
Eu tomo café. 
Fico de olho nele. 
Sua cor é interessante. 
A casa está vazia. 
Só eu e minha companhia. 
A mesa me apoia.
O bolo está ali. 
Observa minha presença. 
Há gatos na cozinha.
Eles estão comigo.
A chuva cai lá fora.
Agora chegou a vez do bolo.

sábado, 9 de maio de 2026

a estrela líquida

-
A chuva cai.
O reino mágico está em silêncio.
O campo dorme.
As árvores cantam.
Tudo é paz.
Os animais confraternizam.
O chão se molha
-
Regina acorda.
Ela procura sua mãe.
Não a encontra.
Vê um bilhete.
"Fui atrás da estrela líquida".
Regina não entende nada.
O que ela faz agora?
-
Regina vai a floresta.
O céu está cinza.
O lago é tranquilo.
Ela pensa no que fazer.
Então se lembra dele.
Vai até Aníbal.
Sua cabana é aconchegante.
-
Aníbal a recebe 
- o que você quer?
- eu procuro minha mãe.
- onde ela está?
- foi procurar a estrela líquida.
- compreendo.
- o que eu faço?
- você vê aquele espelho?
- sim.
- atravesse ele.
- o que tem doutro lado?
- a sua mãe.
Regina atravessa o espelho.
-
Do outro lado, ela vê uma escada.
Sobe ela.
Vai parar numa plataforma.
Lá há uma porta.
Ela atravessa.
Chega a um templo.
Alguém medita nele.
-
Regina olha o ser a sua frente.
É um homem.
Ele usa armadura.
Ela se aproxima dele.
- olá.
Ele abre os olhos.
Se levanta.
-
O cavaleiro olha pra ela.
Analisa o seu aspecto.
- quem é você?
- eu sou Regina. 
- o que você quer?
- eu procuro minha mãe.
- não sei quem é ela.
- seu nome é Denise.
- o que tenho a ver com isso?
- eu não sei.
- então não me perturbe.
- eu preciso de sua ajuda.
- porque?
- você é um cavaleiro.
- que resposta estúpida.
- que atitude grosseira.
Ele aponta espada pra ela.
- cuidado com o que você fala.
- você vai me matar?
- eu não sou assassino.
- ótimo.
Ele abaixa espada.
Ela senta-se no chão.
- qual é o seu nome?
- meu nome é Connor.
- bonito nome seu.
- obrigado.
Ele também senta.
- você pode me ajudar?
- me conte o que aconteceu.
- minha mãe foi atrás da estrela.
- que estrela?
- a estrela líquida.
Connor olha pra o céu.
- o que sua mãe quer com ela?
- eu não sei.
- isto é interessante.
Você me ajuda?
- sim, mas com uma condição.
- qual?
- contemple o céu comigo.
- tá bom então.
Eles se deitam na grama.
A lua sorri pra eles.
As estrelas dançam entre si.
As nuvens fazem acrobacias.
-
Eles caminham por aí.
Chegam a uma cafeteria.
Regina está cansada.
Connor tem fome.
- vamos para comer algo.
Regina concorda.
Eles entram na padaria.
Eles pedem café.
Começa a chover.
Regina observa o ambiente.
Um homem olha para ela.
Ele escreve algo num caderno.
- aquele homem está me olhando.
- quem?
Regina aponta para ele.
Connor vai até ele.
O homem se levanta.
- olá meu bom cavaleiro.
- o que você quer?
- meu nome é flamarion, sou poeta.
- bom para você.
- obrigado.
- o que você quer com ela?
- eu escrevi um Haikai para ela.
- um o que?
- um poema.
Regina vai até eles.
- eu adoro poemas.
Flamarion faz um gamanteio.
- olá minha nobre dama.
- vamos nos sentar.
Todos se acomodam.
A chuva continua.
- eu posso ver seu poema?
- claro, ele é seu.
Flamarion lhe dá um papel.
"dias de chuva -
uma linda flor
adorna meu jardim" 
Regina aperta folha contra o peito.
- isto é tão lindo, obrigada.
- de nada.
Flamarion começa a chorar.
Regina olha pra ele.
- o que aconteceu?
- eu estou triste.
- porque?
- aconteceu algo comigo.
- você quer conversar?
- sim.
- então diga o que aconteceu.
- aí vem minha história.
O café está quente.
-
Eu sou filho único.
Meu pai é escultor.
Minha mãe era dona de casa.
Ela morreu.
Eu vivia só.
Meus livros eram meus amigos.
Ainda são.
Nunca gostei de multidão.
Menos ainda gente.
Meu pai trabalhava muito.
Minha mãe era obcecada por limpeza.
Ela vivia doente.
Isto era difícil para mim.
Dias de tristeza.
Manhãs de solidão.
Eu não tinha vontade de nada.
Só queria ser escritor.
Tento ser até hoje.
Um dia, minha mãe morreu.
Fiquei mais só ainda.
Não tenho conexão com meu pai.
Somos diferentes um do outro.
Eu sou gay.
Ele descobriu.
Brigou comigo.
Nós estamos afastados.
Moro com meu namorado.
Eu estou infeliz.
Não com ele.
Comigo mesmo.
Só o café me salva.
Ele me dá sensação de segurança.
Conforto e aconchego.
Gosto de outono e inverno.
Posso ser melancólico.
Agora estou aqui.
Procuro uma razão de viver.
-
Regina segura mão dele.
- não fique assim.
- como você quer que eu fique?
Ela olha pra fora.
- venha comigo.
Eles saem.
A chuva continua.
O arco íris surge.
Regina abraça flamarion.
- vamos dançar.
Eles bailam uma música celeste.
Levitam no ar.
Dançam nas nuvens.
A chuva fica dourada.
O arco íris termina.
Eles voltam ao chão.
Regina olha pra ele.
- como você está?
- eu estou melhor, obrigado.
Connor se aproxima deles.
- vamos embora.
Regina abraça flamarion.
- espero que você fique bem.
O poeta inclina cabeça.
- obrigado pela ajuda.
Connor e ela vão embora.
Flamarion se transforma numa águia.
Voa por aí.
-
Regina e Connor chegam a um lago.
Há uma bruxa nua.
Ela dança sobre as águas.
A nossa dupla admira cena.
Ela termina dança.
Volta ao chão.
Olha pra Regina.
Sua mãe disse que você viria.
Você conhece minha mãe?
A bruxa estala os dedos.
Uma roupa lhe veste.
Eu conheço ela.
Você sabe onde ela tá?
A propósito, meu nome é baronix.
O meu é...
Eu sei quem vocês são.
Connor se aproxima dela.
Então onde está mãe dela?
Baronix aponta para Connor.
Ela tá em você.
O que?
Ambos ficam confusos.
Você é um guerreiro.
Eu sou sim.
Ela precisa de sua força.
Para que?
Para achar estrela líquida.
Regina toma frente da conversa.
Que estrela é essa?
Baronix aponta para o lago.
Olhe lá.
Regina se aproxima lago.
Vários Peixes dançam.
Voam pela superfície.
Formam a imagem de uma estrela.
O que é isso?
Isto é você.
Regina olha pra bruxa.
Como é?
Sua mãe foi salvar vc.
Eu não entendi.
Seu parto foi difícil.
Eu sei disso.
Você quase morreu.
Ela me contou.
Ela fez um pacto com a estrela.
Que pacto?
A vida dela pela sua.
Connor desembainha espada.
Ela tá louca. Vamos embora.
A bruxa aponta para o céu.
Agora estrela cobra dívida.
Regina vê as nuvens.
Isto não pode ser.
Baronix olha pra ela
Isto é o que é.
Eu posso impedir isso?
Sim.
Como?
Sacrificando a sua vida.
Regina olha pra o Lago.
Connor aperta os punhos.
Cerra os dentes.
Você está brincando.
Eu não estou.
Nossa heróina pergunta bruxa.
Onde posso encontrar a minha mãe?
Na montanha azul.
Certo.
Sua mãe e a estrela estão lá.
Obrigado.
Eles vão embora.
Baronix mergulha no lago.
Medita com os Peixes.
-
As horas passam.
Caminhada é longa.
Cidade é cheia.
Um festival acontece.
Prédios enfeitados.
Bandeirolas nas ruas.
Crianças fantasiadas.
Nossa dupla observa.
Eles param numa pousada.
Resolvem descansar.
Connor esbarra com um inimigo.
Coisa do passado.
Eles brigam.
São expulsos do lugar.
Prometem se reencontrar.
Acertar as coisas.
Continuam a caminhada.
Dormem num pomar.
-
Eles chegam a montanha azul.
O lugar é auto explicativo no nome.
Ao longe vêem uma entrada.
Uma luz interior dá o sinal.
Vão até lá.
Regina encontra Denise.
Mãe.
Ela não olha.
Está enfeitiçada.
Costura numa máquina.
Regina tenta toca-la.
Um campo invisível as separa.
Ela olha o ambiente.
O que está acontecendo?
Eu não sei.
Connor tenta golpear com a espada.
Seu golpe não tem efeito.
Regina aponta pro fundo da caverna.
Olha aquilo ali.
Ele observa a cena.
Uma estrela líquida flutua.
Sua luz irradia o cenário.
Denise levanta da máquina.
Está com um tecido brilhante.
Regina chama seu nome.
Nada acontece.
Denise cobre a estrela com tecido.
A estrela se transforma numa pessoa.
Ela assume a forma de baronix.
Regina não acredita no que vê.
Você?
Sim, sou eu.
Eu não entendi.
Meu espírito está preso nesta estrela.
Como assim?
Foi um feitiço, história antiga.
Porque a minha mãe?
Só ela tem esta magia.
Que magia?
Libertar as almas.
Denise vira uma cerejeira.
Regina se desespera.
Baronix flutua pelo lugar.
Não se preocupe, ela voltará.
A heroina pega espada de Connor.
Tenta atingi - la.
A espada se desfaz em pó.
Você não pode me atingir.
Porque a minha mãe?
Este é o preço a se pagar.
Regina entra em transe.
Baronix olha pra Connor.
Daqui a um ano, elas voltarão.
A nossa personagem some.
Connor segura Regina.
A coloca na sombra da cerejeira.
Ele vai embora.
Lá fora, uma nuvem passa.
Um aroma perfuma o ar.

(Fim)





sexta-feira, 8 de maio de 2026

te(n)são

Ele & eu.
Nus na cama.
Lençol de seda.
Quarto a meia luz.
Silêncio no ambiente.
Eu por baixo dele.
Ele por cima de mim.
Meu pênis na sua boca.
O seu pênis na minha boca.
Meus braços ao redor do seu corpo.
Nós estamos entregues.
O prazer nos acompanha.
Sua língua me suga.
Meus dedos percorrem seu orifício.
A intensidade aumenta.
Nossos corpos estremecem.
O gozo acontece.
Um ato de amor foi feito.
Nossa semente no corpo.
Tudo é testemunha.

um café e um bom dia

Eu estava na cozinha. 
Ela chegou. 
Veio do médico. 
Eu tomava café. 
Não falou nada. 
Eu dei bom dia. 
Perguntou pelo filho. 
Insisti no bom dia. 
Ela respondeu. 
Repetiu a pergunta sobre o filho. 
Se ele tinha vindo em casa. 
Eu disse que não. 
Olhei o seu exame. 
Está tudo normal. 
O meu café está quente. 
O dia, nublado.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

no meu quarto - solidão

As horas passam. 
Eu fico aqui.
O quarto tá escuro.
Não se ouve nada.
O silêncio é absoluto.
Eu gosto disto.
Não aprecio barulho.
Só meu pensamento basta.
Sol lá fora.
Ao longe, crianças brincam na rua.
Não sinto falta.
Tenho meus livros.
Eles me bastam.
As palavras falam comigo.
Eu converso com elas.
A sociedade não vale a pena.
Tudo é rude.
O ambiente é ignorante.
Eu não aguento esta farsa.
Não nasci para este tipo de coisa.
Agora é noite.
A chuva começa.
Eu estou aqui.
Converso com vocês.
O sono se aproxima.
Já vou dormir.
Boa noite a todos. 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

uma viagem sem fim

Vejo dia começar. 
As flores crescem.
Tudo é bom.
Porém, a nuvem vem.
Ela chega devagar.
Cobre o sol.
Chão fica molhado.
O mundo desce.
A vida falta.
Você não chega.

o clã das cerejeiras

... 
uma criança brinca 
com uma katana 
no meio da carnificina 
...
ela está só 
todos estão mortos 
vento sopra as árvores 
...
corpos pelo chão 
ele não conhece ninguém 
sangue é seco 
...
lá vem um bandoleiro 
ele vê o garoto 
nota a katana 
...
- de quem é isso?
- eu achei por aí.
- eu quero ela.
...
o garoto se nega 
mão no pescoço 
um osso quebra 
...
o bandoleiro vai 
com espada na bainha 
cantando por aí 
...
lá vem o nosso herói 
ban, o samurai 
ele viu tudo 
...
o garoto 
seu sofrimento
a morte 
...
- você é um cretino.
- quem é você?
- aquele que irá fazer justiça.
...
Os dois se preparam 
Espadas se cruzam 
há um perdedor
...
bandoleiro no chão 
cabeça decepada 
garoto enterrado 
...
ban faz uma reverência 
- que Buda ilumine seu espírito 
espada sob o túmulo 
...
ele continua seu caminho 
a noite cai
a chuva começa 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

através da janela

nesta tarde cálida
o sol se põe 
deitado nesta cama 
eu olho a janela 
através dela 
vejo flores e frutos 
isto me faz lembrar 
de alguém doente 
que deitado 
na convalescença 
olhava outra janela 
e que contava 
a outro alguém 
as paisagens 
que via 
daquela janela 
onde nada tinha 
só uma parede 
mas a beleza 
a fé e a resistência 
lhe mostraram 
algo mais que isso 
porém eu vejo
sol se pondo 
o pássaro canta 
vento no quarto 
o tecido dança 
na brisa 
mesmo agora 
eu sinto uma paz
que se traduz nisto 
amanhã será 
um novo dia 

sábado, 25 de abril de 2026

o calor

o tempo me consome 
a fila não anda 
o calor é demais 
muita conversa 
nada paralela 
tudo oblíquo 
personalidade 
que não gosto 
medíocres até o fim 
me chamem 
do que quiserem 
não vou continuar 
pé de chulé 
gente sem noção 
o que se pode fazer?
muita coisa.
é só querer 
o calor continua 
eu estou com fome 
não sou santo.
tudo pode acontecer 
comigo não 
isto não passa 
só eu fico 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

na hora de amar

eu acho até engraçado 
hoje de manhã 
ao viajar 
eu vejo um outdoor 
onde se lê 
você pode amar 
por mais tempo 
e menor preço 
propaganda de motel 
como se isso 
fosse sinônimo de amor 
quando não passa 
de sexo barato 
as pessoas se iludem 
não estou aqui 
sendo contra motel 
nem contra frequentador 
cada um sabe de si 
porém amor em motel 
é como água no deserto 
difícil de encontrar 
já sexo em motel 
é como noite estrelada 
sempre tem uma brilhando 
até porque motel 
é para isso mesmo 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

o astronauta cinza

nada no céu 
eleva a voz
a nave veloz 
provoca o cosmos 
num espaço sem fim
o astronauta cinza 
procura a estrela 
que caiu no mar
sua missão 
está no infinito 
onde nada acontece
e a nuvem nos protege 
brilhos e escuridão 
nasce no mundo 
além do horizonte 
o astronauta cinza 
volta a terra 
sem um ser
extraterrestre 
sendo quem não é

fantasia

mundo de cetim 
cortinas que voam 
gestos de vida 
cristais que brilham
a luz de velas 
a minha fantasia 
vive em fluxo 
numa esperança 
que tudo seja feliz 
nada me deixa 
com um gosto 
de cereja 
onde tudo vai 
eu fico aqui

a senhora e os gatos

A senhora fala com os gatos.
Eles cobram o prato.
Ela despeja o grão.
Vocifera contra os bichos.
Os rabos fustigam o ar.
Eles esticam o corpo e apagam.
No chão, o prato sem comida.

terça-feira, 21 de abril de 2026

no profundo céu macio

Capítulo 01

Tristan faz uma tatuagem.
Uma lua no pulso esquerdo.
É a sua primeira vez.
Faz parte da Wicca.
Agora ele tem a sua Lua.
Vai para casa.
Toma uma cerveja.
Liga TV.
Um programa de auditório.
Ele não gosta.
Desliga TV.
Liga para sua mãe.
Ela não atende.
Joga o celular no sofá.
Vai até a janela.
Olha o céu.
Ele é convidativo.
Decide ir até o boliche.

Capítulo 02

Tristan está no boliche.
Ele joga.
Não acerta nada.
Que jogo chato.
Que dia chato.
Vai ao balcão.
Ele pede uma bebida.
Vê uns caras bonitos.
Sente falta de um namorado.
Olha para o celular.
Nenhuma chamada.
Nenhuma mensagem.
Como ele pôde chegar a isso?
Nem ele mesmo sabe.
Dá um gole na bebida.
O telefone toca.
É a sua mãe.
Ele atende.
É do hospital.
Sua mãe sofreu um acidente.
Sua respiração fica pesada.
Sai dali.
Vai para o hospital.
No caminho, derrapa na pista.
Bate numa árvore.
Fica desacordado.

Capítulo 03

Tristan acorda no hospital.
Um médico lhe atende.
- como você está?
- onde eu estou?
- no hospital.
Ele tenta se levantar.
- cadê a minha mãe?
- não se mexa, você está machucado.
Ele está tonto.
Um braço quebrado.
Rosto machucado.
- onde está minha mãe?
- eu sinto muito, ela morreu.
- não pode ser.
Ele sente-se nauseado.
Um sedativo é aplicado.
Ele dorme.

Capítulo 04

Tristan desperta no outro dia.
Sua visão está embaçada.
O médico volta vê - lo.
- como você está?
- eu quero ver minha mãe.
- você a verá.
- como eu vim parar aqui?
- um rapaz encontrou você.
- onde ele está?
- lá no corredor.
- o que aconteceu com a minha mãe?
- foi um acidente de carro.
Tristan olha para lua no pulso.
- isto não pode ser.
Médico olha o pulso dele.
- isto é estranho mesmo.
Tristan enxuga uma lágrima.
- onde está este cara?
- você quer vê-lo?
- sim.
- eu vou chamá-lo.
Chega telêmaco.
Tristan prende a respiração.
Ele acha o cara lindo.
Como pode ser?
Mesmo naquela hora.
Desejo no meio do caos.
Telêmaco se aproxima.
- como você está?
- do jeito que você vê.
- o médico me contou tudo.
- obrigado por me ajudar.
- de nada.
- como você me achou?
- eu passei por ali na hora.
- não sei o que teria sido de mim.
- sinto muito por sua mãe.
- obrigado.
- posso te dar um abraço?
Tristan engole em seco.
- sim.
Telêmaco o abraça.
- eu tenho que ir pra casa.
- você já fez muito por mim.
- não foi nada.
- qual seu nome?
- telêmaco e você?
- Tristan.
- legal.
Telêmaco vai embora.
Tristan vai com ele.
Em pensamento, é claro.

Capítulo 05

O enterro acontece.
Tristan olha a lápide.
Uma folha cai.
Telêmaco está com ele.
Eles vão embora.
Tristan o abraça.
- obrigado por ter ido.
- não tem de que.
- aceita um café?
- sim.
Ele vai a cozinha.
Telêmaco repara na sala.
Um altar num canto.
Algumas imagens.
Cristais, cálices e ervas secas.
Um pentagrama.
Ele acha interessante.
Tristan volta com café.
- obrigado.
- você gostou?
- de que?
Ele aponta o altar.
Telêmaco observa o local.
- eu gosto.
- você não acha estranho?
- eu respeito que faz bem.
- que bom.
- eu já vou.
- OK.
- se cuida aí.
- obrigado mais uma vez.
- de nada.
Eles se abraçam.
Telêmaco vai embora.
Tristan fecha porta.
Sala é vazia.
Xícara está na mesa.
A respiração pesa.
Ele levanta cabeça.
- eu não vou fazer isso.
Vai até a estante.
Pega um tubo de brinquedo.
Olha para o retrato de sua mãe.
- isto é para você.
Faz bolhas de sabão.
Casa fica leve.

Capítulo 06

Quarto em silêncio.
Ao longe, um pássaro canta.
Tristan pensa nele.
Embora triste, o amor permanece.
Senão amor, um encantamento.
Faz um feitiço para ele mesmo.
Curar suas feridas.
Elevar o seu amor próprio.
É tudo que precisa.
Um ciclo se fechou.
Outro chegou.
É questão de tempo.
Saber lidar com tudo isso.
Tristan vai ao parque.
Nenhum movimento.
Só as árvores ao vento.
Folhas pelo chão.
Ele lê um livro.
Momento de contentamento.

Capítulo 07

Tristan vai a faculdade de telêmaco.
Senta-se nos fundos.
Assisti a toda aula.
Ele nota sua presença.
- olá.
- oi.
- não sabia que gostava de filosofia.
- eu gosto sim.
- que bom, o que você achou da aula?
- ótimo, você é um bom professor.
- obrigado.
O celular toca.
Ele vê uma mensagem.
Lê em silêncio e apaga.
- quem era?
- nada demais.
- está bem.
- você quer tomar uma café comigo?
- seria ótimo.
- então vamos.
Eles vão a cafeteria.
- como você está?
- eu estou melhor, obrigado.
- de nada.
- você é um anjo em minha vida.
- não exagera.
- é verdade.
- se você diz.
- não sei o que eu teria feito sem você.
- o que importa é que estamos aqui.
- verdade.
Tristan pega na mão de telêmaco.
Eles se olham.
O café chega.
Eles conversam.
Vão embora.
Tristan chega em casa.
Ele lembra o acontecimento.
Toma banho.
Agradece aos deuses pelo dia.
Vai dormir.

Capítulo 08

Já é madrugada.
Celular Tristan toca.
É uma mensagem.
- oi.
- Oi, telêmaco. Aconteceu algo?
- não, desculpa o incomodo.
- está tudo bem.
- você quer conversar?
- pode ser.
- se você não quiser, tudo bem.
- relaxa, eu estou de boa.
- ótimo.
- o que você quer dizer?
- lembrei de nossa conversa.
- Ah sim, você gostou?
- sim.
- você crê no mundo espiritual?
- eu sou wicano, isso já diz muito.
- verdade.
- e você crê?
- imagino que tem algo além disso.
- porque isso agora?
- eu creio no carma.
- eu também.
- não quero ter um ruim.
- como assim?
- posso contar algo a você?
- sim.
- eu não vejo meu pai há 10 anos.
- nossa, sinto muito.
- valeu.
- porque?
- ele não aceita quem eu sou.
- compreendo.
- nem o que gosto.
- sei como é.
- nós brigamos por isso.
- o que você quer?
- voltar a vê-lo, e resolver isso.
- entendi, boa sorte a vocês.
- eu quero te pedir uma coisa.
- o que?
- você pode ir comigo?
Tristan olha o abajur.
- porque?
- acho que não consigo fazer isso só.
- você tem certeza?
- só se não for te atrapalhar.
- por mim está tudo bem.
- obrigado.
- onde ele mora?
- do outro lado do país.
- e o seu trabalho?
- vou pedir uma licença.
- tudo bem então.
- agradeço a gentileza.
- você fez tanto por mim.
- é o certo a se fazer.
- agora é a minha vez.
- quando resolver isso te aviso.
- certo.
- boa noite, desculpa o incomodo.
- a você também.
Tristan olha o teto.
Um sonho se realiza.
Um novo ciclo já vem.

Capítulo 09

Telêmaco e Tristan viajam.
Luzes de neon.
Estrada no escuro.
Movimento no centro.
Tudo é agitação.
Tristan sente o vento no rosto.
- você não gosta de voar?
- não é isso.
- você gosta de dirigir?
- também, mas tem outra coisa.
- o que?
- quero aproveitar a sua companhia.
Tristan desvia o olhar.
- eu disse alguma coisa errada?
- não, está tudo bem.
- certeza?
- sim.
- OK.
- você sabe dizer a coisa certa né?
- você nem sabe.
Os dois riem.
Eles passam a noite num hotel.
Tristan troca de roupa.
- eu vou sair.
- onde você vai?
- fazer uma coisa minha.
- é sobre sua crença?
- sim, algum problema?
- não.
- ótimo, eu já volto.
- posso ir com você?
- você tem certeza?
- sim.
- então vamos.
Eles vão a um parque ali perto.
Sentam na grama.
Olham o luar.
A lua está cheia.
Tristan fecha os olhos.
Murmura uma oração.
Telêmaco não entende.
Só vê os lábios vermelhos dele.
Seu cabelo negro.
Ele desvia o olhar.
Seu coração acelera.
Tristan toca o seu ombro.
- já terminei.
- certo, posso saber sobre isso?
- é só uma oração.
- para que?
- para agradecer a deusa mãe.
- legal.
Tristan segura o rosto dele.
- e agradecer por você também.
Ele o beija.
Telêmaco corresponde.
Os dois se olham.
Telêmaco acaricia o seu rosto.
- você é tão lindo.
- você também é.
Telêmaco suspira.
Tristan olha o relógio.
- já é tarde.
- sim, vamos embora?
- OK.
Os dois voltam ao hotel.

Capítulo 10

A nossa dupla já está na estrada.
Tristan ouve música.
Telêmaco pensa na letra.
Ele pensa em Sócrates.
- conhece a ti mesmo.
- oi?
- eu pensei alto aqui.
- o que você pensou?
- em Sócrates.
- isto tem haver comigo?
- tem haver comigo.
- você não se conhece?
- e você, se conhece?
- não.
- pois é.
Eles vêem um outdoor.
Uma corrida irá acontecer.
Telêmaco para o carro.
- olha só.
- você gosta disto?
- eu gosto de velocidade.
- você quer ver?
- sim.
- OK.
A noite chega.
A corrida acontece.
Muita gente no evento.
Eles vão a arquibancada.
Esbarram num homem.
- olha por onde anda.
- desculpa aí.
Eles sentam.
A corrida começa.
Telêmaco fica pensativo.
Tristan encosta o ombro nele.
- o que você tem?
-  penso no meu pai.
- ele gosta disto também?
- nós sempre assistíamos.
- é uma boa memória.
- eu quis ser piloto numa época.
- porque não foi?
- o encanto diminuiu.
- compreendo.
- aí eu conheci a filosofia.
- e você se apaixonou.
- perdidamente.
O homem do lado escuta os dois.
- correr é bom.
Nosso casal olha para ele.
Fica constrangido.
- desculpa, não quis me intrometer.
- está tudo bem.
- o senhor foi piloto?
- sim, meu nome é Andrei.
Ele cumprimenta os dois.
- eu sou Tristan.
- e eu, telêmaco.
- prazer.
- porque parou?
- a idade, e o desencanto.
Ele toma um gole de cerveja.
- eu sinto muito.
- não tem de que.
A corrida termina.
Andrei termina cerveja.
- vocês querem beber algo?
Eles se olham.
- por mim, tudo bem.
- ótimo, então vamos.
Os três estão num bar qualquer.
- vocês são de onde?
- longe daqui.
- este é um bom lugar.
- o senhor mora aqui?
- sim.
- gosta daqui?
- dá para o gasto.
Eles riem.
- para onde vocês vão?
- eu vou ver o meu pai.
- ele mora aqui?
- não, do outro lado do país.
- não seria melhor voar até lá?
- eu gosto de sentir o caminho.
Andrei contempla telêmaco.
- isto é tão zen.
- por isso gosto de filosofia.
- um brinde a filosofia.
Eles bebem.
- algum motivo especial?
- não nos falamos há anos.
Andrei olha para frente.
Se perde no vazio das garrafas.
- eu falei algo errado?
- não, você lembra o meu filho.
- onde ele está?
- morreu.
- sinto muito.
- nós estávamos brigados.
Telêmaco coloca mão no ombro dele.
- gostaria de poder ajudar.
- você pode.
- como?
- não cometa o mesmo erro que eu.
- vou tentar.
Andrei termina bebida.
- eu já vou, foi bom conhecer vocês.
Eles agradecem.
Andrei vai embora.
Telêmaco olha o chão.
Tristan chama atenção dele.
- ei, não fica assim.
- eu estou bem.
- a sua história não é a dele.
- espero que não.
- vamos embora, precisamos dormir.
- a nossa jornada continua.
Eles pagam a conta.
Vão embora.

Capítulo 11

Eles estão no caminho.
Param numa cidade pequena.
Tristan lembra de alguém.
Uma amiga que mora ali.
- eu tenho uma amiga que mora aqui.
- legal.
- você gostaria de conhecê-la?
- sim.
- otimo.
Vão até a casa dela.
Seu nome é Estela.
Ela reconhece Tristan.
- olá meu amigo. Há quanto tempo.
- verdade.
Os dois se abraçam.
- este é meu amigo, telêmaco.
- prazer em conhecê-la.
- bonitão ele. Você tem bom gosto.
O professor fica sem Jeito.
- somos apenas amigos.
- ótimo, entrem.
Eles tomam café.
- e então, conta as novidades.
- eu te disse sobre minha mãe?
- sim, eu sinto muito.
- obrigado.
Telêmaco termina o café.
- eu vou dar uma volta por aí.
- OK.
Ele sai.
Estela dá um toque em Tristan.
- e este bonitão hein?
- foi ele quem me salvou acidente.
- ele é gato, vai em frente.
- somos só amigos.
- hum, conta outra. Nem um beijo?
- só um beijo.
- Ah, seu danadinho.
Eles riem.
- só você mesmo.
- saudades de você.
- também.
- onde vocês vão?
- ver o pai dele, não se falam.
- isso é complicado.
- ele me ajudou, agora é minha vez.
- gentileza gera gentileza.
- você ainda faz consulta?
- sim.
- você pode tirar as cartas para mim?
- claro que sim.
Estela pega o seu tarô.
Pede para ele tirar uma carta.
Tristan pega carta dos amantes.
- isto é tão romântico.
- você sempre foi romântico.
- eu sou sim.
- vocês tem um caminho a seguir.
- nós estamos nele.
- aproveita bem, é a sua chance.
- obrigado, eu estou tranquilo.
- você faz bem.
Telêmaco chega.
Estela olha os dois.
- eu tenho uma proposta para voces.
- o que?
- vamos a um clube de patinação?
Tristan olha para telêmaco.
- eu adoraria, vamos?
- por mim tudo bem.
- ótimo.
Eles vão até lá.
Se divertem patinando.
Telêmaco é atrapalhado nisto.
Tristan o ajuda.
Estela passa por eles.
Eles patinam.
Telêmaco cai.
Tristan ri.
- você está rindo é?
- só um pouquinho.
Telêmaco faz cócegas nele.
Os dois caem.
Eles levantam.
Começa tocar uma música romântica.
Tristan o pega pelo braço.
- vem dançar comigo.
Estela observa eles.
Os dois dançam.
Assim como todos.
Tristan olha para ele.
- eu quero te dizer uma coisa.
- o que?
- eu estou gostando de você.
Balões coloridos começam a cair.
Eles olham para cima.
Telêmaco olha para ele.
- eu também gosto de você.
Os dois se beijam.
Vão para casa de Estela.
Passam a noite lá.
Outro dia chega.
- obrigado pela noite maravilhosa.
- de nada, meu amigo.
- foi bom ver você.
Os dois se abraçam.
Telêmaco fala com ela.
- obrigado por tudo.
- cuide bem dele.
- eu vou sim.
Os dois se cumprimentam.
Eles continuam a viagem.

Capítulo 12

O carro quebra no caminho.
Telêmaco chama o guincho.
A estrada é deserta.
- ajuda vai demorar?
- não.
Uma árvore balança ao vento.
Eles se abrigam em sua sombra.
- você se arrependeu disto?
- claro que não.
- estamos quase chegando.
- não se preocupe.
- este lugar é lindo.
- sim.
Dia está claro.
As nuvens passam.
Vento é suave.
O guincho chega.
Eles vão a cidade mais próxima.
O mecânico faz uma inspeção.
- o motor "ferveu", vai demorar.
- quanto tempo?
- uns 3 dias para arranjar tudo.
Telêmaco olha o relógio.
- não tem um jeito de apressar isso?
- infelizmente não.
- tudo bem então.
Eles se hospedam numa pensão.
Tristan ajeita sua mala.
- o que vamos fazer?
- eu estou com fome.
- eu vi um restaurante no caminho.
- ótimo, vamos lá.
Vão ao restaurante.
Eles olham o cardápio.
Escolhem torta de cereja e café.
Surge um novo personagem.
Alisson, o garçom.
- olá, sejam bem-vindos.
- obrigado.
- o que vão querer?
- torta de cereja e café.
- ótimo pedido.
Ele vai a cozinha.
Volta com pedido.
- bom apetite a vocês.
- obrigado.
Neste momento, chega uma mulher.
- olá, Alisson.
- o que você quer aqui?
- quando você ia em casa, hein?
Ele olha ao redor.
- aqui não é o lugar.
- cadeia mudou você mesmo.
Tristan e telêmaco se olham.
Fixam olhar na torta.
Ela aperta mão com força.
- você é um idiota.
Dá um tapa na cara dele.
Vai embora.
As pessoas olham pra ele.
Alisson esfrega o rosto.
- sinto muito por isso.
Tristan come uma fatia de torta.
- negócio é sério.
- cada um com o seu dia.
- pois é.
Terminam a refeição.
Eles pagam a conta a outra pessoa.
Vão ao estacionamento.
Alisson está lá.
Esfrega um lenço nos olhos.
Ele repara nos dois.
- sinto muito por aquilo.
- não se preocupe, acontece.
Tristan senta num banco.
Telêmaco encosta-se num carro.
- vocês tem cigarro?
- nós não fumamos.
- só faz bem.
- seu turno acabou?
- eu fui despedido.
- sinto muito por você.
- não é fácil com meu passado.
- todo mundo tem um passado.
- não um que envolva cadeia.
Tristan enxuga o suor da testa.
- não adianta pensar no que passou.
- para outras pessoas, não é assim.
Telêmaco senta-se junto a Tristan.
- quem é ela, se posso perguntar?
- minha irmã.
- sei.
- eu matei nosso irmão.
Telêmaco esfrega as mãos.
- isto é difícil.
Alisson junta-se a eles.
- foi num surto de drogas.
Tristan coloca mão no ombro dele.
- sinto muito por vocês.
- eu também sinto, mas é tarde.
- você pode ser diferente.
Alisson olha para estrada.
- e vocês, o que fazem por aqui?
- nosso carro quebrou.
- hum.
- vamos embora amanhã.
- boa viagem então.
Ele levanta-se.
- boa sorte a vocês.
- obrigado, para voce também.
- valeu.
Alisson some no horizonte.
Tristan pega mao de telêmaco.
- isto é tão triste.
- é verdade.
Eles observam o céu.
Começa a chover.

Capítulo 13

O silêncio reina.
Uma casa de campo.
Perfume de flores.
Sol é acolhedor.
Estrada é sinuosa.
Eles chegam.
O destino final.
Saem do carro.
Tristan observa tudo.
- isto é lindo.
- obrigado.
Eles vão em direção a casa.
Um homem está a porta.
É Zion, o pai telêmaco.
- olá pai.
- lembrou que tem um?
Zion entra.
Tristan olha para telêmaco.
- é melhor eu ficar aqui fora.
- não, você vem comigo.
- você tem certeza?
- sim.
Eles entram.
- pai? Cadê você?
- estou aqui na cozinha.
Vão até lá.
- este é Tristan, um amigo meu.
- prazer em conhecê-lo, senhor.
Zion aperta mão dele.
Este olha o filho.
- o que você quer aqui?
- já fazem 10 anos.
- eu sei disso.
Tristan olha janela.
- com licença, eu vou olhar por aí.
Ele sai.
Zion o observa sair.
- este é o seu namorado?
- já vai começar?
- você sabe que não ligo para isso.
- liga para que então?
- a sua indiferença comigo.
- isso não veio de graça.
- claro, a culpa é minha.
- não é isso.
- é o que então?
Telêmaco olha o fogão.
- tem café aí?
- senta que eu faço.
Telêmaco senta-se.
Zion prepara o café.
Seu filho observa o ambiente.
- senhor está bem sozinho?
- nunca estive melhor.
- imagino que não.
- solidão não me assusta.
- nada lhe assusta.
- já passei desta fase.
Zion prepara o café.
Serve para os dois.
- não vai chamar seu amigo?
- ele está bem.
- o que você quer?
- eu vim acabar com isso.
- com isso que?
- esta distância entre nós.
Zion bebe um gole de café.
- muito gentil sua parte.
- isso não precisa ser assim.
- muita coisa não precisa ser assim.
É a vez de telêmaco beber.
Zion coloca mais café.
- o que você tem feito?
- eu sou professor de filosofia.
- que bom então.
- e o senhor?
- cuidando daqui.
- lugar está bem.
- sim.
- não vai falar nada?
- falar o que?
- qualquer coisa.
- palavras são só palavras.
- posso lhe dar um abraço?
Zion segura xícara com força.
- sim.
Os dois se abraçam.
Tristan chega.
- este lugar é muito...
Ele percebe a cena.
Os dois olham para ele.
- eu não queria atrapalhar.
Zion sorri.
- relaxa, garoto. Está tudo bem.
Telêmaco acena para ele.
- vem tomar café.
- cheiro está bom.
Os três sentam-se a mesa.
Zion serve Tristan.
- obrigado.
Zion passa mão pelo cabelo.
- e então, qual é a de vocês?
Tristan engasga com café.
Telêmaco olha o pai.
Zion acha graça.
- Ah, esta juventude.
Sol brilha lá fora.
Vento acaricia as árvores.

(Fim)