domingo, 29 de dezembro de 2024

narciso e Antino

Capítulo 1

Numa realidade alternativa, vive um músico chamado narciso.
Ele ama música clássica e sua maior paixão é o piano.
Desde sempre, sua família é artística.
E os seus pais lhe incentivaram na sua carreira musical.
Narciso cresceu num ambiente feliz.
E nada lhe foi negado.
Até que um dia, sua felicidade ficou ainda maior.

Capítulo 2

Depois de um concerto de natal no teatro, narciso foi dar uma volta no jardim.
E lá, ele se deparou com o homem dos seus sonhos.
Antino é pintor.
E ele tá no jardim pintando um quadro de rosas.
Ele tá muito concentrado.
Até que o vento derrubou seu chapéu.
E o chapéu pára nos pés de narciso.
Ele o apanha.
E devolve pra Antino.
Os dois se olham por um momento.
Antino agradece a gentileza.
Narciso olha o seu quadro.
E o elogia.
- Obrigado. Eu tento fazer o meu melhor.
- E você com certeza faz.
Os dois se apresentam.
Narciso pergunta se ele sempre está por ali.
Antino diz que sim.
Ele gosta de pintar em meio a natureza.
Os dois se despedem.
E prometem se reencontrar depois.

Capítulo 3

Narciso está muito ansioso hoje.
Ele tem uma apresentação num Zeppelin.
Vai tocar Chopin.
Esta deitado na cama.
Sua mãe lhe traz um chá.
E uma carta.
Ele abre e lê.
Fica muito feliz com o que vê.
Sua mãe perguntou o que é.
Ele diz que não é nada.
Apenas um admirador secreto que gosta de seu trabalho.
Narciso olha pela janela.
Um sorriso cruza o seu rosto.
Esta noite promete.

Capítulo 4

Numa noite estrelada, um Zeppelin corta o céu da metrópole.
E dentro dele, uma plateia seleta ouve mais um espetáculo de narciso.
Ao final do show, todos o aplaudem.
O Zeppelin pousa.
E quando Narciso pretende ir embora, um balão colorido desce dos céus, com um grande show de fogos de artifício.
E quando balão pousa, quem sai dele é Antino.
O pintor vai em sua direção.
Lhe dá um buquê de flores.
E lhe beija.
Todos então aplaudem.
Eles vão embora juntos dali.

Capítulo 5

Mas agora trama se complica.
Porque aparece na história uma mulher misteriosa chamada Margareth.
Ela procura Antino com um propósito.
Que ele pinte um retrato seu.
Pois ela sabe que ele é o melhor pintor da cidade.
Só que ele recusa.
Fala que não pinta quadro de mulheres.
- E porque não?
Ela perguntou.
- Porque uma vez, eu pintei o retrato de uma mulher casada. Ela ficou tão linda que o seu marido pensou que tivéssemos um caso. Ele tentou me matar. Então eu fiz esta promessa mim mesmo.
- Isto é absurdo.
- Pois para mim não é.
- Mas eu não sou casada.
- Isto não importa. Minha resposta é não.
- Você tem certeza?
- Eu tenho sim.
- Muito bem então. Você me paga.
Ela sai furiosa de lá.

Capítulo 6

Narciso vai visitar Antino.
Descobre que ele foi enfeitiçado.
Está preso numa tela de pintura.
Antino deixa uma carta.
Explica narciso a situação  Margarete.
E diz que se alguma coisa acontece com ele, ela é a responsável.
Narciso então vai procurá-la.
Ela ri da cara dele.
E fala que se ele quer salvar o seu amado, vai ter que cumprir 3 tarefas.
Ele aceita o desafio.
Margaret explica Tudo.
Narciso pergunta porque ela faz isso.
Ela responde que quer se divertir.

Capítulo 7

Para realizar a sua missão, narciso lê um livro mágico que o transporta pra jornada ser feita.
E a primeira coisa que ele tem que fazer é viajar até a Itália renascentista.
E lá ele vai falar com Leonardo da Vinci pra não pintar a última ceia.
E assim acontece.
Num passe de mágica, Narciso está na Itália da época.
Ele procura Leonardo por em Milão, até que lhe falam que ele está no convento santa Maria Della Grazie.
Narciso vai até lá.
E encontra Leonardo sentado num banco, observando rascunho de sua obra.
Seu olhar é perdido no horizonte.
Seu coração bate forte.
Narciso está diante de seu ídolo maior.
Leonardo olha pra ele.
- Olá. Quem é você?
- Meu nome é narciso.
- Bonito nome seu.
- Obrigado.
- Este seu sotaque é diferente. De onde vc é?
- Hum... Eu sou de Atenas.
- Que ótimo. Um grego entre nós. O que você quer?
- Parece meio estranho o que tenho pra dizer, mas o fato é que eu vim lhe pedir pra você não pintar este afresco.
- Porque?
- Você não pode se vender assim a igreja. Eles não merecem você.
- É mesmo?
- Sim. Além do maís, toda esta história sobre o cristianismo é uma farsa.
Leonardo levanta-se e vai até ele.
- Você é um rapaz interessante.
- Hã, obrigado. E então?
- Quem me conhece sabe que religião não faz parte da minha personalidade. Isto é tão somente por dinheiro.
- Mas sua arte vai influenciar mais pessoas ainda a seguirem neste engano.
- Infelizmente, eu não posso controlar os outros. Mas eu posso fazer uma coisa.
Leonardo beija narciso.
Ele fica sem palavras.
- Agora, se me dá licença, eu tenho que sair. Prometo pensar na nossa conversa. Foi um prazer conhecê-lo, Narciso.
Leonardo sai.
Ele não diz nada.
Alguém aparece por trás de narciso.
Ele toma um susto.
O estranho fala com ele.
- Seja quem vc for, vá embora daqui e não volta mais.
- Quem é você para falar assim comigo?
- Meu nome é salai. Eu sou protegido dele. E vc não vai atrapalhar o meu caminho. Então, deixa o mestre em paz.
Narciso não pode deixar de notar a beleza deste garoto, enquanto ele se afasta.
De repente, ele fica tonto e desmaia.

Capítulo 8

A segunda missão de narciso é junto a van Gogh.
Na época em que ele corta a sua orelha.
E lá vai o nosso herói pra aquela época histórica.
A paisagem é surreal.
Narciso se encontra na noite estrelada do pintor.
Ele fica admirado.
O vento bate em seu rosto.
Ele sente um momento de paz.
Admira as estrelas.
E pensa em Antino.
Ao longe, ele vê uma cabana na colina.
E da chaminé desta cabana sai uma fumaça.
De alguma forma, ele sabe que van Gogh está lá.
E para lá ele vai.
Narciso bate na porta.
Van Gogh atende.
- O que vc quer?
- Eu quero falar com vc.
- Sobre o que?
- Eu posso entrar?
Vincent olha desconfiado pra ele.
Mas aceita o pedido.
- Tudo bem então.
Narciso entra.
Van Gogh fecha a porta.
E lhe faz uma pergunta.
- Você quer chá?
- Eu aceito sim, obrigado.
Van Gogh prepara o chá.
Narciso olha pra ele.
E para sua orelha decepada.
Van Gogh lhe entrega xícara.
E pega uma pra ele.
Senta-se numa cadeira.
E lhe indaga.
- Qual o seu nome?
- Eu me chamo narciso.
- O que vc quer, Narciso?
Nosso amigo olha pra aparência cansada e triste do gênio holandês.
E prossegue a conversa.
- Eu vim aqui pra ajudar vc.
- Me ajudar?
- Sim 
- Em que sentido?
- Para que você não perca o sentido da vida.
Van Gogh olha forma neutra pra ele.
- O que te faz pensar que eu estou sem rumo?
- Isso.
Narciso aponta para orelha dele.
Vincent coloca mão na orelha.
Levanta-se da cadeira.
E olha pela janela.
Seu olhar fica perdido.
Ele volta olhar pra Narciso.
- Sabe, rapaz. Eu sempre quis ser pintor. Meu pai tentou me transformar em outra coisa. Mas algo dentro de mim sempre me levou pra este caminho. Deus sabe como tentei. Senão fosse pelo meu irmão, Theo, eu não saberia o que fazer da vida. Me apaixonei pela pessoa errada. Num momento de loucura, fiz isso comigo mesmo. Porém, uma força me leva para extremos da mente e do pensamento. Eu não sei o que fazer.
- Eu compreendo. Gostaria de lhe ensinar uma grande filosofia de vida, mas a única coisa que posso dizer é que não desista de vc mesmo. Sua arte é uma grande dádiva pra nós. E vc também.
- É mesmo? Será que eu faço alguma diferença no mundo?
- Para mim sim 
Van Gogh termina tomar o seu chá.
Vai até narciso.
Abraça ele.
E agradece pela atenção.
- Obrigado, meu amigo. Você me ajudou muito hoje. Agora se me dá licença, tenho um quadro pra terminar.
- Eu que agradeço pela gentileza.
Narciso vai embora.
Perdido na noite estrelada.
A lua é coberta por uma nuvem.
E sua mente também.

Capítulo 9

Agora chegou a vez de irmos ao México.
Mais precisamente na década de 1950.
Nesta época, Frida Kahlo já é uma pintora renome mundial.
Mas a sua vida pessoal está em frangalhos.
E sua saúde física e mental se encontram num ponto crítico.
Ela teve a perna direita amputada em consequência de uma poliomielite adquirida na infância.
A pintora entra em depressão por causa desta situação.
E narciso entra na história pra lhe trazer um pouco de conforto.
Ela tá deitada na cama.
Olha pra o teto com o olhar vazio.
E uma lágrima cai pelo seu rosto.
Narciso se apresenta como um admirador sua obra pra família dela, e diz que gostaria de lhe fazer uma visita.
O pai pergunta se ela gostaria de receber uma visita.
Ela diz que sim.
Quem sabe isso não afaste um pouco a tristeza que ela sente?
Narciso entra no quarto.
- Olá, meu nome é narciso. Eu sou músico. E admiro muito sua obra.
- Obrigada, pena que isso não sirva pra muita coisa agora.
- Porque?
- É só olhar pra mim e você terá sua resposta.
- Eu sei que esta é uma situação difícil, mas você não pode desistir.
Você é influência pra muita gente no mundo.
- Será que sou mesmo?
- Com certeza sim. Pelo menos pra mim, sua força vontade diante das adversidades é muito inspirador pra mim.
- Agradeço a gentileza. Isto me conforta. Saber que apesar de tudo, a dor nos ensina a seguir em frente melhor maneira possível.
- Pois é.
- Você é uma boa pessoa.
- Obrigado. Agora tenho que ir. Só vim aqui pra lhe dizer o quanto lhe admiro e o quanto você é maravilhosa pra muitas pessoas no mundo.
- Posso lhe pedir uma coisa antes de você ir?
- O que?
- Um beijo.
Narciso se aproxima cama e lhe dá um beijo suave nos lábios.
Ele então vai embora.

Capítulo 10

Ele volta ao nosso tempo.
Margaret o espera.
- E então como foi a sua missão?
- Achei interessante. Conhecer estes pintores que tanto me inspiram me ajudou muito.
- Ótimo.
- Agora libere Antino deste feitiço.
- Tudo bem então. 
Margaret fala algumas palavras mágicas mas nada acontece.
Antino ainda está no quadro.
Mas uma coisa surpreendente.
Ele tá feliz.
E um gesto de mão surge como a convidar narciso para ficar junto com ele.
A feiticeira explica isto pra Narciso.
- Isso é impossível. Como pode ser?
- As vezes as pessoas tomam atitudes aleatórias. Talvez ele tenha se cansado deste mundo e queira viver na pintura pra sempre.
- Isso é culpa sua. Senão fosse por você nada disso teria acontecido.
- Não importa mais. O que importa é que ele não quer.
- O que eu faço agora?
- A escolha é sua. Vai com ele ou fica aqui?
Narciso pensa por um tempo.
Margaret promete que eles poderão viver em várias paisagens mágicas no seu quadro e sair quando quiserem.
Narciso então aceita o desafio e vai pra dentro do quadro.
Os dois se beijam na imagem.
Margaret olha pros dois.
E vai embora.

FIM.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

a casa do salgueiro

A.
Numa noite quente 
Eu respiro ar puro 
De meu novo lar
Nesta casa de campo 
A chuva é viva
E o céu é límpido 
O vento corre solto 
E a liberdade 
Toma conta de mim 
Mas o que eu não sei 
É que tudo vai mudar 
Para algo pior 

B.
Minha esposa briana
E nossos filhos 
Carine e Bryan 
São meus tesouros 
Nos mudamos da cidade 
Para o campo 
Para termos uma vida 
Melhor e mais tranquila 
Com nossa economia 
Compramos esta casa 
De estilo rústico e colonial 
Com um belo salgueiro 
Mas o que é um sonho 
Se transforma em pesadelo 

C.
Alguns meses depois 
Nos adaptamos aqui 
Eu trabalho em casa 
E Briana viaja 
Para atender os clientes 
Tudo se encaixa 
Como peças de relógio 
Mas como nada é perfeito 
A maré muda 
E a tormenta chega

D.
Numa noite como esta 
O salgueiro chora 
Com o sabor do vento 
Um som eu ouço 
Como uma voz que sussurra 
Lá fora eu vou 
Mas ninguém eu vejo 
E quando eu entro 
Uma sombra por mim passa 
E isso me assusta 

E.
Tomamos café 
E uma xícara se quebra 
Não mão de briana 
Ela vai se limpar 
E meus filhos 
Perguntam o que aconteceu 
Eu digo que não é nada 
Foi apenas um acidente 
Mas eu fico desconfiado 
De alguma coisa a mais 

F.
Uma noite, eu durmo 
E passos eu ouço 
Pelo corredor do quarto 
Eu me levanto 
E vou olhar 
Mas não vejo nada 
A não ser um forte clarão 
Fora da casa 
Perto do salgueiro 
Eu tenho a impressão 
De ver a sombra 
De um homem 
Segurando uma lanterna 
E dando voltas 
Ao redor da árvore 
Eu fico em dúvida 
Se devo ir até lá 
Mas eu resolvo ir 
Saio mais silencioso possível 
Enquanto o homem 
Dá voltas na árvore 
De repente ele pára 
Olha pra mim 
E corre em minha direção 
Eu volto pra casa 
Fecho a porta 
E chamo a polícia 

G.
A polícia chegou 
Vasculha toda área 
Mas não encontra ninguém 
Eles vão embora 
Minha família já está acordada 
E todos estão espantados 
Eu os acalmo 
E nossos filhos vão dormir 
Briana pergunta o que aconteceu 
Eu falei pra ela 
Que fica assustada 
E a noite é tão silenciosa 

H.
Numa tarde de verão 
Carine nada num lago 
Perto do salgueiro 
Ela bóia na superfície 
Encarando o céu 
Quando um vento 
Sacode o salgueiro 
Ela presta atenção 
É vê o vulto 
De uma mulher 
Vestida de vermelho 
Perto da árvore 
Ela chama o pai 
Mas ninguém responde 
E quando ela 
Tenta sair d'água 
Seu corpo é puxado 
Para baixo do lago 
Ela luta contra 
Uma força invisível 
Consegue subir a superfície 
E gritar pela mãe 
Mas é arrastada novamente 
Para debaixo d'água 
Ao quase se afogar 
Ela é salva pelo seu irmão 
Que a puxa pra fora 

I.
Todos estamos nervosos 
Briana fala em 
Deixar este lugar 
Mas por enquanto 
Nós não podemos 
Gastei muito dinheiro 
Reformando esta casa 
E não tenho 
Como sair daqui 
Então resolvemos 
Levar os nossos filhos 
Para casa de minha irmã 
Eles vão passar um tempo lá 
Até ver o que 
Decidimos por aqui 

J.
Falamos com Muitos corretores De imóveis 
Eles não Disseram nada 
Mas percebemos Pelo seu Modo de Agir que Não Acreditam em Nós 
Então esperamos Um Tempo 
As coisas Acalmaram um Pouco 
E achamos Que isso Tinha passado 
Mas nos Enganamos 

K.
Uma noite Enquanto dormíamos 
Um Vento forte Soprou
E a Janela quebrou 
Nós acordamos 
Ouvimos risadas Pela casa 
Ficamos assustados 
Eu saí No corredor 
Para ver Alguma coisa 
Mas não Vi nada 
Briana então Gritou 
Eu voltei Pro quarto 
E nós Vimos da Janela 
Vultos dançam Ciranda 
Ao redor Do salgueiro 
Nós Ficamos em Choque 
Por algum Motivo 
Resolvemos ir Lá fora 
Mas não Havia mais Ninguém 
Chuva começa Cair 
Nós entramos 
E vários Copos 
Voam em Nossa direção 

L.
Fomos embora Dali
Alugamos outra Casa 
E nos Mudamos 
Aquilo foi A gota D'água 
Nossos filhos Voltaram 
Estávamos aliviados 
Aquele lugar Horrível 
Não era Mais nosso 
Ainda tivemos Pesadelos 
Por um Tempo 
Mas aquilo Passou 

M.
Alguns meses Depois 
Vendemos a Casa 
Por um Preço baixo 
Mas foi Melhor que Nada 
Estávamos tranquilos
Não soubemos Daquele lugar 
Por um Tempo 
Mas num Dia tranquilo 
Eu recebi Uma Carta 
Do atual Morador 
Que deseja Me ver 
Eu não Sei porque 
Mas atendi O seu Chamado 
Eu não Disse nada 
A minha Família 
Nós já Sofremos 
Por causa Do lugar 
E voltei Lá 

N.
Quando cheguei Na casa 
Várias lembranças Surgiram 
Fazem 6 meses 
Que saímos De lá 
Mas parece Que foi Ontem 
O novo Dono 
Me Encontrou no Caminho 
Ele é Gentil & educado 
Me convidou Pra um Café 
Mas eu Não quis Entrar 
Perguntei o Que 
Ele quer Comigo 
E me Fala que Encontrou 
Um livro Dedicado a Mim.
Eu fiquei Surpreso
Eu Não sabia 
Da existência Deste Livro 
Ele foi Buscar 
E foi Aí
Que eu Vi 0 salgueiro 
Uma brisa Leve 
O fez Se movimentar 
Como se Estivesse 
Me saudando ali 
Eu Fiquei com Calafrio 

O.
O novo Dono 
Disse que encontrou 
Este livro no
Sótão e ele 
Tinha o meu nome 
Eu olhei pra letra 
E percebi que não 
Era a minha 
Portanto eu não disse nada 
Perguntei a ele 
Se estava gostando dali 
Ele disse que sim.
Sem dizer mais nada 
Olhei pra o salgueiro 
Mas ele estava parado 
Como se me encarasse 
Eu me despedi
Daquele homem e 
Fui embora 
No meio do caminho 
Eu perdi o controle 
Do carro e bati 
Numa árvore ali 
Foi aí então 
Que eu desmaiei 

P.
Quando eu acordo 
Me vejo numa 
Estrada diferente 
É noite e Estou 
Cercado por salgueiros 
Não vejo o carro 
Começo a andar 
Também não vejo 
A casa que morei 
Chamo pelas pessoas 
Ninguém me respondeu 
O livro também sumiu 
O vento começou a soprar 
Tropeço em raízes 
E caio ali 
Eu me sinto vazio 
Como se nada 
Daquilo fizesse sentido 
Então um raio cai 
Num dos salgueiros 
Ele pega fogo 
E na mesma hora 
Um coro de choro 
Ecoa pela noite 
A chuva começa a cair 
E eu corro Dali 
A noite escurece mais ainda 
E vou parar numa cabana 
Onde peco ajuda 
A porta se abre 
E um palhaço 
Aparece pra me receber 

Q.
O palhaço me acolhe 
E convida entrar 
- Olá meu caro amigo 
O que lhe traz 
Ao recanto da felicidade?
Ele me perguntou 
EU não sei o que fazer 
E conto a história pra ele 
Ele ri na minha cara 
E diz que eu não me preocupe
Pois ele tem a
Solução pra mim 
Então eu me sento
Numa cadeira de lona 
Que é toda colorida 
Enquanto ele vai
Até a cozinha 
Eu olho sua casa
Ela é toda colorida 
De material plástico 
Todas as paredes 
São cobertas por 
Quadros de palhaços 
E enfeites de circo 
O palhaço volta
Com uma taça de vinho 
- Tome, isto vai 
Te fazer bem 
Ele me falou 
Sem nem pensar 
Eu tomo vinho 
Então me vejo 
Caindo num buraco 
Negro e sem fim.
Enquanto o palhaço 
Olha pra mim 
Lá de cima 
E ri de minha queda 
Tudo fica escuro 
Não vejo nada 

R.
Quando eu acordo 
Estou amarrado 
Num salgueiro 
Eu tento falar
Mas não consigo 
Tento me mexer 
Mas não posso 
Olho ao redor 
Parece um vale 
Calmo e tranquilo 
Não há ninguém por perto 
Clima está em suspenso 
Nem quente, nem frio.
De repente um leão 
Vem em minha direção 
Ele pára na minha frente 
E me encara 
Sem mover um músculo 
Eu poderia ter medo 
Mas naquele momento 
Eu não senti nada 
Apenas um vazio 
Na minha mente 
Logo leão vai embora 
E eu me vejo 
Livre das amarras
E palavras cobrem 
As minhas mãos 
Eu me levanto 
E olho pra 
Aquele salgueiro 
Depois de um tempo 
Eu começo a andar 
E chego num pequeno jardim 
Onde no seu centro 
Há uma TV antiga 
Ela se liga 
E eu me vejo 
Numa sala decorada 
Com vários espelhos 
E logo me vejo 
Fisicamente nesta sala 

S.
Na sala de espelhos
Eu não vejo o meu reflexo 
Em lugar nenhum 
Apenas uma porta vermelha 
Por onde eu saio 
E ao sair daquela sala 
Entro num tipo 
De igreja gótica 
Onde minha mulher 
Se encontra vestida 
Como uma santa 
Em cima de um altar 

T.
- Briana, o que você 
Esta fazendo aqui?
Eu perguntei 
- Você não sabe?
Eu estou aqui 
Para salvar o salgueiro 
Ela me falou 
Eu não entendi nada 
Ela aponta para fora 
Daquele lugar estranho 

U.
Quando eu saio 
Me vejo novamente 
Na casa do salgueiro 
Só que ela tá queimando 
E o salgueiro se agita 
De repente, meus filhos 
Saem da casa 
Eles correm e gritam 
Eles estão queimados 
E caem aos meus pés 
Eu me desespero 
E começo a gritar 
Mas o som minha voz 
Não emite nada 
E quando chego
Perto dos meus filhos 
Eles viram cinzas 
E são levados pelo vento.

V.
A casa inteira desaba
E o salgueiro cai 
Um barulho imenso 
Ecoa naquele lugar 
A lua brilha tanto 
Que me cega 
Uma mão toca 
O meu ombro 
Uma voz desconhecida 
Fala pra que eu descanse 
E durma logo 
Eu tento lutar 
Contra esse pensamento 
Mas logo eu 
Caio no sono.

W.
Eu acordei num hospício 
Estou numa cela alcochoada 
De paredes brancas 
Ouço gritos ao longe 
Não quero crer nisso 
Deve haver alguma coisa 
Errada nisso tudo
É um engano 
Só pode ser 
A porta se abre 
E o médico aparece 

X.
Então eu sei de tudo 
Me lembro de tudo 
O médico disse 
O que eu me neguei 
A saber todo este tempo 
As minhas alucinações 
Com a casa 
E o salgueiro 
Minhas atitudes aleatórias 
O fogo que coloquei 
Para acabar com tudo isso 
E as suas consequências 

Y.
Eu fiquei calado 
Não soube o que dizer 
Parece tão irreal 
E ao mesmo tempo 
Isso é tão real 
A minha mente 
É o meu mundo 
E destruí tudo 
Não tenho mais 
O que fazer 

Z.
O vento bate na janela 
Um som eu escuto 
Como alguém chorando 
A lua invade 
A minha cela 
E tudo ganha 
Um aspecto irresistível 
Eu olho pela janela 
E não acredito
No que vejo 
Um grande salgueiro 
Está minha espreita.

Fim.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

o detetive Waddington

...
Olá 
Meu nome é Waddington.
Sou detetive particular.
Eu caí da escada.
E quebrei a perna.
Estou a 3 semanas de cama.
Isto é um saco.
Eu sou gay.
Tenho um marido.
Seu nome é Leonardo.
Léo pra mim.
Ele é pintor.
Está pintando um retrato nu meu.
Ele me provoca.
Começa a me chupar.
E nós transamos.
O telefone toca.
Quem fala é o meu amigo Ricardo.
Ele é escritor.
Me ajuda a achar clientes.
- Olá, Waddington. Eu tenho um caso pra você.
- Você sabe como eu estou.
- Não se preocupe. Você pode resolver qualquer caso em qualquer lugar.
- Tudo bem então. O que você tem pra mim?
...
Então ele me diz.
Uma mulher chamada Marie foi morta na prisão.
Ela se matou.
E deixou uma carta.
Isto me deixa deste jeito.
Um jeito pensativo.
Vida e morte sempre se cruzam.
Eu lembro um dia.
Ia para academia.
E passei por um enterro.
Coisa estranha esta é.
Lutamos tanto pelo bem estar físico.
E nosso destino final é a morte.
Decadência em alto nível.
Vale a pena lutar tanto pelas coisas?
Eu fico em dúvida.
Aquele caixão marrom encerra em si todas as perguntas da vida.
...
Marie era uma professora de teatro.
Tinha um gênio difícil.
Batia de frente com muita gente.
Um dia, numa briga, ela agrediu o namorado com uma faca.
Ela foi presa 
Isto foi a 3 meses.
Neste tempo ela recebeu 3 visitas.
Lashana, uma atriz.
Ela se apaixonou pelo namorado de Marie.
As 2 discutiram.
E Marie bateu nela.
Lashana prometeu vingança.
Alan, o namorado dela.
Eles brigaram por razões óbvias.
E Lucy, a irmã dela.
As duas nunca se deram bem.
E por questão de herança, elas se desentenderam mais ainda.
...
Ricardo me passa estas informações.
Os 3 suspeitos foram interrogados.
Nada foi descoberto.
Ela escreveu uma carta 
Não dá nome a ninguém.
Só fala que depois da visita de alguém, ela ficou abalada.
E dias depois, se enforcou.
Alguém revelou um segredo pra ela.
Isto lhe perturbava muito.
E a história terminou desta forma.
Ricardo falou com os três.
E me trouxe os relatos.
...
Lashana visitou na cadeia.
Como um deboche.
As duas ficaram a sós.
Ela contou que Alan preferia a ela.
Pois Marie era passado.
Não tinha mais o encanto de antes.
Ela faria um favor se sumisse do mundo.
Marie deu um tapa nela.
E esta foi a última vez que se viram.
...
Alan foi visitá-la.
Os dois discutiram.
Marie ainda o amava.
Ele não sentia nada.
E revelou seu desprezo por ela.
Isto a magoou.
Ele foi embora.
Ela ficou chorando.
...
Por último, Ricardo encontra Lucy.
Ela não quer falar.
Diz que a irmã teve o que merece.
E vai embora.
Ricardo fica intrigado.
E vasculha a vida das duas.
Ele entrega o material a mim.
...
Eu vejo algumas anotações.
A mãe delas morreu de um ataque cardíaco num parque.
Marie estava com ela.
As duas faziam um piquenique junto a um jardim público.
Marie adormece.
E quando acorda, sua mãe está morta.
O mais interessante de tudo, é que na bolsa de sua mãe, estava o seu remédio.
Que ela nunca esquecia de tomar.
E isto liga um sinal de alerta em mim.
...
Eu ligo pra Lucy.
Ela me atende.
- Alô?
- Oi. Meu nome é Waddington. Sou detetive particular.
- O que vc quer?
- Saber sobre a sua irmã, Marie.
- Eu não tenho nada pra falar sobre isso.
- Tem certeza?
- Sim.
- Pois eu não.
- Problema é seu.
- Eu sei o que aconteceu.
- E o que você sabe?
- Sua irmã se matou por sua causa.
- Minha causa? Porque?
- Você falou com ela sobre a mãe de vocês. Ela morreu de um ataque cardíaco, que poderia ter sido evitado por sua irmã que estava com ela na hora. Mas ela não fez nada. E isto levou ao óbito de sua mãe. Você conhece sua irmã. E sabe muito bem do que ela é capaz. Eu só não entendi qual é a causa.
- Quem contratou você?
- Ninguém. Certas histórias me interessam por si só.
- Muito bem então. Eu vou lhe dizer qual é a causa. Na época, Marie e minha mãe estavam brigando demais pelo jeito de ser dela. Minha mãe ameaçou deserda-la. Marie se enfureceu. E resolver dar cabo dela de forma indireta. Ela combinou este piquenique só as duas pra reconciliação. E Marie ia mata-la de algum modo que eu não sei. Só que a ironia do destino fez minha mãe ter este ataque. E ela aproveitou a ocasião e lugar deserto pra negar auxílio. O resto é história.
- Compreendo. Agradeço a informação.
- Não me ligue mais.
Ela desligou o celular.
E logo entendi que Lucy havia ido na cadeia, e aproveitou a ocasião pra jogar esta história na cara da irmã.
Ela não aguentou a pressão, e se matou.
Isto é a natureza humana.
...
Alguns dias depois, Léo terminou o meu quadro.
Até que me senti um Dorian Gray.
Sem a parte de vender minha alma.
Ricardo publicou seu conto num site.
Com nomes fictícios, é óbvio.
E eu escrevi este texto.
Para minha lembrança.
De como as pessoas podem ser.