o gato branco
na solidão da noite
sol que encanta
I
Tom Silver olhava atentamente o relógio.
Sua vida havia mudado completamente desde o tempo em que ocorreu aquele acidente.
Ele não era mais o mesmo.
E sua vida tinha se transformado numa espécie de tedio rotineiro onde nada mais parecia fazer sentido para ele.
Tudo começou á ficar mais e mais nublado em sua mente enquanto compreensão do mundo. Para que existir num plano que não lhe agradava mais?
Os dias se passaram em vão.
As noites eram repletas de melancolia.
E para aguentar tudo isto, o que ele fazia era comer cada vez mais.
Um misto de culpa e ansiedade o fazia ter um sentimento de conflito com a refeição.
E ele engordou.
A cada tempo que se passava, sua silhueta ficava imensa.
E o que era ruim, ficou ainda pior.
Suas roupas se perderam.
E sua vontade de socializar também se perdeu.
Pois ele não se aguentava nem mais olhar no espelho.
E a reclusão então veio.
Tom Silver não saia mais de casa.
Não queria mais conversar com ninguém.
Ele achava sua imagem estética insuportável.
Foram dias e dias em cima duma cama.
Casa toda estava bagunçada.
Não atendia ao telefone quando lhe ligavam.
Enfim, uma verdadeira desconexão com o mundo.
Ate a sujeira se avolumava ao seu redor.
Mas para ele nada disto era importante.
Somente aquilo que ele sentia.
Um dia porem tudo isto mudou.
Ele não aguentou mais aquela situação.
Tom Silver resolveu mudar de vida e começar uma nova jornada.
Ele decidiu usar sua inteligência em prol de si e dos outros.
E não mais se sujeitar aos caprichos dum destino que lhe parecia demasiado cruel e sem sentido, compreendendo que para mudar a sua mente, era necessário mudar a sua atitude. E assim ele o fez.
Tom Silver olhou novamente o relógio.
Agora eram 14h52min.
Tarde estava quente.
Ele ficou imaginando onde estaria aquela mulher.
- Será que ela não vem? Eu não vou perder o meu tempo aqui à toa.
Vale salientar para satisfação do leitor curioso, que a aparência deste meu personagem mudou significativamente com a sua mudança de comportamento.
Ele emagreceu, e dos seus 110 kg passou para 75 kg, distribuídos numa bela altura de 1,80 m; branco como a neve, com olhos castanhos e cabelos pretos cacheados, Tom Silver voltou á ser o que era antes.
Sua aparência chamou muito atenção de todos, e foi por isto e por um anuncio nos meios de comunicação atual que a senhora Hermes solicitou sua ajuda.
E era justamente esta senhora que ele esperava ate agora.
Quando já estava prestes a levantar para sair, eis que a porta do seu escritório se abre.
E a figura monumental da senhora Hermes dá o ar da graça.
Uma mulher de seus 63 anos, morena, estatura mediana, vestida de forma simples, elegante e discreta, lhe parece ter um vago ar apreensivo.
- Boa tarde, senhora Hermes. Em que posso ajudá-la?
- Eu necessito sua ajuda para um caso de desaparecimento a ser resolvido.
- Desaparecimento de quem?
- Da minha neta, Cely.
- E desde quando sua neta esta desaparecida?
- Há nove dias.
- Já foi à polícia?
- Não. – E porque não?
- Porque este é um assunto familiar e não gosto de pessoas estranhas se metendo na minha vida. Por isto vim á sua procura.
- Atitude estranha esta sua, não acha?
- O mundo é estranho e ainda estamos nele.
- Tudo bem então. Eu gostaria de saber mais sobre o caso.
- O caso é que nós tivemos uma briga e ela saiu de casa sem dar satisfação.
- Ela costuma fazer isto?
- Ate este momento não.
- Tem alguma ideia para onde ela possa ter ido?
- Para casa dum namorado dela.
- E os pais dela?
- Morreram num acidente automobilístico há sete anos.
- Compreendo. Vocês geralmente se dão bem ou sempre brigam?
- Ate este namorado dela aparecer na nossa vida, tudo ia bem. Depois dele, a personalidade dela mudou muito e para pior.
- Entendo e em que sentido ela mudou para pior?
- Ficou agressiva, sem compromisso com estudo e trabalho, e sai sem dar satisfação á ninguém. Está muito difícil a convivência.
- Quanto tempo ela namora este rapaz?
- Há nove meses.
- Certo e qual é o nome dele?
- Saito Dorneles. Aqui está uma foto deles.
- Ok. Em que lugar este Saito mora?
- Na cidade vizinha. Num condomínio residencial de nome o gato branco.
Que nome estranho para se colocar num condomínio residencial. Enfim, vivemos num pais estranho mesmo, pensou Tom Silver.
- Enfim, eu quero que você descubra onde ele á esconde, pois nega que Cely não está com ele e eu sei que isto é mentira.
- E se ela não estiver mesmo com ele.
- Então ele vai nos levar até ela.
- Só mais uma pergunta. Ele mora com alguém?
- Pelo que Cely me disse, ele tem um irmão chamado Fausto. Os pais deles moram no Japão. Isto é que eu sei até agora. Já fui ao apartamento dele e liguei, mas não tive muito sucesso. Espero que você consiga alguma coisa para mim.
- Tudo bem então. Quando tiver alguma novidade, eu lhe informo.
- Obrigada e ate mais então.
Eles apertam as mãos e ela vai embora de forma mais sossegada.
Agora uma nova aventura começa para o nosso herói.
II
No dia seguinte, a manha surge ainda mais quente.
E calor é o que Tom Silver não gosta de sentir.
O seu sonho é morar num pais de clima ameno.
E o seu pais dos sonhos sem duvidas é a Itália.
Uma paixão geográfica e cultural que ele admira desde pequeno.
Com flores pela estrada, ele atravessa a rodovia em direção á cidade vizinha para o seu mais novo caso.
O que diriam seus pais sobre o que ele se tornou?
Principalmente seu pai que é um homem tão difícil de agradar.
Eles não tem se visto muito ultimamente.
E este caso em questão entre vó e neta faz lembrar em muitos aspectos a rotina de sua vida junto ao seu pai.
Conflitos familiares são muito comuns.
E isto não tem fim.
Será sempre ontem, hoje e amanha.
O vento no seu rosto ameniza o calor.
E o tempo fica mais suportável.
No lado da estrada bem conservada, ele vê uma sorveteria de fachada colorida.
E resolve dar uma parada para saborear um gostoso picolé de chocolate, uma de suas guloseimas favoritas. Isto é o paraíso para ele.
Sentado ali entre estranhos, sem que ninguém o reconheça. Tom Silver aprecia a paisagem e o chocolate.
Ele agora se controla com a comida, se é o que vocês estão imaginando.
Agora há um limite para isto.
Pelo menos é o que eu acho.
Depois que criamos um personagem, fica difícil saber o que se passa pela mente dele.
Mesmo que seja no papel.
Depois deste momento prosaico, finalmente ele chega á terra prometida.
Qual seja o condomínio residencial o gato branco.
Apesar do nome, não há nada de especial neste prédio.
É um condomínio como outro qualquer.
E isto o decepciona um pouco.
Ao falar com o porteiro e explicar suas intenções e mostrar sua identificação, a entrada é permitida e ele adentra aquele imenso elefante branco.
Um prédio conservado, totalmente pintado de branco, com janelas vermelhas.
Tantas que nem se pode contar.
O numero de apartamento que lhe interessa é o 69.
Bem sugestivo este nome, não acham?
O que eu estou querendo dizer?
Ai vai da interpretação de cada um.
Tom Silver toca a campainha.
Alguns segundos se passam, enquanto ele escuta vindo lá de dentro do apartamento uma musica que a primeira vista parece ser uma opera bufa.
Quando ele pensa em tocar novamente a campainha, a porta se abre.
E quem surge diante dele é um homem por volta dos 30 anos, com cabelo longo e totalmente vestido de branco.
- Olá, boa tarde. Em que posso ajudá-lo?
- Meu nome é Tom Silver e sou detetive consultor. Estou à procura de Saito Dornelles. Ele esta neste momento por aqui?
- Eu sou fausto, irmão dele. O que aconteceu?
- Namorada dele está desaparecida há alguns dias e fui contratado para achá-la.
- Compreendo. Meu irmão foi ao centro resolver uns assuntos e daqui a pouco esta de volta. Você quer esperá-lo por enquanto?
- Tudo bem então.
Ao entrar no apartamento, o detetive percebe que a mobília tem algo de aparência vitoriana. Moveis saídos diretamente da Inglaterra do século 19 que contrastam com o tempo em que vivemos.
Porem, hoje em dia nossos pais se mostra cada vez mais mesclado com a cultura mundial e globalizado.
Tanto faz, o que importa no final das contas é que ele percebe que ao centro duma grande sala esta posta uma mesa de tamanho médio com aparência tipicamente inglesa. Uma toalha de linho bordada cobre a mesa redonda de forma muito organizada.
Xicaras, pires e partos, além de talheres, são dispostos na mesa de forma simétrica, junto á um bule de chá e um delicioso bolo que ainda está fumegando e que parece ser de chocolate com cobertura de creme de leite.
Com agua na boca, Tom tenta não se levar pelo caminho da gula, pois ele sabe onde isto pode levá-lo. Mas Fausto adivinha o seu pensamento e o convida para uma xicara de chá que por sinal é de limão e maça.
Ele então aceita enquanto se senta-se à mesa posta para quatro pessoas.
Apesar de tudo, a sensação ali é tão aconchegante que não da vontade de ir embora.
Ate eu que escrevo estas linhas estou com vontade de ficar também.
Com o sorriso mais gracioso que se pode ter, Fausto serve uma xicara de chá ao detetive enquanto uma suave musica clássica de Antônio Vivaldi toca ao fundo.
Ao experimentar o chá, Tom o acha simplesmente saboroso.
-É um ótimo chá. Parabéns.
- Obrigado, eu tento fazer o meu melhor.
- Ótimo. Você gosta daqui?
- Sim, eu não troco este lugar por nada.
- Compreendo.
- E o que você quer com meu irmão precisamente?
- Eu quero saber se ele tem noticias de sua namorada, Cely.
- Por quê?
- Você sabe por quê?
- Garanto que não.
- Será mesmo que não?
- Você quer uma fatia de bolo?
- Porque você foge da pergunta?
- Porque você esta assim?
- Assim como?
- Olhe no espelho e veras.
Tom Sivelr então se olha no espelho e percebe que algo esta diferente.
O ambiente parece girar ao seu redor.
As cores se misturam.
O som fica mais nítido.
Ele começa a tremer e ofegar.
- O que você fez comigo?
- Eu não fiz nada. É sua imaginação;
- O que?
Então ele fica mais tonto ainda.
A visão escurece.
E ele desmaia.
III
Ao acordar, Tom Silver percebe estar num ambiente totalmente diferente.
Uma grande relva verde lhe rodeia por todos os lados.
A tarde possui um vento suave e ameno.
Seu céu esta absolutamente límpido e azul.
Tudo é tão silencioso quanto à natureza pode ser.
Ele se levanta e olha tudo ao seu redor novamente.
Aproximadamente a 10 metros dele, percebe um pequeno animal deitado junto a uma bela arvore que descobre ser uma cerejeira.
Ele então chega junto ao animal e percebe se tratar dum gato branco.
Perto do gato, ele encontra um papel em formato quadrado de cor creme com os seguintes dizeres escritos numa caligrafia muito bonita e artística – siga o gato branco.
Ao olhar para o bichano, este já se encontra indo em direção á uma entrada de floresta que ele não percebera ate agora.
Apesar de naquele momento tudo estar tão absurdo para ele, não havia tempo para perder com raciocínios lógicos.
O mais lógico então pare ele seria seguir o fluxo do acontecimento e ver no aquilo tudo daria. E lá se foi ele acompanhando o gato branco.
Ao entrar nesta floresta, o detetive seguiu o animal por uma pequena estrada pintada de amarelo, onde se podiam ver as mais variadas e perfumadas flores que beiravam esta mesma estrada tão peculiar.
No final da estrada, um portão pintado de verde, com cerca branca de madeira delimitava um lindo e pequeno chalé ao estilo suíço.
O gato então atravessa o portão e sem mais delongas entra pela porta principal que se encontra meio aberta como se ele fosse morador daquele local.
Tom também entra ali.
O que ele observa é uma grande sala com poucos moveis ao estilo rustico e bem no meio da sala há uma pequena mesa de vidro, onde o gato se encontra.
Em cima da mesa, além do gato há uma tesoura onde está colada uma etiqueta com a seguinte frase – corte o laço.
Ele pega a tesoura.
O gato pula da mesa, se esfrega em seus pés e vai embora pela mesma porta por onde entrou sem olhar para trás.
O detetive olha para aquele ambiente por um momento e se depara com uma porta azul com uma fita rosa prendendo a maçaneta.
Ele vai ate lá e corta o laço;
E ao cortá-lo, um som de piano começa á tocar.
Tom então abre a porta.
E o que ele vê é outra sala igualmente espaçosa.
E no seu meio há um homem que toca piano.
Neste local, há uma janela imensa que dá para uma varanda, além do piano em si e duma poltrona perto da janela.
O homem toca alguma coisa que parece ser Chopin.
Ele esta vestido de preto branco, num conjunto informal e ao mesmo tempo discreto.
Aparenta estar na casa dos 20 anos.
Tem uma aparência muito bonita, com uma pele branca e cabelos castanhos sedosos.
Seus olhos são levemente orientais no formato.
Seu semblante parece tranquilo.
Ele para de tocar o piano.
E Tom é o primeiro a falar.
- Quem é você?
- Eu sou quem você procura;
Sua voz é suave e melodiosa.
- Saito Dornelles?
- Bingo.
- O que você faz aqui e como eu vim parar aqui?
- O que importa na vida não é o como e sim o porquê.
- Eu não entendi.
- Há muita coisa na vida que não entendemos e este momento é um deles.
- Isto está cada vez mais confuso.
- É para ser confuso mesmo.
- Eu morri?
- Você acha que morreu?
- Eu não sei.
- Então espere até o fim da historia e você saberá.
- Você sabe por que eu vim aqui?
- A minha intuição diz que sim.
- E o que a sua intuição lhe diz?
- Porque você não senta?
- Eu não quero me sentar.
- Pois então eu quero.
Saito se levanta de forma graciosa e vai se sentar na poltrona.
Tom Silver logo pergunta.
- E então?
- Cely não está comigo.
- Como não está?
- Ela se cansou desta vida e resolveu dar um novo rumo para ela.
- O que você quer dizer com isto?
- O que eu quero dizer com isto é que não estamos mais juntos. Ela não quis mais a rotina da nossa jornada e resolveu empreender uma nova jornada.
- E o que aconteceu para vocês chegarem a este ponto?
- Simplesmente o tedio.
- Entendo.
- Você nunca se entediou na vida e quis dar um novo rumo á ela?
- Claro que sim.
- E porque não fez?
- Comodismo e preguiça.
- Sei como é.
- E agora o que eu faço? A vó dela não sabe noticias suas e me contratou para descobrir o seu paradeiro. Ela me deu seu nome e por isto estou aqui.
- Eu compreendo, mas como disse nós já não temos mais nada á uns três meses.
- E você tem alguma ideia de onde eu possa encontra-la?
- Na nossa ultima conversa ela disse que tinha vontade de ir morar perto do mar.
- Certo.
- Eu vou facilitar a sua vida. Atrás deste chalé há um carro e dentro deste carro existe um mapa duma casa de praia onde ela pode estar então boa sorte.
- Eu posso confiar no que você diz?
- Neste mundo não há certeza absoluta de nada, apenas possibilidades. A escolha é sua.
- Tudo bem então, só mais uma pergunta?
- E qual é a pergunta?
- Porque você está aqui?
- Porque é aqui que eu quero estar.
- Ok. Obrigado pela ajuda.
- Sucesso na sua procura.
Saito volta ao seu piano e começa á tocar uma peça de Beethoven.
Ele escuta um pouco enquanto percebe que o pianista chora de forma discreta.
Tom então vai embora dali.
O carro está no lugar indicado juntamente com o mapa duma praia que fica numa região onde ele já foi algumas vezes.
Ainda escutando piano ao longe, o detetive dá partida no carro e prossegue o seu caminho. Ao longe o gato branco lhe observa partir.
IV
Numa casinha simples de praia, as ondas arrebentam na areia, e deixam para trás suas espumas tão brancas como a neve.
Tom Silver sai do carro e encontra uma porta de madeira marrom aberta como a esperar sua visita tão sentida e importante.
Ele chama, mas ninguém responde.
Ele então entra.
Para sua surpresa, Fausto olha por uma imensa janela as ondas que correm pelo mar abraçado á uma pessoa que ele reconhece imediatamente ser o alvo de sua procura.
Cely, num belo vestido vermelho que realça sua beleza morena de forma simples e natural diante da imensidão daquela sala mobiliada de forma tão espartana.
Os dois então se viram para o detetive.
- Então todo este tempo vocês estavam juntos.
Cely fala, com voz clara e límpida – certamente que sim.
- Porque você fez isto?
- Porque ela não aguentava mais aquela vida medíocre com meu irmão.
Esta foi a resposta de Fausto.
E Cely complementa – eu não suporto mediocridade.
Neste momento, entra Saito.
- A traição corre no sangue. Pena que vocês não vão viver por muito tempo este idílio romântico. Tudo acaba aqui.
Fausto fala – nós já sabíamos que este dia mais cedo ou mais tarde chegaria.
Os dois se encaram, um de frente pro outro.
Os irmãos então se confrontam fisicamente enquanto Tom Silver protege Cely daquela cena melodramática patética.
Ela tenta se livrar desesperadamente dos braços do detetive, mas ele a impede.
No chão, Saito está por cima de Fausto e pega um estilete para cortar o pescoço dele quando Tom grita com uma arma em punho.
- Parem já os dois com isto ou eu vou ter que atirar.
Saito então fala – faz isto se você tem coragem. Porque eu vou fazer o que vim para fazer. E ao apertar o pescoço do irmão, ele enfia o estilete na jugular, causando uma cena de sangue neste momento do conto.
Tom dispara e acerta o ombro de Saito, que cai desmaiado.
Cely corre para junto de Fausto, mas este já está sem vida.
Ela fica sentada ao lado do corpo, muda pelo acontecimento.
O detetive coloca as mãos na cabeça;
Ele está desnorteado com isto tudo.
De repente, a sala é tomada por um cheiro de rosas e o corpo de Fausto se transforma num monte de pétalas de rosa.
Tom e Cely ficam abismados com o fato.
Ela pega um punhado destas pétalas e cheira de forma apaixonada.
Sem dizer uma palavra, ela se vira e anda em direção ao mar.
Tom tenta impedi-la, mas ela lhe olha de forma tão fixa e determinada que uma força invisível o impede de acompanha-la.
Ela caminha lentamente para o mar com o olhar perdido, e some para nunca mais voltar.
Ainda atordoado com tudo isto, Tom escuta Saito atrás de si.
- Eles tiveram o que mereciam.
Ao dizer isto, o assassino sai caminhando pela areia ate se perder de vista.
Tom não sabe por que, mas tudo aquilo é absurdo demais para se explicar á policia.
Ele sabe que está errado, mas á esta altura do campeonato nada mais importa.
E o detetive também vai embora daquele lugar.
V
Após contar tudo para senhora Hermes, ele pergunta – o que a senhora fará então?
Ela logo ri de forma descontrolada e responde – a única coisa que eu posso fazer no meio de toda essa loucura que atormentou minha vida por muito tempo. Esquecer tudo e pensar que eles realmente se mereciam. Cely nunca foi boa para mim, eu tentei de tudo, mas não deu. Agora não vou sofrer mais por isto. Pode parecer frieza minha, mas é a única defesa que tenho contra esta tempestade que se formou em minha vida. Se quiser me criticar vá em frente, mas esta é a minha palavra final.
- Quem sou eu para criticar alguém? Espero que a senhora fique bem.
- Obrigado por tudo.
Os dois se dão as mãos e ela o acompanha até á porta.
Tom Silver vai embora dali.
***
Em casa, ele tira a roupa e vai tomar um banho.
No chuveiro, celular dele toca.
E ao sair para atender ao telefone, escorrega no ladrilho e bate com a cabeça na pia.
Ele então desmaia.
Um tempo depois, ele escuta um som de piano ao longe.
Quando abre os olhos, uma ligeira dor de cabeça se apossa do detetive.
Ele se senta no sofá onde estava deitado e olha ao redor.
Reconhece então aquele lugar.
Mas não é a sua casa.
É o apartamento de Fausto.
Ao olhar para frente, ele se encontra numa poltrona com o gato branco no seu colo.
- Olá detetive, você está melhor? Eu fiquei preocupado, você tomou uma xicara de chá e de repente desmaiou. Está tudo bem?
O nosso herói fica sem saber o que aconteceu neste momento e muitas duvidas surgem em sua mente.
Tom olha para o rosto de Fausto, onde um sorriso sutil e zombeteiro cruza sua face.
E vê o gato branco lhe encarando de forma misteriosa.