terça-feira, 21 de novembro de 2023

Tom Quichoki

Capítulo 1


Na beira dum penhasco,

Uma imensa prisão metálica

Ali se localiza.

.

Celas de vidro,

Vigiadas por androides

São todas controladas.

.

Numa cela qualquer

Um famoso cavaleiro

Nela se encontra.

.

Tom Quichoki é seu nome,

Sua fama lhe precede

Para o bem e para o mal.

.

Alto e magro

Ele era.

Muito sonhador também.

.

Para Orca ele vivia

Assim se chama

Ordem dos cavaleiros andantes.

.

Mas dum crime

Ele foi acusado.

Matar sua amada Medeia.

.

Atraído ele foi

Para cena do crime

Onde tudo ocorreu.

.

Com espada na mão

Ele foi encontrado

Morta Medeia estava.

.

Justamente por uma

Espada tão afiada

Sua vida chega ao fim.

.

E a de Tom Quichoki também.

Pego de surpresa

Orca lhe condenou.

.

Banido ele foi.

E preso logo é

Tudo ao mesmo tempo

...

Capítulo 2


Depois de 15 anos

Solto ele é

Mas está inconformado

.

Saber ele quer

Quem fez isso

E sua vida estragou

.

Mundo tão diferente

Para ele é

Tudo está avançado

.

Robôs por toda parte

Castelos muito modernos

Dragões de aço

.

Só quem lhe espera

É seu fiel escudeiro

Tonto Samba

.

Os dois se abraçam

E lágrimas vem aos olhos

Duma alma ferida

.

Mas vingança exige

O pensamento de Tom

E ele se planeja

...

Capítulo 3


Ele sabe bem

Quem aquilo fez

Seu eterno inimigo

.

Burronato é seu nome

Um cavaleiro invejoso

Que amava também Medeia

.

Dentro da ORCA

os dois disputavam

Quem era melhor cavaleiro

.

Em várias aventuras

Ambos se metiam

E tudo detonaram

.

Durante um tempo

Contra os ciclopes

Eles então lutaram

.

Único olho deles

Logo em pedra

Tudo eles transformavam

.

E com isso

Tom Quichoki foi atingido

Em pedra se virando

.

Burronato lhe salvou

Matando o ciclope

Ao normal ele voltou

.

E uma dívida de honra

Tom Quichoki tem

Com quem lhe salvou

.

Já outro dia

Durante uma patrulha

ORCA lobisomens enfrentou

.

Mordido foi Burronato

E lobo ia virar

Tom Quichoki o salvou

.

Com seu unguento sintético

O vírus reverteu

E sua dívida pagou

.

Mesmo desse jeito

Inimizade ainda ficou

E nada mudou

.

E tudo piorou

Quando Medeia apareceu

E com os dois mexeu

...

Capítulo 4


Um dia qualquer

General da ORCA

Pediu um favor

.

Levar sua filha

Medeia tão gentil

Para passear no Zeppelin

.

Encantado com a Android

Tom Quichoki se prontificou

A levar pelos céus

.

No mesmo momento

Burronato aquilo viu

E mal ele se sentiu

.

Inveja lhe veio a mente

E um plano

Ele então inventou

.

Durante o passeio

Tom Quichoki e Medeia

Logo se apaixonaram

.

Céu azul contemplaram

Arranha céus cintilantes

E naves voadoras

.

Mesmo sendo impossível

Humanos e androides

O momento aproveitaram

.

ORCA não permite

Relações durante tempo

Em que nela servem

.

Ligação é emocional

Medeia lhe diz

Que adotada é

.

A Corporação-android

Criou sua linha

Para doméstica ser

.

Mas o general

Lhe achou inteligente

Para só isso ser

.

E tudo mudou

Sua vida melhorou

E o mundo descobriu

.

Enquanto isso ocorreu

Para o céu Burronato olha

E ódio lhe inflama o peito

...

Capítulo 5


Uma guerra começa

Entre a ORCA

e rebeldes terroristas

.

Eles invadem a capital

E matam pessoas

Com bomba-laser

.

Tom Quichoki é ferido

E fica inconsciente

Seu inimigo vê uma chance

.

Ao destruir um terrorista

Usa sua máscara de raposa

E o rival vai matar

.

Quando várias aeronaves

Bombardeiam o lugar

Destruindo os terroristas

.

Uma explosão acontece

E Burronato cai

Pelo impacto da bomba

.

Alguns dias passam

E Tom Quichoki

Fica sem lembrança

.

Ele sofre amnésia

E não reconhece ninguém

Medeia triste ficou

.

Sem ter mais

O que fazer

Ela embora vai

.

Burronato então percebe

Que agora é a hora

Dele poder agir

.

O que ele sente

Não é amor ou paixão

É apenas capricho

...

Capítulo 6


Então de repente

Nosso herói acorda

E recupera memória

.

Procura por Medeia

E o general

Lhe fala ocorrido

.

Ele vai procurá-la

Sente a falta

De suas palavras

.

Ao chegar lá

Onde Medeia está

Ela tá morta

.

Ele vê Burronato

Com espada na mão

Óleo e peças pelo chão

.

Os dois lutam

A coisa complica

Tom pergunta porque

.

Burronato lhe diz

tentei lhe conquistar

Mas não me quis

.

Morte lhe dei

E então agora

Eu mato você

.

Os dois se enfrentam

Tom lhe derruba

E se prepara pra atacar

.

O vilão trapaceia

E com um pó cegante

Seus olhos inflama

.

O inimigo se levanta

E lhe bate na cabeça

Com a espada

.

O cavaleiro desmaia

Burronato chama ORCA

E faz uma armadilha

.

Quando Tom acorda

Uma espada suja de óleo

Está na sua mão

.

A cavalaria chega

E diante da cena

Ele é preso

...

Capítulo 7


Ao lembrar disso

Raiva lhe dá

E tudo volta a mente

.

Hoje em dia

Burronato promovido é

A vice-comandante

.

General nele confia

E a Tom Quichoki odeia

Tudo é mudado

.

Em seu túmulo

Cavaleiro flores coloca

Chora amizade perdida

.

Tonto Samba então

Logo o leva

Para sua biblioteca

.

Muitos livros ele lê

Para o tempo passar

E sua mente melhorar

.

Mas ideia persiste

Da vingança continuar

Só não sabe como fazer

.

Mas ao ler um livro

Então lhe chega ideia

Do que fazer

...

Capítulo 8


Tom Quichoki vai

Para uma floresta

A mente iluminar

.

Para Tonto Samba

Ele então diz

Que na vida vai pensar

.

Que ilhas não promete

Lhe dar por sua ajuda

Mas amizade eterna terá

.

E então lembra

Quando Tonto conheceu

Numa briga escolar

.

De valentões durões

Que surra a Tonto

Davam tão forte

.

E nosso herói

Ao amigo salvou

E amizade ficou

.

Para floresta vai

A mente clarear

E ver o que fazer

.

Caminha pela relva

E seres estranhos

Vê ali reunidos

.

Figuras tão iluminadas

Que olhar lhe ofusca

E o ambiente preenche

.

Um deles lhe vê

E o pega pela mão

Lhe dando visão

.

Então ele enxerga

Corrupção tão grande

Na ordem dos cavaleiros

.

Suborno e corrupção

Tráfico de influência

E mortes indevidas

.

Tão decepcionado

Fica o herói

Que decisão ele toma

.

Se unir aos rebeldes

Ele então vai

Para tudo renovar

...

Capítulo 9


Os rebeldes lutam

Contra tirania ORCA

liderados por Solina

.

Herói sua ajuda pede

E sua história

Ele então conta

.

Como prova de boa fé

Uma missão impossível

Ela lhe dá

.

Na montanha vermelha

Um dragão azul

Ele terá que matar

.

Com ajuda de Tonto Samba

Muitos dias viaja

Até lá chegar

.

No interior da montanha

O monstro vive

Rodeado num lago

.

Sozinho Tom vai

Num barco frágil

Para missão cumprir

.

O dragão acorda

E cospe gelo

Que o lago congela

.

Seu barco destruído é

E ele no gelo cai

Com espada na mão

.

Tonto Samba aparece

E o dragão distrai

Para nosso herói mata-lo

.

Enquanto dragão voa

Em direção a Tonto

Uma parede Tom escala

.

E quando dragão

Pegar o escudeiro vai

O cavaleiro pula sobre ele

.

E a espada enfia

No meio da sua testa

O gigante logo cai

...

Capítulo 10


Numa festa nacional

ORCA então desfila

Diante do rei

.

Burronato adiante vai

Conduzindo as tropas

Quando naves surgem

.

Uma confusão começa

A batalha inicia

Com Tom e Solina frente

.

Burronato inimigo reconhece

E os dois se enfrentam

Numa luta sangrenta

.

Derrotada na batalha

A ORCA recua

E a luta o vilão perde

.

Tom diz a todos

Que justiça quer trazer

E mostrar a verdade

.

O general caído

Nada daquilo entende

Burronato tenta enganar

.

Solina então chega

E na cabeça do vilão

Sua mão coloca

.

Uma imagem se proteja

Da mente do criminoso

E tudo se revela

.

A morte de Medeia

Armadilha pra Tom Quichoki

Traição de Burronato

.

General se decepciona

E prender o vilão

Ele então manda

.

Mas o vilão se mata

Para não se entregar

E tudo termina

.

General é revelado

Na sua corrupção

E o rei manda prende-lo

.

Multidão os aplaude

E ali mesmo

Tom Quichoki vira general

.

ORCA renovada é

Silona vira capitã

E os rebeldes, cavaleiros

.

Tonto Samba volta

Para sua biblioteca

E em paz o reino fica

...

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

o chapeleiro vermelho

Capítulo 1


No reino mágico, havia um chapeleiro vermelho.

Alto, magro e ruivo ele era.

Com um terno roxo e um casaco vermelho ele se vestia de forma extravagante.

O seu chapéu grande vermelho também era.

Há muito tempo, no meio da floresta ele mora.

No palácio real ele serviu.

Mas tudo abandonou.

E isolado ele vive.

Um belo dia, um andarilho encontrou na sua porta.

Comida o chapeleiro lhe deu.

Informações do mundo lá fora o andarilho informou.

E uma destas informações o chapeleiro surpreso ficou.

Ana estava morta.

Assassinada ela foi.

...

Capítulo 2


No reino mágico, famosa Ana era. Pois guerreira ela foi.

Nascida com poderes místicos, escolhida ela foi pra combater o bruxo negro e sua horda de dragões.

Com ajuda do exército real, ela ganhou uma espada mágica do feiticeiro da corte.

E com ela o bruxo negro derrotou e aos seus dragões.

Durante esta guerra, o chapeleiro Ana conheceu.

Amigos eles ficaram.

E na guerra juntos lutaram.

Apaixonado chapeleiro ficou.

Mas a outro Ana amou.

O príncipe seu coração ganhou.

Ciúme então brotou.

Depois da guerra, embora o chapeiro se foi.

E foi viver como nós já sabemos.

Porém uma tragédia aconteceu.

O príncipe adoeceu.

E tão logo ele morreu.

Ana triste ficou.

E logo sua história acabou.

...

Capítulo 3


Toda nação sua dor chorou.

Junto a morte do príncipe.

Pois da tirania o reino livrou.

Mas seguir em frente se deve.

E um tempo depois, novo amor ela então encontrou.

Um mago famoso como escritor se tornou no reino todo.

Seus livros com histórias mágicas eram um sucesso.

E durante uma excursão pela capital eles se encontraram.

E então se apaixonaram.

Logo depois se casaram.

E foram viver numa ilha que ao reino pertence.

Ana tentou chapeleiro convidar pra o seu casamento.

Mas aceitar ele não quis.

Então os dois brigaram.

E não mais se falaram.

...

Capítulo 4


Embora andarilho foi.

Chapeleiro então decidiu ir a ilha saber o que aconteceu.

Mas logo uma nova tragédia então se sucedeu.

Uma misteriosa doença no reino mágico apareceu.

Muitas pessoas morreram.

E muitas viraram zumbis.

Por uma horda sua casa foi atacada.

Ele conseguiu fugir.

Sua casa incendiou.

E aquele grupo matou.

Mesmo assim não desistiu.

E para ilha ele iria.

...

Capítulo 5


No meio da floresta, um cão branco de armadura ele viu.

Apressado ele ia.

Para o palácio corria.

Chapeleiro então seguiu.

Na estrada o cão branco foi atacado pelos zumbis.

Ele entao com sua espada revidou mas eram muitos.

E num buraco ali perto cão branco caiu.

Ao ver a cena, o chapeleiro pegou a sua pistola e atirou nos zumbis que de medo então fugiram.

Naquele buraco chapeleiro se jogou pra salvar o cão.

E caindo num túnel infinito ele foi até o fim.

...

Capítulo 6


Tudo era escuro e vazio lá dentro.

Com o chapeleiro só o seu pensamento.

O que está acontecendo?

E de repente num jardim ele caiu.

Mas por algum motivo este jardim no céu ficava.

Ele não entendeu mais nada.

O lugar colorido era.

Com várias flores e aromas.

Rosas, margaridas, orquídeas e outras flores mais ali estavam dispostas ao acaso.

Porém o cão branco ele não viu. Apenas sua espada ali estava tão abandonada.

Sua arma sumido havia.

E a espada ele pegou.

Olhando pra baixo, o reino pequeno ficou.

Logo um barulho ele escuta.

E uma aranha de charrete ele encontra.

Ela pergunta quem ele é.

Tudo ele explica.

O cão branco ela diz ter visto numa caverna próxima ter entrado.

Aranha então leva até lá.

No meio do caminho, outra horda zumbi aparece.

Chapeleiro com espada mata.

Aranha com sua teia ataca.

E a jornada continua.

Até a caverna chegar.

Para aranha chapeleiro agradece.

E ela no caminho desaparece.

...

Capítulo 7


Na caverna chapeleiro entra.

E para sua surpresa uma casa ela é.

Toda mobiliada está.

Lareira acesa aquece.

E numa sala arrumada o cão branco logo aparece.

Para um café o cão convida.

O chapeleiro aceita e agradece.

Os dois então conversam.

E o cão lhe conta que na praia de férias estava.

Quando tudo começou.

Logo ao rei ele corre.

Mas na corte todos morrem.

E alguns a vida voltam e mordem.

O cão branco foge.

Seu retiro este é.

Uma estratégia ele planeja.

O reino quer salvar.

Porém o exército dizimado está e ele não sabe o que fazer.

Por Ana o chapeleiro pergunta o que aconteceu.

Mas explicar o cão não sabe.

A única pista é uma carta que ela lhe mandou.

Dizia que o seu marido alguém queria matar.

E tentaram 3 vezes.

Mas não sabia quem.

E o mago escritor não lhe falou.

A carta o chapeleiro viu.

E aquilo se tornou ainda mais vil.

Ele resolveu seguir em frente.

Mas não sabia como sair dali.

O cão lhe falou que a única forma era usar um veleiro que descia da nuvem na chuva.

O veleiro então cão lhe dá.

Junto com a espada.

Mas alguns dias passam.

Até que a chuva cai.

E o chapeleiro se vai.

...

Capítulo 8


Enquanto a chuva cai o veleiro desce.

Lenta descida é.

E neste meio tempo uma camponesa voadora no céu surge e para ele acena.

Uma capa voadora ela usa.

E no veleiro ela desce.

Diz que no céu colheita fazia.

Uma cesta com frutas ela tem

E ao chapeleiro um morango dourado camponesa oferece.

Pela ilha esmeralda ele pergunta.

É de lá que ela fala que a praga zumbi começou.

E um deles foi que Ana matou.

Do mago escritor ele suspeita que deve ter feito algo sobre isso.

Por fim num deserto prateado veleiro pousa suavemente.

Camponesa então desce agradece.

Fala que para chegar a ilha um tapete voador ele precisa.

E o único que pode lhe ajudar com isso é o mercador.

Numa tenda - oásis ele mora.

Sua direção é o norte.

E para o norte ele vai

Enquanto a camponesa sai.

...

Capítulo 9


Ao vento se entrega.

Enquanto areia chega.

Um zumbi solitário encontra.

E o seu fim lhe dá.

Junto ao seu corpo uma ampulheta de madeira o chapeleiro acha.

E por alguma razão ele leva.

Alguns dias depois, um oásis ele avista.

Tenda preta e branca armada no oásis está.

Palmeiras verdes a rodeiam.

E um lago perfumado e cristalino em frente se encontra.

Um camelo sossegado dorme.

E dentro da tenda uma música ecoa num som límpido e puro.

Ao adentrar o recinto, um mercador sentado de pernas cruzadas ali está.

Voltado pra frente da tenda.

Seu turbante e roupa são cor de creme.

Sua pele cor de canela é.

Sua barba azul anil é.

O que quer, ele pergunta.

Um tapete voador, o chapeleiro responde.

Um tributo em troca o mercador pede.

Junto a ele, uma vitrola antiga um bolero de Ravel toca.

Ampulheta chapeleiro oferece.

Objeto então ele analisa.

E logo ele aceita.

A um canto da tenda, onde há várias almofadas e outros tipos de tapetes, o que lhe interessa ali está.

Um tapete voador azul.

E o mercador lhe dá.

Chapeleiro logo agradece.

E voo no tapete levanta.

Mercador horizonte olha.

E ampulheta coloca no chão.

Areia começa no tempo cair.

Sol então se põe.

...

Capítulo 10


Voando pela noite, aurora boreal aparece.

Tudo é silêncio.

Logo noite desaparece.

E ao longe, ilha esmeralda o chapeleiro divisa.

Como por transmissão de pensamento, tapete voador pousa naquela grama tão verde.

E ao sair de cima do tapete, este prontamente levanta voo e para longe se vai.

Chapeleiro apenas observa.

Ilha não é tão grande.

Mas também pequena não é.

E ao caminhar mais adentro, ele percebe uma vila incendiada.

Muitos corpos queimados.

E o chão verde transformado em vermelho vivo.

Um barulho estranho ele ouve.

E por trás duma cabana, dois zumbis jogam xadrez.

Chapeleiro olha pra eles.

Eles olham o chapeleiro.

E voltam a jogar.

O nosso herói pensa em mata-los. Pega a espada.

Mas sangue demais já tem nesta história.

E ele segue em frente.

Decisão boa ou ruim?

Que decida o leitor.

Perto da vila incendiada, uma estrada prateada aparece.

Seguir por ela o chapeleiro vai e se põe a caminho.

E a estrada segue até uma colina verdejante.

Onde um chalé aparece.

...

Capítulo 11


Chalé simples este é.

Cheiro ainda madeira tem.

Vermelha porta é.

Em silêncio tudo está.

E quando chapeleiro entra, casa toda revirada encontra.

E no meio da sala, um ataúde de vidro ele vê.

E para sua surpresa, dentro dele Ana está embalsamada.

Vestida está com sua armadura.

Ao seu lado, sua espada está depositada.

E na sua cabeça uma coroa de louros ela tem.

Emocionado chapeleiro fica.

E quando em direção a ela vai, passos na porta se aproximam.

Sua espada ele saca.

Porta se abre.

E por ela passa o bruxo negro.

Surpreso chapeleiro fica.

...

Capítulo 12


Pensei que morrido você tinha, disse o chapeleiro.

Um truque tudo foi, diz o bruxo negro.

Tola ela foi por não querer ir até o fim com o plano, ele complementa.

Do que você fala? Indaga o chapeleiro.

Desde o começo, armada aquela guerra foi, comenta o bruxo negro.

Sonhávamos em dominar o reino mágico, e que melhor jeito que um teatro encenar e a todos acalmar, exclama o nosso vilão.

Para Ana o chapeleiro olha, incrédulo.

Isto possível não pode ser, fala o herói.

Mas ao conhecer aquele príncipe tolo, mole ela ficou, diz o bruxo negro.

Então numa discussão nos envolvemos. E tudo acabou.

Ela não aceitou esta praga zumbi ser conjurada.

Logo ao seu novo marido eu me aliei. Mas ela descobriu nosso plano e ameaçou ao rei contar.

Então com ela tivemos de acabar. Um feitiço sono eterno eu realizei.

E um assassinato fizemos parecer. Já primeira pessoa zumbi infectei. Ou seja, enquanto ela assim está, o vírus zumbi não pode acabar.

Aqui ficamos a vigiar.

E você chegou para tudo atrapalhar.

E agora esta ruína ao poder me levará porque só eu esta catástrofe posso parar.

E logo você eu vou aniquilar.

Eis a explicação do bruxo negro. E surge o mago escritor.

O que você ganha com isto? Indaga o chapeleiro.

Depois de tudo terminado, esta história escreverei e mais rico e famoso ainda serei, explica o mago.

Perplexo chapeleiro fica.

Com espada na mão, agora é tudo ou nada.

Conjurar zumbis o bruxo negro faz e logo aparecem para o nosso protagonista matar.

Casa cercada fica.

E quando tudo perdido parece estar, uma grande ave fênix no céu surge.

E montados nela o cão branco, a camponesa voadora e o mercador aparecem em auxílio do chapeleiro.

E com estranhas armas mágicas, os zumbis são aniquilados.

A dupla de vilões feitiços tentam lançar.

Mas uma rede mágica ao grupo então os protege.

O mercador da sua mochila ampulheta tira.

E ao colocá-la no chão, os grãos de areia ao bruxo negro vai desintegrando.

E sem saber como isto pode ser, ele em areia desaparece.

O mago escritor não tendo solução tenta fugir mas o tapete mágico o envolve e o joga dum precipício da ilha, onde no mar ele morre afogado.

Desorientado chapeleiro uma explicação ele pede.

...

Capítulo 13


Primeiro fala o cao branco que procurado por Ana foi e lhe conta tudo que se passou.

Ela lhe diz que o único que pode ajudar é o chapeleiro.

E então arma todo plano em cima do plano do bruxo negro.

Mágico sendo ele, se transforma no andarilho que na casa do chapeleiro apareceu.

E lhe fala do ocorrido.

Logo cão branco procura camponesa que conhecendo o mercador sabe que ele é o único que poderia ter acesso a um livro mágico raro.

Os dois então se combinam.

E cada um dos personagens que nosso herói visitam, lhe colocam um toque mágico para ver e ouvir através dele.

Isto se dá pelo veleiro, pelo morango e pela ampulheta.

E assim descobrem sua localização.

Enquanto livro encontram.

E nele estudam para o feitiço zumbi reverter.

E esta solução se dá ao envolver seu corpo no tapete mágico e colocá-la dentro do veleiro junto com ampulheta.

Isto é feito.

E já no céu, fogo ele pega.

E tudo em cinza termina.

Uma lágrima ao chapeleiro vem.

Mas em paz ele fica porque pelo menos Ana ao que parece se redime.

Enquanto isso todos zumbis vão caindo, um a um.

E a praga logo termina.


pais e filhos

A.                                              Numa era não identificada, Alceu se encontra numa mesa puramente tecnológica.
Uma mesa toda redonda, com tampo de vidro onde vários símbolos, letras e números se encontram dispostos como num grande computador.
Do centro da mesa, uma tela etérea mostra a imagem dum garoto lindo e loiro cujo olhar é fixo e penetrante.
Este garoto se chama Proteu e é o seu filho.
......................
B.
Caminhando pela cidade néon tudo é tão colorido artificialmente que a naturalidade desaparece quase por completo deste universo há muito tempo. Mas Alceu não desiste de procurar o seu filho com quem não fala há 3 anos.
Desde que eles brigaram pelo filho ter revelado que gosta de outro garoto, eles romperam relações e Proteu evita encontrar o pai a todo custo.
O carro automático para numa livraria high tech, enquanto ele observa por uma tela-outdoor uma imagem holográfica do hololivro do filho, que é um escritor de sucesso.
Ele como empresário do ramo de leite sintético sempre sonhou com um caminho conservador para o filho no ramo mas o mundo artístico venceu esta batalha.
E este era um dos motivos dos confrontos entre eles.
....................................
C.
Ao chegar em casa, um dos vários detetives particulares que ele contratou para achar o seu filho lhe deixa uma mensagem holográfica de que sua última pista não deu nada.
Que ele ainda está tentando.
Alceu deita na cama e fecha os olhos para tentar encontrar uma orientação racional do que fazer através da respiração plena e energética.
Ele pensa como desde a morte de Selena a 9 anos atrás, tudo tem sido tão difícil.
Encontros casuais com prostitutas-androides não satisfazem da mesma forma.
Drogas sintéticas alucinógenas não o deixam feliz depois do efeito pretendido.
Viagens interplanetárias não preenchem o seu vazio.
Enquanto isso seu fim se aproxima. E o tempo corre.
............................................
D.
Quando dorme, Alceu tem um sonho do qual ele não consegue acordar tão fácil.
Ele se vê todo de branco e descalço, percorrendo um chão todo de vidro onde tudo ao seu redor é feito de cristal (pessoas, carros, casas, prédios, animais, etc).
Ele tenta falar com alguém mas não consegue. De repente, o sol de cristal amarelo se torna numa grande luz branca e difusa e tudo fica num oceano de luz por um tempo.
Quando Alceu volta enxergar, todas as pessoas de cristal desaparecem e só ele sobra.
Até os animais somem.
A grande cidade de cristal agora é um deserto só.
Uma leve brisa percorre o seu corpo enquanto ele tenta encontrar uma explicação para aquilo tudo.
Ao andar por uma longa avenida ele chega ao seu final onde se encontra um autêntico templo xintoista todo prateado.
Ele se sente atraído pela paz daquele lugar e ao atravessar o tori, no centro daquele grande pátio vazio se encontra um lago de tamanho médio, com águas cristalinas e que repousam ao redor duma pequena ilha de cristal, onde está seu filho, Proteu.
.....................................
E.
Alceu então vê o seu filho sentado em posição de lótus junto a uma linda cerejeira que mantém sua natureza vegetal.
Proteu parece meditar profundamente de olhos fechados enquanto seu pai tenta chamá-lo mas o garoto não escuta. O pai vê, maravilhado, que carpas coloridas saem do pequeno lago e voam como folhas ao redor de Proteu num ritmo calmo e silencioso.
Até que os peixes voltam para agua e o seu filho abre os olhos e olha pra ele.           
Alceu entao acorda.
..................................
F.
Na manhã seguinte, Alceu toma seu café enquanto pensa no sonho. O que será que aquilo tudo quis dizer?
Ele não sabe.
Mas sente um certo conforto ao se lembrar daquele ambiente tão fantástico.
Um corvo pousa na sua janela.
Ele contempla beleza negra daquela ave tão linda.
De repente, seu assistente virtual diz que um email chegou para ele.
Alceu abre a mensagem e lê:
E-mail: Aqui é o seu filho. Não tente me rastrear.
Sei que você colocou detetives atrás de mim.
Isto não importa.
Eu sou vou aparecer quando eu quiser aparecer para você.
Mas já que você quer tanto me reencontrar, eu lhe proponho um desafio interessante.
Mergulho no meu mundo e se você cumprir as tarefas, nós nos encontramos.
E vamos resolver tudo isto duma vez por todas.
Serão cinco desafios.
Eu vou mandar um por vez.
Se aceitar digite um OK como resposta. Até mais então.
...
Ele manda um OK e fica ansioso pelo acontecimento.
Não vê a hora que tudo isto acabe e possa ter uma chance.
..................................................
G.
Email - desafio 1
Mande uma mensagem para o meu e-mail contando um segredo seu. E não diga que não tem, porque eu sei que tem. Aguardo resposta.
.............................
H.
Email - resposta desafio 1
Aquilo que eu vou lhe contar vai diretamente entrar em contradição do que eu muitas vezes briguei com você.
Assim que casei com a sua mãe, eu trabalhava numa loja como vendedor de eletrônicos.
E lá eu tinha um colega de trabalho chamado Luke.
Ele é gay e nos apaixonamos.
Mesmo casado, tivemos um relacionamento de 6 meses.
Depois ele arranjou outro emprego e foi embora.
Até onde eu sei, sua mae nunca soube deste fato.
Ou se sabia, fez de conta não enxergar nada disto.
E para dizer a verdade, foram os melhores meses da minha vida até agora.
Combati muito este lado de sua personalidade porque também tenho isto em mim.
Se fiz o que fiz, foi pensando em proteger você deste mundo. Mas não deu certo.
Agora você sabe.
.............................
I.
E-mail: desafio 2
Muito bem.
Agradeço sua sinceridade.
Agora eu quero que você vá até um tecno-circo dum amigo meu e faça uma apresentação de improviso do que lhe vier a mente. Meu amigo me contará como foi tudo.
PS.: Não adianta questionar sobre o meu paradeiro a ele.
Não lhe dirá nada.
Até mais então.
............................
J.
Alceu então dirige pela estrada de aço tão polida que o reflexo da lua parece fazer com que a lua esteja no chão.
Ele chega até limite da cidade.
Onde um tecno-circo é baseado. Neste futuro tão utópico, eu imagino para vocês, leitores, que o tecno-circo seja uma verdadeira catedral de luzes coloridas, com cadeiras flutuantes que giram ao redor do picadeiro, participando de tudo em uma verdadeira imersão teatral que mistura o limite da plateia e do palco central. Uma magia futurista.
...............................................
K.
Email - resposta amigo Proteu
Seu pai foi muito bom na apresentação.
Para quem não gosta do ramo artístico até que ele tem um dom.
Ele falou comigo.
Combinou uma apresentação de dança contemporânea com uma música clássica ao fundo.
(Les Indes galantes
Ópera por Jean-Philippe Rameau e Louis Fuzelier).
Além disso, ele recitou um monólogo antes da dança, que fala abertamente de se defender o ser humano em toda sua essência, independente de aparências.
A plateia gostou.
Eu tentei fazer ele entrar para trupe mas não quis.
Ele concluiu o seu desafio.
Se cuida aí.
Espero que dê tudo certo.
..........................................
L.
Alguns dias depois da apresentação, Alceu não havia recebido mas nenhum e-mail do filho e isto deixou preocupado. Será que ele tinha feito algo errado?
Então ele recebe um telefonema de Proteu.
Na verdade uma áudio - mensagem. ( Muito bem. Eu soube da sua apresentação. Recebi a gravação. Ficou muito bom. Parabéns, pai. Agora eu lhe deixo terceiro desafio).
...........................................
M.
Desafio número 3
Vá até um hospital infantil, e conta para uma criança internada lá um conto de fadas.
Eu quero a transcrição resumida deste conto.
............................
N.
Transcrição conto infantil
...
Num mundo dominado pela magia, um garoto vivia preso numa torre de marfim.
O seu pai era um mago muito importante do reino.
E não tinha tempo para ele.
Sua mãe era uma princesa morta e a sua irmã, uma feiticeira que vivia na floresta.
Os únicos amigos do menino eram os livros.
Mas ele já tinha lido todos.
E o tédio era seu único pensamento naquele lugar.
Seu pai o prendia ali com a desculpa de protegê-lo dos seus inimigos mágicos.
Mas o menino sabia que era tudo mentira dele.
E um dia o menino resolveu fugir dali para sempre.
Ele aproveitou um dia enquanto pai dormia e pegou um frasco de um líquido verde esmeralda que faz quem o toma se tornar invisível por algum tempo.
O garoto então bebeu o líquido, ficou invisível e fugiu para floresta onde sua irmã vivia.
Lá ele voltou ao normal.
Mas nunca havia andado ali.
Então se perdeu.
Gritou por sua irmã.
Quis voltar pra casa.
Mas não conseguiu.
Neste meio tempo, seu pai percebeu a sua falta e com um exército o procurou por todo lugar inclusive na floresta.
Lá na clareira, o feiticeiro se deparou com um pequeno túmulo recém construído.
Em cima havia um lírio branco.
Um lobo branco aparece.
Em pensamento lhe diz que seu filho morreu afogado ao atravessar o rio.
Que o lobo tentou salva-lo.
Mas não conseguiu.
Então resgatou seu corpo d'água e o enterrou ali.
E logo aquela flor ali nasceu.
O feiticeiro ficou tão triste pelo remorso que seu coração então parou de bater.
Logo urso se virou na sua filha feiticeira e também ali o seu pai enterrou junto ao garoto.
..............................................
O.
E-mail desafio 4
Conto muito triste este é.
Reflete bem nossa condição.
Agora eu quero que você vá até a base lunar e lá no túmulo minha mãe deixe uma holo-mensagem com algum pensamento sobre nossa vida familiar. Eu quero uma foto-cópia deste texto.
.................................................
P.
Diário Alceu
(03 de abril dum futuro qualquer)
Este pedido pra mim é muito difícil. Porque você faz isso comigo? Na verdade eu sei.
Minha conduta não foi apropriada. E deixei a desejar.
Agora colho que plantei.
Durante minha viagem pra lua lembrei de minha Lua de mel com sua mãe aqui.
Foi um tempo tão bom.
Pena que tudo passa.
Nós éramos tão felizes.
E agora não somos mais.
.........................................
Q.
Foto-cópia texto
...
No início da vida quis ter uma trajetória como a maioria das pessoas: estudar, trabalho, casar, ter filhos e netos.
Em boa parte consegui isso.
Mas não me senti completo.
Minha parte escondida não era tão satisfeita assim.
E fiquei perdido nas minhas escolhas ao ficar frustrado.
Descontei tudo em vocês.
Sei que fui equivocado.
Mas amo muito vocês.
Isso é complexo, eu sei.
Mas a vida é assim.
Espero que me perdoem.
Mas senão puderem me perdoar, que possamos pelo menos tentar começar de novo.
.............................
R.
Em algum lugar no mundo espiritual
...
Selena vê atitude seu marido em visita ao seu túmulo lunar.
Ela pensa em tudo que passou.
E sente o remorso do marido.
Suas traições e maus tratos.
Mas agora que ela se encontra purificada de todo sofrimento do outro lado da vida, seu pensamento é compassivo.
Ela o perdoa pela ignorância de suas atitudes e mentaliza uma conexão pra que ele e seu filho possam se reaproximar.
Uma lágrima escorre em seu rosto e um cheiro de rosas envolve Alceu naquele monumento prateado em pleno lado iluminado da lua.
......................................
S.
Email desafio 5
Que bom que você foi sincero.
Já é um começo.
Agora eis o seu último desafio.
Procure Luke e tenha uma conversa com ele.
Não guarde esta história de forma inacabada em sua vida.
Eu já falei com ele.
Está a sua espera.
Endereço segue em anexo.
Ele lhe dará uma palavra - chave pra que eu saiba que você o procurou. Até mais então.
..........................................
T.
Diário Alceu
(06 de abril dum futuro qualquer) 
Meu encontro com Luke foi como voltar no tempo.
Ele não mudou nada.
Já eu mudei tudo.
Meu coração disparou.
Foi como se nunca tivesse me separado dele.
Sentimento é igual.
Ainda amo ele duma forma diferente como amo Selena.
Mas ainda sim é amor.
Nos abraçamos e nos beijamos.
Dissemos muitas coisas.
Sobre tudo que é importante.
Nós fizemos amor.
Foi muito bom.
Ele é solteiro.
Permanece fiel a si mesmo.
Coisa que não fiz.
Conversamos por um tempo.
E tomamos café.
Rimos e choramos.
Depois nos despedimos.
E prometemos nos encontrar algum dia por aí.
Palavra - chave é GRATIDÃO.
...............................................
T.
Email proteu
Eu fico feliz por você ter resolvido esta parte da sua vida.
Agora os desafios terminaram.
Você se mostra disposto a mudar. Então agora vamos nos encontrar por aqui.
Meu endereço segue em anexo.
Eu espero você.
Até mais então.
..........................
U.
Diário de proteu
(20 de abril dum futuro qualquer)
Nós demoramos muito a nos encontrar por aqui.
Meu pai ficou em dúvida.
Temia minha reação.
E a dele também.
Mas enfim nos encontramos.
Depois de tanto tempo.
Demos um aperto de mão.
Ele perguntou como eu estava.
Eu perguntei como ele está.
Tomamos um café.
Não fomos melodramáticos.
Conversamos normalmente.
Ele me disse coisas.
Eu disse coisas.
Ele pediu uma nova chance.
Eu resolvi dar uma nova chance.
Mas eu fui viajar.
Fui até Saturno.
Pensar na vida.
Vê os seus anéis.
O que o futuro me reserva?
Ele respeitou minha opinião.
Depois foi embora.
Mas antes me abraçou.
Uma lágrima silenciosa passeou em meu rosto.
Agora estou no espaço.
Tudo é frio e distante.


quinta-feira, 9 de novembro de 2023

o gato branco

o gato branco
na solidão da noite
sol que encanta

I
Tom Silver olhava atentamente o relógio.
Sua vida havia mudado completamente desde o tempo em que ocorreu aquele acidente.
Ele não era mais o mesmo.
E sua vida tinha se transformado numa espécie de tedio rotineiro onde nada mais parecia fazer sentido para ele.
Tudo começou á ficar mais e mais nublado em sua mente enquanto compreensão do mundo. Para que existir num plano que não lhe agradava mais?
Os dias se passaram em vão.
As noites eram repletas de melancolia.
E para aguentar tudo isto, o que ele fazia era comer cada vez mais.
Um misto de culpa e ansiedade o fazia ter um sentimento de conflito com a refeição.
E ele engordou.
A cada tempo que se passava, sua silhueta ficava imensa.
E o que era ruim, ficou ainda pior.
Suas roupas se perderam.
E sua vontade de socializar também se perdeu.
Pois ele não se aguentava nem mais olhar no espelho.
E a reclusão então veio.
Tom Silver não saia mais de casa.
Não queria mais conversar com ninguém.
Ele achava sua imagem estética insuportável.
Foram dias e dias em cima duma cama.
Casa toda estava bagunçada.
Não atendia ao telefone quando lhe ligavam.
Enfim, uma verdadeira desconexão com o mundo.
Ate a sujeira se avolumava ao seu redor.
Mas para ele nada disto era importante.
Somente aquilo que ele sentia.
Um dia porem tudo isto mudou.
Ele não aguentou mais aquela situação.
Tom Silver resolveu mudar de vida e começar uma nova jornada.
Ele decidiu usar sua inteligência em prol de si e dos outros.
E não mais se sujeitar aos caprichos dum destino que lhe parecia demasiado cruel e sem sentido, compreendendo que para mudar a sua mente, era necessário mudar a sua atitude. E assim ele o fez.
Tom Silver olhou novamente o relógio.
Agora eram 14h52min.
Tarde estava quente.
Ele ficou imaginando onde estaria aquela mulher.
- Será que ela não vem? Eu não vou perder o meu tempo aqui à toa.
Vale salientar para satisfação do leitor curioso, que a aparência deste meu personagem mudou significativamente com a sua mudança de comportamento.
Ele emagreceu, e dos seus 110 kg passou para 75 kg, distribuídos numa bela altura de 1,80 m; branco como a neve, com olhos castanhos e cabelos pretos cacheados, Tom Silver voltou á ser o que era antes.
Sua aparência chamou muito atenção de todos, e foi por isto e por um anuncio nos meios de comunicação atual que a senhora Hermes solicitou sua ajuda.
E era justamente esta senhora que ele esperava ate agora.
Quando já estava prestes a levantar para sair, eis que a porta do seu escritório se abre.
E a figura monumental da senhora Hermes dá o ar da graça.
Uma mulher de seus 63 anos, morena, estatura mediana, vestida de forma simples, elegante e discreta, lhe parece ter um vago ar apreensivo.
- Boa tarde, senhora Hermes. Em que posso ajudá-la?
- Eu necessito sua ajuda para um caso de desaparecimento a ser resolvido.
- Desaparecimento de quem?
- Da minha neta, Cely.
- E desde quando sua neta esta desaparecida?
- Há nove dias.
- Já foi à polícia?
- Não. – E porque não?
- Porque este é um assunto familiar e não gosto de pessoas estranhas se metendo na minha vida. Por isto vim á sua procura.
- Atitude estranha esta sua, não acha?
- O mundo é estranho e ainda estamos nele.
- Tudo bem então. Eu gostaria de saber mais sobre o caso.
- O caso é que nós tivemos uma briga e ela saiu de casa sem dar satisfação.
- Ela costuma fazer isto?
- Ate este momento não.
- Tem alguma ideia para onde ela possa ter ido?
- Para casa dum namorado dela.
- E os pais dela?
- Morreram num acidente automobilístico há sete anos.
- Compreendo. Vocês geralmente se dão bem ou sempre brigam?
 - Ate este namorado dela aparecer na nossa vida, tudo ia bem. Depois dele, a personalidade dela mudou muito e para pior.
- Entendo e em que sentido ela mudou para pior?
- Ficou agressiva, sem compromisso com estudo e trabalho, e sai sem dar satisfação á ninguém. Está muito difícil a convivência.
- Quanto tempo ela namora este rapaz?
- Há nove meses.
- Certo e qual é o nome dele?
- Saito Dorneles. Aqui está uma foto deles.
- Ok. Em que lugar este Saito mora?
- Na cidade vizinha. Num condomínio residencial de nome o gato branco.
Que nome estranho para se colocar num condomínio residencial. Enfim, vivemos num pais estranho mesmo, pensou Tom Silver.
- Enfim, eu quero que você descubra onde ele á esconde, pois nega que Cely não está com ele e eu sei que isto é mentira.
- E se ela não estiver mesmo com ele.
- Então ele vai nos levar até ela.
- Só mais uma pergunta. Ele mora com alguém?
- Pelo que Cely me disse, ele tem um irmão chamado Fausto. Os pais deles moram no Japão. Isto é que eu sei até agora. Já fui ao apartamento dele e liguei, mas não tive muito sucesso. Espero que você consiga alguma coisa para mim.
- Tudo bem então. Quando tiver alguma novidade, eu lhe informo.
- Obrigada e ate mais então.
Eles apertam as mãos e ela vai embora de forma mais sossegada.
Agora uma nova aventura começa para o nosso herói.
II
No dia seguinte, a manha surge ainda mais quente.
E calor é o que Tom Silver não gosta de sentir.
O seu sonho é morar num pais de clima ameno.
E o seu pais dos sonhos sem duvidas é a Itália.
Uma paixão geográfica e cultural que ele admira desde pequeno.
Com flores pela estrada, ele atravessa a rodovia em direção á cidade vizinha para o seu mais novo caso.
O que diriam seus pais sobre o que ele se tornou?
Principalmente seu pai que é um homem tão difícil de agradar.
Eles não tem se visto muito ultimamente.
E este caso em questão entre vó e neta faz lembrar em muitos aspectos a rotina de sua vida junto ao seu pai.
Conflitos familiares são muito comuns.
E isto não tem fim.
Será sempre ontem, hoje e amanha.
O vento no seu rosto ameniza o calor.
E o tempo fica mais suportável.
No lado da estrada bem conservada, ele vê uma sorveteria de fachada colorida.
E resolve dar uma parada para saborear um gostoso picolé de chocolate, uma de suas guloseimas favoritas. Isto é o paraíso para ele.
Sentado ali entre estranhos, sem que ninguém o reconheça. Tom Silver aprecia a paisagem e o chocolate.
Ele agora se controla com a comida, se é o que vocês estão imaginando.
Agora há um limite para isto.
Pelo menos é o que eu acho.
Depois que criamos um personagem, fica difícil saber o que se passa pela mente dele.
Mesmo que seja no papel.
Depois deste momento prosaico, finalmente ele chega á terra prometida.
Qual seja o condomínio residencial o gato branco.
Apesar do nome, não há nada de especial neste prédio.
É um condomínio como outro qualquer.
E isto o decepciona um pouco.
Ao falar com o porteiro e explicar suas intenções e mostrar sua identificação, a entrada é permitida e ele adentra aquele imenso elefante branco.
Um prédio conservado, totalmente pintado de branco, com janelas vermelhas.
Tantas que nem se pode contar.
O numero de apartamento que lhe interessa é o 69.
Bem sugestivo este nome, não acham?
O que eu estou querendo dizer?
Ai vai da interpretação de cada um.
Tom Silver toca a campainha.
Alguns segundos se passam, enquanto ele escuta vindo lá de dentro do apartamento uma musica que a primeira vista parece ser uma opera bufa.
Quando ele pensa em tocar novamente a campainha, a porta se abre.
E quem surge diante dele é um homem por volta dos 30 anos, com cabelo longo e totalmente vestido de branco.
- Olá, boa tarde. Em que posso ajudá-lo?
- Meu nome é Tom Silver e sou detetive consultor. Estou à procura de Saito Dornelles. Ele esta neste momento por aqui?
- Eu sou fausto, irmão dele. O que aconteceu?
- Namorada dele está desaparecida há alguns dias e fui contratado para achá-la.
- Compreendo. Meu irmão foi ao centro resolver uns assuntos e daqui a pouco esta de volta. Você quer esperá-lo por enquanto?
- Tudo bem então.
Ao entrar no apartamento, o detetive percebe que a mobília tem algo de aparência vitoriana. Moveis saídos diretamente da Inglaterra do século 19 que contrastam com o tempo em que vivemos.
Porem, hoje em dia nossos pais se mostra cada vez mais mesclado com a cultura mundial e globalizado.
Tanto faz, o que importa no final das contas é que ele percebe que ao centro duma grande sala esta posta uma mesa de tamanho médio com aparência tipicamente inglesa. Uma toalha de linho bordada cobre a mesa redonda de forma muito organizada.
Xicaras, pires e partos, além de talheres, são dispostos na mesa de forma simétrica, junto á um bule de chá e um delicioso bolo que ainda está fumegando e que parece ser de chocolate com cobertura de creme de leite.
Com agua na boca, Tom tenta não se levar pelo caminho da gula, pois ele sabe onde isto pode levá-lo. Mas Fausto adivinha o seu pensamento e o convida para uma xicara de chá que por sinal é de limão e maça.
Ele então aceita enquanto se senta-se à mesa posta para quatro pessoas.
Apesar de tudo, a sensação ali é tão aconchegante que não da vontade de ir embora.
Ate eu que escrevo estas linhas estou com vontade de ficar também.
Com o sorriso mais gracioso que se pode ter, Fausto serve uma xicara de chá ao detetive enquanto uma suave musica clássica de Antônio Vivaldi toca ao fundo.
Ao experimentar o chá, Tom o acha simplesmente saboroso.
-É um ótimo chá. Parabéns.
- Obrigado, eu tento fazer o meu melhor.
- Ótimo. Você gosta daqui?
- Sim, eu não troco este lugar por nada.
- Compreendo.
- E o que você quer com meu irmão precisamente?
- Eu quero saber se ele tem noticias de sua namorada, Cely.
- Por quê?
- Você sabe por quê?
- Garanto que não.
- Será mesmo que não?
- Você quer uma fatia de bolo?
- Porque você foge da pergunta?
- Porque você esta assim?
- Assim como?
- Olhe no espelho e veras.
Tom Sivelr então se olha no espelho e percebe que algo esta diferente.
O ambiente parece girar ao seu redor.
As cores se misturam.
O som fica mais nítido.
Ele começa a tremer e ofegar.
- O que você fez comigo?
- Eu não fiz nada. É sua imaginação;
- O que?
Então ele fica mais tonto ainda.
A visão escurece.
E ele desmaia.
III
Ao acordar, Tom Silver percebe estar num ambiente totalmente diferente.
Uma grande relva verde lhe rodeia por todos os lados.
A tarde possui um vento suave e ameno.
Seu céu esta absolutamente límpido e azul.
Tudo é tão silencioso quanto à natureza pode ser.
Ele se levanta e olha tudo ao seu redor novamente.
Aproximadamente a 10 metros dele, percebe um pequeno animal deitado junto a uma bela arvore que descobre ser uma cerejeira.
Ele então chega junto ao animal e percebe se tratar dum gato branco.
Perto do gato, ele encontra um papel em formato quadrado de cor creme com os seguintes dizeres escritos numa caligrafia muito bonita e artística – siga o gato branco.
Ao olhar para o bichano, este já se encontra indo em direção á uma entrada de floresta que ele não percebera ate agora.
Apesar de naquele momento tudo estar tão absurdo para ele, não havia tempo para perder com raciocínios lógicos.
O mais lógico então pare ele seria seguir o fluxo do acontecimento e ver no aquilo tudo daria. E lá se foi ele acompanhando o gato branco.
Ao entrar nesta floresta, o detetive seguiu o animal por uma pequena estrada pintada de amarelo, onde se podiam ver as mais variadas e perfumadas flores que beiravam esta mesma estrada tão peculiar.
No final da estrada, um portão pintado de verde, com cerca branca de madeira delimitava um lindo e pequeno chalé ao estilo suíço.
O gato então atravessa o portão e sem mais delongas entra pela porta principal que se encontra meio aberta como se ele fosse morador daquele local.
Tom também entra ali.
O que ele observa é uma grande sala com poucos moveis ao estilo rustico e bem no meio da sala há uma pequena mesa de vidro, onde o gato se encontra.
Em cima da mesa, além do gato há uma tesoura onde está colada uma etiqueta com a seguinte frase – corte o laço.
Ele pega a tesoura.
O gato pula da mesa, se esfrega em seus pés e vai embora pela mesma porta por onde entrou sem olhar para trás.
O detetive olha para aquele ambiente por um momento e se depara com uma porta azul com uma fita rosa prendendo a maçaneta.
Ele vai ate lá e corta o laço;
E ao cortá-lo, um som de piano começa á tocar.
Tom então abre a porta.
E o que ele vê é outra sala igualmente espaçosa.
E no seu meio há um homem que toca piano.
Neste local, há uma janela imensa que dá para uma varanda, além do piano em si e duma poltrona perto da janela.
O homem toca alguma coisa que parece ser Chopin.
Ele esta vestido de preto branco, num conjunto informal e ao mesmo tempo discreto.
Aparenta estar na casa dos 20 anos.
Tem uma aparência muito bonita, com uma pele branca e cabelos castanhos sedosos.
Seus olhos são levemente orientais no formato.
Seu semblante parece tranquilo.
Ele para de tocar o piano.
E Tom é o primeiro a falar.
- Quem é você?
- Eu sou quem você procura;
Sua voz é suave e melodiosa.
- Saito Dornelles?
- Bingo.
- O que você faz aqui e como eu vim parar aqui?
- O que importa na vida não é o como e sim o porquê.
- Eu não entendi.
- Há muita coisa na vida que não entendemos e este momento é um deles.
- Isto está cada vez mais confuso.
- É para ser confuso mesmo.
- Eu morri?
- Você acha que morreu?
- Eu não sei.
- Então espere até o fim da historia e você saberá.
- Você sabe por que eu vim aqui?
- A minha intuição diz que sim.
- E o que a sua intuição lhe diz?
- Porque você não senta?
- Eu não quero me sentar.
- Pois então eu quero.
Saito se levanta de forma graciosa e vai se sentar na poltrona.
Tom Silver logo pergunta.
- E então?
- Cely não está comigo.
- Como não está?
- Ela se cansou desta vida e resolveu dar um novo rumo para ela.
- O que você quer dizer com isto?
- O que eu quero dizer com isto é que não estamos mais juntos. Ela não quis mais a rotina da nossa jornada e resolveu empreender uma nova jornada.
- E o que aconteceu para vocês chegarem a este ponto?
- Simplesmente o tedio.
- Entendo.
- Você nunca se entediou na vida e quis dar um novo rumo á ela?
- Claro que sim.
- E porque não fez?
- Comodismo e preguiça.
- Sei como é.
- E agora o que eu faço? A vó dela não sabe noticias suas e me contratou para descobrir o seu paradeiro. Ela me deu seu nome e por isto estou aqui.
- Eu compreendo, mas como disse nós já não temos mais nada á uns três meses.
- E você tem alguma ideia de onde eu possa encontra-la?
- Na nossa ultima conversa ela disse que tinha vontade de ir morar perto do mar.
- Certo.
- Eu vou facilitar a sua vida. Atrás deste chalé há um carro e dentro deste carro existe um mapa duma casa de praia onde ela pode estar então boa sorte.
- Eu posso confiar no que você diz?
- Neste mundo não há certeza absoluta de nada, apenas possibilidades. A escolha é sua.
- Tudo bem então, só mais uma pergunta?
- E qual é a pergunta?
- Porque você está aqui?
- Porque é aqui que eu quero estar.
- Ok. Obrigado pela ajuda.
- Sucesso na sua procura.
Saito volta ao seu piano e começa á tocar uma peça de Beethoven.
Ele escuta um pouco enquanto percebe que o pianista chora de forma discreta.
Tom então vai embora dali.
O carro está no lugar indicado juntamente com o mapa duma praia que fica numa região onde ele já foi algumas vezes.
Ainda escutando piano ao longe, o detetive dá partida no carro e prossegue o seu caminho. Ao longe o gato branco lhe observa partir.
IV
Numa casinha simples de praia, as ondas arrebentam na areia, e deixam para trás suas espumas tão brancas como a neve.
Tom Silver sai do carro e encontra uma porta de madeira marrom aberta como a esperar sua visita tão sentida e importante.
Ele chama, mas ninguém responde.
Ele então entra.
Para sua surpresa, Fausto olha por uma imensa janela as ondas que correm pelo mar abraçado á uma pessoa que ele reconhece imediatamente ser o alvo de sua procura.
Cely, num belo vestido vermelho que realça sua beleza morena de forma simples e natural diante da imensidão daquela sala mobiliada de forma tão espartana.
Os dois então se viram para o detetive.
- Então todo este tempo vocês estavam juntos.
Cely fala, com voz clara e límpida – certamente que sim.
- Porque você fez isto?
- Porque ela não aguentava mais aquela vida medíocre com meu irmão.
Esta foi a resposta de Fausto.
E Cely complementa – eu não suporto mediocridade.
Neste momento, entra Saito.
- A traição corre no sangue. Pena que vocês não vão viver por muito tempo este idílio romântico. Tudo acaba aqui.
Fausto fala – nós já sabíamos que este dia mais cedo ou mais tarde chegaria.
Os dois se encaram, um de frente pro outro.
Os irmãos então se confrontam fisicamente enquanto Tom Silver protege Cely daquela cena melodramática patética.
Ela tenta se livrar desesperadamente dos braços do detetive, mas ele a impede.
No chão, Saito está por cima de Fausto e pega um estilete para cortar o pescoço dele quando Tom grita com uma arma em punho.
- Parem já os dois com isto ou eu vou ter que atirar.
Saito então fala – faz isto se você tem coragem. Porque eu vou fazer o que vim para fazer. E ao apertar o pescoço do irmão, ele enfia o estilete na jugular, causando uma cena de sangue neste momento do conto.
Tom dispara e acerta o ombro de Saito, que cai desmaiado.
Cely corre para junto de Fausto, mas este já está sem vida.
Ela fica sentada ao lado do corpo, muda pelo acontecimento.
O detetive coloca as mãos na cabeça;
Ele está desnorteado com isto tudo.
De repente, a sala é tomada por um cheiro de rosas e o corpo de Fausto se transforma num monte de pétalas de rosa.
Tom e Cely ficam abismados com o fato.
Ela pega um punhado destas pétalas e cheira de forma apaixonada.
Sem dizer uma palavra, ela se vira e anda em direção ao mar.
Tom tenta impedi-la, mas ela lhe olha de forma tão fixa e determinada que uma força invisível o impede de acompanha-la.
Ela caminha lentamente para o mar com o olhar perdido, e some para nunca mais voltar.
Ainda atordoado com tudo isto, Tom escuta Saito atrás de si.
- Eles tiveram o que mereciam.
Ao dizer isto, o assassino sai caminhando pela areia ate se perder de vista.
Tom não sabe por que, mas tudo aquilo é absurdo demais para se explicar á policia.
Ele sabe que está errado, mas á esta altura do campeonato nada mais importa.
E o detetive também vai embora daquele lugar.
V
Após contar tudo para senhora Hermes, ele pergunta – o que a senhora fará então?
Ela logo ri de forma descontrolada e responde – a única coisa que eu posso fazer no meio de toda essa loucura que atormentou minha vida por muito tempo. Esquecer tudo e pensar que eles realmente se mereciam. Cely nunca foi boa para mim, eu tentei de tudo, mas não deu. Agora não vou sofrer mais por isto. Pode parecer frieza minha, mas é a única defesa que tenho contra esta tempestade que se formou em minha vida. Se quiser me criticar vá em frente, mas esta é a minha palavra final.
- Quem sou eu para criticar alguém? Espero que a senhora fique bem.
- Obrigado por tudo.
Os dois se dão as mãos e ela o acompanha até á porta.
Tom Silver vai embora dali.
***
Em casa, ele tira a roupa e vai tomar um banho.
No chuveiro, celular dele toca.
E ao sair para atender ao telefone, escorrega no ladrilho e bate com a cabeça na pia.
Ele então desmaia.
Um tempo depois, ele escuta um som de piano ao longe.
Quando abre os olhos, uma ligeira dor de cabeça se apossa do detetive.
Ele se senta no sofá onde estava deitado e olha ao redor.
Reconhece então aquele lugar.
Mas não é a sua casa.
É o apartamento de Fausto.
Ao olhar para frente, ele se encontra numa poltrona com o gato branco no seu colo.
- Olá detetive, você está melhor? Eu fiquei preocupado, você tomou uma xicara de chá e de repente desmaiou. Está tudo bem?
O nosso herói fica sem saber o que aconteceu neste momento e muitas duvidas surgem em sua mente.
Tom olha para o rosto de Fausto, onde um sorriso sutil e zombeteiro cruza sua face.
E vê o gato branco lhe encarando de forma misteriosa.

o bonezinho vermelho

Capítulo I

Num campo tão florido, o bonezinho vermelho contempla algo fantástico.
Sentado numa pedra singularmente única, ele vê um verdadeiro pomar tão exótico quanto outro lado da vida.
Um pomar em que na verdade seus frutos são luas muito brilhantes e duma intensidade muito grandiosa.
Seus olhos são tomados por aquele brilho tão puro e intenso enquanto ele pensa na vida.
O bonezinho vermelho é um rapaz de 13 anos, branquinho como a neve, de cabelos Dourados e olhos verdes.
Sua roupa lembra a dum menino que não queria crescer, mas de uma tonalidade escarlate ela é. Junto com seu boné tão bonitinho.
Ele andava há muito tempo sem direção certa quando se deparou com aquele pomar lunar. Depois de tanto contemplar, sua vontade e curiosidade acabaram fazendo com que ele experimentasse daquele fruto tão absurdo.
E ao colocar na boca aquela lua tão diminuta, ele se sentiu voando junto às nuvens.
Sobrevoou todo aquele imenso pomar reluzente de luas deliciosas e sentou cada vez mais o espaço invadindo seu tempo. Depois de algum tempo delirando, ele escuta lá embaixo um grito e dentro do seu pensamento ele sabe que está na hora de voltar a esta realidade fantástica para ajudar mais um necessitado dos seus dons. Alguns minutos depois, ele já estava em terra e ao longe divisava uma jovem ajoelhada junto a um corpo caído. 

Capítulo II

Ao chegar mais perto, ele viu uma bela jovem chorando junto ao corpo dum rapaz, que estava com uma faca cravada ao peito. E junto a seu corpo, estava uma fruta lunar.
Ele então pergunta - Mas o que aconteceu?
- O meu noivo foi Assassinado.
- Porque? Quem fez isso??
- Eu não sei. Ontem nós brigamos e não o vi mais. Então resolvi procurá-lo e agora o encontro assim.
- Compreendo e porque vocês brigaram? - Ciúmes de casal.
- Sei. - E quem é você?
- Eu sou bonezinho vermelho.
- O meu nome é Bela.
- E o nome dele?
- O nome dele é Amado.
- Hum. Interessante.
- Você é um detetive, por acaso? - Também sou.
- Então você pode me ajudar?
- Creio que sim.
- Ótimo. Então o que vamos fazer? - Primeiro me conte porque vocês brigaram.
- Porque? Você acha que eu tenho alguma coisa a ver com isso, por acaso?
- Nestas histórias de detetives, todos são suspeitos. Inclusive você. - Mas isso é um absurdo.
- Se quiser minha ajuda, então vai ser assim.
- Tudo bem então. Eu vou contar o que aconteceu.

Capítulo III

3 dias antes

Bonezinho vermelho acabara de visitar o seu avô.
Tinha ido levar-lhe umas frutas.
Desde a morte dos seus pais, seu avô era pessoa que tinha cuidado dele desde os 3 anos.
Eles eram tudo um para o outro. E no meio da floresta, na cabana onde viviam, bonezinho vermelho aprendeu a desvendar os mistérios humanos, observando os mistérios da natureza. 
Logo ele resolveu se tornar detetive e ajudar os mais necessitados, como o cavaleiro de la mancha. Justiça a quem precisa. E durante a sua jornada, ele ganhou muitos inimigos; entre eles o lobo mau.

Hoje

Bonezinho vermelho e Bela caminhavam pela floresta.
Enquanto ela lhe contava tudo.
Seu noivado com Amado.
A disputa dela e sua irmã, Linda, por ele. Que por acaso é um príncipe.
- Sei e mais alguém poderia ter interesse em mata-lo?
- Minha irmã ficou com ódio de nós por ele ter escolhido a mim. E ela ameaçou acabar com ele por isso.
- Então vamos falar com a sua irmã e ver o que ela tem a dizer sobre isso.
Só pegarem carona com um lindo dragão verde que estava adormecido numa clareira tão extensa como se pode ser, eles chegaram no castelo de Bela.
E para sua surpresa, Linda é irmã gêmea de Bela.

Capítulo IV

- Então vocês são gêmeas.
Linda e Bela são ruivas, corpo esguio e proporcional, além de belos olhos azuis.
Mas o que Bela tem de meigo no olhar, Linda tem de impetuoso e audaz.
- E você quem é? Pergunta Linda. - Este é bonezinho vermelho. Ele veio ajudar no caso. - Que caso?
- Você não soube de Amado?
- O que tem ele?
- Ele foi assassinado.
- Meu Deus.
Linda então desmaia.
Ao acordar, ela olha pra irmã que está sentada junto a sua cama e diz: - a culpada disso é você. Senão fosse por isso, nós estaríamos juntos.
- Você é louca. Você ficou com raiva dele e o ameaçou de morte. Você é a suspeita.
Linda então olha pra bonezinho que está sentado num canto do quarto. E seu olhar é de desprezo. Ela diz:
- É verdade sim. Mas isso foi num momento de raiva. Qualquer um pode falar isso; e você não foge desta regra.
- O que você quer dizer?
- Eu escutei você ontem a noite brigando com ele por ciúme.
E você também o ameaçou.
O detetive olha pra Bela.
- Isto é verdade?
Bela fica constrangida.
- Sim mas foi num momento de raiva e nada mais que isto.
Bonezinho vermelho então pergunta às duas: - onde vocês estiveram ontem a noite?
Bela - depois que ele saiu daqui, fui pra biblioteca. E então fui procurar ele, onde encontrei você e o corpo dele.
Linda - eu fui dormir e depois fui ao jardim.
Bonezinho - compreendo. Vamos ter que ir ao castelo dele ter mais informações.
Bela diz: eu vou contigo.
Eu também vou, Linda fala.
- Não. Vocês duas ficam aqui, eu vou só.

Capítulo V 

No castelo do príncipe assassinado, o seu pai se encontra num grande salão desprovido de mobília.
É um lugar suntuoso, cheio de colunas enormes.
E no meio deste lugar, só uma grande mesa redonda de carvalho, e uma cadeira majestosa de cor vermelha.
E sentado nela está o rei, com semblante triste e compenetrado. Ele tem diante de si um vaso rachado, enquanto ele cola borda com uma tinta dourada, que deixa o vaso com um aspecto de kintsugi. O rei contempla aquele vaso, enquanto pensa no seu filho morto e uma lágrima discreta percorre sua face. Chega um criado e anuncia chegada do bonezinho vermelho. O soberano continua absorto em seus pensamentos.
Ele faz uma reverência ao rei e diz - Bom dia, majestade. Me perdoe o incomodo mas eu tenho que falar com o senhor.
O rei olha pra ele.
- Imagino sobre o que seja.
- Pois é. Meus sentimentos. Preciso de sua ajuda pra prender o assassino de seu filho. Por isso estou aqui.
- Meu filho era muito impulsivo e isso lhe trouxe muito mal.
- Ele tinha muitos inimigos?
- Vários.
- Compreendo. O senhor tem alguém em mente?
- Até agora não.
- Certeza?
- Porque eu mentiria?
Quando bonezinho estava prestes a responder, a porta do salão se abre, e para surpresa do detetive, surge o lobo mau.
Bonezinho - O que você faz aqui?
Lobo mau - Eu trabalho aqui.
- Mas como isso é possível?
- Sendo possível.
O lobo mau dá um ligeiro e discreto sorriso para o nosso herói. O rei então fala - Vocês já se conhecem?
O detetive responde - Sim.
O lobo diz que precisa falar com o soberano a sós e este diz pra bonezinho sair do salão.
Ele então faz novamente uma reverência e se retira. Mas desconfiado da presença do seu inimigo ali, ele escuta atrás da porta.
Lobo - Vossa majestade, o que este garoto faz por aqui?
Rei - Ele veio ajudar sobre o caso do meu filho.
- Tenha cuidado com ele.
- Porque? De onde vocês se conhecem??
- Isto faz muito tempo.
- Sei. Não pense que me engana. Mas e sobre aquele assunto, você descobriu algo?
- Sim. Eu encontrei esta carta nas coisas do príncipe.
O rei deu uma olhada na carta e ficou pensativo por um momento. Então ordenou ao lobo mau que trouxesse Linda até ele.
Quando lobo ia saindo, bonezinho vermelho se escondeu num corredor e ficou pensativo. Enquanto isso, o rei saiu do salão e foi para os seus aposentos. O detetive aproveitou e voltou ao salão e lá encontrou a carta.
Ao ler, a sua reação foi olhar para o vaso vermelho com aquele conserto dourado.

Capítulo VI 

Diário bonezinho vermelho
(04 de julho de....)

Hoje eu venho escrever pra falar sobre a descoberta que eu fiz a respeito desta carta do príncipe.
Ao lê-la encontrei uma nova pista para o que eu preciso.
A carta basicamente fala sobre um suposto suicídio do príncipe tendo como causa o seu desgosto com Linda. 
Pois ela está grávida do príncipe, e a mesma ameaça contar tudo pra sua irmã Bela.
Ele então não aguenta a pressão e decide tirar a própria vida.
Hoje a noite falarei com ela pra tirar esta história a limpo.
Até mais então.

Capítulo VII

Diário bonezinho vermelho
(05 de julho de....)

Uma reviravolta aconteceu neste momento.
Ao ir até a casa de Linda, eu descubro que ela é morta por uma facada.
E sua língua foi arrancada.
É uma cena muito forte.
Sua irmã Bela está muito abalada e triste.
Ninguém no local viu nada.
Eu suspeito fortemente que o lobo mau tem algo a ver com isso. Mas por enquanto não tenho como provar.
Esta forma de assassinato lembra muito algo que ele mesmo fez no passado.
Eu gostaria de alertar o rei mas sei que ele é influenciado pelo lobo e não adianta nada.
Preciso descobrir o que acontece aqui.

Capítulo VIII

Diário princesa Bela
(06 de julho de....)

Não sei mais o que me abalou hoje. A morte da minha irmã ou descobrir que ela estava grávida do meu noivo.
Isso tudo é horrível demais pra mim. Bonezinho vermelho tem me ajudado muito.
Porém não sei como continuar.
Agora eu vou dormir pra tentar descansar pois amanhã será um dia muito difícil.
Até mais então.

Capítulo IX

Jornal do reino mágico
(07 de julho de....)

Hoje é um dia muito estranho pois 2 assassinatos ocorreram relacionados a família real.
O príncipe e a irmã de sua noiva foram estranhamente mortos com poucos dias de diferença.
Ainda não se sabe bem o que aconteceu mas investigações já são feitas pelo detetive bonezinho vermelho.
Pelo seu histórico, o personagem certamente dará uma solução a este mistério real. Aguardamos novas informações sobre o caso.

Capítulo X

Eu pensei muito e cheguei a conclusão que poderia chegar a alguma resposta voltando ao pomar da fruta lunar.
Mas chegando lá algo fantástico acontece.
As frutas lunares estavam todas sem brilho.
E ao redor do pomar, várias bolhas coloridas flutuavam pelo lugar. Então decidi fazer algo que sempre clareia minha mente - sentar e meditar.
E foi o que fiz.
Logo me vi envolvido num profundo silêncio e tudo ao meu redor eram só bolhas.
Suas cores refletiam no meu rosto e no meu tempo.
Pensei no príncipe e nas gêmeas, no seu pai e até mesmo no lobo mau.
Neste momento as bolhas se agitaram ao meu redor e ao abrir os olhos um vulto trajado de negro bateu na minha cabeça com uma pedra e eu desmaiei nesta hora.

Capítulo XI

Só ao acordar, nosso herói vermelho se deu conta que estava numa toca fria e escura, amarrado em uma cadeira.
Bonezinho então viu o rei junto a Bela.
Bonezinho - O que aconteceu?
Rei - Você se mete onde não é chamado.
Bela - Isso mesmo. Agora você vai ter o que merece.
Bonezinho - Então foram vocês que mataram o príncipe e Linda, não é?
Bela - Certeza que sim. Eu matei a minha irmã.
Rei - E eu matei o meu filho.
Bonezinho - Que tipo de família vocês são?
Rei - Eu nunca gostei daquele bastardo do meu filho. Sempre arrogante e insuportável. E eu vi uma boa razão pra acabar com ele quando nos apaixonamos. Eu e Bela.
Bela - Correto. E quando minha irmã quis me afastar do trono engravidando do príncipe, eu dei um jeito nela.
Bonezinho - Como vocês são sórdidos. Isso é terrível.
Rei - Mas o meu filho realmente se matou. Apenas o ajudamos com essa questão.
Bonezinho - Como?
Rei - Você já ouviu falar da flauta mágica do reino?
Bonezinho - Sim mas isso é uma lenda antiga.
Rei - Não mesmo. Ela foi feita pelos magos ancestrais e dada de presente a minha família pra proteção do reino. E ao seu toque, todos que escutam fazem aquilo que queremos.
Bonezinho - Então você o enfeitiçou para escrever a carta e matar depois.
Rei - Bingo. Garoto esperto. E agora chegou a sua vez.
Bonezinho - E eu que pensei que você era manipulado pelo lobo mau.
Rei - Não mesmo. Minha querida Bela, você trouxe a flauta mágica?
Os dois então se abraçam e se beijam de forma intensa.
Bela - Claro, meu amor. Aqui está ela.
A vilã da história então toca flauta pra o rei e ele se vê logo hipnotizado pelo som.
Ela então lhe entrega uma fruta lunar e pede que ele a coma.
O rei então come a fruta que é venenosa se ingerida e morre.
Bonezinho fica espantado.
Bela - Você não acha mesmo que eu me casar com você, seu velho patético?
Ela então dá uma risada clichê e maligna, na mesma hora que o lobo mau chega.

Capítulo XII

Bela então fala que chegou a vez do nosso herói morrer.
Mas ele dá um sorriso irônico e consegue se livrar das cordas.
Quando Bela vai tocar a flauta mágica para ele, bonezinho vermelho assovia e um monte de faunos invade a caverna com arcos e flechas.
Ele dá um golpe de karatê em Bela e arrebata flauta mágica de sua mão.
Quando lobo mau pensa em fugir, um fauno o acerta com uma flecha no lugar em que deveria ter um coração e o vilão cai morto.
- Como voce ousa estragar a minha história assim, seu moleque? Eu ia mostrar aos leitores que uma princesa como eu posso ser dona da minha própria história e acabar com a raça destes seres fantásticos que pensam que podem tudo.
- Sinto muito mas como herói deste livro não posso deixar que o mal seja mais poderoso que o bem. Neste universo caótico, eu escolho dar um sentido melhor para história.
E você vai pagar pelos seus crimes todos na prisão. E obrigado a vocês, faunos, por me ajudarem.
- Não há de que. É sempre bom ter um ex Machina por perto quando se precisa.
Os faunos então levam Bela prisioneira para o reino.
Lá todos ficam sabendo da trama macabra e bonezinho vermelho é eleito novo rei do reino mágico. E todos viveram felizes para sempre até que uma nova ideia de aventura ocorra na cabeça deste autor que vos escreve agora.