segunda-feira, 30 de setembro de 2024

5 dias pra mim

Capítulo 1

Noite de chuva.
Ele ronca ao meu lado.
Isso me irrita.
Eu me levanto.
Vou para cozinha.
Tomo um copo d'água 
E sento na mesa.
***
Meu nome é Aldo.
Conto esta história 
Porque quero deixar 
Algo importante pra mim.
Justificar minha existência 
Nesta terra vazia 
Sem significado nenhum.
***
Meu marido, brino,
É importante pra mim.
Me ajudou muito 
E sou grato a ele.
Mas a rotina 
E a solidão 
Acabou com tudo.
***
Escutando a chuva 
Eu ouvi outro som.
Então ao meu lado 
Um anjo da morte 
Aparece pra mim.
Ele era alto e brilhante.
Seu nome é Cariel.
***
Por algum motivo 
Eu fico paralisado.
Não consigo me mexer.
Nem falar nada.
Só observo aquele ser
Que conversa comigo.
E nada respondo.
***
- Olá, Aldo.
Eu conheço vc.
Meu nome é Cariel.
Sou anjo da morte.
Estou aqui pra levá-lo.
Porém, antes disto 
Eu tenho algo pra você.
***
Antes de morrer 
Te dou 5 días 
Para fazer o que quiser.
Este prazo é final.
E depois disto 
Te levarei comigo.
Até mais então.

Capítulo 2

Quando ele desapareceu 
Voltei a me movimentar.
Fiquei um tempo 
Pensando que estava 
Louco ou algo assim.
Mas dentro de mim 
Eu sabia que era verdade.
***
Fiquei revoltado com àquilo 
E chorei alto.
Brino se levanta 
E pergunta o que tenho.
Não consigo responder.
Ele me abraça forte.
Choro mais ainda.
***
No primeiro dia 
Eu conto pra Brino 
Que traí ele.
Ficou tão chocado 
Que não falou nada 
Ficou ali parado 
Com olhar perdido.
***
No segundo dia
Procurei o meu pai.
Há muito tempo 
Não nos falavamos.
Ele ficou surpreso.
Lhe disse muitas coisas 
Que não agradaram.
***
Saímos pra um
Passeio no deserto.
Não dissemos nada.
Apenas curtimos 
A viagem insólita 
E o por do sol.
Então nós abraçamos.
***
Meu pai me disse:
- Sinto muito por isso.
Eu não queria que 
Esta situação chegasse 
A este ponto.
Eu apenas respondi:
- As coisas acontecem.
***
A próxima pessoa 
De minha lista 
É o meu ex amigo.
Seu nome é Miranda.
Num passado distante 
Tive um caso 
Com seu noivo.

Capítulo 3

Então nunca mais 
Nós nos falamos.
Depois eu soube 
Que ele adoeceu 
E quase morreu.
Logo eu decidi 
Que era hora.
***
Ao chegar em sua casa 
Ele olhou pra mim 
E me deu um tapa.
Depois me abraçou.
E nós começamos 
A chorar juntos.
Um verdadeiro melodrama.
***
Ele me perguntou:
- Você quer café?
Eu disse sim.
Eu pedi perdão.
Ele só me ouvia.
Tomei um gole do café 
E aquilo me acalmou.
***
Miranda me falou:
- Durante muito tempo 
Eu te odiei.
Eu só culpei vc.
Mas eu também errei.
Ele fez parte disso 
E não só você.
***
Quando eu adoeci 
Pensei que ia morrer.
Fiquei de cama.
E refleti sobre Tudo.
Inclusive sobre vc.
Talvez eu te perdoe.
Mas não posso esquecer.
***
Eu só te peço 
Um favor pra mim.
Eu não te odeio mais.
Mas por enquanto 
Não me procure 
Até esta mágoa 
Passar no meu pensamento.
***
Eu não disse nada.
Apenas o abracei.
Fui embora de lá.
No caminho de casa 
Parei numa padaria 
E com alma mais leve 
Tomei outro café com bolo.

Capítulo 4

Este foi o fim 
Do terceiro dia.
No quarto dia 
Eu não soube 
O que fazer
Então fui até 
Um bordel e transei.
***
Fiquei com vários 
Garotos de uma
Só vez e não 
Me arrependo por isso.
Já que vou morrer 
É melhor viver 
Enquanto ainda consigo.
***
Hoje é o 
Quinto dia.
A hora do 
Meu juízo final.
Eu vou para
Uma colina alta.
E fico lá.
***
Tudo é silêncio.
O vento está parado.
O sol está radiante 
E o clima ameno.
Brino me liga 
Mas não atendi.
Não quero falar.
***
Só observo tudo 
E deixo a 
Vida me levar.
Então de repente 
Cariel aparece pra 
Mim com uma
Expressão tranquila.
***
- Você está pronto?
Eu afirmo que sim 
Com a cabeça 
E fecho os olhos.
Eu pergunto se
Vai doer e ele 
Me diz que não.
***
Eu sinto seu
Toque como uma
Corrente de energia 
Passando por mim
E tudo é vazio.
Sem angústia e dor.
Apenas o infinito.

FIM.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

cama de gato

Capítulo 1

Numa manhã fria 
Tijuana cuida de seus gatos 
Quando um som estranho 
Ela ouve vindo do quintal 
Parece um grito 
Mas é uma canção 
Que ela nunca ouviu antes 
***
Ela então vai pra fora 
E uma chuva de pétalas 
De cereja cai sobre ela 
E no meio do quintal 
Ela vê um buraco 
Que ela tem certeza 
Não estava ali antes 
***
E ao mesmo tempo 
Ela vê um homem de branco 
Entrando por este buraco 
Curiosa ela fica 
E sem pensar 
Ela também se joga
Naquele buraco estranho 
***
Tijuana então se vê 
Caindo por um corredor 
Vertical e iluminado 
Com uma luz ofuscante 
Ela não vê nada 
Até que cai 
Numa cama de gatos 
***
Esta cama é muito grande 
Mas também fofa e cheirosa 
Ela vê gatos enormes 
Com três metros de altura 
E Fica espantada 
- Será que eu morri?
Ela se pergunta 
***
Então de repente 
Ela vê o homem de branco 
Correndo por um corredor 
Cheio de flores 
E se perde ao longe 
Quando ela tenta segui-lo
Um gato verde aparece 
***
- Olá, quem é você?
Pergunta o gato verde 
- Eu sou Tijuana e você?
- Eu sou gato verde 
- Isto é interessante 
- De onde você é?
- Lá de cima 

Capítulo 2

- O que você faz aqui?
- Eu não sei.
- Hum, cada vez mais interessante.
- Onde está ele?
- Ele quem?
- O homem de branco.
- Ele foi para lá.
***
Tijuana segue o arco-íris 
Até chegar no seu fim 
E perceber uma caixa de areia
E nesta caixa
Está o homem de branco.
Ele fuma uma erva 
E olha para ela.
***
- Olá, Tijuana.
- Como você sabe meu nome?
- Isto não interessa.
- E o que interessa?
- Isto aqui.
Ele oferece a erva para ela
E ela experimenta.
***
De repente ela se vê 
Numa caixa de bolas coloridas 
Que a engolem numa
Onda de sons e cheiros 
Que vislumbram o seu passado 
E deixa o seu futuro 
Numa neblina indefinida.
***
Quando ela acorda 
Tijuana se vê 
Na caixa de areia.
Mas o homem branco 
Não esta lá.
Ao seu lado, só um bilhete.
"Ainda nos encontraremos".
***
Tijuana se levanta
E uma placa luminosa 
Aponta para o 
Seu lado esquerdo.
Ela então segue 
Numa estrada feita d'água 
Onde peixes andam normalmente.
***
Um peixe dourado 
Anda com bengala 
E olha espantado para ela.
- O que vc faz aqui?
- Você fala?
- É claro que sim.
- Mas você é um peixe.

Capítulo 3

- Eu sei quem eu sou.
E você sabe quem você é?
- Eu sou eu, oras.
- Hum, então eu vou 
Lhe dar uma dica.
Siga pela floresta 
E encontre o relojoeiro.
***
- O relojoeiro?
- Sim. Ele vai ter dizer 
O que fazer.
- O que fazer 
Sobre o que?
- Isto só você vai saber.
E o peixe dourado se vai.
***
Tijuana anda na floresta 
E no meio dela 
Encontra uma cabana 
Feita de pedra.
A luz está acesa
Porque é noite.
Tijuana bate na porta.
***
Ela se abre 
De forma mágica 
E ela entra 
Num outro mundo 
Coberto de seda
E com chão de prata 
Iluminado por três luas.
***
Uma voz estranha 
Chama seu nome.
Ela olha pra trás 
E vê um homem de pedra 
Sentado numa rocha 
Segurando um pássaro 
Feito de bronze.
***
O homem de pedra fala:
- O que vc quer aqui?
- Eu procuro relojoeiro.
- Ele não mora aqui.
- E onde ele vive?
- Na curva do tempo.
- Onde fica isso?
***
- No labirinto do mago cinzento.
- E onde encontro este lugar?
- O pássaro de bronze 
Vai lhe ensinar.
- Muito obrigada então.
O pássaro voa 
E Tijuana o segue.

Capítulo 4

O pássaro de bronze 
Chega no portal
De um labirinto 
E quando nossa heroina 
Vê o local 
Ave se vai
E ela entra lá 
***
- Olá. Ela chama por alguém 
Mas ninguém responde 
Tijuana adentra o labirinto 
Feito por várias estantes 
De perfumes coloridos 
Ela vê um vidro de cristal 
E cheira o perfume 
***
O cheiro intenso 
A deixa relaxada 
E ela vê se firmar no ar 
A figura do mago cinzento 
Ele pergunta: O que vc quer?
- Quero encontrar o relojoeiro 
- Muito bem então.
***
- Tome isto aqui.
O mago cinzento lhe
Entrega uma maçã 
E lhe diz o seguinte:
- Coma está maçã 
E você encontrará 
O grande relojoeiro.
***
Tijuana come a maçã 
E ela se torna uma coruja 
Por algum instinto mágico 
Ela alça vôo 
E vai parar na curva do tempo 
Um local desolado 
Com uma torre de relógio 
***
Tijuana volta ser mulher 
E procura por uma porta 
Mas a torre é fechada 
Por todos os lados 
O relógio da torre 
Bate a meia noite 
E uma escada aparece 
***
Ela sobe até o topo 
Da torre do relógio 
E lá ela encontra 
O grande relojoeiro 
Um senhor idoso 
De aparência frágil 
Mas postura imponente.

Capítulo 5

Ele olha pra ela 
De forma neutra 
E faz uma pergunta:
- Você é Tijuana?
- Sou eu sim 
- O que vc quer?
- Eles me falaram sobre vc.
***
- O que disseram sobre mim?
- Que você me ajudaria.
- Muito bem então.
Eu vou te ajudar 
A se encontrar.
- A me encontrar?
- É por isso que você está aqui.
***
- Todo este tempo perdida.
Ele mostra um relógio.
E sua vida inteira até ali 
Passa pelos seus olhos.
Tijuana então chora 
Uma tristeza repentina 
Nasceu dentro dela.
***
- Tenho vivido até hoje 
Uma existência de sombra 
Sem desejo e sem vontade.
Talvez este mundo caótico 
Seja expressão inconsciente 
De uma necessidade de
Escapar do tédio e da rotina.
***
Tijuana chora amargamente 
E o relojoeiro a consola.
- Não fique assim.
Eu vou lhe ajudar 
A encontrar a tranquilidade 
Que só o tempo traz 
Para você ser feliz.
***
Ele lhe dá um cristal amarelo.
- Isto é uma bússola.
Siga sua luz 
E você encontrará o 
Homem de branco.
Ele te ajudará a 
Voltar pra casa.
***
Tijuana o abraça 
E lhe agradece.
O relojoeiro flutua 
Com ela pra 
Fora da torre.
Ele lhe diz:
- Vá e seja feliz.

Capítulo 6

Tijuana caminha por 
Muitos dias indefinidos 
Numa espécie de deserto 
Onde as estações mudam 
E a paisagem surpreende.
A bússola amarela 
Sempre lhe guia.
***
Até que um dia 
Ela se encontra 
Numa fortaleza feita 
Do mais puro gelo 
E por curiosidade 
Tijuana entra ali.
Alguém a espera.
***
- Olá, minha querida. Entre.
Uma mulher de azul 
Então lhe abraça.
E lhe acomoda num sofá.
Apesar da construção 
Não faz frio.
Clima é agradável.
***
- Meu nome é Neva.
Espero por vc.
- Porque?
- O porque não é importante.
E sim o para que.
Aqui tudo é diferente.
Nada faz sentido.
***
- Sei que sim.
Eu deveria estranhar 
Mas de alguma forma 
Eu não me sinto assim.
Isto pra mim 
É tão familiar.
É um mundo aceitável.
***
- Sua mente criou este lugar 
Como um refúgio todo seu
Para fugir da mediocridade 
Duma vida monótona.
Para se renovar.
E começar de novo 
Dum Jeito melhor.
***
- E como eu faço isso?
- O homem de branco 
É a chave pra você.
- Quem é ele?
- Ele não é ninguém 
E sim um conceito.
Uma ideia necessária.

Capítulo 7

- Uma ideia de que?
- Do que você quer 
Ou não quer.
- Eu não entendi.
- Não pense muito.
Apenas sinta isso.
E você saberá 
***
- O caos é o que me resta.
- O caos define a ordem.
- Onde encontro ele?
- Siga a bússola 
E você o encontrará.
Agora está mais perto.
Fim se aproxima.
***
- Você aceita um chá?
- Eu aceito sim, obrigado.
Neva lhe oferece um chá 
E as duas ficam em silêncio.
Contemplam aquele grande 
Salão de gelo azulado.
Tijuana sente-se em paz.
***
Sem falar nada 
Ela abraça neva
E segue seu caminho.
Ao olhar pra trás 
A fortaleza desapareceu.
Tijuana segue em frente.
A bússola lhe guia.
***
Num tempo indeterminado 
Ela vê uma linha de trem
E um único vagão.
A bússola brilha forte 
E some de suas mãos.
De algum modo
Este é o destino final.
***
Ao se aproximar do vagão 
A porta se abre 
E Tijuana entra.
Dentro do ambiente 
Muito bem decorado 
O homem de branco 
Lhe dá as boas vindas.
***
- Olá, seja bem vinda.
- Finalmente nos encontramos.
- Sim, aqui está você.
- Você sabe o que quero.
- Claro que sim.
Todo este tempo 
Eu estava contigo.

Capítulo 8

- Como assim?
- Todos estes personagens 
Que vc encontrou 
Por este caminho 
Eram representações minhas.
Até a bússola que vc recebeu.
A bússola ali aparece.
***
- Porque tudo isso?
- Porque você precisa.
Eu sou fruto 
De sua imaginação.
- Eu criei isso tudo?
- Inconscientemente sim.
- Eu estou presa em mim?
***
- Aí depende de vc
E sua vontade.
- Eu não tenho 
Vontade de nada.
- Então mude isso
Se quiser seguir em frente.
- É fácil falar.
***
- Difícil é viver assim.
Você tem problemas
Como todo mundo.
Mas isso não te define 
A não ser que vc queira.
Lute por sua vida 
E você será grande.
***
- E como eu faço isso?
- Use a sua imaginação 
Como você faz agora.
Mesmo sem saber 
Isto é um poder
Que vai te transformar.
Mas só se vc quiser.
***
- Eu quero mais que tudo.
- Então faça isso 
Sem ilusão nenhuma.
Que tudo pode acontecer 
Mas você vai superar.
Tijuana olha pela janela 
E um colibri voa ao seu redor.
***
Ela pensa um momento.
Então se levanta 
E agradece ao homem.
Ele pega sua mão 
E a beija suavemente.
Ela fecha os olhos 
E volta pra casa.



terça-feira, 3 de setembro de 2024

crise de choro

Chore por mim
Quando eu não 
Estiver mais aqui 
Meu tempo passou 
E a saudade ficou 
*
Quando eu era vivo 
Você não ligava 
Vivia na rua
E só me deixava 
Indiferença era grande 
*
Eu chorei muito 
E tive mágoa 
Mas agora do outro lado 
Isto não importa mais 
Eu estou livre 
E você tá preso 

meditação

Numa igreja qualquer, um padre tem dúvida de sua fé.
Ele ora pela sua alma.
Mas a cruz de Cristo não lhe diz nada e as meditações se perdem.
O padre olha pra trás.
Lembra do caminho trilhado.
E das suas lutas e conquistas.
Mas depois de tanto tempo, Deus parece não estar mais com ele.

sono

Eu vou dormir.
Amanhã não quero estar mais aqui, neste tédio.
Quero viajar por aí.
Sem hora pra voltar.
E na estrada encontrar alguém pra amar e ser amado.
Mas eu já sou amado.
Quero conhecer outros amores.
E poder voltar a sonhar.

memórias

Eu me lembro de um momento em que eu nasci.
A sala era escura.
As pessoas eram mudas.
Só o meu choro preenchia o silêncio do espaço.
Depois eu cresci.
Me lembrei das flores e frutos.
Dos sorrisos amargos.
E das lágrimas doces.

felicidade

Tarde da noite 
Eu sonhei com vc 
Nossos momentos felizes 
Tudo era encantado 
Nada mais restou
*
Sua forma de amar 
Me deixava assim 
Longe de vc 
Com a solidão 
Perto de mim 
*
Eu tentei tudo 
Mas nada adiantou 
Você foi embora 
Eu fiquei aqui 
Agora você está longe 
E eu tô por aí 

a maldição

Um bruxo esquecido 
Vive na floresta 
Acompanhado pela solidão 
Eles são grandes amigos 
E os dias passam 
*
Num dia qualquer 
Um menino abandonado 
Pede abrigo na sua casa 
E ele aceita 
Agora não está mais só 
*
O tempo passa 
Ele ensina tudo ao garoto 
Que vira seu discípulo 
A solidão abandonada 
Segue o seu caminho 
*
Uma maldição ela lançou 
O menino logo morreu 
O bruxo sofreu 
A terra tremeu 
E o fogo apagou 

o peixe

No oceano pacífico, o peixe dorme. Ele sonha com o céu.
Pensa que está voando.
Encontra um grande tubarão.
Que lhe sorri sutilmente.
As nuvens passam 
O peixe voa.
E as ondas flutuam.
Como vento no mar.
O peixe então acorda.
Tudo não passa de um sonho.
E a vida continua.

o brigadeiro

Na minha festa de aniversário, eu estava entediado.
A única coisa que me alivia é um brigadeiro. Mas eu procurei por todo lugar e não vi nenhum.
Muita gente falando comigo 
Eu tenho muitos presentes.
Mas nada me satisfaz.
Música está alta.
Estou com dor de cabeça.
Saio sem ninguém me ver.
Ando por aí sem rumo.
Até que vejo um mercado.
Então entro nele.
E compro uma lata de brigadeiro.

a casa rosa

Na casa rosa, barbara pensava no que lhe aconteceu.
No seu último desfile, uma mulher apareceu no meio do desfile e lhe xingou.
Ela lhe acusou ser amante de seu marido. Ela ficou perplexa.
Os repórteres a perseguiram.
Ela fugiu do local.
E se refugiou na sua casa rosa.
Onde se arrependeu do seu caso extraconjugal.

a hora dos outros

Capítulo 1

   Eu cheguei num ponto de minha vida que tudo está bem assim.
   Eu ganhei muitas coisas e também perdi outras pelo caminho.
   E isto eu digo porque ele me abandonou.
   Tudo vem à tona numa noite de frio como esta.
   Eu caminhava pela rua quando vi Milo no meio do caminho.
   Ele era tão lindo e parecia perdido naquela neblina.
   - Posso ajudar você?
   - Eu queria chegar num lugar onde eu espero alguém. Você pode me ajudar?
   - Eu posso sim.
   Não me lembro mais para onde ele ia, nem quem ia encontrar.
   Só sei que este foi o começo de minha história de amor.

Capítulo 2

   Depois de algum tempo, eu fui ao shopping e lá encontrei Milo novamente.
   Ele tinha um namorado e ambos discutiam.
   Ele me olhou de forma desconfiada e eu não quis ser mais inoportuno do que já era.
   Fui tomar sorvete e de repente alguém toca em meu ombro.
   - Oi. Você está bem?
   - Sim e você?
   - Eu estou bem, obrigado.
   - Que ótimo. Não esperava encontrar você tão cedo.
   - Eu também não.
   - Vi que você estava a conversar de forma intensa com aquele rapaz e não quis te atrapalhar.
   - Você não atrapalha nada que já não esteja atrapalhado por natureza. Nós terminamos.
   - Ah tá. Eu sinto muito por vocês. Sei como é.
   - Não sinta. Isto já estava para acontecer em algum momento.
   - Compreendo. Eu me chamo Breno.
   - Eu sou Milo.
   - Bonito nome seu. 
   - Obrigado.
   - Você quer sorvete?
   - Eu quero sim. Preciso colocar um pouco de doce em minha vida.
   E aquele foi o começo duma nova história de amor.
   De nossos encontros e desencontros.

Capítulo 3

   Andamos por muitos lugares e situações.
   Cada dia era uma nova conexão.
   Um novo cheiro, um novo sabor, uma nova cor.
   Várias portas se abriram para nós.
   Seus cabelos são tão cheirosos e macios. Ondas que hipnotizam meu olhar e me fazem pensar naquelas estátuas gregas de perfeição tão divina.
   Sua boca macia e vermelha que tanta alegria me deu.
   Mas por algum motivo nos perdemos no meio do caminho.
   Agora volto no tempo na tentativa de encontrar a encruzilhada que passamos e que separou nossos destinos.
   Uma folha de outono desfila pelo meu quintal e cai aos meus pés enquanto tomo uma xícara de café sentado naquele balanço que me alegrou na minha infância.
   Testemunha de tantos gritos e sussurros, ele agora me acalenta nesta tarde tão calida onde me perco em pensamentos.
   Milo aqui me beijou.
   Ele acariciava meus cabelos enquanto fazíamos planos para o futuro não muito distante.

Capítulo 4

   Numa tarde fria eu continuo perdido em meus pensamentos.
Ele não está ao meu lado.
   Mas eu estou no sentimento dele.
   Quando fui ao cemitério visitar o túmulo de minha mãe, eu pensava que agora sim, estou sendo feliz.
   Mesmo depois de tanto tempo, resolvi dar uma chance para mim mesmo.
   Conversei com o espírito dela, e tive a certeza que estava no bom caminho.
   Obviamente, ela não me respondeu.
   Só na minha imaginação.
   Uma árvore dourada pela tarde de outono transborda suas folhas naquele chão ladrilhado.
   E quando vento acaricia minha face, e uma lágrima flutua pelo ar, sei que é a minha hora.

Capítulo 5

   Hoje a tarde eu recebi uma notícia ruim.
   Amigos em comum me ligaram e disseram que Milo foi assassinado.
   Celular caiu da minha mão.
   Eu fiquei mudo, sem saber o que dizer e o que fazer.
   Naquele dia eu chorei tanto como nunca antes na minha vida.
   Depois do funeral, eu perguntei o que aconteceu.
   Milo tinha ido a uma festa qualquer com quatro amigos, e lá ele foi ao banheiro.
   Demorou muito.
   Os amigos foram ver e ele estava caído, com uma adaga no coração.
   Tinha sido várias vezes esfaqueado.
   Depois de muito tempo, a polícia não descobriu nada e o caso foi encerrado.
   Mas eu não me dei por satisfeito e então contratei alguém que iria esclarecer tudo isso. Seu nome é Melanie Milton.

Capítulo 6

Melanie Milton é uma personagem muito particular.
Ela mora numa casa com três gatos (Athos, Portos e Aramis).
É lésbica e namora com uma garota mexicana (Frida) que nunca viu pessoalmente.
Nome da namorada mexicana dela é meio clichê, vocês não acham?
Sua mãe morreu a cinco anos.
E não fala com o pai.
É jornalista freelancer.
Gosta de livros de mistério.
Outro clichê literário.
E seu personagem preferido é Tom Silver.
Eu a convido pra um chá.
Ela aceita.
- Como você me encontrou?
- Pelo seu blog de histórias.
- Compreendo. O que você quer?
- Sua ajuda num caso.
Então conto tudo a ela.
- Ótimo. Quero o nome dos quatro amigos dele na ocasião.
Então vamos lá.

1. Pablo Rios - poeta que ama língua espanhola, ex - namorado de Milo.
2. Cristina Mendonça - advogada, amiga do Milo desde a infância.
3. Julian Silva - mágico, marido da Cristina.
4. Carol Kowalski - patinadora, prima do Milo.

Melanie anota os nomes.
- Muito bem então. Agora só mais uma coisa.
- O que?
- Eu quero nome do último namorado dele antes de você.
- Tudo bem então.

* Claudio Sales - arquiteto.

Perfeito.
Que os jogos comecem 
(Citação de Melanie Milton)

Capítulo 7

(Anotações de Melanie Milton)

Para todos aqueles que interessarem, meu método de trabalho é baseado no realismo mágico. Não precisa crer.
É só se deixar levar.
E tudo você pode encontrar.
Com este novo caso, meu tédio vai embora por um tempo.
Não é, meu bebê?
(Melanie acaricia Athos que está aos seus pés)
Muito bem então.
Eu vou começar por Cláudio Sales.

Capítulo 8

(Entrevista com Cláudio Sales)

- Olá. Meu nome é Melanie Milton. Sou detetive e fui contratada para solucionar o assassinato de Milo Borba.
Posso falar com você?
- O que eu tenho a ver com isso?
- Tirando que você foi namorado dele então não tem nada.
- Isso faz de mim culpado?
- Isso não faz de você inocente.
- Gostei de você.
- Então vamos começar.
- Não seria conversar?
- Meu método é diferente.
- Cada vez mais interessante.
- Encoste sua cabeça na poltrona e feche os olhos.
Claudio faz o que ela pede e Melanie impõe suas mãos sobre ele e também fecha os olhos.

LEMBRANÇA DE CLÁUDIO 
rua agitada e chuvosa 
Claudio e Milo brigam.
Milo vai embora.
Claudio vê ele ao longe com Breno. Os dois conversam.
Claudio vai pra casa furioso.
Ele quebra tudo.
Alguns dias se passam.
No dia da festa ,Claudio vê Milo no local.
Milo vai ao banheiro.
Claudio o segue e bate na porta.
A porta se abre e...
Claudio acorda.
O que foi que vc viu?
Hum. Isto é interessante.
O que?
Você teve um choque. Não hora que abriu a porta do banheiro, você deletou esta imagem de sua mente.
Eu não tenho culpa. O que você queria que eu fizesse?
Nada. Isto dá o que pensar. Até mais então.

Capítulo 9

(Entrevista com Pablo Rios)

Yo no puedo ayudarte en nada.
Como no puedes?
Hum, ella habla Español.
Por supuesto que si.
Muy bien.
Vamos deixar de brincadeira.
Eu não brinco.
Espanhol é a minha vida.
Bom pra vc. E investigar é a minha vida.
O que você quer?
Eu já disse.
Muito bem então.
No pensamento de Melanie, ela observa a casa do Pablo.
Percebe uma forte influência espanhola, com estatuetas de toureiros, um quadro com a bandeira espanhola, cartazes de filmes de Almodóvar e vários discos de flamenco.
O fluxo de pensamento da detetive é quebrada quando Pablo diz que ouviu falar que ela tem um jeito exótico de investigação.
- Eu tenho sim.
- Ótimo.
- Mas nem sempre uso.
- Hum, interessante.
- Então, vai me contar ou não?
- O negócio é que fomos pra uma festa, uns amigos e eu. Lá, encontramos Milo, e o resto você já sabe.
- Não é muita coincidência tantos ex - amores dele se encontrarem assim num lugar só?
- Eu não sei dizer. Agora, se me dá licença, tenho provas para corrigir.
- Entendi. Até mais então.

Capítulo 10

Em casa, Melanie Milton pensa na sua vida.
Ela faz uma xícara de café.
Liga pra Frida.
Brinca com os gatos.
Lê um livro.
Lava roupa e prato.
Sua rotina é intensa.
E o tédio, próximo.
Às vezes, uma nostalgia se apossa de seu pensamento.
Ela pensa na sua vida antigamente.
E os caminhos que tomou pra chegar até aqui.
(Quebra de fluxo de consciência)
- Eu não posso me afogar em autopiedade.
O que passou, já foi.
Nada é perfeito.
Vida é aqui e agora.
É nisto que tenho que pensar.
E no assassinato que tenho que resolver.

Capítulo 11

Noite está gelada 
E o galo canta 
Num recanto qualquer.
Eu (Breno) leio 
Esta história aqui 
Sem a menor noção.
*
Será que esta Melanie 
Dá conta do recado?
Eu não sei 
Mas alguém tem que 
Fazer algo sobre isso.
Não dá mais.
*
Eu olho aqui 
Umas fotos nossas 
(Minha e do Milo)
E sinto saudades.
Eu me lembro Quando 
Meu cabelo ele cortava.
*
Era tão bom.
Agora videogame jogo
Para o tempo passar 
E não ter que lembrar 
Que neste momento 
Ele aqui não está.
*
Eu sinto frio 
E me cubro agora 
Com nosso lençol.
Seu cheiro ainda está 
Em nosso quarto.
Eu posso sentir.
*
Uma lágrima cai
Pela minha face 
Como um lembrete 
De tudo que foi 
E agora já não é 
O que será mais.

Capítulo 12

Voltamos a Melanie Milton.
(Entrevista com Cristina Mendonça)
- Então deixa ver se eu entendo. Milo tinha feito um documento passando tudo pra Pablo Rios?
- Isto mesmo.
Ele me pediu.
Então eu fiz.
- Pablo sabia disto?
- Até onde eu saiba, não.
- Hum. Você também estava com ele, naquela festa?
- Eu o encontrei lá.
- Interessante.
Você tinha algum problema com Milo?
- Até onde eu saiba, não.
- E você o encontrou morto, na festa?
- Sim. Eu escutei uma confusão, e fui ver o que era.
O resto você já sabe.
- Entendi.
- Mais alguma pergunta?
- Por enquanto não. Obrigado.

Capítulo 13
(Entrevista com Julian Silva)

Eu não queria 
Ir pra aquele lugar.
Só fui por causa 
De Cristina.
Eu não conheço 
Milo muito bem.
*
Ela queria falar 
Com ele urgentemente.
Então eu acompanhei 
Naquela festa.
O resto você já sabe.
Foi tudo confuso.
*
Melanie pensa 
Que isso é interessante.
Cristina não falou 
Que tinha ido ver 
Milo pra falar com ele.
Há algo estranho.
*
Capítulo 14
(Uma morte inesperada)

Melanie Milton morreu.
Sua namorada mexicana 
A encontrou sem vida
Dentro da sua casa.
Isto foi muito 
Impactante pra mim.
Aqui quem vos fala
É Breno, o protagonista 
Que foi no começo 
E agora voltou a ser.
Pelo que vejo
Terei que investigar.
*
Pouco antes de morrer 
Melanie enviou-me 
Algumas anotações 
De suas investigações.
Achei isto estranho.
Telefonei mas ninguém atendeu.
*
Agora eu já sei porque.
Estou lendo tudo 
Que ela me enviou.
E está história 
É cada vez mais complicada.

Capítulo 15
(Patinando com Carol)

Minha dor de cabeça 
Está de volta.
Num domingo quieto 
Minha mente não pára.
Mas eu tenho
Que continuar isso.
*
Na pista de gelo 
Carol patina com desenvoltura.
Ela é muito boa nisso.
Milo sempre me falava
Dela e dos seus talentos.
Principalmente na cama.
*
Eu morria de ciúmes 
Quando ele me contava isso.
Ele falava que era
Coisa de adolescente.
Mas eu não sei.
Tudo é confuso.
*
- O que vc quer?
- Falar com vc.
- Sobre o Milo?
- Sim.
- Eu já contei tudo pra polícia.
- Mas vc não me disse nada.
*
- Nós fomos a festa e lá aconteceu o que você já sabe.
- Nada mais?
- Claudio havia chegado antes de todos nós. Ele estava estranho.
- Estranho como?
- Eu não sei, é uma sensação.
- Compreendo. Você ainda sentia algo por ele?
(Carol olha forma vazia pra Breno)
- Com licença, eu tenho que treinar.

Capítulo 16
(De repente, num sonho)

Agora eu durmo
Num sono profundo 
Quando sonhei com ela 
Num cenário estranho 
Dum mundo perdido.
*
- O que aconteceu com vc?
- Foi um ataque cardíaco.
Toda minha família sofre 
De problema no coração.
Foi questão de tempo.
Você quer um café?
- Não, obrigado.
- Tudo bem então.
- Você descobriu alguma coisa?
- Até agora não.
É tudo tão complicado.
- Pois é meu amigo.
Bem-vindo ao mundo dos detetives.
- Eu já não sei mais se quero isso.
- Você vai deixar o assassinato de Breno em vão?
- Eu não sei o que pensar.
Isto começa como uma história de detetive.
E agora é uma coisa filosófica.
- Compreendo. Só tem um jeito.
- Qual?
- Leia o próximo capítulo.
- Vamos lá então.

Capítulo 17
(Deus Ex Machina)

Como narrador, eu escrevi 
Até agora sem uma 
Direção a seguir.
Mas agora tudo se esclarece
E a história se conclui.
*
Milo vai numa festa 
Para se distrair.
Mas o que ele não sabe 
É que Pablo nunca o esqueceu.
E não iria perde-lo.
*
Já Cristina se descobre 
Apaixonada por ele 
E resolve se declarar.
Mas Julian lê o seu diário 
E decide impedir isso.
*
Carol passa uma noite com Milo 
E os dois brigam.
Ela não aceita perde-lo 
Para Breno e então 
Ele não será demais ninguém.
*
Não podemos esquecer 
De Cláudio, um personagem 
Que aparenta estar distante 
Mas está mais perto 
Que podemos imaginar 
*
No dia da festa 
Milo vai ao banheiro 
Alguém bate na porta 
Ele vê que é Claudio 
Os dois discutem
*
Claudio sai furioso 
Quando Pablo chega
E tenta beija-lo 
Milo se nega 
E Pablo o ameaça 
Com uma adaga 
*
Pablo se arrepende
Ele vai embora 
E joga adaga fora 
Cristina chega então
E se declara pra ele 
*
Julian chegou na hora 
E ouve tudo 
Ele quer bater em Milo 
Cristina briga com ele 
E ambos vão embora 
*
Carol vê esta cena 
E percebe que não dá 
Para competir com tanta gente 
E decidi ir embora 
Agora só falta você 
Não é, Breno?

Capítulo 18
(Eu, eu mesmo e minha raiva)

Eu enganei a todos?
Eu não sei.
Tentei fazer o meu melhor.
Você me deixou, Milo.
Eu te amei demais.
Investi muito em vc.
E não te perderia assim.
No dia da festa, eu segui Milo.
Vi ele e Pablo brigando.
Vi adaga jogada fora.
Eu a peguei.
Mas cada vez que eu tentava chegar perto, os outros apareciam. E eu me escondia.
Depois de tudo isso.
Minha raiva só aumenta.
E quando ele sai do banheiro e me vê, eu não digo nada.
Apenas faço o que fiz.
Ele cai morto 
Eu pego um lenço.
E limpo a adaga.
Vou embora dali.
E escuto a confusão toda.
Depois, recebo a notícia.
Tenho que disfarçar.
E o resto vocês já sabem.
Ninguém pode fazer nada.
Só vocês e eu sabemos.
Esta história termina aqui.
E eu mudo de personagem.
Ninguém mais me achará 
Adeus a todos.

FIM.