quarta-feira, 30 de setembro de 2026

casa de campo

... 
Os pássaros cantam.
A floresta é silenciosa.
O sol brilha.
Tudo parece em paz.
Abel está na sua caminhada.
Ele faz uma trilha.
Tira fotos e grava vídeos.
Procura esquecer o que aconteceu.
Ele não quer pensar nisso.
Senta-se a sombra Duma árvore.
Toma um gole d'água.
Um riacho está sua frente.
Som d'água lhe acalma.
Ele olha pro anel.
Sente a sua temperatura.
Um coelho está ao longe.
Ele sente o cheiro de mato.
Há uma calma no ar.
...
Abel continua sua caminhada.
Tarde é fria.
Ele vê um riacho.
Se banha nele.
Veste a roupa.
Escorrega numa pedra.
Bate a cabeça.
Ele desmaia.
Acorda numa cabana.
Olha ao redor.
Vários móveis rústicos.
Ambiente a meia luz.
Uma lareira é acesa.
Ele tá coberto.
Olha pro lado.
Vê um homem.
Tenta se mexer.
Geme de dor.
O homem acorda.
Olá, você despertou.
Quem é você?
Meu nome é cinan, e o seu?
Eu sou abel.
Olá, Abel.
O nômade sente uma dor na cabeça.
Ele põe a mão na testa.
Está enfaixada.
Você bateu a cabeça numa pedra.
Onde eu estou?
Na minha casa.
Você me encontrou?
Não, foi Heitor.
Quem é Heitor?
Um amigo meu.
Obrigado pela gentileza.
Nós estamos aqui pra isso.
Eu preciso ir.
Ele tenta levantar.
Não consegue.
Ainda está tonto.
Cinan ajuda ele.
Não se mexa, você ainda está fraco.
Uma mulher entra no ambiente.
Sim, você perdeu sangue.
Esta é a minha mulher, dhara.
Olá, eu sou enfermeira.
Abel faz um aceno de cabeça.
Obrigado por cuidar de mim.
De nada, descansa um pouco.
Você vai precisar.
Abel adormece novamente.
O casal se olha.
...
Abel desperta novamente.
Chove lá fora.
Chama por alguém.
Ninguém lhe responde.
Casa é vazia.
Ele sente-se melhor.
Levanta-se cama.
Veste uma roupa.
Procura a sua mochila.
Não a encontra.
Olha pela janela.
Há um nevoeiro.
Porta se abre.
Quem entra é Heitor.
Abel olha pra ele.
Oi, eu sou Heitor.
Ahh, foi você que me encontrou.
Sim.
Obrigado por salvar a minha vida.
Não tem de que.
Onde estão eles?
Não sei, pensei que estivessem aqui.
Está um tempo chuvoso.
Sim, você quer algo?
Eu procuro minha mochila.
Ahh, ela se foi na correnteza do rio.
É uma Pena.
Eu sinto muito.
Tudo bem, eu compro outra.
Abel senta-se na cama.
Você conhece eles a tempo?
Sim, há 10 anos.
Muito tempo mesmo.
Pois é.
O que você faz?
Eu sou professor de teatro.
Ótimo, eu gosto de teatro.
Pois é, e você faz o que?
Eu era vendedor de automóveis.
Você era?
Sim, estava infeliz, e sai.
O que você faz agora?
Eu sou nômade digital.
Interessante.
Falando nisso, você tem celular?
Ter eu até tenho, mas não funciona.
Não?
Aqui não pega sinal.
Estranho.
Porque?
Onde eu estava, pegava.
Você não está mais lá.
Abel olha pra ele.
Isto é verdade.
Chega Farah, o filho cinan.
Olá, você está melhor?
Sim, obrigado.
Olá, Heitor.
Oi, Farah; como você está?
Eu estou bem, obrigado.
Onde estão seus pais?
Eles estão caçando, e já voltam.
Abel repara em Farah.
Caçando? Que interessante.
É sim.
Farah faz um gesto pra Heitor.
Você pode vir um momento aqui?
Tá bom então, com licença.
Os dois saem quarto.
Abel olha pela fechadura.
Os dois conversam baixo.
Farah gesticula.
Heitor só observa.
Eles param de conversar.
Olham para porta.
Abel se afasta.
Eles vão para cozinha.
Abel senta-se na cama.
Sua respiração é ofegante.
...
Tarde é quente.
Abel está com calor.
Ele passeia pelo campo.
Se recupera aos poucos.
Ele sente algo estranho.
Aquele lugar parece pacífico.
Porém algo não é visto.
Um segredo ronda este cenário.
Abel tem uma sensação.
Ele olha para cabana.
Farah o observa janela.
Ele faz um aceno.
Garoto não responde.
Dhara aparece na porta.
O jantar está pronto.
Eu já vou, obrigado.
Ele olha novamente para janela.
Farah não está mais lá.
Abel entra & vai jantar.
...
A noite chega.
Um lobo uiva ao longe.
Abel acorda.
Ele olha pela janela.
Não vê o animal.
Sente uma presença estranha.
Passos ecoam pelo corredor.
Ele vai ver o que é.
Uma silhueta está com uma lanterna.
Ela sai casa.
Vai em direção a floresta.
Abel pensa se vai ou não.
Sua curiosidade é maior.
Ele segue a pessoa misteriosa.
Vai até uma cabana abandonada.
Pega uma pedaço de madeira.
Ele pensa em entrar, mas desiste.
Se volta para ir embora.
Uma voz conhecida chama seu nome.
Abel olha para trás.
É cinan que está ali.
O que você faz aqui?
Me desculpe, eu ouvi passos.
Resolveu me seguir?
Não sabia que era você.
Pois sou eu.
Desculpe lhe atrapalhar, eu já vou.
Espere um pouco.
Abel olha para ele.
O que foi?
Eu preciso de sua ajuda.
Minha ajuda?
Sim.
Para que?
Para matar o meu filho.
Como é?
Nós estamos correndo perigo.
eu não entendi.
Eu vou lhe explicar tudo.
...
Ambos caminham pela floresta.
O que o seu filho tem?
Ele está possuído.
Possuído pelo que?
Eu vou lhe explicar a situação.
-
Narrativa de cinan 
-
Nós mudamos para cá há 5 anos.
Estávamos cansados da cidade.
Todo aquele barulho & agitação.
Eu estava doente.
Minha mulher estava estressada.
Nós estávamos sobrecarregados.
Eu preciso de paz e silêncio.
Minha escrita funciona assim.
Meu filho gostou daqui.
Ele brincava por aí.
Até que um dia achou um livro.
Um livro antigo e vermelho.
Ele contém histórias & figuras.
Na maioria, são alegorias.
Farah ficou obcecado pelo livro.
Andava com ele para todo lado.
Dormia com ele.
Sua personalidade mudou.
Ele era calmo e tranquilo.
Ficou agitado e nervoso.
Sem paciência para nada.
Era ignorante conosco.
Dhara & eu logo percebemos.
Este livro mudou nosso filho.
Várias noites, ele saia floresta.
Não sabemos para que.
Seguimos ele algumas vezes.
Sempre o perdemos de vista.
Um dia pegamos livro.
Nós queimamos ele.
Farah ficou furioso.
Quis nos agredir.
Trancamos ele no porão.
Foi o jeito.
Não me orgulho disto.
Foi preciso para nossa segurança.
Noutro dia ele ficou calmo.
O livro estava em suas mãos.
Intacto & inteiro.
Nenhum sinal de fogo.
Farah sorriu para nós.
Foi para o seu quarto.
Não disse nada.
Contamos tudo a Heitor.
Ele não crê em nós.
Diz que é imaginação nossa.
Uma noite, nós fomos acordados.
Farah estava perto de nossa cama.
Tinha uma faca.
Disse que não era nosso filho.
Era um tipo de clone dele.
Nosso filho estava preso.
Em algum lugar floresta.
Fez uma ameaça.
Não podíamos sair daqui.
Só quando ele decidisse a hora.
Se fizermos algo, ele mata Farah.
Isso já tem dois anos.
Vivemos desta forma.
Não dissemos mais nada Heitor.
Até que você chegou.
-
Abel olha para cinan.
Porque não vai até a polícia?
Você não ouviu o que falei?
Eu ouvi Sim.
Ele nos vigia alguma forma.
Abel olhou ao redor.
Cinan percebe o movimento.
Não se preocupe, ele está dormindo.
Como você sabe disto?
Dhara está olhando ele.
Compreendo.
Se ele sair, ela liga para mim.
Porque eu então?
Você é a nossa única chance.
Que ótima notícia.
Tem mais uma coisa.
O que é?
Você é a primeira visita desde então.
Como assim?
Ninguém aparece aqui depois disto.
Que estranho.
Este lugar é estranho.
Eu não sei se posso.
Nós já tentamos mata-lo.
O que?
Com veneno, mas não faz efeito nele.
Tem certeza que ele não é seu filho?
Claro que sim.
Vocês já tentaram sair daqui?
Sim, mas sempre voltamos para cá.
Como um looping espacial?
Sim.
Eu também estou preso aqui?
Creio que sim.
E Heitor, ele não sai?
Ele está preso, mas não sabe disto.
Como assim?
Ele está como um fantasma.
Sem consciência realidade.
Isto mesmo.
Eu tenho que pensar.
Certo, vamos voltar.
O dia está amanhecendo.
Daqui a pouco, ele acorda.
Os dois vão embora.
O sol surge no horizonte.
...
Abel pensa por um tempo.
Ele decide ir embora.
Não quer ficar ali.
Não confia no que cinan lhe contou.
Abel ouve gritos.
Dhara está chorando.
Ele desce as escadas.
Vê uma cena na sala.
Farah está morto.
Uma faca no peito.
Sua mãe está ajoelhada ao seu lado.
Cinan tem as mãos ensanguentadas.
Dhara briga com ele.
O escritor olha para Abel.
Eu não fiz nada disto.
Heitor chega na hora.
Tudo é uma confusão.
...
Dhara pega faca.
Ela ataca cinan.
Enfia lâmina no seu coração.
Ele morre na hora.
Heitor tenta dete-la.
Ela esfaqueia ele na mão.
Ele escorrega no sangue cinan.
Bate a cabeça no chão, e desmaia.
Dhara foge dali gritando.
Abel vai atrás dela.
Uma névoa surge do nada.
Sua visão fica embaçada.
Ouve ela gritar ao longe.
Abel cai num buraco.
Ele rola num barranco.
Cai em cima de uma rocha.
Sua perna se quebra.
Ele grita de dor.
Percebe alguém vindo.
Abel não consegue ver quem é.
A névoa é intensa.
Alguém bate na sua cabeça.
Ele fica desacordado.
...
Abel acorda desorientado.
Ele observa ao seu redor.
Vê uma sala amarela.
Ela tem uma mesa vidro.
Em cima dela, sua mochila.
Ele vai até a mesa.
Olha mais uma vez ao redor.
Vê uma porta vermelha.
Ele tenta abri-la.
Ela está fechada.
Procura pela chave.
Não a encontra.
Volta até a mochila.
Ele procura seus objetos.
Não tem nada lá.
A não ser o livro vermelho.
Aquele mencionado por cinan.
Ele abre o livro.
As páginas estão em branco.
Não há nada escrito.
Nenhum desenho feito.
A porta se abre.
Quem surge é cinan.
Ele está jaleco.
Abel olha para ele.
O que está acontecendo?
Você não lembra?
Lembrar o que?
Você está internado aqui.
Como é?
Abel volta se olhar.
Ele está com um uniforme hospitalar.
Isto não pode ser possível.
Cinan olha para o prontuário.
Depois, olha para ele.
Você não lembra de nada?
eu lembro de estar na sua casa.
Uma casa campo?
É isso aí.
Você não esteve em minha casa.
Como não?
Você está delirando.
Eu não entendi.
Você enlouqueceu, e matou seu filho.
É mentira, você está me enganando.
Porque eu faria isto?
Por causa deste livro.
Abel volta-se para mesa.
Não há nada lá.
Só a sua cama.
Ela estava aqui.
Ela quem?
A mesa e o livro.
Neste momento, entra dhara.
Me chamou doutor?
Preciso de você, enfermeira.
Está na hora remédio?
Sim.
Eu não preciso de remédio nenhum.
Se acalme, por favor.
Eu vou sair daqui.
Abel tenta fugir.
Cinan o segura.
Heitor, ajuda aqui, por favor.
Chega o outro personagem.
Também vestido de enfermeiro.
Os dois agarram ele.
Abel se debate.
Socorro, eles estão me matando.
Dhara aplica um calmante nele.
Abel vai perdendo as forças.
Uma lágrima corre por seu rosto.
Porque vocês estão fazendo isso?
Não estamos fazendo nada.
É para o seu bem.
Os dois homens o colocam na cama.
Abel está grogue.
Dhara cobre ele.
Depois, voltamos aqui.
Os três saem.
A porta é trancada.
Cabeça dele é cada vez mais pesada.
olha para o teto.
Lâmpada fluorescente pisca.
Logo se apaga.
Abel está só.
No meio da escuridão.
O sono chega.
Ele se entrega ao esquecimento.
...
(Fim)




quarta-feira, 9 de setembro de 2026

o crepúsculo das flores

Capítulo 01
...
Já é setembro.
Um novo dia começa.
Carla Ferreira está deitada.
Ela olha para o teto.
Está sozinha em casa.
Ouve os pássaros cantarem.
Um cão late ao longe.
Sua barriga ronca.
Ela sente fome.
Carla Ferreira levanta-se.
Vai até a cozinha.
Prepara um café.
Senta-se a mesa.
Olha o fogão.
Sua mente divaga.
Ela pensa em alguma coisa.
Vê a pia.
Ela tem pratos sujos.
Termina o café.
Vai lavar os pratos.
...
Capítulo 02
...
Eduardo chega em casa.
Dá um beijo nela.
Como foi o seu plantão?
Foi tudo bem.
Você já tomou café?
Não.
Eu vou preparar.
Obrigado.
Ele vai tomar banho.
O telefone toca.
Carla Ferreira atende.
É sua editora.
Ela foi convidada uma feira.
Vai viajar Alemanha.
Fará uma palestra.
Terá um dia autógrafos.
Carla Ferreira aceita o pedido.
A ligação termina.
Ela vai tomar café.
Não viaja há tempo.
Esta é uma oportunidade.
Refletir sobre a sua vida.
Sobre o seu casamento.
...
Capítulo 03
...
Eduardo sai do banho.
Ele ouviu telefone tocar.
Quem é?
Minha editora.
O que ela quer?
Tem uma viagem pra mim.
Divulgação?
Sim.
Ótimo, onde vai ser?
Alemanha.
Legal, sempre quis conhecer lá.
Você não vai comigo.
Eduardo para se enxugar.
Porque?
Porque eu quero ir só.
Você não quer minha companhia?
Não.
Eu fiz alguma coisa pra vc?
Não se faça de desentendido.
Ainda é sobre aquilo?
Sim.
Foi só aquela vez.
Se apronta uma vez, apronta sempre.
Eu te pedi perdão.
Isto não significa esquecer.
Isto não é justo.
O que você fez comigo é justo?
Ele joga toalha na cama.
Com licença, eu vou me vestir.
Depois ele volta.
Porque está comigo ainda?
eu não sei dizer.
percebo que não.
Nesta viagem eu decido isto.
pense muito bem no que vai fazer.
Com certeza sim.
Eu vou sair.
Não vai tomar café?
Eu perdi a fome.
Até mais então.
Eduardo sai.
Ela liga pra André.
Oi amigo.
Oi, como vc está?
Bem e vc?
Também, quero te perguntar algo?
O que?
Você quer viajar comigo?
Eu quero sim.
Ótimo então vamos nos preparar.
Para onde vamos?
Alemanha.
Perfeito, acho lá tão lindo.
É lindo sim; até mais então.
Beijo.
Ela desliga.
Carla se serve mais um café.
Curte o silêncio do ambiente.
...
Capítulo 04
...
Carla & André vão a 1 boate.
Eles se divertem.
Música techno.
Gente por todo lado.
Ambiente cheio de promessas.
Pessoas ficando por aí.
Carla conta tudo a André.
Ele toma um gole de cerveja.
Eu não quero ser motivo briga.
Você não é motivo.
Tem certeza disto?
Ele não manda na minha vida.
Tá bom então.
Chega deste papo.
Vamos dançar?
Vamos nos divertir.
Eles vão para pista.
Ela tá bombando.
Um cara fica olho em Carla.
Ela ri pra André.
Ele dá um sinal.
Vai lá amiga.
Ela vai até o cara.
Os dois dançam.
Conversam e se beijam.
Noite é uma criança.
...
Capítulo 05
...
Eles viajam.
Chegam na Alemanha.
Se hospedam no hotel.
Carla Ferreira encontra editora.
Ela apresenta André.
Os dois se cumprimentam.
Sua palestra é daqui a dois dias.
Tá bom então.
Você fica aqui até sexta-feira.
Certo.
Elas se despedem.
Os dois amigos vão curtir a cidade.
Outro dia começa.
Carla vai caminhar.
Ela para num restaurante.
Pede um café.
Alguém vem em sua direção.
Ele é Breno Brusque.
Um advogado alemão.
Ele a cumprimenta.
Olá, você é Carla Ferreira?
Sim, sou eu.
Prazer em conhecê-la.
Meu nome é Breno.
Olá, Breno.
Eu reconheci vc; sou seu fã.
Ora, obrigado.
Gostei seu livro de poesia.
Agradeço a gentileza.
Você veio para feira literária?
Sim.
Ótimo, eu estarei lá.
Será um prazer.
Ele pega um cartão.
Aqui tá meu cartão.
Carla olha pra ele.
Gostaria de jantar comigo?
Eu vou pensar.
Desde que você queira, é claro.
Eu fico até sexta-feira.
Perfeito.
Ela pede a conta.
O garçom vem.
Ele se oferece pra pagar a conta.
Não precisa disso.
Eu insisto.
Se você quer.
Ele paga o garçom.
Ela agradece a gentileza.
Não tem porque.
Ela vai embora.
Ele a observa.
Algo está para acontecer.
O que será hein?
Eu não faço ideia.
...
Capítulo 06
...
A palestra acontece.
Carla Ferreira se sai bem.
Ela é aplaudida.
Autógrafos são dados.
Ela conhece Alfred Allen.
Olá, eu sou empresário.
Em que posso ajudá-lo?
Gostaria de fazer um projeto com vc.
Isto é uma honra.
Me procure amanhã no escritório.
Eu irei sim.
Deixarei o endereço pra você.
Obrigada.
Ele vai embora.
André se aproxima dela.
Olha aí amiga, arrasando corações.
Deixa disto, são só negócios.
Negócios ótimos, por sinal.
Só vc mesmo.
Breno Brusque aparece.
Olha só quem apareceu.
Você acha que eu ia perder isto?
Jamais.
André dá um gole de vinho.
Carla apresenta os dois.
André vai ao banheiro.
Breno pede um drink.
Parabéns pela sua noite.
Obrigada.
Você pensou no que eu disse?
Sim.
O que você decidiu?
Eu vou jantar.
Ótimo.
Eles conversam.
André volta pra amiga.
Eles se divertem.
Contam histórias sobre eles.
O advogado se despede de ambos.
Ele vai embora.
Só que algo acontece.
Ele é atropelado.
Uma confusão surge na rua.
Carla & André vão até lá.
Eles ficam nervosos.
Uma ambulância chega.
Breno Brusque é atendido.
Ele tá desacordado.
Vão levá-lo ao hospital.
Carla vai com ele.
13 horas se passam.
Breno acorda.
Ele vê a escritora.
Ela tá deitada numa poltrona.
O advogado a chama.
Carla Ferreira acorda.
Ela chama o enfermeiro.
Breno está melhor.
Um médico também vem vê-lo.
Ele é avaliado.
Está tudo relativamente bem.
Ele tem que ficar repouso.
Carla conversa com ele.
Como você está?
Eu estou bem, só um pouco tonto.
Você deu 1 susto.
É verdade.
Agora eu tô chateado.
Porque?
Nosso jantar não vai acontecer.
Está tudo bem; o importante é vc.
Agradeço a gentileza.
Não é gentileza.
É o que então?
A constatação Dum fato.
Que fato?
Há muito tempo não me sinto assim.
Assim como?
Viva, com vontade de viver.
Breno engole em seco.
Carla percebe o movimento.
Você quer água?
Sim, por favor.
Ela pega um copo d'água.
Dá pra ele.
Obrigado.
Não tem de que.
Você é casada?
Eu sou sim.
Eu não quero atrapalhar a sua vida.
Você não atrapalha.
Fico feliz em saber disto.
Eu vim nesta viagem pra pensar.
Em que?
Se devo continuar casada ou não.
O que você decidiu?
Carla Ferreira olha pela janela.
Eu não sei.
Eu atrapalhei sua noite né?
De forma nenhuma.
Você é tão gentil.
Nem sempre sou.
Posso te fazer uma pergunta?
Sim.
Você sente-se só?
Ela olha pra o teto.
Eu me sinto sim.
Seu marido não é presente?
A rotina acontece.
Sei como é.
Não é culpa dele; tem mais coisas.
A monotonia arruina tudo.
Você é casado?
Eu já fui.
Onde está ela agora?
Era ele; morreu num acidente.
Ahh tá, sinto muito.
Obrigado.
Eu tenho que ir agora.
Não sei como agradecer.
Fique bem; isto é tudo.
Tá bom então.
Ligaram pra alguém sua família.
Certo.
Depois eu volto aqui.
Eu conto com isso.
Ela dá um beijo nele.
Vai embora.
Breno sempre o gosto beijo.
Fica um pouco excitado.
Ele também sente-se vivo.
...
Capítulo 07
...
Tarde é chuvosa.
Carla Ferreira conta tudo a André.
Como ele está?
Ele tá melhor.
Que bom então.
Pois é.
O que você pretende fazer agora?
Eu não sei.
Ligaram pra você.
Quem é?
A secretária de 1 tal Alfred Allen.
Ahh, eu já ia esquecendo.
Ela disse que a reunião é as 3 horas.
Obrigada, e você o que tem feito?
Eu estou conhecendo alguém.
Olha ele aí hein?
Como não sou famoso né?
Como você é bobo.
Os dois riem.
O celular toca.
Ela atende; é Eduardo.
Você pode me dar licença?
Tudo bem.
Ele sai do quarto.
O que você quer?
Não posso ligar pra você?
Desculpa, como você está?
Eu estou bem, e vc?
Também tô bem.
Ótimo, como tá viagem?
Está ótimo.
Se divertindo muito?
Com André não tem como não ser.
Fico feliz por você.
Obrigada.
Você volta depois de amanhã?
Sim.
Bem, eu já estou indo.
Certo.
Então tchau.
Tchau.
Carla desliga o celular.
Olha chuva caindo.
Tenta encontrar alguma resposta.
Só há o céu cinza.
...
Capítulo 08
...
Schonenberg é um bairro tradicional.
Um ponto perfeito encontro.
André toma 1 cerveja.
Chega ennio enoli.
Olá, você é André?
Sim.
Os dois se cumprimentam.
Enio senta-se, e pede um drink.
Você se chama Enio, né?
Sim.
Você fala bem minha língua.
Morei cinco anos no seu país.
Legal, você é italiano?
Eu sou.
Eu amo a Itália.
Você já foi lá?
Infelizmente ainda não.
Então você precisa ir.
Se eu receber um convite.
Sinta-se convidado.
André contém um sorriso.
Ele toma um gole de cerveja.
Chega bebida ennio enoli.
Ele toma tudo Duma vez.
O italiano pega na mão de André.
Você é mais bonito pessoalmente.
Obrigado, você também é.
Vamos? Já tá na hora.
Certo.
Eles pagam a conta.
Quando vão saindo, Enio vê alguém.
É Brenda, uma amante sua.
Brenda para na frente dos dois.
Ela olha pra Enio, depois pra André.
O italiano fica sem jeito.
O que você quer?
Então é por ele que vc me trocou?
Do que vc está falando?
Ela dá um tapa nele.
André fica constrangido.
Eu não quero atrapalhar vcs.
Brenda olha pra ele.
Não se preocupe, querido.
Ênio segura o braço dela.
Para com isso, Brenda.
Me larga.
Ela puxa o braço dele.
Espero que vcs aproveitem muito.
Ela vai embora.
André olha pra Enio.
Isto foi constrangedor.
Me desculpa, ela é assim mesmo.
Eu percebi que sim.
Vamos sair daqui.
Eles vão para o apartamento dele.
André olha o lugar.
Móveis modernos, ambiente claro.
Tem 1 sensação aconchegante.
Seu apartamento é lindo.
Obrigado, melhor é a cama.
Ênio o leva pra o quarto.
Eles se beijam.
Tiram a roupa & transam.
Depois tiram um cochilo.
A tarde vai & a noite vem.
André acorda.
Quarto está meia luz.
Ele olha pra Enio.
Passa mao em seu cabelo.
Desenha o nariz.
Contorna os seus lábios.
Dá um beijo nele.
Ênio acorda.
Retribui o beijo.
Ciao, amore.
Ciao, Bello.
Eu tenho que ir.
André se levanta, e veste-se.
Fica mais um pouco.
Não dá; minha amiga me espera.
Você tem certeza?
Infelizmente sim.
Ênio levanta-se, e beija ele.
Os dois se abraçam.
Foi muito bom te conhecer.
Digo-lhe o mesmo.
Nos vemos por aí.
André passa mao pelo rosto dele.
Vai embora dali.
Ênio deita-se novamente.
Lembra-se deste dia perfeito.
Ele olha pro lado.
Vê suas roupas pelo chão.
Sabe que isso também passa.
A vida continua.
...
Capítulo 09
...
Carla Ferreira vai até Alfred Allen.
Em que posso ajudá-lo?
Eu quero fazer um projeto com você.
Que tipo de projeto?
Um parque temático.
Com os meus personagens?
Sim, seu mundo é bem interessante.
Obrigada, e como seria isto?
Seria algo como a Disneyland.
Ninguém nunca pensou nisto antes.
Agora é a hora.
Eu posso pensar?
Sim.
Alemanha admira muito seu trabalho.
É o lugar onde mais vendi.
Sua série fantasia é fantástica.
Eu fiz algo com a mitologia germânica.
Por isso ressoou tanto aqui.
Certo, amanhã eu volto para casa.
Minha secretária lhe enviara um e-mail.
Eu vou pensar com carinho.
Agradeço a gentileza, só mais uma coisa.
O que é?
Você sabe porque escolhi você?
Tem outra coisa ainda?
Sim.
O que é?
Sua história salvou minha filha.
Ela tinha depressão.
Sua heroína demonstrou força.
Isto deu força para minha filha.
Ela resolveu continuar.
Procurou ajuda e tratamento.
Você chegou onde não conseguimos.
Sua literatura salvou minha família.
Muito obrigado por tudo.
Posso te dar um abraço?
Ela afirma com a cabeça.
Os dois se abraçam.
Ela vai embora.
Alfred Allen olha o horizonte.
Ele pede um café.
...
Capítulo 10
...
Ennio vai a padaria.
Ele encontra Audi.
Um amigo infância.
Olá, há quanto tempo.
Pois é.
Os dois se abraçam.
Vamos tomar um café?
Eu aceito sim.
Ótimo.
O que você tem feito?
Eu terminei a faculdade, e você?
Eu estou por aí.
Hum, você tem ido a Itália?
Não muito, e você?
Também não.
Legal, mas eu pretendo voltar.
Lembra aquele verão em Roma?
Nem me fala.
Nunca me esqueci.
Você me ajudou muito naquele dia.
Não é pra tanto.
Para mim é.
Se você fala né?
Audi prova seu capuccino.
Seu gosto lembra o beijo ennio.
Você tá com alguém?
Não e vc?
Eu terminei meu namoro.
Sinto muito por vc.
Grazie.
O que você vai fazer agora?
Vou procurar um emprego em Berna.
Boa sorte pra vc.
Porque não vem comigo?
Eu não posso.
Porque não?
No momento, eu estou ocupado.
Eu vejo vc por aí.
Como assim?
Eu sei o que você faz.
Ennio olha pra sua xícara.
Ele aperta com força.
Seus dedos ficam roxos.
Audi toca nele.
Não fique assim.
Como você quer que eu fique?
Isto não é uma crítica.
É o que então?
É alguém que gosta de vc.
Eu não posso fazer isso.
Audi tira mão dele.
Muito bem.
Ele levanta-se, paga a conta.
Ênio fica pé.
Você já vai?
Sim, tenho algumas coisas pra fazer.
Eu sinto muito, mas...
Você não precisa me dizer nada.
Audi vai saindo.
Quando eu posso te ver.
Eu estou sempre por aí.
Audi vai embora.
...
Capítulo 11
...
Carla Ferreira recebe uma ligação.
Seu marido morreu.
Acidente de carro.
Ela fica em choque.
Não tem reação.
Ela volta para casa.
O enterro acontece.
Alguns dias se passam.
Carla organiza as coisas dele.
Vai fazer uma doação.
André ajuda ela.
Como você está?
Eu estou indo.
Estou aqui com você.
Obrigado, não sei o que seria de mim.
Para que servem os amigos?
Você quer um café?
Sim, obrigado.
Celular dela toca.
É Breno Brusque.
Oi, sou eu, Breno.
Como você conseguiu meu número?
Eu tenho amigos.
Sei, como você está?
Eu estou bem, e você?
Eu estou levando.
Eu soube sobre seu marido.
Pois é.
Meus sentimentos a você.
Obrigada.
Eu só liguei para te dar um oi.
Agradeço a gentileza.
Tenta ficar bem.
Obrigada, você também.
Até mais então.
Até.
Ele desliga.
Carla coloca o café no fogo.
olha uma foto dela & Eduardo.
Os dois num parque aquático.
Um dia de domingo.
Tempo limpo e claro.
Muita gente se divertindo.
Inclusive eles também.
Ela dá um suspiro.
A chaleira apita.
Café está pronto.
...
(Fim)

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

às tardes

As tardes me fazem pensar.
Em pessoas que conheço.
Que não ligo.
Em pessoas que não conheço.
Tenho vontade de ligar.
Momentos que vivo na mente.
Que para mim são Reais.
Mais reais que minha realidade.
Eu olho aqui agora e penso.
Não sou eu vivendo isto.
Sou eu vivendo outra vida.
Uma que não quero.
Enquanto há outra vida.
Esperando por mim.
Em algum lugar melhor.

sábado, 22 de agosto de 2026

cortina de Seda

Capítulo 01
...
Olá.
Meu nome é Daemon.
Sou um personagem literário.
Estou na beira Duma Ponte.
Eu vou me matar.
Minha vida não tem mais sentido.
Fui protagonista dum livro.
Este livro foi muito famoso na época.
Fez sucesso no mundo todo.
As pessoas me adoravam.
Eu era cultuado.
Fizeram até filme de minha história.
O tempo passou.
Minha memória esfriou.
Poucos se lembram de mim.
Estou relegado ao esquecimento.
Um pouco dramático?
Pode ser, porém me sinto assim.
Qual sentido disto?
Um personagem esquecido?
Só que algo vem a minha mente.
Como eu posso morrer?
Sou feito de tinta e papel.
Nasci criatividade alguém.
Este alguém tem nome.
James - o meu criador.
Só ele pode me Livrar disto.
Eu vou procurá-lo.
Ele vai ter que me ajudar.
Não pode me criar assim.
Só para depois me enxotar.
Não sinto vontade de nada.
Um grande vazio em mim.
A tinta perdeu a cor.
As palavras se apagam.
O meu livro se desgasta.
Eu desço Ponte.
Ajeito minha roupa.
Começo minha jornada.
Por onde ir?
Em que lugar irei encontrá-lo?
Ah, já sei.
Eu vim pensamento dele.
Vou visitá-lo no seu sonho.
...
Capítulo 02
...
James foi ao teatro.
Ele também é ator.
Gosta deste mundo.
Seu dia foi frio.
Assim como meu.
Eu espero ele dormir.
Apareço em seu sonho.
Ele me reconhece.
Daemon, é você?
Sim, sou eu.
O que você quer aqui?
Porque você me abandonou?
Eu não abandonei você.
Como não?
Você está aqui.
Isto não quer dizer nada.
Isto quer dizer tudo.
O que você quer dizer?
Você vive na minha mente.
Eu vivo num livro esquecido.
Não seja dramático.
Eu sou o que sou.
O que eu posso fazer por você?
Me escreva novamente.
Eu não posso fazer isto.
Porque não?
Você pertence ao meu passado.
Eu não gosto disto.
Vou criar alguém para você.
Alguém para mim?
Em breve você verá.
James acorda.
Eu fico aqui.
Sem saber o que virá.
...
Capítulo 03
...
Eu estou na sala.
Vento balança cortina de Seda.
Eu recebo uma mensagem.
"Venha até o meu jardim.
Eu lhe ajudarei com o seu sonho.
(Anfitrião)" 
Não sei quem ele é.
Não sei onde ele mora.
Um jardim é tudo que sei.
Vou a procura deste lugar.
Saio pela estrada.
Tudo é possível.
Agora já está tarde.
Sol é visível.
Clima é ameno.
Encontro personagens pelo caminho.
Eles conversam entre si.
Não notam minha presença.
Falo com eles.
Alguns respondem, outros não.
Já não me interessa.
O que quero é viver.
Voltar a ser quem fui.
Vento nas árvores.
Folhas pelo chão.
Vejo um jardim ao longe.
Sinto uma profusão aromas.
Flores coloridas e variadas.
Alguém me espera na entrada.
Olá, eu sou anfitrião.
Estava te esperando.
Quem mandou vc?
O nosso criador.
Compreendo.
Eu soube o que você quer.
E o que eu quero?
Reencontrar a sua essência.
É isso mesmo.
Venha comigo.
Ele me leva a um passeio.
Há muitos frutos diferentes.
Formatos geométricos.
Não é tão somente um jardim.
É um pomar também.
Um riacho corre ao meu lado.
Som aquático me acalma.
Paramos em frente a uma árvore.
Ela é vermelha.
Tem frutos azuis.
Anfitrião pega minha mao.
Qual era sua função?
Eu era um cavaleiro.
Vivia muitas aventuras.
Tinha um dragão como amigo.
Derrotei vários vilões.
Os leitores me adoravam.
Você sente falta disso?
Eu sinto sim.
Então coma um fruto destes.
O que acontecerá comigo?
Algo que só cabe a você ver.
Tudo bem então.
Eu pego fruto azul.
Seu formato é triangular.
Dou uma mordida.
Ele tem gosto sol.
Um sono se apodera de mim.
Anfitrião me conduz a uma cama.
Ela é feita de folhas.
Deito-me nela.
Olho as nuvens.
Elas nublam minha mente.
Não estou mais aqui.
...
Capítulo 04
...
Eu acordo numa biblioteca.
Uma mulher olha pra mim.
Olá.
Quem é vc?
Meu nome é Laura.
Onde eu estou?
Na minha bibliotecária.
O que eu faço aqui?
Porque você não me diz?
Eu?
Sim, você.
Outra mulher entra na biblioteca.
Ela traz uma bandeja.
Três bebidas estão nela.
Esta é a minha namorada, Andreia.
olá, Daemon.
Como você sabe meu nome?
Ora, meu querido. Aqui é assim.
Assim como?
Andreia distribui as bebidas.
Que tal um vinho?
Eu olho pra bebida.
Vontade bate a porta.
Eu bebo vinho.
Olho as prateleiras.
Livros por todo lado.
Laura senta-se num sofá.
O que posso fazer por você?
Você não sabe?
É claro que sim.
Então porque pergunta?
Porque eu gosto de perguntar.
Eu dou um suspiro.
Minha paciência é testada.
Ela aponta para um lugar.
Vê aquele livro ali?
Eu olho um livro de capa roxa.
Sim.
Pegue ele pra mim, por favor.
Eu pego & entrego a ela.
Laura folheia ele.
Hum, isso é interessante.
O que?
A sua história.
Ela passa o livro pra mim.
Eu vejo a capa.
Esta é a minha história.
Sim, é ela.
Você pode me ajudar?
James é muito esperto.
Como assim?
Manda você até mim.
Resolver a sua situação.
Você pode?
Depende.
De que?
Você quer isso?
É óbvio que sim.
Ela olha pra Andreia.
Isto tem um preço.
Que preço?
Isto eu não posso dizer.
Porque?
Porque não.
Regras da casa.
Que coisa chata hein?
A vida é chata meu bem.
Até nos livros.
Andreia vem até mim.
Pega o livro.
Recoloca ele na prateleira.
Laura aponta para um relógio.
Tempo está passando.
Você aceita ou não?
Tá bom, eu aceito sim.
Ela levanta-se.
Ótimo.
Só um momento.
Laura vai até Andreia.
As duas se beijam.
Uma chuva de Prata cai ali.
Ela não molha os LIVROS.
Nem as duas.
Só a mim.
Algo acontece comigo.
Eu deixo ser preto e branco.
Meu corpo fica colorido.
Tinta escorre por mim.
Elas olham para mim.
A chuva termina.
Reparo em minhas mãos.
Olho pra ela.
E agora o que acontece?
Passe por aquela porta.
Tudo será diferente.
Eu vejo uma porta atrás de mim.
Ela não estava ali antes.
Eu agradeço as duas.
Passo pela porta.
Uma escuridão me envolve.
Lá vou eu novamente.
...
Capítulo 05
...
Eu me vejo na forma humana.
Estou no mundo real.
Isso é incrível.
Pela primeira vez, sinto a vida.
O cenário ganha textura pra mim.
Não sei como, mas sei onde estou.
Sei quem procurar.
James, o meu criador.
Ele terá que me ajudar.
Dar um novo rumo a mim.
Vou até lá.
Bato na sua porta.
Um empregado me atende.
Pois não?
Eu procuro James.
Ele não está.
Para onde ele foi?
Para um retiro budista.
Onde é isso?
Quem é vc? Porque quer saber?
Eu sou um personagem dele.
Como é?
Eu toco na sua testa.
Ele vê tudo que sei.
Algo nele muda.
Eu vou lhe passar o endereço.
Ótimo, obrigado.
...
Capítulo 06
...
O lugar é bonito.
No meio floresta.
Um templo zen.
O silêncio reina.
Eu chego a recepção.
Um monge me atende.
Pois não?
Eu procuro James, o escritor.
Ele não pode ser incomodado.
Como assim?
Aqui é um retiro.
Eu sei disso.
Então se sabe porque veio?
Porque preciso falar com ele.
Qual é o seu nome?
Meu nome é Daemon.
Vou ver o que posso fazer.
Ele sai dali.
Eu espero um momento.
O monge retorna.
Ele não pode atendê-lo agora.
Como não pode atender?
Senhor é surdo?
Para um monge vc é bem ignorante.
Eu sou monge, não santo.
Eu vou embora dali.
Volto a casa James.
Mordomo me atende.
O senhor novamente?
Eu vou ficar aqui até ele voltar.
Como é?
Isto que você ouviu.
Ele não me disse nada.
Eu estou dizendo agora.
Vá embora daqui.
Eu não vou.
Vou chamar a polícia.
Saio atrás dele.
Pego telefone sua mão.
Jogo no chão.
Mordomo olha pra mim.
Mas o que é isso?
Se chamar a polícia, eu mato vc.
Ele vai até o fogão.
Coloca uma chaleira no fogo.
Aceita um chá?
Sim, obrigado.
...
Capítulo 07
...
Alguns dias se passam.
Nada de James.
Eu estou impaciente.
Alguém bate a porta.
O mordomo atende.
É alok, um monge zen.
Pois não senhor?
Eu quero falar com Daemon.
Escuto meu nome.
Apareço na porta.
Aqui estou eu.
O que você quer comigo?
Eu vim a mando James.
Porque ele não veio?
Ele não quer ver vc.
O que você quer?
Ele disse pra você ir embora.
O que?
Siga sua vida.
Ele me deu esta vida.
Pois então aproveite.
Eu vou aproveitar sim.
Quando ele me der um propósito.
Isto vai ser difícil.
Porque?
Porque ele é outra pessoa.
Isto não faz sentido.
Assim como vc.
Eu olho no fundo de seus olhos.
Preciso falar com ele, por favor.
Eu preciso pensar.
Monge senta em posição lótus.
Fecha os olhos.
Pratica respiração consciente.
Algum tempo se passa.
Ele abre os olhos e levanta.
Tudo bem então.
Eu vou levar vc até ele.
Agradeço a gentileza.
Nós vamos até uma casa na colina.
Alok me deixa lá.
Eu bato na porta.
James atende.
O que você faz aqui?
Eu não quero falar com vc.
Mas eu quero falar contigo.
James olha pra sala.
Eu estou ocupado agora.
Eu olho na mesma direção.
Andreia está lá.
Eu olho pros dois.
Andreia vem até mim.
Laura está desaparecendo.
Mais um problema pela frente.
...
Capítulo 08
...
James está deitado.
Olha o teto.
Não acredito que vocês estão aqui.
Eu chego perto dele.
Nós precisamos de vc.
Vocês não precisam de mim.
Andreia levanta-se cadeira.
É claro que sim.
James fica sentado.
O que vocês querem de mim?
A sua lembrança.
A minha o que?
O seu pensamento.
Porque?
Isto é óbvio.
Você nos criou.
Vivemos na sua imaginação.
Você nos esquece.
Nós estamos desaparecendo.
James vai até a janela.
Isto é loucura.
Andreia se aproxima de James.
Por favor.
Não deixe Laura morrer.
Ela é tudo que tenho.
Eu vou até ele.
Isto tem uma solução.
Ela se vira para nós.
Qual?
Escrever uma nova obra.
Então nós viveremos.
James olha pra sua escrivaninha.
Para sua máquina de escrever.
Muito bem.
Se é história que vocês querem.
É isto que terão.
Ele vai para o seu lugar trabalho.
Põe uma folha na máquina.
As teclas começam a bater.
Uma luz nos envolve.
Somos levados a outro cenário.
...
Capítulo 09
...
Andreia e eu voltamos ao livro.
Vamos até Laura.
Ela está deitada numa cama dourada.
Andreia beija & abraça.
Laura está pálida.
O que você tem?
Ele me atacou.
Quem?
Ela olha pra mim.
Malarius.
Não pode ser possível.
Ele é o meu arqui-inimigo.
Pensei tê-lo derrotado.
O que ele quer?
Controlar a terra dos livros.
Ele roubou meu poder.
Andreia pega uma espada.
Onde ele está?
Creio que na torre negra.
Temos que acabar com ele.
Ou ele nos apagará história.
Eu concordo com ela.
Pego um arco e flecha.
Olho pra Laura.
Você ficará bem só?
Ela segura mão de Andreia.
Sim.
Vocês não podem fazer nada aqui.
Se ele ganhar, nós perdemos.
Tudo bem então.
Nós vamos atrás dele.
...
Capítulo 10
...
Chegamos a torre negra.
Malarius está numa espreguiçadeira.
Toma uma bebida.
Olha pra nós.
Olá, meus queridos.
Sejam bem-vindos.
Juntem-se a mim.
Vocês querem uma bebida?
Andreia pega sua espada.
Ora, seu desgraçado.
Ele ergue a sua mão.
Ela fica paralisada.
Nem pense nisto.
Eu pego uma flecha.
Atiro em sua direção.
A flecha cai no chão como uma tinta.
Malarius dá um suspiro.
Você não aprende mesmo, não é?
O que você quer?
Sair daqui.
Porque não sai?
Porque ele esqueceu de mim.
Isto tira minha força.
Mas vc conseguiu sair.
Pois é.
Agora estou volta.
Nada feito pra mim.
Muito bem, me diga como.
Como o que?
Você saiu daqui ué?
Foi pelo poder Laura.
Hum, o mesmo que ela não me deu.
Pois é.
Então, vamos nós dois voltar pra lá.
Eu não vou ficar neste marasmo.
James vai ter que me ajudar.
Eu já tentei isso.
Vamos tentar mais ainda.
Eu não sei como.
Pois eu sei.
Malarius me beija.
Nós saímos dali.
Andreia volta ao normal.
Não entende o que aconteceu.
...
Capítulo 11
...
Nós voltamos ao mundo real.
Precisamente ao templo zen.
Não me perguntem como.
Nada disto faz sentido.
Eu olho pra malarius.
E agora o que vamos fazer?
Deixa comigo.
Ele bate na porta.
Um monge bem até nós.
Eu o reconheço.
É alok.
Repara em malarius.
Olha pra mim.
Você novamente?
Sim, sou eu.
O que vocês querem aqui?
Malarius toma dianteira.
Nós queremos ver James.
Ele não está mais aqui.
Eu não sabia que monge mentia.
Eu não estou mentindo.
Então nos deixe entrar.
Alok olha pro céu.
Que Buda me ajude.
Só um momento por favor.
Ele desaparece atrás do portal.
Volta uns minutos depois.
Ele tem uma katana.
Mas o que é isso?
Alok empunha espada.
Vão embora daqui.
Eu fico confuso.
Pensei que vocês fossem pacíficos.
Monge aponta espada para mim.
Somos até certo ponto.
Malarius se coloca diante dele.
Eu só quero saber onde ele está.
Porque eu diria vocês?
Porque não?
Porque ele me ajudou no passado.
Que tipo de ajuda?
Isto não é sua conta.
Malarius pega minha mao.
Vamos embora daqui.
Este lugar já deu.
Iremos até a casa dele.
Eu vejo alok pegando um celular.
Ele fala com alguém.
...
Capítulo 12
...
Nós chegamos a casa - James.
Mordomo nos atende.
Eu sei o que vocês querem.
Ele tá aqui.
Vcs podem entrar.
Então nós entramos.
James está num dojo.
Vestido de quimono.
Admira uma katana.
Ele levanta-se.
Olha pra nós.
Muito bem.
Agora já chega.
Minha paciência acabou.
Culpa é sua.
Você nos esqueceu.
Malarius aponta 1 dedo para ele.
É mesmo? Não me diga.
Você é um hipócrita.
Mundo é hipócrita.
Eu já tô cansado dele.
Então nos dê a liberdade.
Faça uma nova história pra nós.
Eu me ajoelho perante James.
Por favor ajude Laura.
Ela tá morrendo.
Começa a chover.
Ele olha pela janela.
Malarius pega katana.
Aponta para ele.
Agora decisão é sua.
O mordomo chega.
Aponta 1 arma para nós.
Saiam daqui agora.
James fala com ele.
Esta tudo bem.
Não precisa fazer isto.
Mas senhor...
Eu disse que não precisa.
Mordomo abaixa arma.
Sai do dojo.
Ele se vira para nós.
Me matem e vocês morrerão.
Estão na minha mente.
Eu não quero mais viver.
Estou cansado disto.
Vou lhes dar uma última história.
Depois é com vcs.
Ele senta-se na mesa.
Começa a compor um conto.
Olha pra mim.
Isto é pra você.
...
Capítulo 13
...
Eu me vejo numa estrada.
Chão é metálico 
Há letreiros em Neon.
Estou numa moto vermelha.
Uniforme couro preto.
Detalhes em amarelo 
Malarius tá ao meu lado.
Sua moto é branca.
Seu uniforme é azul.
Nós apostamos corrida.
Sinal é lançado 
Malarius larga na frente.
Eu sigo atrás dele.
Vento nos envolve.
É 1 noite fria.
Tudo é silêncio.
Só barulho de motor (vrum)
Corta o ar noturno
Voamos pelo chão.
Eu ultrapasso ele.
Bate na minha moto.
Tenta me tirar pista.
Planamos por uma plataforma.
Ele retoma dianteira.
Agora é a minha vez.
Eu bato na moto dele.
Malarius se desequilibra.
Recupera o equilíbrio.
Para no meio pista.
Eu também paro.
Nós nos encaramos.
Aceleramos as nossas motos.
Vamos d'encontro ao outro.
Estamos a poucos metros.
Desviamos um doutro.
Eu consigo parar antes de cair.
Há um abismo ao lado pista.
Malarius não consegue 
Ele mergulha na escuridão.
A corrida terminou.
Só um sobrou.
...
Capítulo 14
...
Eu estou no mosteiro.
James me mandou pra lá.
Disse que preciso disto.
Um tempo pra ser real.
Se eu quiser isto.
Recebi uma mensagem Andreia.
Laura está bem.
Ela voltou ao normal.
James não se rendeu a malarius.
Sua história teve outro fim.
Agora estou aqui com alok.
Ele me pede pra fechar os olhos.
Imaginar um lugar agradável.
Pensar na minha jornada.
Eu fecho os olhos.
Me vejo num jardim.
Um sol de agosto.
Estou só aqui.
olho um canal a minha frente.
Água corre tranquila.
Penso em minha vida infeliz.
Falta de propósito.
Vejo uma folha ao vento.
Me sinto como ela.
Não estou preso a nada.
Não sou ligado a ninguém.
O que isto faz de mim?
Alguém sem vida?
Alguém sem alma?
Um ser de papel?
Sinto a brisa no meu rosto.
Percebo que nada é perfeito.
Só a vontade de continuar.
Pretendo encontrar alguém.
Um ser que valha a pena.
Não qualquer coisa.
Alguém significativo de fato.
Então eu lembro algo.
Preciso me encontrar.
Antes de tudo.
Ser a origem do meu mundo.
O resto é consequência.
Abro os olhos.
Sinto aroma das flores.
Olho pro céu.
As nuvens passam.
Eu estou pronto.
Preparado para (re) começar.
Hoje e sempre.
...
(Fim)







domingo, 2 de agosto de 2026

Sócrates no divã

Ato 1
...
Cena 1
...
Uma sala de atendimento.
Tudo é arrumado.
Entra Danilo. 
Ele é terapeuta.
Sua consulta vai começar.
Ele olha agenda.
Fica espantado.
Olha o leitor.
- eu não acredito nisso.
Confere a agenda.
- isto é um sonho.
Chama a secretária.
Ela entra.
- pois não?
- chame o paciente, por favor.
- pois não.
A secretária sai.
Sócrates entra.
Filosófico como sempre.
Danilo o cumprimenta.
- é uma honra ter o senhor aqui.
- a honra é toda minha.
- sente-se, por favor.
Sócrates senta-se.
Danilo olha para o leitor.
- isto é demais, vocês não acham?
O filósofo presta atenção nele.
- o que é demais?
- você aqui comigo.
- isto não é nada demais.
- para nós é sim.
- nós quem?
- eu e os leitores deste livro.
Sócrates observa ao seu redor.
- nós estamos dentro de um livro?
- com certeza sim.
- isto é interessante.
- você não vê?
- por enquanto não.
- porque? 
- só sei que nada sei.
- tudo bem então vamos começar?
- sim.
- porque você está aqui?
- porque viajo pelo tempo e espaço.
- você é imortal?
- todos nós somos imortais. 
- o que você acha deste tempo atual?
- ele é interessante.
- em que sentido?
- a maioria está na caverna de Platão.
Sócrates pega uma lanterna.
A luz se apaga.
Ele acende a lanterna.
Olha para Danilo.
- o que você vê?
- a escuridão.
- onde você está nesta escuridão?
- eu estou aqui.
- você conhece a si mesmo?
Danilo pega um livro.
Folheia ele.
Não entende o que é escrito.
Fecha o livro.
- eu acho que não.
- isso é bom.
A luz volta.
Sócrates apaga lanterna.
Danilo olha para ele.
- e você se conhece?
- com certeza não.
Sócrates levanta cadeira.
Deita-se no chão.
Danilo vai até ele.
- o que você está fazendo?
- eu vou dormir.
- porque?
- para sonhar com um mundo novo.
- o que eu faço?
- durma comigo também.
- isso vai me ajudar?
- sim.
- tá bom então.
Danilo deita-se junto a Sócrates.
Os dois dormem.
Ana chega com dois lençóis.
Ela é a secretária do Danilo.
Cobre os dois.
Apaga luz do escritório.
Sai e fecha porta.
...
Cena 2
...
Os dois acordam.
Dão bom dia um ao outro.
Sócrates vai ao divã.
Danilo para sua mesa.
Ele chama sua secretária.
Ana chega.
- bom dia, o que deseja?
- dois copos d'água, por favor.
- pois não.
Ela sai da sala.
Sócrates olha para Danilo.
- e então, o que achou?
- o que achei do que?
- do sonho.
- eu não sonhei.
- não?
- não.
- Ah, que pena.
- porque?
Ana chega com água.
- aqui está água.
- obrigado.
- de nada, com licença.
Ana recolhe os lençóis.
Ela sai novamente.
Danilo oferece água a Sócrates.
Ele aceita e agradece.
Os dois bebem água.
O terapeuta pega caderno e caneta.
Olha para Sócrates.
- porque é uma pena não ter sonhado?
O filósofo olha o teto.
- porque a vida é um sonho.
Danilo anota algo no caderno.
- este momento é um sonho?
- sim.
- nós acabamos de acordar.
- sonho não dorme.
Ele anota outra coisa no caderno.
Sócrates levanta-se.
- eu vi que aqui tem um jardim.
- sim.
- então venha comigo.
- porque?
- quero te mostrar uma coisa.
Os dois saem consultório.
...
Cena 3
...
Há um jardim lá fora.
Os dois passeiam entre as flores.
Danilo cheira uma rosa.
- o que você quer me mostrar?
Sócrates aponta para um lugar.
Dois rapazes sentados num banco.
Eles estão se beijando.
Danilo olha cena.
- o que você quer dizer?
- você gosta disto?
- disto o que?
- não se faça de desentendido.
- a vida é deles.
- a vida é sua também.
Os dois sentam-se num banco.
- isto foi há muito tempo.
- você não esqueceu.
- não.
- você sabe porque me matei?
- obrigaram você a isso.
- um motivo eu tive.
- qual é?
- eu não nego a vida.
- você acha que Eu nego a vida?
- você nega o amor.
- isto é absurdo.
Entra em cena ceix.
Um personagem mitológico.
Ele fará parte desta crônica.
- olá.
Ambos olham para ele.
Danilo toma dianteira.
- quem é você?
- meu nome é ceix.
Sócrates complementa o diálogo.
- o que você quer?
- entender uma situação.
- que situação?
- o meu irmão se matou.
Sócrates aponta para Danilo.
- ele é o terapeuta.
Ceix solta um suspiro.
- então podemos começar?
O terapeuta levanta-se.
- vamos iniciar a jornada.
...
Cena 4
...
(Monólogo ceix)
Eu sou um príncipe.
Cresci num reino diferente.
Lua é rosa.
Sempre aparece no mar.
Casei-me com Alcione.
Uma bela ninfa.
Também tenho um irmão.
No caso, tive.
Seu nome é André.
Ele era bardo.
Queria ser famoso.
Meus pais não queriam.
Ele devia ser o que é.
Futuro rei seu reino.
André não queria.
Vários embates aconteceram.
Alcione tentou ajudá-lo.
Meus pais foram irredutíveis.
O prenderam numa torre de marfim.
Queriam fazê-lo desistir da ideia.
Ele ficou melancólico.
Não queria comer.
Não tomava banho.
Suspirava pela Lua Rosa.
Cantava baladas tristes.
Intercedi por ele.
Nada foi feito.
Uma noite, houve um eclipse.
Ele se atirou janela.
Lua se tingiu sangue.
Meus pais ficaram arrependidos.
Reino se comoveu com isso.
Seu espírito ficou entre nós.
Ele canta nas noites vazias.
Podemos ouvi-lo chorar.
Nada foi como antes.
...
Cena 5
...
Céu norte já declina.
Danilo arruma suas coisas.
Ceix olha para ele.
- onde você vai?
- eu vou para casa.
- porque?
- sua história me deixou triste.
- o que eu faço?
- fale com Sócrates.
Danilo vai embora.
Ceix repara no filósofo.
- você pode me ajudar?
Sócrates cheira uma rosa.
- o que você quer?
- como posso ajudar meu irmão?
- ele é morto.
- então que ele encontre a paz.
Sócrates olha o horizonte.
- mande-o até mim.
Ele vai embora.
...
Ato 2
...
Cena 1
...
Sócrates canta uma música.
O leitor estranha.
Este comportamento não é digno dele.
Música é digna.
Ela purifica alma.
Filósofo não se furta isso.
A música Para.
André chega até ele.
Arrasta sua corrente.
Se joga no divã.
Olha Sócrates.
- eu quero um whisky.
- aqui não temos isso.
- então me dá um conhaque.
- também não temos.
- o que você tem?
- conselhos para lhe dar.
- você tem um conselho para isto?
André mostra corrente.
- saia desta caverna.
- isto não é Platão?
- sim.
- vocês filósofos são estranhos.
- isto vindo de um fantasma.
- eu posso te assustar.
- esqueceu que já morri?
- é verdade.
- pois você não pode me ajudar.
- porque não?
- você é como eu.
- eu não sou como você.
- como você é?
- eu sou diferente.
- então me mostre.
- venha comigo.
Os dois saem.
...
Cena 2
...
Dragões voam por aí.
Eles chegam a uma cabana.
André olha ao redor.
- que lugar é esse?
- a minha casa.
Eles entram nela.
Sócrates abraça fenarete.
- olá, mãe.
- como vai, Sócrates?
- este é um amigo, André.
Fenarete olha corrente.
- pelo visto és um fantasma.
- isto é elementar.
Sócrates oferece vinho a ele.
- minha mãe é parteira.
- interessante.
- ela vai fazer o seu parto.
André engasga com vinho.
- o que?
- o parto suas dores.
Fenarete o conduz a uma cama.
- deite-se aí.
Ele olha para Sócrates.
Este o tranquiliza.
- não tenha medo.
André deita-se.
Parteira ajoelha ao seu lado.
- agora feche os olhos.
Ele fecha os olhos.
Ela põe suas mãos na cabeça dele.
Faz uma prece intraduzivel.
André cai nos braços do sono.
...
Cena 3
...
O fantasma acorda.
Olha ao seu redor.
Vê um homem ao seu lado.
Este trabalha numa argila.
Molda uma estátua.
Ele olha para André.
- que bom que acordou.
- quem é você?
- eu sou sofronisco.
- quem?
- o pai Sócrates.
- porque eu estou aqui?
- porque você quis estar.
- eu não quis isso.
- inconscientemente não.
- do que você está falando?
Sofronisco se volta para argila.
Ele molda um guerreiro.
André aprecia o trabalho.
- eu estou sonhando?
- sim.
- o que isto significa?
- o que você quiser.
- eu não entendo nada.
- não é para entender.
- achei que morrer me ajudaria.
- a vida continua além disto.
- o que eu faço?
- seja você mesmo.
- como eu faço isso?
- veja o meu filho.
- ele também morreu.
- ele viveu na sua essência.
André olha estátua.
- será que eu tenho uma?
- isso só você pode saber.
- eu estou com sono.
- durma, e tudo ficará melhor.
André volta dormir.
...
Cena 4
...
Nosso personagem acorda.
Ceix está ao seu lado.
- como você está?
- eu não sei.
- você ainda está triste?
- eu quero ir para casa.
- então vá em paz.
- eu vou tentar.
Os dois se abraçam.
André vai embora.
Alcione chega.
- como ele está?
- confuso.
- dê tempo a ele.
- será que os deuses nos castigam?
- porque?
- creio que nunca seremos felizes.
- não diga isso.
Os dois se beijam.
- vamos embora daqui.
- para não mais voltar.
Eles saem de cena.
...
Cena 5
...
Alcione caminha a beira mar.
As ondas terminam em espuma.
O vento brinca n'areia.
Ela olha o horizonte.
Pensa no marido.
Seu amor foi invejado.
Zeus e hera se chamavam.
Os deuses não gostaram.
Ela lembra tudo.
Ceix precisou ir ao mar.
Consultar um oráculo.
Uma tempestade o alcançou.
Destruído foi seu barco.
N'oceano seu corpo ficou.
Feita foi a vingança.
Alcione ficou triste.
Para junto seu amado foi.
O resto é história.
...
Ato 3
...
Cena 1
...
Na areia praia Danilo descansa.
Perto dele Sócrates chega.
- e então o que achou?
- tudo isto estranho é.
Os seus pés as espumas tocam.
O horizonte Danilo olha.
O seu ombro Sócrates toca.
- está na hora de ir.
- quem?
- eu.
- para onde?
- para outro lado.
- que lado?
- um que você ainda não conhece.
- eu não entendo.
- venha comigo, e você entenderá.
...
Cena 2
...
Eles chegam a um salão.
Há uma mesa.
Algumas cadeiras espalhadas.
Sofronisco e fenarete lá estão.
Um cálice está sobre a mesa.
Danilo olha cena.
- o que isso significa?
- eu já disse, preciso ir embora.
De repente, ele entende.
- você já não fez isso?
- sim.
- porque fazer isto novamente?
- porque as pessoas precisam saber.
- saber o que?
- que a história é circular.
Sofronisco olha para Danilo.
- não há nada novo sob o sol.
Fenarete vai até Sócrates.
Ela o abraça.
Sofronisco faz o mesmo.
- que o seu renascimento seja puro.
Danilo não crê no que vê.
- vocês vão deixar isso acontecer?
Sócrates observa ele.
- eu voltarei em breve.
O filósofo senta-se a mesa.
Pega o cálice.
Toma o veneno.
Uma sonolência toma conta dele.
Seu corpo se ilumina.
Ele sai de cena.
Os pais dele acenam para Danilo.
Vão embora dali.
Ele fica só.
No meio do silêncio.
...
Cena 3
...
Danilo viaja de trem.
Ele olha paisagem.
Flor de cerejeira.
Céu limpo.
Chega na estação.
Pessoas ao redor.
Um clima suave.
Ele olha o relógio.
As horas não passam.
Tudo continua o mesmo.
Danilo vai ao museu.
Vê um busto de Sócrates.
Pensa no que aconteceu.
Vai até um café.
Pede um capuccino.
Olha pela janela.
Um rouxinol no Salgueiro.
Sol ilumina praça.
Ele vai até lá.
Senta-se num banco.
Pega um livro.
Se perde no tempo.
...
Cena 4
...
Ceix & Alcione estão no jardim.
Já é noite.
Lua ilumina fonte.
Ceix bebe da fonte.
Eles continuam a jornada.
Vão até o monte Olimpo.
Zeus os recebe.
- Que bom que vocês estão aqui.
Ceix se curva perante o rei dos deuses.
- ele está aqui?
- sim.
André aparece a ele.
Os dois se abraçam.
Ele também abraça Alcione.
- minha hora chegou.
Zeus aponta para ele.
- que você ressuscite do submundo.
André acena para eles.
Agradece a zeus.
Vai embora.
O rei dos deuses os convida para ceia.
Trovões ecoam ao longe.
...
Cena 5
...
Danilo volta ao seu consultório.
Os papéis são trocados.
Ele está no divã.
Sócrates o entrevista.
- como é estar aí?
- é como estar em lugar nenhum.
- você quer sair daí?
- eu não quero ficar aqui.
- eu pensei isto na prisão.
- como você aguentou?
- eu não pensei na prisão.
- no que você pensou?
- na minha liberdade.
- você é livre?
- sim.
- o que você vai fazer?
- olhar por você do outro lado.
Sócrates agradece a Danilo.
Ele vai embora.
Danilo abre a janela.
Vê o céu.
Um pássaro cruza o horizonte.
Ele tira a sua roupa.
Deixa ajeitado na cadeira.
Senta-se na janela.
Olha uma nuvem ao longe.
Mergulha no infinito.
...
(Fim)



domingo, 12 de julho de 2026

a hora da vida

Capítulo 01
...
Década de 40.
A guerra continua no leste.
Lá está um caos.
Mas aqui nada acontece.
O país está protegido.
Pelo menos por enquanto.
Eu sou rosa Norton. 
Uma detetive particular.
Com uma vida medíocre.
Alguns casos interessantes.
Agora é noite.
A rua está fria.
O chão é molhado.
Uma neblina paira no ar.
Todos estão em casa.
Silêncio é absoluto.
Minha mãe está no quarto.
Sua tosse aumentou.
Seu nome é Maria. 
Ela está doente.
Já faz um tempo.
Tomou muito remédio.
Nada ajuda.
Não sei o que fazer.
Não tenho mais dinheiro.
Gastei tudo com bebida.
Com aluguel também.
Viver em cidade grande não é fácil.
Muita despesa.
Muita conta pagar.
Tô sem muito trabalho.
Os que tenho, pagam pouco.
Época de Crise.
Situação é complexa.
O telefone toca.
É Tião, meu secretário. 
- o que você quer?
- tenho um trabalho para você.
- é mesmo?
- sim.
- sobre o que é?
- amanhã, no escritório.
- tá bom então.
Desligo o telefone.
Tomo um gole de chá.
Eu não gosto.
Jogo resto fora.
Prefiro café.
O sono está chegando.
Eu vou dormir.
Amanhã continuo esta história.
Boa noite.
...
Capítulo 02
...
Outro dia começa.
Eu levanto cedo.
Tomo meu banho.
Preparo meu café.
Dou os remédios a minha mãe.
- ora minha filha, você já vai?
- sim, eu tenho um cliente novo.
- tá bom então.
Dou um beijo nela.
Chego no escritório.
Encontro Tião. 
- olá chefa, bom dia.
- bom dia, ele já chegou?
- ela já chegou.
- é uma mulher?
- sim.
- OK.
Eu entro no escritório.
Ela está sentada.
Mantém uma atitude calma.
Fico surpresa com a pessoa.
- Patrícia Thompson?
- bom dia, detetive Rosa.
Ela estende a mão.
Eu a cumprimento.
Patrícia Thompson é uma escritora.
Ela é famosa.
Escreve romances policiais.
Irônico né?
Eu me sento.
- eu gosto de seus livros.
- obrigada.
- em que posso ajudá-la?
- me indicaram voce.
- porque?
- uma mulher neste ramo é raro.
- isso é verdade, e então?
- quero que você encontre alguém.
- um familiar?
- é quase isso.
- e quem seria?
- um namorado meu.
- hum, o que aconteceu?
- ele foi esquiar e desapareceu.
- como assim desapareceu?
- uma avalanche.
- quando foi isso?
- há 6 meses.
- compreendo, ele não morreu?
- eu pensei que sim.
- houve alguma busca?
- sim, mas não o encontraram.
- eu não entendi.
- há 3 dias me mandaram isto.
Ela me deu um bilhete anônimo.
Letra de forma.
"Tenho informações sobre Lucas.
Ele está vivo.
Eu lhe direi algo interessante.
Ligo para você daqui a 3 dias." 
Olho para ela.
Devolvo o bilhete.
- a ligação é hoje.
- sim.
- e já fizeram?
- sim.
- o que disseram?
- que eu fosse hoje ao café do Rick.
- eu conheço este lugar; a que horas?
- às 8 horas da noite.
- você vai?
- lógico que não.
- você quer que eu vá?
- sim.
Ela tira um cheque da bolsa.
- aqui está uma parte do pagamento.
Me dá o cheque.
Eu olho valor.
Tomo um gole de whisky.
Ofereço a ela.
- aceita?
- não, obrigada.
- eu irei lá.
- só mais uma coisa.
- o que é?
- quem me ligou foi uma mulher.
- interessante.
- ela estará vestido de amarelo.
- certo.
- o resto pagamento darei no final.
- OK.
- aguardo sua ligação.
Ela me dá seu cartão.
Nós nos despedimos.
Ela vai embora.
Eu olho pela janela.
Meu dia está só começando.
...
Capítulo 03
...
A noite chega.
O encontro está próximo.
Vou ao café Rick.
Ambiente é cheio.
Há música no ar.
Risadas e conversas.
Vasculho lugar.
Eu a encontro.
A mulher amarelo.
Sentada numa mesa de canto.
Me aproximo dela.
Ela olha para mim.
- quem é você?
- eu sou rosa Norton.
- o que você quer?
- sou detetive particular.
- não tenho nada para falar a você.
Ela se levanta.
Quer ir embora.
Eu a seguro pelo braço.
- por favor, fique.
Ela olha para mim.
- onde está Patrícia Thompson?
- ela não pode vir.
- porque?
- você sabe porque.
Ela senta-se novamente.
Eu também me sento.
- qual é o seu nome?
- Rosália Ramirez.
- qual sua ligação com Patrícia?
- eu sou cafetina de Lucas Matheus.
- direta no ponto você.
- nós temos que ser.
- como você sabe que ele está vivo?
- um Amante dele me contou.
- ele tem um amante?
- ele é um prostituto.
- compreendo.
Um garçom traz bebida.
- você quer?
- não, obrigada.
- quem vai me pagar?
- vai receber quando for confirmado.
- que história é essa?
- não achou que seria fácil, né?
- eu conto tudo a imprensa.
- faça isso, e você não terá nada.
Rosália joga um cartão na mesa.
- o endereço Guillermo Paolo.
Eu pego cartão.
- quem é ele?
- o amante Lucas Matheus.
- Patrícia Thompson sabe disto?
- eu não sei.
Um rapaz bonito chega até nós.
- madame, já está na hora.
Ela oferece a sua mão.
Beija ele, e olha para mim.
- com licença, tenho que ir.
- eu falo com você depois.
- espero meu pagamento.
Ela sai com o rapaz.
Olho para eles.
Sinto algo estranho.
Minha intuição é alerta.
Eu saio do restaurante.
Começa a chover.
Eu me agasalho bem.
Rua está deserta.
Um carro começa me seguir.
Eu tento fugir dele.
Alguém tenta me atropelar.
Eu me jogo de uma escada.
Pego minha arma.
Atiro no carro.
Ele vai longe.
Era só o que me faltava.
...
Capítulo 04
...
A guerra continua.
Uma bomba explodiu na praia.
Ela veio de longe.
Do outro lado do mar.
Do país inimigo.
Povo está em Pânico.
Governo está em alerta.
Em breve, teremos confusão aqui.
Minha mãe ficou nervosa por ontem.
Fui com ela ao hospital.
Tião cuidou de casa.
Ela ficou internada.
Passo uns 3 dias com ela.
Voltamos para casa.
Eu continuo a investigação.
Vou até Guillermo Paolo.
Ele é jovem.
Um rapaz bonito.
Me atende de kimono.
Está bebendo saquê.
- pois não?
- eu preciso falar com você.
- sobre o que?
Explico tudo a ele.
- você aceita um saquê?
- não, obrigado.
- o que você quer saber?
- onde Lucas Matheus está.
- muito bem, eu vou explicar.
Ele me diz alguma coisa.
Lucas foi esquiar nas montanhas.
Patrícia Thompson patrocinou tudo.
Ela não foi com ele.
Estava divulgando um livro.
Ocorre a avalanche.
A escritora procura ele.
Sabe relacionamento dos dois.
Paga ele para ir a montanha.
Procurar pelo seu amante.
Guillermo Paolo vai até lá.
Não encontra Lucas Matheus.
Meses depois, recebe uma ligação.
Ele está vivo.
Os dois marcam um encontro.
Lucas pede sigilo a Guillermo.
Que Patrícia não saiba nada.
Eles se encontram.
Eu fico intrigada com isso.
- porque este mistério todo?
Algo ruim acontece.
Uma bala atravessa janela.
Estoura cabeça dele.
Sangue respinga em mim.
Tento ajudar Guilherme Paolo.
Ele está morto.
Corro até a janela.
Não vejo ninguém.
Chamo a polícia.
O procedimento acontece.
...
Capítulo 05
...
Delegado Fonseca me faz perguntas.
Eu respondo tudo.
- isto é estranho.
- porque?
- porque alguém mataria ele?
- queima de arquivo.
- você sempre me coloca nisto.
Olho para ele.
- nisto o que?
- em problema.
- eu não tenho culpa.
- sei que não.
- então não fale assim comigo.
- desculpa.
- tudo bem.
Eu me levanto.
- já vou embora.
- OK.
- eu vou falar com a cafetina.
- certo, se cuida.
- você também.
Eu saio dali.
Porque aquele cara foi morto?
O que alguém ganharia com isso?
Tenho que encontrar Rosália Ramires.
Só ela pode dizer algo sobre isso.
O meu celular toca.
Meu pensamento é interrompido.
Eu atendo a ligação.
- alo?
- eu vou matar voce.
Paro na calçada.
- quem é?
- eu sou chocolatra.
Desliga na minha cara.
Eu olho para o céu.
É só o que me faltava.
...
Capítulo 06
...
Eu vou caminhar.
Estou cansada.
Mal comecei neste trabalho.
Eu vou assim.
Não é só questão de trabalho.
É esta geurra toda.
Doença de minha mãe.
Tudo isto me afeta.
Este é o meu último caso.
Depois disto, paro.
Vou trabalhar em outra coisa.
Eu faço uma caminhada.
Isto me ajuda a pensar.
Hoje é frio.
Faz os meus ossos doerem.
Presente última pandemia.
Aquela coisa horrível.
Sofri com ela.
Fiquei com sequelas.
Avenida está vazia.
Hoje tem algum jogo.
Fogos de artifício no ar.
Pessoas nos bares.
Bandeiras nacionais hasteadas.
Não sei o que é.
Não gosto de esportes.
Nada contra isto.
Cada um curte o que quer.
Só não gosto.
Meu celular toca.
Eu atendo.
É Tião.
Ele diz que minha mãe foi baleada.
Está no hospital.
Minha respiração fica ofegante.
A mão treme.
Eu pego um táxi.
Vou para lá.
...
Capítulo 07
...
Eu chego ao hospital.
Tião está lá.
- o que aconteceu?
- ela foi baleada.
- como ela está?
- ela está bem.
- cadê ela?
- na enfermaria.
Eu vou vê-la.
Uma enfermeira cuida dela.
- mãe.
Ela olha para mim.
- minha filha.
Nós nos abraçamos.
Tirou pegou no ombro.
- o que aconteceu?
- alguém invadiu a nossa casa.
- um ladrão?
- eu não sei, ele estava mascarado.
- certo.
Eu ligo pro delegado Fonseca.
Conto tudo a ele.
Vamos nos encontrar em casa.
- senhora vai ficar com Tião.
- o que está acontecendo?
- é o que eu vou descobrir.
Tião a leva a sua casa.
Eu me encontro com delegado.
Vamos a minha casa.
Investigamos o lugar.
Encontro a bala.
Ela vai ser periciada.
Encontro um cartão.
"Estou de olho em você" 
Sinto o cheiro.
Aroma é chocolate.
Mostro isto ao delegado.
- isto é estranho.
- e como é.
Olho para porta.
Ele olha para mim.
- o que você pretende fazer?
- eu vou falar com alguém.
- quem?
- Patrícia Thompson.
...
Capítulo 08
...
Eu vou até a casa dela.
Um baile acontece.
Há muita gente.
É o lançamento de um livro.
Eu a encontro.
Ela fica surpresa.
- o que você faz aqui?
- nós precisamos conversar.
Ela me leva ao seu escritório.
- o que aconteceu?
- minha mãe foi baleada.
- como assim?
- ela sofreu um atentado.
- eu sinto muito.
- obrigada.
- como ela está?
- bem.
- ótimo.
- você sabe alguma coisa?
- sobre?
Eu mostro bilhete.
Ela lê a mensagem.
Sente o cheiro.
- isto é chocolate?
- sim.
- meu Deus.
- o que foi?
- eu sei quem.
- e quem é?
- um mercenário chamado chocolatra.
- eu sei, ele ligou para mim.
- ele tem esse codinome ridículo.
- o que você quer dizer com isto?
- alguém o contratou para me matar.
- porque?
- eu não sei.
- quando foi isso?
- a um ano atrás.
- onde?
- numa estação de esqui.
- não entendo porque minha mãe.
De repente, algo acontece.
A porta é aberta com um chute.
Um homem com máscara aparece.
Vestido de roupa escura.
Eu sinto cheiro.
É o chocolatra.
Ele pega uma arma.
Empurro Patrícia no chão.
Eu luto com ele.
Desarmo e jogo a arma da janela.
Nós brigamos.
Ele me acerta com um chute.
Eu torço tornozelo.
Chocolatra pega uma faca.
Ele vai me matar.
Patrícia bate nele com um jarro.
Ele dá um soco nela.
Ela cai desmaiada.
Pessoas entram no escritório.
O assassino foge.
Eu desmaio.
...
Capítulo 09
...
Eu acordo num barco.
Não sei como vim parar aqui.
Ele parece estar abandonado.
Eu saio da cabine.
É noite.
Névoa ao redor.
Estou no meio de um lago.
Nunca vi este lugar antes.
Guillermo Paolo aparece a mim.
Não sei o que pensar.
- você aqui? Não está morto?
- sim, eu estou.
- então eu morri também?
- não, você está sonhando.
- o que significa isso?
- eu quero te dar um recado.
- qual?
- eu sei onde Lucas Matheus está.
- onde?
- no prostíbulo de Rosália Ramirez.
Eu olho a neblina.
- ela brincou comigo.
- sim.
- quem matou você?
- o chocolatra.
- quem contratou ele?
- isso eu não sei dizer.
Começa a chover.
Olho para o céu.
Um barulho acontece.
Olho para Guillermo Paolo.
Ele se transforma num corvo.
Voa para o meio da noite.
Um trovão se faz presente.
Eu acordo no hospital.
...
Capítulo 10
...
Meu olho dói.
Eu ponho colírio.
Minha cabeça lateja.
Vento balança cortina.
Leio no jornal.
"O inimigo ataca nosso país" 
Uma declaração de guerra é feita.
Inferno chegou até nós.
Eu troco roupa.
Vou até Rosália Ramirez.
Seu negócio é movimentado.
- o que você faz aqui?
- eu quero falar com vc.
- já não basta confusão que causou?
- eu posso fazer ainda mais.
- venha comigo.
Ela me leva até o seu quarto.
- o que você quer?
- onde está Lucas Matheus?
- eu não sei.
- mentira.
- porque eu saberia?
Aponto uma arma a ela.
- você está louca.
- você não viu nada.
- eu não sei nada sobre isso.
Atiro na perna dela.
Cai no chão.
Ela me xinga.
Barulho de música é alto.
Ninguém escuta nada.
Aponto arma para ela.
- a próxima é na cabeça.
Rosália Ramirez fecha os olhos.
Lucas Matheus aparece.
- por favor, não atire na minha mãe.
Aquilo me atinge como um soco.
Sento na cama.
- o que você disse?
Lucas abraça Rosália Ramirez.
- ela é minha mãe.
...
Capítulo 11
...
Eu não creio no que escuto.
- o que tá acontecendo aqui?
Lucas Matheus se levanta.
- eu vou explicar tudo.
- acho bom mesmo.
De repente, a sirene toca.
Estamos sob ataque.
Bombas inimigas em nossa direção.
Explosões começam a acontecer.
O local onde estamos é atingido.
Eu ajudo Rosália sair dali.
Prédio tá desabando.
Escapamos por pouco.
Rua está em polvorosa.
Pessoas correndo para todo lado.
Olho pro céu.
Dirigíveis inimigos sobrevoam o local.
Eu atiro neles.
Estou com raiva desta guerra.
Uma moto surge no meio do caos.
Ela vem em direção a Lucas Matheus.
Atiro no motoqueiro.
Ele vai atropelar Lucas.
Rosália se joga na frente.
Ela é atropelada.
Morre no local.
Motoqueiro nos encara.
Ele arranca com a moto.
Vem em nossa direção.
A polícia chega.
O motoqueiro foge.
Lucas segura mãe morta.
Tudo é um caos.
...
Capítulo 12
...
Eu trago Lucas a minha casa.
Ele tá nervoso.
Eu o acalmo.
- o que está acontecendo?
- eu tenho que contar a verdade.
- o que é?
- eu me fingi morto.
- porque?
- Patrícia Thompson tentou me matar.
- como assim?
- na verdade, ela é uma espiã fascista.
- o que?
- isto mesmo.
- como você descobriu isso?
- eu descobri um diário dela.
- o que tem nele?
- várias citações a encontros dubios.
- encontro com agentes inimigos?
- sim.
- então ela tentou matar você.
- num acidente aparente de esqui.
- isto é complicado.
- ela tem que pagar por tudo.
- ela vai pagar sim.
Eu ligo para Tião.
Quem atende é minha mãe.
- mãe, o que foi?
- venha aqui; aconteceu algo.
- já estou indo.
Chamo delegado Fonseca.
Ele fica com Lucas Matheus.
Eu vou até a casa do Tião.
Chego lá.
Minha mãe me recebe.
- o que aconteceu?
- Tião está morto.
- como assim?
- eu o encontrei no porão.
Saco a minha arma.
Vou até lá.
Tião está caído.
Um tiro na cabeça.
Me viro para subir a escada.
Minha mãe tem uma arma.
Aponta para mim.
Eu fico surpresa.
- o que a senhora está fazendo?
- desculpe, não posso deixar você ir.
- o que é isso?
- eu trabalho com Patrícia.
...
Capítulo 13
...
- mãe, não faça isso.
- eles tem razão, tudo precisa mudar.
- eles quem?
- os nossos amigos fascistas.
- eles são criminosos.
- sabem o que é o mundo, de fato.
- sua ideologia é rascista.
- você não enxerga verdade.
- senhora não enxerga moral.
Ela aponta arma para mim.
- senhora teria coragem disto?
- você me obriga a isso.
Uma luz toma sala.
O ar muda densidade.
Um ser luminoso aparece.
Nós ficamos perplexas.
Minha mãe atira neste ser.
Nada acontece.
Ele toca arma dela.
O objeto desaparece.
Minha mãe fica trêmula.
- o que foi que eu fiz?
Ela começa a chorar.
Eu a abraço.
O ser luminoso some.
- me desculpa, minha filha.
O ambiente muda de energia.
...
Capítulo 14
...
Alguns dias se passam.
Tudo foi difícil.
Minha mãe foi presa.
Cúmplice de espionagem.
Ela ajudava agentes inimigos.
Foi julgada e condenada.
15 anos de prisão.
Eu sinto muito.
Não posso fazer nada.
Ela escolheu este caminho.
Patrícia Thompson morreu.
Delegado Fonseca foi a sua procura.
Ela tentou fugir.
Sofreu um acidente de carro.
Chocolatra não foi pego.
Ninguém descobriu quem ele é.
Guerra ainda continua.
Nós entramos nela.
O exército é preparado.
Ele vai ao outro lado do oceano.
Eu não me sinto segura.
Espero seu ataque a qualquer dia.
Lucas Matheus foi a outra cidade.
Ele conheceu alguém lá.
Está tentando recomeçar a vida.
Espero que tudo dê certo.
Eu me aposentei desta vida.
Abri uma cafeteria.
Estou cansada disto.
Eu quero viver.
Não correr perigo de morte.
Mais um dia começa.
Eu início minha nova jornada.
Vamos ver até onde isso nos leva.
...
(Fim)

domingo, 5 de julho de 2026

pássaros no muro

Eu vi os pássaros no muro. 
Estava olhando céu.
Melancolia me visita.
Sol contrasta comigo.
Olho para alguém.
Não sinto afinidade.
Nossos caminhos não se cruzam. 
Não sinto vontade.
Estou aqui preso.
Quero me libertar.
Minhas asas não estão.
Meu pensamento também não.
Limpo as lágrimas.
palavras me cortam.
Tantos anos se passaram.
Nada mudou.
Ele me chama.
Hora almoço.
Sua voz me desagrada.
Não quero olhar para ele.
Os pássaros vão embora.
Meus sonhos também vão.
Volto ao pesadelo.
Logo eu adordarei dele.
Serei livre.