É noite na floresta.
Chove e está frio.
O silêncio se faz presente.
Passos se escutam ao longe.
É de Abel.
Um soldado perdido.
De uma guerra qualquer.
Ele tenta voltar pra casa.
Mas não consegue.
Não lembra o caminho de casa.
Nem como chegou ali.
Ele tá cansado.
E com fome.
Seus pés doem.
Ele andou muito.
De repente, ele se vê numa clareira.
Percebe uma cabana ao longe.
Fumaça saí da chaminé.
Há luz lá dentro.
Ele tenta a sorte.
Bate na porta.
Ela se abre.
A dama verde aparece.
Lhe convida pra entrar.
Ele aceita o convite.
Lhe conta a sua história.
Foi convocado pra guerra.
Atravessou o oceano.
Matou muita gente.
Foi ferido também.
Ele fica triste.
A dama verde lhe consola.
Abel é levado pra um quarto.
Ele toma banho.
Troca de roupa.
Vai pra cozinha.
A dama verde lhe serve.
Bolo e café.
Ele agradece a gentileza.
Ela o convida a passar a noite ali.
Ele aceita.
O sono chega.
Ele sente um aroma de rosa.
Um sentimento de paz o envolve.
Ele fecha os olhos.
O sono lhe abençoa.
O dia amanhece.
A luz do sol desperta abel.
Ele sente-se melhor.
O cheiro de café envolve a cabana.
Ele se veste.
Vai pra cozinha.
A dama verde lhe espera.
Diz que tem uma surpresa pra ele.
Os dois tomam café.
Eles vão até a beira do rio.
Uma jangada o espera.
A dama de despede dele.
Diz que deve seguir em frente.
Abel fala que tem medo.
Não sabe o que esperar.
A dama verde lhe abraça.
"Tudo dará certo".
Ele sente-se mais confiante.
Entra na jangada.
Parte em direção ao Horizonte.
Os pássaros cantam.
O vento sopra suave.
...
O tempo passa.
Tudo é quieto.
O cemitério é vazio.
Chronos continua lá.
Todos já foram.
Parece que foi ontem.
Sua infância feliz.
O seu pai amoroso.
Amor dele por relógio.
Por isso seu nome.
Chronos.
O senhor do tempo.
Ele volta pra casa.
Ambiente é silencioso.
Café ainda está na mesa.
Chronos tenta chorar.
Mas não consegue.
Seu sentimento é embotado.
Ele sente-se esgotado.
Cansaço toma conta dele.
vai dormir.
Para esquecer a dor.
A perda do pai.
A noite cai.
Uma voz chama na escuridão.
Chronos acorda assustado.
Ele toma banho.
Prepara um chá.
Vai pra varanda.
Lembra de um relógio de bolso.
Presente do pai.
Quando ele andou de bicicleta.
Pela primeira vez.
Ele procura por toda casa.
Não encontra nada.
Um vazio lhe toca.
Ele chora em silêncio.
O tempo está mudo.
Seu sentido se perdeu.
As cores sumiram.
O som desapareceu.
Ele folheia um caderno antigo.
É de seu pai.
Imagens de uma floresta surgem.
Chronos se fascina com elas.
Ele percebe uma anotação.
"Lugar onde fui feliz."
Aquilo lhe dá um sentido.
Ele não quer continuar ali.
Quer ir pra floresta.
Algo lhe chama pra lá.
Ele arranja uma mochila.
Fecha a casa.
Leva o caderno consigo.
Sua jornada começa.
A noite cai.
É tempo de inverno.
Surge a chuva.
Ele não se preocupa.
Quer ser abençoado por ela.
A floresta aparece.
Chronos se deixa levar.
Ali é o seu novo lar.
A madrugada vem.
O sol resplandece.
Ele vê algo ao longe.
Um rio ali perto.
Uma jangada se vai.
Alguém nela está.
Ele a contempla em silêncio.
Este alguém olha pra ele.
Em sua direção.
Não diz nada.
Segue o seu destino.
Chronos segue o dele.
Suave passa o tempo.
Ele descansa na relva.
Tudo é harmonia.
Atmosfera ali é mágica.
Parece a realidade.
Mas não é ela.
Tem sua própria lei.
Um cão aparece.
Deita aos seus pés.
Chronos o acaricia.
Ambos dormem placidamente.
Nosso herói acorda.
O cão sumiu.
Ele tenta procurá-lo.
Mas pensa em algo.
Talvez tenha sido uma ilusão.
Ele agradece o conforto.
Segue em frente.
A paisagem é a mesma do livro.
Mas algo é diferente.
Ele não sabe explicar.
Chronos se depara com uma ponte.
Ele hesita e pensa.
Tem medo de altura.
Porém ele quer mudar.
Tem que se arriscar.
Atravessa a ponte.
Chega ao outro lado.
A ponte desaparece.
Chronos fica surpreso.
Uma cabana aparece.
Bem a sua frente.
Há um grande relógio.
No meio de uma fonte.
Ele adora relógios.
Admira a beleza dele.
- Lindo não é?
Diz a dama verde.
Chronos olha pra ela.
- Quem é vc?
Ele pergunta.
- Eu sei o que você quer.
E quem vc é.
Ela responde.
- Então onde está?
- Venha comigo.
Ela o convida.
Eles entram na cabana.
A dama verde lhe serve um chá.
Dentro dele há números.
Formam composições infinitas.
Chronos o saboreia.
O gosto é amargo.
A lembrança é doce.
- Você sabe onde está?
Ele pergunta pra ela.
- Seu pai era um amigo.
A dama responde.
- Eu perdi o seu relógio.
- Ele está comigo.
Ela sai pra cozinha.
O tempo passa.
Chronos sente a solidão.
Tudo é verde.
Esperança e juventude.
A dama verde volta.
Com o relógio na sua mão.
Ela entrega a ele.
Nosso personagem se emociona.
O relógio está parado.
Mas volta funcionar.
Seus olhos brilham.
O tempo voa.
Chronos percebe um piano.
Olha pra ele.
A dama verde vai até lá.
Senta-se e toca.
Ele admira beleza da cena.
A porta se abre.
Ele escuta o som do mar.
Vai pra fora.
Surge uma praia.
Areia branca e brilhante.
Água azul e cristalina.
Espuma branca e quente.
Chronos esquece a dama verde.
O relógio flutua.
Foge de suas mãos.
Se refugia no mar.
Chronos fica calmo.
O tempo descansa em paz.
Ele se deixa levar pelo sol.
...
Uma serenata ao luar.
Música ao longe.
Um incêndio na noite.
Flores se vão no fogo.
Erica não sabe disso.
Ela tá em outro lugar.
Junto com alguém.
A notícia chega.
Ela fica triste.
Isto é sua vida.
O mundo das flores.
Tradição de família.
Sua avó e sua mãe.
Agora ela também.
As coisas acontecem.
Não como queremos.
A vida é como é.
Cansada de tudo.
Assim ela se sente.
Uma viagem Érica faz.
Se desligar de tudo.
Ver o que vai ser.
O que pode fazer.
A lua azul brilha.
O céu é tudo.
A estrada é longa.
O horizonte infinito.
A noite por testemunha.
O vento canta pra ela.
Erica pensa no fogo.
Nas flores mortas.
Ela respira fundo.
Não quer pensar nisto.
Uma voz surge ao longe.
Erica presta atenção.
Há uma canção no ar.
Ela fala de renascimento.
Nossa heroína fica curiosa.
Ela vai investigar.
Encontra dama verde.
Dança nua como a vida.
Canta como rouxinol.
A solidão é sua companhia.
Erica fica fascinada.
Uma energia lhe envolve.
Ela sente-se acolhida.
A dama verde olha pra ela.
Chama-lhe com um gesto.
Erica está hipnotizada.
Se despe de tudo.
Viaja com as folhas de outono.
O mundo lhe pertence.
O sono também.
O fogo termina.
A terra chama.
A natureza floresce.
O seu espírito cresce.
A chuva aparece.
Erica volta da ilusão.
Está no jardim da Babilônia.
Onde tudo são flores.
...
Francis sente falta dele.
Seu amor era tudo.
Sem ele não é nada.
O piano lhe acompanha.
A música não vive.
Tudo foi em vão.
Loucura é tudo isso.
Francis não acredita.
Não quer acreditar.
Foram cinco anos.
Os melhores de sua vida.
Agora já não é mais.
Nem o sol brilha.
O céu é cinza.
A casa lhe sufoca.
O pianista se vai.
Estradas por aí.
É tudo que ele vê.
Nuvens vêm e vão.
As árvores se sucedem.
Tudo é nebuloso.
Francis tem as suas cinzas.
Sua última recordação.
Transformada em pó.
Isto é demais pra ele.
Para na beira de uma estrada.
Agora está frio.
Para combinar com ele.
Com seu espírito gelado.
Francis não pensa.
Entra na floresta.
Tudo é tão verde.
Esmeralda em todo lugar.
Aquilo é um deboche.
Francis imagina isto.
A natureza ri dele.
Corre a toda velocidade.
Quer deixar a tristeza pra trás.
Ele não consegue.
Ela tá dentro dele.
Francis tropeça numa pedra.
Cai e derruba o pó.
Ele não quer levantar.
Quer ficar ali no chão.
Sentir o gosto da derrota.
Que o vazio o leve dali.
Francis quer chorar.
Mas não consegue.
- Levanta daí e vem comigo.
Diz uma voz altiva.
Ele olha pra cima.
É a dama verde.
Ela lhe estende a mão.
Ele não diz nada.
Apenas aceita oferta.
Pega o pote.
Vão embora dali.
Estão na cabana.
Este tão conhecido ambiente.
A dama lhe prepara um chá verde.
Francis aceita bom grado.
- Eu sinto muito por vc.
Fala dama verde.
Ele agradece a gentileza.
- Quem é vc?
Francis pergunta ela.
- Alguém que você precisa.
Ela lhe responde.
- E do que eu preciso?
- Você precisa de música.
Ela o conduz até o piano.
Ele não quer tocar.
- Você precisa fazer isso por ele.
Diz a dama verde.
Ela aponta pra o pote.
Francis entende a situação.
Ele toca pra seu amado.
O ambiente se ilumina.
O pianista fica em paz.
- Agora você precisa deixá-lo ir.
Fala dama verde.
Francis concorda com isso.
A dama o pega pela mão.
Ele pega o pote.
Eles vão pra um lindo jardim.
Lá existe um grande relógio.
Ele não tem ponteiros.
Nem números também.
Apenas símbolos estranhos.
Mesmo assim algo acontece.
O relógio bate 13 horas.
- Já está na hora.
A dama aponta para o Jardim.
Francis entende a frase.
- Adeus meu amor.
Em breve nos encontramos.
Ele espalha as cinzas.
Elas se transformam em gotas.
Orvalho da madrugada.
Que brilha sobre as flores.
A dama verde lhe abraça.
- Agora vá e fique em paz.
Ordena nossa personagem.
Francis lhe agradece.
Entrega-lhe o pote.
Vai embora dali.
Para não mais voltar.
Pelo menos por enquanto.
...
Jaqueline dança na cozinha.
A música termina.
- O que vc achou?
Ela pergunta pra planta.
A flor não sabe o que dizer.
Jaqueline fica com raiva.
Ela quebra um prato.
Senta-se na cadeira.
Não sabe o que fazer.
Ela é escritora.
Sucesso crítico e público.
Era muito inspirada.
Agora não é mais.
Isto é terrível.
Sempre foi o seu sonho.
Famosa pelas letras.
Ganhou vários prêmios.
Já se passaram cinco anos.
Não fez mais nada.
Seu nome está esquecido.
Ela se casou.
Ficou grávida.
Abortou.
Seu marido lhe traiu.
Ela também o traiu.
O casamento acabou.
Só restou o álcool.
E as drogas.
Isto é triste e clichê.
Porém é verdade.
Jaqueline não sabe o que vai ser.
Dela e sua vida.
Já pensou em suicídio.
Várias vezes.
Não tem coragem.
Agora ela pretende ter.
Ir até o fim.
O sono chega.
Ela vai dormir.
Quem sabe amanhã?
Ela acorda desnorteada.
Encontra uma carta na cama.
Ela não entende o que aconteceu.
Abre o envelope.
Apenas uma frase.
"Vá na cabana da floresta".
Jaqueline conhece este lugar.
Já esteve lá com família.
Com amigos também.
Ela decide ir.
Não tem mais nada pra perder.
É tudo ou nada.
Ela vai pra floresta.
A chuva cai.
A noite surge.
A escritora anda a esmo.
Tropeça nas pedras.
Continua sempre em frente.
De repente cai num barranco.
Está escuro ali.
Jaqueline não percebeu.
Ela acaba desmaiando.
Acorda no meio de um vulcão.
Ele tá adormecido.
Ela se espanta.
As paredes são enormes.
Jaqueline girta por ajuda.
Ninguém responde a ela.
Uma luz aparece.
Um portal surge.
Ela não pensa duas vezes.
Corre pra o portal.
Atravessa a fronteira.
Chega numa biblioteca.
Lá tudo é diferente.
No lugar de livros, Pedras.
Não há mesas e cadeiras.
Apenas toras de madeira.
Ela não entende a situação.
Uma porta vermelha se abre.
A dama verde aparece.
- Eu vim lhe ajudar.
- Você mandou a carta?
- Sim.
- O que você quer?
- Aliviar a sua dor.
Jaqueline olha ao seu redor.
- Que pedras são estas?
- Elas são Pedras.
- Como isso pode me ajudar?
- Toque nelas.
Ela toca numa pedra.
A pedra se ilumina.
Se aquece ao seu toque.
Ela fica hipnotizada.
Seus olhos brilham.
Seu corpo levita.
Algo acontece.
Jaqueline desperta longe dali.
Ela tá numa noite de autógrafo.
Há muitas pessoas na fila.
Drinques são servidos.
Ela não entende o que aconteceu.
Porém está feliz.
Aquilo é do que gosta.
Deste tipo de sensação.
Ela vê alguém na fila.
É a dama verde.
Ela tá com um livro.
Jaqueline acena com a cabeça.
A dama corresponde ao ato.
Alguém lhe pede um autógrafo.
Ela aproveita noite.
...
A lua é brilhante.
Sua força é magnética.
Luan tá lá.
Ele é astronauta.
Está numa missão qualquer.
Junto com uma equipe.
Admira a paisagem.
O som do silêncio.
Tudo é tranquilidade.
Eles terminam a missão.
Voltam pra casa.
Dão entrevistas.
Participam de programas.
São homenageados.
Os Dias passam.
Luan se adapta rotina.
Ele mora só.
Já foi casado.
Não deu certo.
Filho não tem.
Sua mãe já morreu.
Com seu pai não fala.
Ambos não se dão bem.
Ele filho único é.
Só a solidão lhe acompanha.
Seu trabalho é tudo.
Está prestes a se aposentar.
Luan fica desiludido.
Sente que não tem mais nada.
Vai beber com amigos.
Encontra alguém.
Passa noite com alguém.
De manhã vão embora.
Ele tá só novamente.
A solidão volta.
Fica um gosto amargo.
O astronauta chora.
O fim de semana chega.
Ele vai pra um hotel fazenda.
Sempre gostou da natureza.
Se recarrega nela.
Vai fazer uma trilha.
Ouve os pássaros.
Admira o riacho.
A brisa lhe acaricia.
Ele olha o céu.
Azul e límpido.
O cheiro dos pinheiros.
Um som atrai sua atenção.
Uma flauta toca ao longe.
Luan segue a melodia.
Ela vem duma cabana.
A música é linda.
Uma neblina envolve o lugar.
Ele não vê o caminho de volta.
Não vê outro jeito.
Decide ficar ali.
Bate na porta.
A música pára.
A dama de verde aparece.
Luan lhe explica situação.
Ela o convida pra entrar.
Um chá é preparado.
Ele pergunta pela música.
Ela diz que é um presente.
A flauta mágica.
Um pianista lhe deu.
A dama volta tocar.
Ele toma chá.
O sono se aproxima.
A lua entra pela janela.
A luz inunda sala.
Luan lembra do espaço.
Pensa na sua vida.
Angústia toma conta dele.
Começa a chorar.
A dama verde lhe consola.
Ele fica sonolento.
Tudo fica quieto.
O astronauta dorme.
Um sonho acontece.
Ele entra num balão.
Junto com a dama verde.
Eles voam além das nuvens.
Se aproximam lua cheia.
O balão pousa lá.
Luan pensa em tocá-la.
Caminhar sobre ela.
Ele olha pra dama.
Ela acena para ele.
Ele caminha pela Lua.
Deita-se no solo.
Finalmente há paz.
...
O estúdio está bagunçado.
Tudo é revirado.
Tintas pelo chão.
Quadros são rasgados.
Ele procura por Nicéia.
Nicéia foge dele.
Um casamento infeliz.
É isso que seria.
A pintora gosta dele.
Mas como amigo.
E não como marido.
Ela rejeita ele.
Ele fica furioso.
E promete mata-la.
Nicéia foge de casa.
Sabe como ele é.
Não vai parar por nada.
Ela aluga uma cabana.
Tenta esfriar a cabeça.
Começa a pintar.
Então Nicéia chora.
- O que aconteceu comigo?
Ela se pergunta.
Está tão triste.
Sua vida não tem sentido.
Antes era perfeita.
Agora tudo desmoronou.
Sua família renegou.
Ela queria uma vida.
Sua família queria outra.
A vida é dela.
Ninguém pode manipula-la.
A dama verde está na tela.
Nicéia a pinta.
Recebeu uma inspiração.
A dama lhe observa do quadro.
A pintora está inconsolável.
Nossa heroína fala com ela.
- Porque você está assim?
Nicéia está tão triste.
Não se espanta com nada.
- Minha vida é uma porcaria.
Não tenho mais vontade de viver.
- Você ainda tem muito que viver.
Nicéia enxuga as lágrimas.
- Quem é vc?
- Eu sou a dama verde.
Ela sai do quadro.
- Eu posso ajudar vc.
- Como?
- Dando a você a vida que deseja.
Você aceita minha ajuda?
- Eu não sei.
- Você tem até amanhã.
- Amanhã para que?
- Para me dar uma resposta.
- Tudo bem então.
Cachorros latem lá fora.
Niceia rixa assustada.
- O que é isso?
- Ele está aqui.
Responde a dama verde.
- Mas não se preocupe.
Ela faz a cabana ficar invisível.
Nicéia fica admirada.
Olha pela janela.
Vê ele de carro.
Procura por ela.
Não vê nada.
Acaba indo embora.
- Como ele veio até aqui?
- Ele conhece vc.
- Eu estou cansada e vou dormir.
- Vá descansar.
Amanhã é um novo dia.
Um novo dia chega.
Nicéia vai até a floresta.
Uma fogueira lhe espera.
A dama verde está lá.
Ela lhe explica situação.
- Você terá que queimar.
Sua nova vida vai chegar.
Nicéia fica perturbada.
A dama lhe consola.
- Não se preocupe.
Tudo ficará bem.
Confie em mim.
A pintora aceita.
Ela se coloca na fogueira.
A dama verde diz um feitiço.
Uma chama azul aparece.
Toma conta de Nicéia.
Ela sente um sono profundo.
Tudo fica azul.
Ela acorda num palco.
Uma multidão olha pra ela.
Inclusive a dama verde.
Nossa heroína levanta-se.
Olha pra dama.
Acena para ela.
Canta uma canção.
Todos lhe aplaudem.
As cortinas fecham.
...
Patrícia não sabe o que fazer.
Sua mãe lhe expulsou casa.
Jogou suas coisas na rua.
- Porque a senhora faz isso?
- Minha casa, minhas regras.
Já é noite.
Patrícia pega suas coisas.
Caminha por aí.
Sem rumo, sem direção.
Está frio agora.
Começa a chover.
Ela está com raiva.
Quer chorar.
Não consegue.
Está cansada para isso.
Ela pára num ponto de ônibus.
Faz um travesseiro seu casaco.
Deita e dorme.
Patrícia acorda numa cabana.
No meio da floresta.
Ela não entende nada.
Como foi parar ali?
Um cheiro chama sua atenção.
Ela vai até a cozinha.
Quem está lá?
Nossa querida dama verde.
- Olá minha querida.
Seja bem-vinda.
- Quem é vc?
- Todos me perguntam isso.
- O que?
- Não é nada.
Sente-se e tome café.
Patrícia olha pra mesa.
Está uma maravilha.
Um verdadeiro banquete.
Ela não lembra quando comeu.
Ela é desconfiada.
- Não tenha medo.
Não vou te fazer mal.
Explica dama verde.
Algo estranho acontece.
Patrícia sente-se segura.
Não sabe porque.
Está cansada para saber.
Senta-se e toma café.
Tudo é delicioso.
De repente, vem uma tristeza.
Seu peito aperta.
Patrícia começa a chorar.
Ela olha pra dama de verde.
Fica envergonhada.
- Não tenha vergonha. Desabafe.
Fará bem pra vc.
As duas se abraçam.
Um tempo se passa.
Patrícia está na varanda.
Olha pra natureza.
É uma floresta linda.
Serena e tranquila.
Ela sente-se acolhida.
A dama verde aparece.
- Você quer falar comigo?
Pergunta personagem.
Patrícia olha o horizonte.
Ela diz tudo.
A indiferença da mãe.
Falta de apoio.
Morte do pai.
A piora da relação das duas.
O seu relacionamento lésbico.
A descoberta do caso.
A recusa da mãe.
A expulsão de casa.
- Onde está sua namorada?
- Ela viajou a trabalho.
- Ela sabe disso?
- Sim.
- Porque não fica com ela?
- Ela mora com os pais.
- Eles não sabem dela?
- Não. É uma família religiosa.
- Compreendo.
- É uma questão complicada.
Não quero estragar a vida dela.
- Entendo seu ponto de vista.
- Como vim parar aqui?
- Isto não tem explicação.
Apenas vc está aqui.
- Eu não sei o que fazer.
- Então não faça nada.
Deixe o fluxo te levar.
Tudo será resolvido.
- Obrigada por me ajudar.
- Esta é a minha natureza.
Agora descansa.
Tudo vai ficar bem.
Patrícia ouve os pássaros.
Ela fecha os olhos.
Escuta o som da água.
Ao acordar, está em outro lugar.
Com a sua namorada.
Ela fica desorientada.
Olha pra seu amor.
Abraça ela bem forte.
- O que aconteceu, Patrícia?
Você estava sonhando.
Começou a chorar.
As duas se entreolham.
- Então foi tudo um sonho?
Ela ri de contentamento.
Namorada beija ela.
- Vou preparar o café.
- Tá bom amor.
Elas se beijam.
Sua namorada sai.
Patrícia fica pensativa.
"O que está acontecendo?"
Ela olha janela.
Um pássaro verde pousa nela.
Ela sente o cheiro da cabana.
Entende o que aconteceu.
Sorri pro passarinho.
Murmura um agradecimento.
O pássaro voa.
Sol brilha lá fora.
...
Thalia canta uma música.
Sua melodia é triste.
Ela olha pra um salgueiro.
O vento toca sua face.
Uma lágrima cai.
Ela está pensativa.
O olimpo não lhe pertence mais.
A musa foi expulsa de lá.
Tudo por causa da comédia.
Ela inspirou uma peça teatral.
Dionísio se meteu no meio.
Os atores beberam demais.
Eles ridicularizaram zeus.
O rei dos deuses soube disto.
Ele culpou Thalia.
Agora ela está aqui.
No bosque da dama verde.
As duas se encontram.
- Olá dama verde.
Há quanto tempo.
- Pois é. O que você faz aqui?
- Eu fui expulsa do Olimpo.
- Porque?
- Armação de Dionísio.
Ele tem inveja de mim.
- Compreendo.
- Você pode me ajudar?
- Como?
- Falando com zeus.
- Você sabe como ele é.
- Eu sei sim.
- Pois é.
- Ajude-me por favor.
A Dama verde pensa um pouco.
- Muito bem. Eu falo com ele.
Só tem uma condição.
- E qual é?
- Conte uma história absurda.
- Certo então vamos lá.
Um galo canta no telhado.
O vento brinca com ele.
O jogo começa.
O fogo ri dele.
O galinheiro pega fogo.
Sua família morreu.
O galo fica triste.
O grilo parece.
- Eu posso ajudar vc.
- Como?
- Eu trago sua família de volta.
- De que jeito?
- Traga 3 objetos para mim.
- Que objetos?
- Tinta, papel e caneta.
O galo sai pelo mundo.
Ele encontra uma casa.
Vê papéis pela janela.
Entra pela chaminé.
Um gato dorme.
Ele pega os papéis.
Tropeça numa cadeira.
O gato acorda.
Persegue o galo.
Ele foge pela chaminé.
Depois encontra uma carroça.
Abandonada na estrada.
Ele vê um pote de tinta.
Só tem um porém.
Uma cobra está envolta dela.
O galo tenta pegar o pote.
A cobra desperta.
Se enrosca nele.
Ele bica a cobra.
Ela se solta.
Foge dali.
O galo pega tinta.
Vai embora também.
Um tempo passa.
Ele dorme numa loja.
Ela está fechada.
Ao acordar vê um rato.
O rato carrega uma caneta.
O galo briga com ele.
Consegue pegar a caneta.
Também foge dali.
Ele encontra o grilo.
Dá-lhe os objetos.
O grilo começa a escrever.
Uma surpresa acontece.
- Que surpresa?
Pergunta Thalia.
- Olha ao seu redor.
Diz a dama verde.
A musa está no Olimpo.
- Como isso aconteceu?
Questiona ela.
- É um mistério.
Fala dama de verde.
Thalia agradece a ela.
Nossa heroína vai embora.
Fim.