quarta-feira, 30 de setembro de 2026

casa de campo

... 
Os pássaros cantam.
A floresta é silenciosa.
O sol brilha.
Tudo parece em paz.
Abel está na sua caminhada.
Ele faz uma trilha.
Tira fotos e grava vídeos.
Procura esquecer o que aconteceu.
Ele não quer pensar nisso.
Senta-se a sombra Duma árvore.
Toma um gole d'água.
Um riacho está sua frente.
Som d'água lhe acalma.
Ele olha pro anel.
Sente a sua temperatura.
Um coelho está ao longe.
Ele sente o cheiro de mato.
Há uma calma no ar.
...
Abel continua sua caminhada.
Tarde é fria.
Ele vê um riacho.
Se banha nele.
Veste a roupa.
Escorrega numa pedra.
Bate a cabeça.
Ele desmaia.
Acorda numa cabana.
Olha ao redor.
Vários móveis rústicos.
Ambiente a meia luz.
Uma lareira é acesa.
Ele tá coberto.
Olha pro lado.
Vê um homem.
Tenta se mexer.
Geme de dor.
O homem acorda.
Olá, você despertou.
Quem é você?
Meu nome é cinan, e o seu?
Eu sou abel.
Olá, Abel.
O nômade sente uma dor na cabeça.
Ele põe a mão na testa.
Está enfaixada.
Você bateu a cabeça numa pedra.
Onde eu estou?
Na minha casa.
Você me encontrou?
Não, foi Heitor.
Quem é Heitor?
Um amigo meu.
Obrigado pela gentileza.
Nós estamos aqui pra isso.
Eu preciso ir.
Ele tenta levantar.
Não consegue.
Ainda está tonto.
Cinan ajuda ele.
Não se mexa, você ainda está fraco.
Uma mulher entra no ambiente.
Sim, você perdeu sangue.
Esta é a minha mulher, dhara.
Olá, eu sou enfermeira.
Abel faz um aceno de cabeça.
Obrigado por cuidar de mim.
De nada, descansa um pouco.
Você vai precisar.
Abel adormece novamente.
O casal se olha.
...
Abel desperta novamente.
Chove lá fora.
Chama por alguém.
Ninguém lhe responde.
Casa é vazia.
Ele sente-se melhor.
Levanta-se cama.
Veste uma roupa.
Procura a sua mochila.
Não a encontra.
Olha pela janela.
Há um nevoeiro.
Porta se abre.
Quem entra é Heitor.
Abel olha pra ele.
Oi, eu sou Heitor.
Ahh, foi você que me encontrou.
Sim.
Obrigado por salvar a minha vida.
Não tem de que.
Onde estão eles?
Não sei, pensei que estivessem aqui.
Está um tempo chuvoso.
Sim, você quer algo?
Eu procuro minha mochila.
Ahh, ela se foi na correnteza do rio.
É uma Pena.
Eu sinto muito.
Tudo bem, eu compro outra.
Abel senta-se na cama.
Você conhece eles a tempo?
Sim, há 10 anos.
Muito tempo mesmo.
Pois é.
O que você faz?
Eu sou professor de teatro.
Ótimo, eu gosto de teatro.
Pois é, e você faz o que?
Eu era vendedor de automóveis.
Você era?
Sim, estava infeliz, e sai.
O que você faz agora?
Eu sou nômade digital.
Interessante.
Falando nisso, você tem celular?
Ter eu até tenho, mas não funciona.
Não?
Aqui não pega sinal.
Estranho.
Porque?
Onde eu estava, pegava.
Você não está mais lá.
Abel olha pra ele.
Isto é verdade.
Chega Farah, o filho cinan.
Olá, você está melhor?
Sim, obrigado.
Olá, Heitor.
Oi, Farah; como você está?
Eu estou bem, obrigado.
Onde estão seus pais?
Eles estão caçando, e já voltam.
Abel repara em Farah.
Caçando? Que interessante.
É sim.
Farah faz um gesto pra Heitor.
Você pode vir um momento aqui?
Tá bom então, com licença.
Os dois saem quarto.
Abel olha pela fechadura.
Os dois conversam baixo.
Farah gesticula.
Heitor só observa.
Eles param de conversar.
Olham para porta.
Abel se afasta.
Eles vão para cozinha.
Abel senta-se na cama.
Sua respiração é ofegante.
...
Tarde é quente.
Abel está com calor.
Ele passeia pelo campo.
Se recupera aos poucos.
Ele sente algo estranho.
Aquele lugar parece pacífico.
Porém algo não é visto.
Um segredo ronda este cenário.
Abel tem uma sensação.
Ele olha para cabana.
Farah o observa janela.
Ele faz um aceno.
Garoto não responde.
Dhara aparece na porta.
O jantar está pronto.
Eu já vou, obrigado.
Ele olha novamente para janela.
Farah não está mais lá.
Abel entra & vai jantar.
...
A noite chega.
Um lobo uiva ao longe.
Abel acorda.
Ele olha pela janela.
Não vê o animal.
Sente uma presença estranha.
Passos ecoam pelo corredor.
Ele vai ver o que é.
Uma silhueta está com uma lanterna.
Ela sai casa.
Vai em direção a floresta.
Abel pensa se vai ou não.
Sua curiosidade é maior.
Ele segue a pessoa misteriosa.
Vai até uma cabana abandonada.
Pega uma pedaço de madeira.
Ele pensa em entrar, mas desiste.
Se volta para ir embora.
Uma voz conhecida chama seu nome.
Abel olha para trás.
É cinan que está ali.
O que você faz aqui?
Me desculpe, eu ouvi passos.
Resolveu me seguir?
Não sabia que era você.
Pois sou eu.
Desculpe lhe atrapalhar, eu já vou.
Espere um pouco.
Abel olha para ele.
O que foi?
Eu preciso de sua ajuda.
Minha ajuda?
Sim.
Para que?
Para matar o meu filho.
Como é?
Nós estamos correndo perigo.
eu não entendi.
Eu vou lhe explicar tudo.
...
Ambos caminham pela floresta.
O que o seu filho tem?
Ele está possuído.
Possuído pelo que?
Eu vou lhe explicar a situação.
-
Narrativa de cinan 
-
Nós mudamos para cá há 5 anos.
Estávamos cansados da cidade.
Todo aquele barulho & agitação.
Eu estava doente.
Minha mulher estava estressada.
Nós estávamos sobrecarregados.
Eu preciso de paz e silêncio.
Minha escrita funciona assim.
Meu filho gostou daqui.
Ele brincava por aí.
Até que um dia achou um livro.
Um livro antigo e vermelho.
Ele contém histórias & figuras.
Na maioria, são alegorias.
Farah ficou obcecado pelo livro.
Andava com ele para todo lado.
Dormia com ele.
Sua personalidade mudou.
Ele era calmo e tranquilo.
Ficou agitado e nervoso.
Sem paciência para nada.
Era ignorante conosco.
Dhara & eu logo percebemos.
Este livro mudou nosso filho.
Várias noites, ele saia floresta.
Não sabemos para que.
Seguimos ele algumas vezes.
Sempre o perdemos de vista.
Um dia pegamos livro.
Nós queimamos ele.
Farah ficou furioso.
Quis nos agredir.
Trancamos ele no porão.
Foi o jeito.
Não me orgulho disto.
Foi preciso para nossa segurança.
Noutro dia ele ficou calmo.
O livro estava em suas mãos.
Intacto & inteiro.
Nenhum sinal de fogo.
Farah sorriu para nós.
Foi para o seu quarto.
Não disse nada.
Contamos tudo a Heitor.
Ele não crê em nós.
Diz que é imaginação nossa.
Uma noite, nós fomos acordados.
Farah estava perto de nossa cama.
Tinha uma faca.
Disse que não era nosso filho.
Era um tipo de clone dele.
Nosso filho estava preso.
Em algum lugar floresta.
Fez uma ameaça.
Não podíamos sair daqui.
Só quando ele decidisse a hora.
Se fizermos algo, ele mata Farah.
Isso já tem dois anos.
Vivemos desta forma.
Não dissemos mais nada Heitor.
Até que você chegou.
-
Abel olha para cinan.
Porque não vai até a polícia?
Você não ouviu o que falei?
Eu ouvi Sim.
Ele nos vigia alguma forma.
Abel olhou ao redor.
Cinan percebe o movimento.
Não se preocupe, ele está dormindo.
Como você sabe disto?
Dhara está olhando ele.
Compreendo.
Se ele sair, ela liga para mim.
Porque eu então?
Você é a nossa única chance.
Que ótima notícia.
Tem mais uma coisa.
O que é?
Você é a primeira visita desde então.
Como assim?
Ninguém aparece aqui depois disto.
Que estranho.
Este lugar é estranho.
Eu não sei se posso.
Nós já tentamos mata-lo.
O que?
Com veneno, mas não faz efeito nele.
Tem certeza que ele não é seu filho?
Claro que sim.
Vocês já tentaram sair daqui?
Sim, mas sempre voltamos para cá.
Como um looping espacial?
Sim.
Eu também estou preso aqui?
Creio que sim.
E Heitor, ele não sai?
Ele está preso, mas não sabe disto.
Como assim?
Ele está como um fantasma.
Sem consciência realidade.
Isto mesmo.
Eu tenho que pensar.
Certo, vamos voltar.
O dia está amanhecendo.
Daqui a pouco, ele acorda.
Os dois vão embora.
O sol surge no horizonte.
...
Abel pensa por um tempo.
Ele decide ir embora.
Não quer ficar ali.
Não confia no que cinan lhe contou.
Abel ouve gritos.
Dhara está chorando.
Ele desce as escadas.
Vê uma cena na sala.
Farah está morto.
Uma faca no peito.
Sua mãe está ajoelhada ao seu lado.
Cinan tem as mãos ensanguentadas.
Dhara briga com ele.
O escritor olha para Abel.
Eu não fiz nada disto.
Heitor chega na hora.
Tudo é uma confusão.
...
Dhara pega faca.
Ela ataca cinan.
Enfia lâmina no seu coração.
Ele morre na hora.
Heitor tenta dete-la.
Ela esfaqueia ele na mão.
Ele escorrega no sangue cinan.
Bate a cabeça no chão, e desmaia.
Dhara foge dali gritando.
Abel vai atrás dela.
Uma névoa surge do nada.
Sua visão fica embaçada.
Ouve ela gritar ao longe.
Abel cai num buraco.
Ele rola num barranco.
Cai em cima de uma rocha.
Sua perna se quebra.
Ele grita de dor.
Percebe alguém vindo.
Abel não consegue ver quem é.
A névoa é intensa.
Alguém bate na sua cabeça.
Ele fica desacordado.
...
Abel acorda desorientado.
Ele observa ao seu redor.
Vê uma sala amarela.
Ela tem uma mesa vidro.
Em cima dela, sua mochila.
Ele vai até a mesa.
Olha mais uma vez ao redor.
Vê uma porta vermelha.
Ele tenta abri-la.
Ela está fechada.
Procura pela chave.
Não a encontra.
Volta até a mochila.
Ele procura seus objetos.
Não tem nada lá.
A não ser o livro vermelho.
Aquele mencionado por cinan.
Ele abre o livro.
As páginas estão em branco.
Não há nada escrito.
Nenhum desenho feito.
A porta se abre.
Quem surge é cinan.
Ele está jaleco.
Abel olha para ele.
O que está acontecendo?
Você não lembra?
Lembrar o que?
Você está internado aqui.
Como é?
Abel volta se olhar.
Ele está com um uniforme hospitalar.
Isto não pode ser possível.
Cinan olha para o prontuário.
Depois, olha para ele.
Você não lembra de nada?
eu lembro de estar na sua casa.
Uma casa campo?
É isso aí.
Você não esteve em minha casa.
Como não?
Você está delirando.
Eu não entendi.
Você enlouqueceu, e matou seu filho.
É mentira, você está me enganando.
Porque eu faria isto?
Por causa deste livro.
Abel volta-se para mesa.
Não há nada lá.
Só a sua cama.
Ela estava aqui.
Ela quem?
A mesa e o livro.
Neste momento, entra dhara.
Me chamou doutor?
Preciso de você, enfermeira.
Está na hora remédio?
Sim.
Eu não preciso de remédio nenhum.
Se acalme, por favor.
Eu vou sair daqui.
Abel tenta fugir.
Cinan o segura.
Heitor, ajuda aqui, por favor.
Chega o outro personagem.
Também vestido de enfermeiro.
Os dois agarram ele.
Abel se debate.
Socorro, eles estão me matando.
Dhara aplica um calmante nele.
Abel vai perdendo as forças.
Uma lágrima corre por seu rosto.
Porque vocês estão fazendo isso?
Não estamos fazendo nada.
É para o seu bem.
Os dois homens o colocam na cama.
Abel está grogue.
Dhara cobre ele.
Depois, voltamos aqui.
Os três saem.
A porta é trancada.
Cabeça dele é cada vez mais pesada.
olha para o teto.
Lâmpada fluorescente pisca.
Logo se apaga.
Abel está só.
No meio da escuridão.
O sono chega.
Ele se entrega ao esquecimento.
...
(Fim)




quarta-feira, 9 de setembro de 2026

o crepúsculo das flores

Capítulo 01
...
Já é setembro.
Um novo dia começa.
Carla Ferreira está deitada.
Ela olha para o teto.
Está sozinha em casa.
Ouve os pássaros cantarem.
Um cão late ao longe.
Sua barriga ronca.
Ela sente fome.
Carla Ferreira levanta-se.
Vai até a cozinha.
Prepara um café.
Senta-se a mesa.
Olha o fogão.
Sua mente divaga.
Ela pensa em alguma coisa.
Vê a pia.
Ela tem pratos sujos.
Termina o café.
Vai lavar os pratos.
...
Capítulo 02
...
Eduardo chega em casa.
Dá um beijo nela.
Como foi o seu plantão?
Foi tudo bem.
Você já tomou café?
Não.
Eu vou preparar.
Obrigado.
Ele vai tomar banho.
O telefone toca.
Carla Ferreira atende.
É sua editora.
Ela foi convidada uma feira.
Vai viajar Alemanha.
Fará uma palestra.
Terá um dia autógrafos.
Carla Ferreira aceita o pedido.
A ligação termina.
Ela vai tomar café.
Não viaja há tempo.
Esta é uma oportunidade.
Refletir sobre a sua vida.
Sobre o seu casamento.
...
Capítulo 03
...
Eduardo sai do banho.
Ele ouviu telefone tocar.
Quem é?
Minha editora.
O que ela quer?
Tem uma viagem pra mim.
Divulgação?
Sim.
Ótimo, onde vai ser?
Alemanha.
Legal, sempre quis conhecer lá.
Você não vai comigo.
Eduardo para se enxugar.
Porque?
Porque eu quero ir só.
Você não quer minha companhia?
Não.
Eu fiz alguma coisa pra vc?
Não se faça de desentendido.
Ainda é sobre aquilo?
Sim.
Foi só aquela vez.
Se apronta uma vez, apronta sempre.
Eu te pedi perdão.
Isto não significa esquecer.
Isto não é justo.
O que você fez comigo é justo?
Ele joga toalha na cama.
Com licença, eu vou me vestir.
Depois ele volta.
Porque está comigo ainda?
eu não sei dizer.
percebo que não.
Nesta viagem eu decido isto.
pense muito bem no que vai fazer.
Com certeza sim.
Eu vou sair.
Não vai tomar café?
Eu perdi a fome.
Até mais então.
Eduardo sai.
Ela liga pra André.
Oi amigo.
Oi, como vc está?
Bem e vc?
Também, quero te perguntar algo?
O que?
Você quer viajar comigo?
Eu quero sim.
Ótimo então vamos nos preparar.
Para onde vamos?
Alemanha.
Perfeito, acho lá tão lindo.
É lindo sim; até mais então.
Beijo.
Ela desliga.
Carla se serve mais um café.
Curte o silêncio do ambiente.
...
Capítulo 04
...
Carla & André vão a 1 boate.
Eles se divertem.
Música techno.
Gente por todo lado.
Ambiente cheio de promessas.
Pessoas ficando por aí.
Carla conta tudo a André.
Ele toma um gole de cerveja.
Eu não quero ser motivo briga.
Você não é motivo.
Tem certeza disto?
Ele não manda na minha vida.
Tá bom então.
Chega deste papo.
Vamos dançar?
Vamos nos divertir.
Eles vão para pista.
Ela tá bombando.
Um cara fica olho em Carla.
Ela ri pra André.
Ele dá um sinal.
Vai lá amiga.
Ela vai até o cara.
Os dois dançam.
Conversam e se beijam.
Noite é uma criança.
...
Capítulo 05
...
Eles viajam.
Chegam na Alemanha.
Se hospedam no hotel.
Carla Ferreira encontra editora.
Ela apresenta André.
Os dois se cumprimentam.
Sua palestra é daqui a dois dias.
Tá bom então.
Você fica aqui até sexta-feira.
Certo.
Elas se despedem.
Os dois amigos vão curtir a cidade.
Outro dia começa.
Carla vai caminhar.
Ela para num restaurante.
Pede um café.
Alguém vem em sua direção.
Ele é Breno Brusque.
Um advogado alemão.
Ele a cumprimenta.
Olá, você é Carla Ferreira?
Sim, sou eu.
Prazer em conhecê-la.
Meu nome é Breno.
Olá, Breno.
Eu reconheci vc; sou seu fã.
Ora, obrigado.
Gostei seu livro de poesia.
Agradeço a gentileza.
Você veio para feira literária?
Sim.
Ótimo, eu estarei lá.
Será um prazer.
Ele pega um cartão.
Aqui tá meu cartão.
Carla olha pra ele.
Gostaria de jantar comigo?
Eu vou pensar.
Desde que você queira, é claro.
Eu fico até sexta-feira.
Perfeito.
Ela pede a conta.
O garçom vem.
Ele se oferece pra pagar a conta.
Não precisa disso.
Eu insisto.
Se você quer.
Ele paga o garçom.
Ela agradece a gentileza.
Não tem porque.
Ela vai embora.
Ele a observa.
Algo está para acontecer.
O que será hein?
Eu não faço ideia.
...
Capítulo 06
...
A palestra acontece.
Carla Ferreira se sai bem.
Ela é aplaudida.
Autógrafos são dados.
Ela conhece Alfred Allen.
Olá, eu sou empresário.
Em que posso ajudá-lo?
Gostaria de fazer um projeto com vc.
Isto é uma honra.
Me procure amanhã no escritório.
Eu irei sim.
Deixarei o endereço pra você.
Obrigada.
Ele vai embora.
André se aproxima dela.
Olha aí amiga, arrasando corações.
Deixa disto, são só negócios.
Negócios ótimos, por sinal.
Só vc mesmo.
Breno Brusque aparece.
Olha só quem apareceu.
Você acha que eu ia perder isto?
Jamais.
André dá um gole de vinho.
Carla apresenta os dois.
André vai ao banheiro.
Breno pede um drink.
Parabéns pela sua noite.
Obrigada.
Você pensou no que eu disse?
Sim.
O que você decidiu?
Eu vou jantar.
Ótimo.
Eles conversam.
André volta pra amiga.
Eles se divertem.
Contam histórias sobre eles.
O advogado se despede de ambos.
Ele vai embora.
Só que algo acontece.
Ele é atropelado.
Uma confusão surge na rua.
Carla & André vão até lá.
Eles ficam nervosos.
Uma ambulância chega.
Breno Brusque é atendido.
Ele tá desacordado.
Vão levá-lo ao hospital.
Carla vai com ele.
13 horas se passam.
Breno acorda.
Ele vê a escritora.
Ela tá deitada numa poltrona.
O advogado a chama.
Carla Ferreira acorda.
Ela chama o enfermeiro.
Breno está melhor.
Um médico também vem vê-lo.
Ele é avaliado.
Está tudo relativamente bem.
Ele tem que ficar repouso.
Carla conversa com ele.
Como você está?
Eu estou bem, só um pouco tonto.
Você deu 1 susto.
É verdade.
Agora eu tô chateado.
Porque?
Nosso jantar não vai acontecer.
Está tudo bem; o importante é vc.
Agradeço a gentileza.
Não é gentileza.
É o que então?
A constatação Dum fato.
Que fato?
Há muito tempo não me sinto assim.
Assim como?
Viva, com vontade de viver.
Breno engole em seco.
Carla percebe o movimento.
Você quer água?
Sim, por favor.
Ela pega um copo d'água.
Dá pra ele.
Obrigado.
Não tem de que.
Você é casada?
Eu sou sim.
Eu não quero atrapalhar a sua vida.
Você não atrapalha.
Fico feliz em saber disto.
Eu vim nesta viagem pra pensar.
Em que?
Se devo continuar casada ou não.
O que você decidiu?
Carla Ferreira olha pela janela.
Eu não sei.
Eu atrapalhei sua noite né?
De forma nenhuma.
Você é tão gentil.
Nem sempre sou.
Posso te fazer uma pergunta?
Sim.
Você sente-se só?
Ela olha pra o teto.
Eu me sinto sim.
Seu marido não é presente?
A rotina acontece.
Sei como é.
Não é culpa dele; tem mais coisas.
A monotonia arruina tudo.
Você é casado?
Eu já fui.
Onde está ela agora?
Era ele; morreu num acidente.
Ahh tá, sinto muito.
Obrigado.
Eu tenho que ir agora.
Não sei como agradecer.
Fique bem; isto é tudo.
Tá bom então.
Ligaram pra alguém sua família.
Certo.
Depois eu volto aqui.
Eu conto com isso.
Ela dá um beijo nele.
Vai embora.
Breno sempre o gosto beijo.
Fica um pouco excitado.
Ele também sente-se vivo.
...
Capítulo 07
...
Tarde é chuvosa.
Carla Ferreira conta tudo a André.
Como ele está?
Ele tá melhor.
Que bom então.
Pois é.
O que você pretende fazer agora?
Eu não sei.
Ligaram pra você.
Quem é?
A secretária de 1 tal Alfred Allen.
Ahh, eu já ia esquecendo.
Ela disse que a reunião é as 3 horas.
Obrigada, e você o que tem feito?
Eu estou conhecendo alguém.
Olha ele aí hein?
Como não sou famoso né?
Como você é bobo.
Os dois riem.
O celular toca.
Ela atende; é Eduardo.
Você pode me dar licença?
Tudo bem.
Ele sai do quarto.
O que você quer?
Não posso ligar pra você?
Desculpa, como você está?
Eu estou bem, e vc?
Também tô bem.
Ótimo, como tá viagem?
Está ótimo.
Se divertindo muito?
Com André não tem como não ser.
Fico feliz por você.
Obrigada.
Você volta depois de amanhã?
Sim.
Bem, eu já estou indo.
Certo.
Então tchau.
Tchau.
Carla desliga o celular.
Olha chuva caindo.
Tenta encontrar alguma resposta.
Só há o céu cinza.
...
Capítulo 08
...
Schonenberg é um bairro tradicional.
Um ponto perfeito encontro.
André toma 1 cerveja.
Chega ennio enoli.
Olá, você é André?
Sim.
Os dois se cumprimentam.
Enio senta-se, e pede um drink.
Você se chama Enio, né?
Sim.
Você fala bem minha língua.
Morei cinco anos no seu país.
Legal, você é italiano?
Eu sou.
Eu amo a Itália.
Você já foi lá?
Infelizmente ainda não.
Então você precisa ir.
Se eu receber um convite.
Sinta-se convidado.
André contém um sorriso.
Ele toma um gole de cerveja.
Chega bebida ennio enoli.
Ele toma tudo Duma vez.
O italiano pega na mão de André.
Você é mais bonito pessoalmente.
Obrigado, você também é.
Vamos? Já tá na hora.
Certo.
Eles pagam a conta.
Quando vão saindo, Enio vê alguém.
É Brenda, uma amante sua.
Brenda para na frente dos dois.
Ela olha pra Enio, depois pra André.
O italiano fica sem jeito.
O que você quer?
Então é por ele que vc me trocou?
Do que vc está falando?
Ela dá um tapa nele.
André fica constrangido.
Eu não quero atrapalhar vcs.
Brenda olha pra ele.
Não se preocupe, querido.
Ênio segura o braço dela.
Para com isso, Brenda.
Me larga.
Ela puxa o braço dele.
Espero que vcs aproveitem muito.
Ela vai embora.
André olha pra Enio.
Isto foi constrangedor.
Me desculpa, ela é assim mesmo.
Eu percebi que sim.
Vamos sair daqui.
Eles vão para o apartamento dele.
André olha o lugar.
Móveis modernos, ambiente claro.
Tem 1 sensação aconchegante.
Seu apartamento é lindo.
Obrigado, melhor é a cama.
Ênio o leva pra o quarto.
Eles se beijam.
Tiram a roupa & transam.
Depois tiram um cochilo.
A tarde vai & a noite vem.
André acorda.
Quarto está meia luz.
Ele olha pra Enio.
Passa mao em seu cabelo.
Desenha o nariz.
Contorna os seus lábios.
Dá um beijo nele.
Ênio acorda.
Retribui o beijo.
Ciao, amore.
Ciao, Bello.
Eu tenho que ir.
André se levanta, e veste-se.
Fica mais um pouco.
Não dá; minha amiga me espera.
Você tem certeza?
Infelizmente sim.
Ênio levanta-se, e beija ele.
Os dois se abraçam.
Foi muito bom te conhecer.
Digo-lhe o mesmo.
Nos vemos por aí.
André passa mao pelo rosto dele.
Vai embora dali.
Ênio deita-se novamente.
Lembra-se deste dia perfeito.
Ele olha pro lado.
Vê suas roupas pelo chão.
Sabe que isso também passa.
A vida continua.
...
Capítulo 09
...
Carla Ferreira vai até Alfred Allen.
Em que posso ajudá-lo?
Eu quero fazer um projeto com você.
Que tipo de projeto?
Um parque temático.
Com os meus personagens?
Sim, seu mundo é bem interessante.
Obrigada, e como seria isto?
Seria algo como a Disneyland.
Ninguém nunca pensou nisto antes.
Agora é a hora.
Eu posso pensar?
Sim.
Alemanha admira muito seu trabalho.
É o lugar onde mais vendi.
Sua série fantasia é fantástica.
Eu fiz algo com a mitologia germânica.
Por isso ressoou tanto aqui.
Certo, amanhã eu volto para casa.
Minha secretária lhe enviara um e-mail.
Eu vou pensar com carinho.
Agradeço a gentileza, só mais uma coisa.
O que é?
Você sabe porque escolhi você?
Tem outra coisa ainda?
Sim.
O que é?
Sua história salvou minha filha.
Ela tinha depressão.
Sua heroína demonstrou força.
Isto deu força para minha filha.
Ela resolveu continuar.
Procurou ajuda e tratamento.
Você chegou onde não conseguimos.
Sua literatura salvou minha família.
Muito obrigado por tudo.
Posso te dar um abraço?
Ela afirma com a cabeça.
Os dois se abraçam.
Ela vai embora.
Alfred Allen olha o horizonte.
Ele pede um café.
...
Capítulo 10
...
Ennio vai a padaria.
Ele encontra Audi.
Um amigo infância.
Olá, há quanto tempo.
Pois é.
Os dois se abraçam.
Vamos tomar um café?
Eu aceito sim.
Ótimo.
O que você tem feito?
Eu terminei a faculdade, e você?
Eu estou por aí.
Hum, você tem ido a Itália?
Não muito, e você?
Também não.
Legal, mas eu pretendo voltar.
Lembra aquele verão em Roma?
Nem me fala.
Nunca me esqueci.
Você me ajudou muito naquele dia.
Não é pra tanto.
Para mim é.
Se você fala né?
Audi prova seu capuccino.
Seu gosto lembra o beijo ennio.
Você tá com alguém?
Não e vc?
Eu terminei meu namoro.
Sinto muito por vc.
Grazie.
O que você vai fazer agora?
Vou procurar um emprego em Berna.
Boa sorte pra vc.
Porque não vem comigo?
Eu não posso.
Porque não?
No momento, eu estou ocupado.
Eu vejo vc por aí.
Como assim?
Eu sei o que você faz.
Ennio olha pra sua xícara.
Ele aperta com força.
Seus dedos ficam roxos.
Audi toca nele.
Não fique assim.
Como você quer que eu fique?
Isto não é uma crítica.
É o que então?
É alguém que gosta de vc.
Eu não posso fazer isso.
Audi tira mão dele.
Muito bem.
Ele levanta-se, paga a conta.
Ênio fica pé.
Você já vai?
Sim, tenho algumas coisas pra fazer.
Eu sinto muito, mas...
Você não precisa me dizer nada.
Audi vai saindo.
Quando eu posso te ver.
Eu estou sempre por aí.
Audi vai embora.
...
Capítulo 11
...
Carla Ferreira recebe uma ligação.
Seu marido morreu.
Acidente de carro.
Ela fica em choque.
Não tem reação.
Ela volta para casa.
O enterro acontece.
Alguns dias se passam.
Carla organiza as coisas dele.
Vai fazer uma doação.
André ajuda ela.
Como você está?
Eu estou indo.
Estou aqui com você.
Obrigado, não sei o que seria de mim.
Para que servem os amigos?
Você quer um café?
Sim, obrigado.
Celular dela toca.
É Breno Brusque.
Oi, sou eu, Breno.
Como você conseguiu meu número?
Eu tenho amigos.
Sei, como você está?
Eu estou bem, e você?
Eu estou levando.
Eu soube sobre seu marido.
Pois é.
Meus sentimentos a você.
Obrigada.
Eu só liguei para te dar um oi.
Agradeço a gentileza.
Tenta ficar bem.
Obrigada, você também.
Até mais então.
Até.
Ele desliga.
Carla coloca o café no fogo.
olha uma foto dela & Eduardo.
Os dois num parque aquático.
Um dia de domingo.
Tempo limpo e claro.
Muita gente se divertindo.
Inclusive eles também.
Ela dá um suspiro.
A chaleira apita.
Café está pronto.
...
(Fim)

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

às tardes

As tardes me fazem pensar.
Em pessoas que conheço.
Que não ligo.
Em pessoas que não conheço.
Tenho vontade de ligar.
Momentos que vivo na mente.
Que para mim são Reais.
Mais reais que minha realidade.
Eu olho aqui agora e penso.
Não sou eu vivendo isto.
Sou eu vivendo outra vida.
Uma que não quero.
Enquanto há outra vida.
Esperando por mim.
Em algum lugar melhor.