segunda-feira, 25 de maio de 2026

uma flor na imensidão

Capítulo 01
(Não pense duas vezes)
Noite de terça feira.
Aldo escuta música.
Seu trabalho acabou.
As fotos foram feitas.
As luzes da cidade iluminam tudo.
Ele está na janela.
Uma soda whisky.
Uma mensagem recebida.
- oi, você está bem? Tô na cidade.
Seu coração acelera.

Capítulo 02
(Simples assim)
Ele sabe quem escreveu aquilo.
Lembra quem é.
Hiro, seu amigo de infância.
Alguém que importa.
Ele responde.
- oi, eu tô bem. Há quanto tempo.
A soda whisky não mata sua sede.
Só alivia tensão.
Olha o celular. 
Sem resposta.

Capítulo 03
(Cores)
Na rua, a vida acontece.
Carros vem e vão.
Pessoas nos parques.
Conversas e risos.
As cores se misturam.
Aldo termina bebida.
Uma notificação.
- ótimo, vamos sair amanhã?
Aldo olha o horizonte.
Ele responde: - OK.

Capítulo 04
(Olhos nos olhos)
O despertador toca.
O sol reflete na janela.
Um café é preparado.
Aldo senta-se em silêncio.
Sente o calor do café.
O aroma perfuma cozinha.
Ele segura o sorriso.
os dois num dia de domingo.
Passeio de bicicleta no parque.
Olhando esquilos nas árvores.

Capítulo 05
(Fantasmas)
Fotos antigas de álbuns.
Ele e hiro num ônibus.
Excursão escolar.
Espírito livre.
Jeito espontâneo.
Naquela época, Aldo já sabia.
Havia alguma coisa.
Um sentimento diferente.
Seus olhos brilhavam.
Um interesse surgia.

Capítulo 06
(Melody)
- acorda, homem.
Aldo levanta cabeça.
- o que você tem?
- nada.
- hum, sei.
Melody dá um beijo nele.
- você é meu irmão preferido.
Aldo sorri.
- você é minha única irmã.
Os dois se abraçam.

Capítulo 07
(Fotos, porque não?)
- e então, estas fotos saem ou não?
- claro que sim.
- ótimo, quero minha livraria linda.
- deixa comigo.
Uma mensagem chega. É dele.
Um endereço e um horário.
Melody toma o celular dele.
- olha ele, só no contatinho.
- me dá isso, sua enxerida.
Os dois riem.

Capítulo 08
(Meu ou seu?)
- quem é ele hein?
- não é ninguém.
Melody faz uma cara de brava.
Aldo tira umas fotos, olha para ela.
- tá bom, eu vou te contar.
Ele fala tudo.
Melody toma um café.
- não acredito. Aquele gato?
Ele afirma com a cabeça.
- arrasou, maninho.

Capítulo 09
(O som da vida)
- eu não sei se vou.
- você vai sim, nem pense nisso
- já faz tanto tempo.
- e daí?
- sei lá.
Chega Rainer, o namorado da Melody.
- você não sabe o que hein?
Os dois se cumprimentam.
- bobeira minha.
Ele beija Melody.

Capítulo 10
(Mais um pouco)
- ele não quer ir a um encontro.
Aldo fica constrangido.
- você também hein?
- ué, não é verdade?
Rainer dá um soquinho nele.
- vai fundo, cara. Aproveita chance.
Melody olha para Aldo.
- viu? Não te falei?
Ele faz um gesto de rendição.
- tá bom, vocês venceram.

Capítulo 11
(Por favor, entenda)
Aldo vai encontrar hiro.
O restaurante é francês.
Hiro levanta-se da mesa.
Os dois se abraçam.
- você não mudou nada.
- você também não.
Eles sentam-se.
Aldo admira cada traço de hiro.
10 anos se passaram.
Parece que foi ontem.

Capítulo 12
(Isto ainda continua)
Os dois tomam champanhe.
Aldo começa a conversar.
- me fala de você.
- eu moro no Japão.
- que bom, você faz o que lá?
- eu sou advogado.
- ótimo. - e você?
- eu sou fotógrafo.
- você sempre gostou disso.
- eu gosto sim.

Capítulo 13
(Noite sem luar)
- você casou?
- não e você?
- também não.
Aldo toma um gole de champanhe.
- você não mudou nada.
- você também não.
- e o Japão é bom?
- é ótimo, você precisa conhecer.
- é só voce convidar.
- então sinta-se convidado.

Capítulo 14
(O convite)
Aldo termina bebida.
- porque você me chamou?
- eu senti sua falta.
Aldo olha fixo para taça.
- eu também senti.
- vi umas fotos suas no site.
- é mesmo?
- sim, você tem talento.
- obrigado.
- quero te fazer um convite.

Capítulo 15
(Os Pássaros cantam)
- então faça.
- venha comigo a uma casa de chá.
- casa de chá?
- sim.
- porque?
- eu tenho uma surpresa para você.
- minha surpresa é você.
- esta é outra surpresa.
- vamos lá.
Os dois saem.

Capítulo 16
(Não diga nada)
Eles vão a casa de chá.
São recepcionados por um gato.
- olá! O gato fala.
Aldo fica surpreso.
- o que é isso?
O gato pisca pra ele.
- sejam bem-vindos.
Hiro pega na mão dele.
- vem comigo.
O gato olha pra eles. Toma seu leite.

Capítulo 17
(Tudo por nada)
Eles chegam a uma sala.
Uma mesinha no centro.
Espaço minimalista.
Um jogo de chá posto na mesa.
Hiro convida Aldo a sentar-se.
Há 3 xícaras ali.
- nós estamos esperando alguém?
- sim.
Chega o professor.
- olá, rapazes.

Capítulo 18
(Os cães latem ao longe)
O professor senta-se.
Toma um chá.
Aldo olha para ele e hiro.
- o que está acontecendo?
O professor lhe dá uma câmera.
- nós precisamos de você.
- de mim porque?
- queremos que vá até o submundo.
- do que vocês estão falando?
O gato aparece.

Capítulo 19
(O portal)
O animal fala com ele.
- nós estamos falando disso.
O gato mia, um portal aparece.
Aldo toma um gole de chá.
- eu estou sonhando, é isso?
Hiro olha para ele.
- de certa forma, sim.
O professor sorri para ele.
- quero que você capture uma alma.
Aldo olha para câmera mágica.

Capítulo 20
(Do outro lado)
O professor explica tudo.
Aldo é um mágico.
Ele não sabe disto.
Seu objeto mágico é a câmera.
Ele descobre e desvenda almas.
Tudo isto no mundo espiritual.
O professor é um guia.
Hiro, o seu ajudante.
O gato, um ser fantástico.
Aldo vai ao terraço pensar.

Capítulo 21
(Ventos sonoros)
Hiro chega junto a ele.
- desculpa, não pude falar antes.
- você me chamou para isto?
- também, mas não só isto.
- para que então?
- para isto.
Os dois se beijam.
O gato e o professor observam.
O vento sopra.
A noite respira neon.

Capítulo 22
(Escola de pensamento)
Aldo olha as estrelas.
- tudo isso é verdade?
- sim.
- porque eu não lembro?
- este poder é inconsciente.
- você também faz isso?
- eu ajudo você.
- quem são eles?
- nossos mestres.
O gato se transforma em Melody.

Capítulo 23
(Revelações)
Aldo não crê nisso.
- você também?
- sim.
Ela o abraça.
- não sei o que pensar.
- também fiquei assim no começo.
Aldo olha para ela.
- até eles me ajudarem.
Melody olha para hiro.
Começa a chover.

Capítulo 24
(O grilo falante)
Todos voltam para o chá.
O professor lê um livro.
- só alguns tem este poder.
- porque?
- são os mistérios da vida.
Hiro lhe serve um bolo de arroz.
- o que importa é o fim.
- e qual é o fim?
- ajudar os espíritos.
Aldo come o bolo.

Capítulo 25
(Até tu, Melody?)
Aldo olha para irmã.
- Rainer sabe sobre isso?
- não.
Ele se dirige ao professor.
- o que devo fazer?
- há um espírito que precisa de ajuda.
- porque eu devo saber disso agora?
- porque é a sua mãe.
Aldo procura o olhar da irmã.
- isso é verdade.

Capítulo 26
(Mexa isso aí)
Aldo e hiro são hipnotizados.
Eles vão a outra dimensão.
Um hospital colorido surge.
As pessoas lá são transparentes.
- onde nós estamos?
- no hospital colorido.
- minha mãe tá aqui?
- sim.
- o que aconteceu com ela?
- ela desistiu da vida.

Capítulo 27
(Os gatos estão aqui)
Um gato roxo aparece.
- vocês são do outro lado?
Hiro afirma com a cabeça.
- venham comigo.
Eles percorrem um corredor.
Chegam a um quarto vermelho.
- ela tá ali.
Aldo vai até ela.
Tenta acorda-la.
Sua mãe dorme numa cama de vidro.

Capítulo 28
(Isto é pura diversão)
- o que devo fazer?
O gato roxo se aproxima.
- ponha mão na cabeça dela!
- para que?
- para levá-la até o ponto central.
- que ponto?
- onde ela perdeu a razão de viver!
Aldo põe a mão na cabeça dela.
Ele fecha os olhos!
É transportado ao passado.

Capítulo 29
(Uma noite fria)
Uma noite fria é.
Aldo está em casa.
Há 25 anos atrás.
Sua mãe toma um chá.
olha pela janela.
A Neve cai.
Uma lágrima também.
Seu marido morreu.
Sua vontade de viver, também.
Nada mais importa.

Capítulo 30
(Uma viagem para mim mesmo)
Aldo fala com a sua mãe.
Ela não escuta.
Está deitada num diva.
Um livro caído no chão.
Flores na mesa.
Ele não sabe o que fazer.
Fecha os olhos.
Começa a cantar.
Sua mãe começa a dançar.
A Neve para.









segunda-feira, 18 de maio de 2026

lágrimas a noite

Eu estou aqui. 
Num quarto de hospital.
Acompanhando alguém.
Gemidos de dor.
Suor e lágrimas.
Cheiro de remédio.
Ambiente frio e impessoal.
paredes brancas.
Profissionais de saúde.
Estão por todos os lados.
Entram e saem dos quartos. 
Dia e noite.
Movimento incessante.
Olho pela janela.
Estou no quinto andar.
Carros passam.
Um movimento incessante.
Vida lá embaixo.
Prisão aqui em cima.
Olho para o paciente.
Não vejo futuro.
Não sinto meu presente.
Vontade de um café.
Sentir o seu calor.
Me dizendo que tudo está bem.
Que vai ficar bem.
Quero ir para casa.
Corredores cheios de sofrimento.
Olho a parede a minha frente.
Não vejo saída.
Conversas aleatórias.
Tentativa de fuga.
Uma realidade que não quero.
Nó na garganta.
Medicamento em uso.
Tenho que vigiar.
Avisar o seu fim.
Nada consigo.
Tudo eu vejo.
Sinto e fujo.

sábado, 16 de maio de 2026

amigos de papel

Há muitas amizades. 
Poucas são verdadeiras.
A necessidade faz a ocasião.
Quem é amigo, fica.
Quem só aparenta, vai.
Boas fontes, e boas amizades.
Adversidade é o seu teste.
Já passei por isto.
Em hora de alegria, há uma multidão.
Em hora de necessidade, vazio.
Silêncio e solidão.
Descaso e falta de empatia.
Na foto, todos querem ficar bem.
No teatro, todos querem atuar.
Pena que a imagem é suja.
A atuação, péssima.
No final, a luz ilumina tudo.
As sombras voltam para o nada.
A vida continua.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

hipocrisia

Alguém diz que é santo. 
Aponta o dedo pros outros.
Suas unhas estão sujas.
A sua moral também.
É a favor de Deus e da família.
Não resiste a tentação.
Ambição ter sempre mais.
Não importa o que tenha que fazer.
É muita sujeira.
Máscaras de virtude.
Espírito de porco.
Se julgam melhores.
Se tornam piores.
Esta é a nossa pátria.
Que país é esse?

segunda-feira, 11 de maio de 2026

dias melhores virão

As coisas nem sempre são simples.
Há dias difíceis.
Existem dias fáceis.
Hoje foi um dia complicado.
Alguém teve que ceder.
Uma batalha foi perdida.
Não a guerra.
Novos capítulos se aproximam.
Um ciclo se fecha.
Outro precisa ser iniciado.
Assim caminha humanidade.
Dias melhores virão.

domingo, 10 de maio de 2026

a caneca

Eu tenho uma caneca. 
Ela tá quebrada. 
É a minha favorita. 
Me acompanha por aí. 
Já mudei de vários lugares. 
Conheci várias cozinhas. 
Me lembro de uma delas.
A luz entra pela porta.
Eu sentia o calor no rosto.
Os raios desenhando no chão.
Eu era testemunha disto.
Minha caneca também. 
Frio e quente. 
Muito líquido tomou. 
Ela foi um presente. 
Alguém me deu. 
Alguém especial pra mim.
Um dia brigamos.
Não nos falamos mais.
O presente ficou.
Eu gostei dele.
É algo importante. 
Eu olhei pra caneca. 
Ela olhou pra mim. 
Foi amor a primeira vista. 
Estamos juntos até hoje.

o bolo

Um bolo na mesa. 
Eu tomo café. 
Fico de olho nele. 
Sua cor é interessante. 
A casa está vazia. 
Só eu e minha companhia. 
A mesa me apoia.
O bolo está ali. 
Observa minha presença. 
Há gatos na cozinha.
Eles estão comigo.
A chuva cai lá fora.
Agora chegou a vez do bolo.

sábado, 9 de maio de 2026

a estrela líquida

-
A chuva cai.
O reino mágico está em silêncio.
O campo dorme.
As árvores cantam.
Tudo é paz.
Os animais confraternizam.
O chão se molha
-
Regina acorda.
Ela procura sua mãe.
Não a encontra.
Vê um bilhete.
"Fui atrás da estrela líquida".
Regina não entende nada.
O que ela faz agora?
-
Regina vai a floresta.
O céu está cinza.
O lago é tranquilo.
Ela pensa no que fazer.
Então se lembra dele.
Vai até Aníbal.
Sua cabana é aconchegante.
-
Aníbal a recebe 
- o que você quer?
- eu procuro minha mãe.
- onde ela está?
- foi procurar a estrela líquida.
- compreendo.
- o que eu faço?
- você vê aquele espelho?
- sim.
- atravesse ele.
- o que tem doutro lado?
- a sua mãe.
Regina atravessa o espelho.
-
Do outro lado, ela vê uma escada.
Sobe ela.
Vai parar numa plataforma.
Lá há uma porta.
Ela atravessa.
Chega a um templo.
Alguém medita nele.
-
Regina olha o ser a sua frente.
É um homem.
Ele usa armadura.
Ela se aproxima dele.
- olá.
Ele abre os olhos.
Se levanta.
-
O cavaleiro olha pra ela.
Analisa o seu aspecto.
- quem é você?
- eu sou Regina. 
- o que você quer?
- eu procuro minha mãe.
- não sei quem é ela.
- seu nome é Denise.
- o que tenho a ver com isso?
- eu não sei.
- então não me perturbe.
- eu preciso de sua ajuda.
- porque?
- você é um cavaleiro.
- que resposta estúpida.
- que atitude grosseira.
Ele aponta espada pra ela.
- cuidado com o que você fala.
- você vai me matar?
- eu não sou assassino.
- ótimo.
Ele abaixa espada.
Ela senta-se no chão.
- qual é o seu nome?
- meu nome é Connor.
- bonito nome seu.
- obrigado.
Ele também senta.
- você pode me ajudar?
- me conte o que aconteceu.
- minha mãe foi atrás da estrela.
- que estrela?
- a estrela líquida.
Connor olha pra o céu.
- o que sua mãe quer com ela?
- eu não sei.
- isto é interessante.
Você me ajuda?
- sim, mas com uma condição.
- qual?
- contemple o céu comigo.
- tá bom então.
Eles se deitam na grama.
A lua sorri pra eles.
As estrelas dançam entre si.
As nuvens fazem acrobacias.
-
Eles caminham por aí.
Chegam a uma cafeteria.
Regina está cansada.
Connor tem fome.
- vamos para comer algo.
Regina concorda.
Eles entram na padaria.
Eles pedem café.
Começa a chover.
Regina observa o ambiente.
Um homem olha para ela.
Ele escreve algo num caderno.
- aquele homem está me olhando.
- quem?
Regina aponta para ele.
Connor vai até ele.
O homem se levanta.
- olá meu bom cavaleiro.
- o que você quer?
- meu nome é flamarion, sou poeta.
- bom para você.
- obrigado.
- o que você quer com ela?
- eu escrevi um Haikai para ela.
- um o que?
- um poema.
Regina vai até eles.
- eu adoro poemas.
Flamarion faz um gamanteio.
- olá minha nobre dama.
- vamos nos sentar.
Todos se acomodam.
A chuva continua.
- eu posso ver seu poema?
- claro, ele é seu.
Flamarion lhe dá um papel.
"dias de chuva -
uma linda flor
adorna meu jardim" 
Regina aperta folha contra o peito.
- isto é tão lindo, obrigada.
- de nada.
Flamarion começa a chorar.
Regina olha pra ele.
- o que aconteceu?
- eu estou triste.
- porque?
- aconteceu algo comigo.
- você quer conversar?
- sim.
- então diga o que aconteceu.
- aí vem minha história.
O café está quente.
-
Eu sou filho único.
Meu pai é escultor.
Minha mãe era dona de casa.
Ela morreu.
Eu vivia só.
Meus livros eram meus amigos.
Ainda são.
Nunca gostei de multidão.
Menos ainda gente.
Meu pai trabalhava muito.
Minha mãe era obcecada por limpeza.
Ela vivia doente.
Isto era difícil para mim.
Dias de tristeza.
Manhãs de solidão.
Eu não tinha vontade de nada.
Só queria ser escritor.
Tento ser até hoje.
Um dia, minha mãe morreu.
Fiquei mais só ainda.
Não tenho conexão com meu pai.
Somos diferentes um do outro.
Eu sou gay.
Ele descobriu.
Brigou comigo.
Nós estamos afastados.
Moro com meu namorado.
Eu estou infeliz.
Não com ele.
Comigo mesmo.
Só o café me salva.
Ele me dá sensação de segurança.
Conforto e aconchego.
Gosto de outono e inverno.
Posso ser melancólico.
Agora estou aqui.
Procuro uma razão de viver.
-
Regina segura mão dele.
- não fique assim.
- como você quer que eu fique?
Ela olha pra fora.
- venha comigo.
Eles saem.
A chuva continua.
O arco íris surge.
Regina abraça flamarion.
- vamos dançar.
Eles bailam uma música celeste.
Levitam no ar.
Dançam nas nuvens.
A chuva fica dourada.
O arco íris termina.
Eles voltam ao chão.
Regina olha pra ele.
- como você está?
- eu estou melhor, obrigado.
Connor se aproxima deles.
- vamos embora.
Regina abraça flamarion.
- espero que você fique bem.
O poeta inclina cabeça.
- obrigado pela ajuda.
Connor e ela vão embora.
Flamarion se transforma numa águia.
Voa por aí.
-
Regina e Connor chegam a um lago.
Há uma bruxa nua.
Ela dança sobre as águas.
A nossa dupla admira cena.
Ela termina dança.
Volta ao chão.
Olha pra Regina.
Sua mãe disse que você viria.
Você conhece minha mãe?
A bruxa estala os dedos.
Uma roupa lhe veste.
Eu conheço ela.
Você sabe onde ela tá?
A propósito, meu nome é baronix.
O meu é...
Eu sei quem vocês são.
Connor se aproxima dela.
Então onde está mãe dela?
Baronix aponta para Connor.
Ela tá em você.
O que?
Ambos ficam confusos.
Você é um guerreiro.
Eu sou sim.
Ela precisa de sua força.
Para que?
Para achar estrela líquida.
Regina toma frente da conversa.
Que estrela é essa?
Baronix aponta para o lago.
Olhe lá.
Regina se aproxima lago.
Vários Peixes dançam.
Voam pela superfície.
Formam a imagem de uma estrela.
O que é isso?
Isto é você.
Regina olha pra bruxa.
Como é?
Sua mãe foi salvar vc.
Eu não entendi.
Seu parto foi difícil.
Eu sei disso.
Você quase morreu.
Ela me contou.
Ela fez um pacto com a estrela.
Que pacto?
A vida dela pela sua.
Connor desembainha espada.
Ela tá louca. Vamos embora.
A bruxa aponta para o céu.
Agora estrela cobra dívida.
Regina vê as nuvens.
Isto não pode ser.
Baronix olha pra ela
Isto é o que é.
Eu posso impedir isso?
Sim.
Como?
Sacrificando a sua vida.
Regina olha pra o Lago.
Connor aperta os punhos.
Cerra os dentes.
Você está brincando.
Eu não estou.
Nossa heróina pergunta bruxa.
Onde posso encontrar a minha mãe?
Na montanha azul.
Certo.
Sua mãe e a estrela estão lá.
Obrigado.
Eles vão embora.
Baronix mergulha no lago.
Medita com os Peixes.
-
As horas passam.
Caminhada é longa.
Cidade é cheia.
Um festival acontece.
Prédios enfeitados.
Bandeirolas nas ruas.
Crianças fantasiadas.
Nossa dupla observa.
Eles param numa pousada.
Resolvem descansar.
Connor esbarra com um inimigo.
Coisa do passado.
Eles brigam.
São expulsos do lugar.
Prometem se reencontrar.
Acertar as coisas.
Continuam a caminhada.
Dormem num pomar.
-
Eles chegam a montanha azul.
O lugar é auto explicativo no nome.
Ao longe vêem uma entrada.
Uma luz interior dá o sinal.
Vão até lá.
Regina encontra Denise.
Mãe.
Ela não olha.
Está enfeitiçada.
Costura numa máquina.
Regina tenta toca-la.
Um campo invisível as separa.
Ela olha o ambiente.
O que está acontecendo?
Eu não sei.
Connor tenta golpear com a espada.
Seu golpe não tem efeito.
Regina aponta pro fundo da caverna.
Olha aquilo ali.
Ele observa a cena.
Uma estrela líquida flutua.
Sua luz irradia o cenário.
Denise levanta da máquina.
Está com um tecido brilhante.
Regina chama seu nome.
Nada acontece.
Denise cobre a estrela com tecido.
A estrela se transforma numa pessoa.
Ela assume a forma de baronix.
Regina não acredita no que vê.
Você?
Sim, sou eu.
Eu não entendi.
Meu espírito está preso nesta estrela.
Como assim?
Foi um feitiço, história antiga.
Porque a minha mãe?
Só ela tem esta magia.
Que magia?
Libertar as almas.
Denise vira uma cerejeira.
Regina se desespera.
Baronix flutua pelo lugar.
Não se preocupe, ela voltará.
A heroina pega espada de Connor.
Tenta atingi - la.
A espada se desfaz em pó.
Você não pode me atingir.
Porque a minha mãe?
Este é o preço a se pagar.
Regina entra em transe.
Baronix olha pra Connor.
Daqui a um ano, elas voltarão.
A nossa personagem some.
Connor segura Regina.
A coloca na sombra da cerejeira.
Ele vai embora.
Lá fora, uma nuvem passa.
Um aroma perfuma o ar.

(Fim)





sexta-feira, 8 de maio de 2026

te(n)são

Ele & eu.
Nus na cama.
Lençol de seda.
Quarto a meia luz.
Silêncio no ambiente.
Eu por baixo dele.
Ele por cima de mim.
Meu pênis na sua boca.
O seu pênis na minha boca.
Meus braços ao redor do seu corpo.
Nós estamos entregues.
O prazer nos acompanha.
Sua língua me suga.
Meus dedos percorrem seu orifício.
A intensidade aumenta.
Nossos corpos estremecem.
O gozo acontece.
Um ato de amor foi feito.
Nossa semente no corpo.
Tudo é testemunha.

um café e um bom dia

Eu estava na cozinha. 
Ela chegou. 
Veio do médico. 
Eu tomava café. 
Não falou nada. 
Eu dei bom dia. 
Perguntou pelo filho. 
Insisti no bom dia. 
Ela respondeu. 
Repetiu a pergunta sobre o filho. 
Se ele tinha vindo em casa. 
Eu disse que não. 
Olhei o seu exame. 
Está tudo normal. 
O meu café está quente. 
O dia, nublado.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

no meu quarto - solidão

As horas passam. 
Eu fico aqui.
O quarto tá escuro.
Não se ouve nada.
O silêncio é absoluto.
Eu gosto disto.
Não aprecio barulho.
Só meu pensamento basta.
Sol lá fora.
Ao longe, crianças brincam na rua.
Não sinto falta.
Tenho meus livros.
Eles me bastam.
As palavras falam comigo.
Eu converso com elas.
A sociedade não vale a pena.
Tudo é rude.
O ambiente é ignorante.
Eu não aguento esta farsa.
Não nasci para este tipo de coisa.
Agora é noite.
A chuva começa.
Eu estou aqui.
Converso com vocês.
O sono se aproxima.
Já vou dormir.
Boa noite a todos.