domingo, 21 de junho de 2026

um sonho (im) possível

Eu li uma matéria agora. 
É sobre um filme.
Uma garota vai a Itália.
Ela faz uma aventura romântica.
Eu também gostaria de viver isto.
Ir até a Itália.
O meu país favorito.
Ir com meu marido.
Fazermos um turismo clichê.
Ir nos locais mais lindos.
Tirar várias fotos.
Comer aquela comida maravilhosa.
Beber aquele vinho esplêndido.
Tudo pode ser possível.
Ou não?
Isto eu não sei.
O que eu sei, é que meu sonho é forte.
Ver vários italianos lindos.
Termos uma amizade colorida.
Curtir o sol da Toscana.
Apreciar as praias e ilhas.
Mergulhar na renascença.
Vejo muitos vídeos deste tipo.
Confesso ter uma certa inveja.
Aspirar o perfume cultural.
Admirar a arquitetura.
Me perder naqueles museus todos.
Conhecer gente interessante.
Ter hora para ir.
Não ter hora para voltar.
Eu não nasci para este lugar.
Eu não nasci para esta vida.
Não sei o que fazer.
Me sinto confuso.
Tenho que fazer alguma questão.
Meu tempo não pode passar assim.
Não estou menosprezando nada.
Apenas, não me sinto indentificado.
Minha alma pertence a outros ares.
Isto para mim é um desejo.
Ou será um sonho (im) possível?

sábado, 20 de junho de 2026

e tudo termina em pizza

Vim com meu marido comprar pizza. 
Hoje é aniversário da minha sogra.
Ele foi comprar um bolo.
Já fizemos o pedido.
Estamos aqui esperando.
Eu estou numa mesa.
Do lado de fora.
Vejo o movimento.
Noite está fria.
O cheiro das pizzas me inebria.
Algumas pessoas chegam por aqui.
Fazem os seus pedidos.
Vão comer por aqui.
Nós vamos levar para casa.
Outras pessoas passam por mim.
Fico imaginando as suas vidas.
Como serão as suas histórias.
O que estão passando.
Se eu poderia ajudá-las.
Então eu me percebo.
Já tenho problemas demais.
Não quero olhar para baixo.
Eu vejo acima de mim.
O céu tem poucas estrelas.
Só a lua reina absoluta hoje.
Isto é um pouco como eu.
Quero reinar só.
Sair por aí sem destino.
Ser como a lua.
Ver o mundo de cima.
Não ter nada haver com isto aqui.
Meu pensamento divaga.
A mesa está posta.
Um som toca ao longe.
A pizza ainda não chegou.
Assim como eu que não cheguei lá.

domingo, 14 de junho de 2026

gente de paz

Capítulo 01
...
O caminhão chega.
Novidades na cidade.
Os boatos correm.
Todos olham pela janela.
Uma família chinesa chegou.
Vão morar ali.
Isto nunca ocorreu antes.
Alguns balançam a cabeça.
Será um sinal de aprovação?
Ou de reprovação?
Isto não sabemos.
Os tempos são difíceis.
A sociedade é complexa.
Este é bairro é tranquilo.
Todo lugar o é.
Ares de velhos tempos.
Paz e segurança ainda prevalecem.
Vizinhos conversam até tarde.
Crianças brincam na rua.
Cheiro de café na padaria.
A vizinhança se conhece pelo nome.
Alguns casamentos entre si.
Algo bem familiar.
Semanas se passam.
A família Lee já está estabelecida.
(Este é o sobrenome deles)
Ninguém sabe onde são.
Nem porque vieram.
Eles são cordiais.
Também são comedidos.
...
Capítulo 02
...
O frio chega.
O inverno bate a porta.
Zhiyuan é cronista.
Ele trabalha para um jornal.
Está em bloqueio criativo.
Uma leve depressão.
Não acha graça em nada.
Não vê sentido na vida.
Vive por viver.
Sua família percebe isso.
Zihan é sua esposa.
Lhe traz um chá.
- obrigado, meu amor.
- você está bem?
Ele olha para xícara.
- eu estou bem.
Zihan segura o seu rosto.
- você não precisa fazer isso.
- isso o que?
- suportar isso sozinho.
Ele da um beijo nela.
- está tudo bem.
Ela suspira.
- eu vou me deitar.
- daqui a pouco eu vou.
- te amo.
- também te amo.
Ela vai pra o quarto.
Ele olha sala.
Silêncio e escuridão.
Ele vê um vulto indo a cozinha.
Vai ver o que é.
...
Capítulo 03
...
É um fantasma.
O espírito olha para ele.
- olá, meu nome é Oscar.
- você é um fantasma?
- sim.
- interessante.
- você não está assustado?
- porque eu estaria?
- por eu ser quem sou.
- já vi coisas piores.
- agradeço o elogio.
- eu vou voltar a escrever.
- posso te ajudar.
Zhiyuan olha para ele.
- você?
- sim.
- por acaso você era escritor?
- eu sou sim.
- hum, interessante.
- e então?
- qualquer coisa eu te aviso.
- tá bom então, tô sempre por aí.
Ele some na parede.
Zhiyuan da de ombros.
- eu hein, cara estranho.
Ele conta novidade para esposa.
- você tem certeza?
- eu estou depressivo, não alucinado.
- as crianças vão adorar isso.
Chega zihao, filho deles.
- o que eu vou adorar?
Sua mãe dá uma xícara de chá a ele.
- aqui em casa tem um fantasma.
Zihao toma um gole de chá.
- é mesmo?
- seu pai falou com ele.
Zhiyuan deita-se no sofá.
- é uma alma penada qualquer.
- legal, eu vou a biblioteca.
- cuidado por aí.
- tá bom mama.
Ele da um beijo nela e sai.
...
Capítulo 04
...
Zihao chega biblioteca.
Pega um livro sobre estoicismo.
Faz algumas anotações.
Ele vai a cafeteira.
Douglas trabalha lá.
É o dono do lugar.
- olá, seja bem vindo.
- obrigado.
- você é novo na cidade né?
- sim, me mudei algumas semanas.
- legal, o que vai querer?
- um espresso, por favor.
- OK.
Zihao olha ao redor.
- sua cafeteria é linda.
- obrigado.
- meu nome é zihao.
Estende a mão a ele.
Douglas corresponde o gesto.
- eu sou Douglas.
- prazer em conhecê-lo.
- igualmente.
- bonito seu nome.
- obrigado.
- o que significa?
- "sábio e grandioso" 
- gostei.
- valeu.
Zihao toma um gole de espresso.
Chega outro cliente.
- com licença.
Douglas vai atender outra pessoa.
Zihao olha para ele.
Dá um sorriso discreto.
Volta sua atenção ao livro.
Ele sente algo diferente.
A cafeteria é grande e iluminada.
...
Capítulo 05
...
Chegou a estação das cerejeiras.
Ruas pintadas de rosa.
Pessoas por todo lado.
Um espetáculo de natureza.
Zhiyuan e zihan passeiam por ali.
Observam as flores.
Zihan tira fotos.
- você se lembra disto na China?
- sim.
- nossos passeios eram agradáveis.
- verdade.
- o que mudou?
- eu não sei.
Zihan beija o marido.
Ele acaricia seu rosto.
- você me faz feliz.
- você também.
- desculpe por isso.
- não tem porque.
Eles sentam embaixo de uma árvore.
Pétalas caem sobre eles.
Zhiyuan pega uma flor.
- eu me sinto como ela.
Zihan olha flor.
- como uma natureza efêmera.
Zhiyuan olha ao redor.
É quase noite.
Ele deita-se na grama.
Ela o acompanha.
Eles se beijam novamente.
- wo aí ni.
- também te amo.
Uma brisa passeia entre eles.
...
Capítulo 06
...
É sábado a noite.
Yuchen vai ao karaokê.
Ela canta música pop.
Sua paixão é a música.
Ela interpreta várias músicas.
É aplaudida por todos.
Sua voz é interessante.
Yuchen vai ao balcão.
Pede uma cerveja.
Vê os outros se divertirem.
Alguém a olha distância.
Este alguém é Mina.
Ela é bibliotecária.
Mina escuta algo.
Ela fecha os olhos.
Um pensamento lhe sussurra.
Ela abre os olhos.
Pega o seu caderno.
Anota alguma coisa.
Vai até yuchen.
Estende o caderno a ela.
Yuchen repara nela e no caderno.
Ela lê o que está escrito.
"Eu tenho uma história pra você" 
Yuchen olha pra ela.
- quem é você?
Mina escreve o seu nome.
Ela analisa o nome.
- você não fala?
Mina afirma com a cabeça.
- você quer uma cerveja?
Ela confirma que sim.
- meu nome é yuchen.
As duas se cumprimentam.
- o que você quer dizer com isso?
Ela aponta para o caderno.
"Eles falaram de você para mim" 
- eles quem?
"Os outros" 
- quem são os outros?
Mina gira mão pelo ar.
- os espíritos?
A bibliotecária escreve.
"Algo do tipo" 
Yuchen bebe a cerveja.
- interessante.
"Você não tem medo disso?" 
- não, lá em casa tem um fantasma"
Mina olha pra ela.
" Sério?"
- sim, você quer ir lá?
Ela afirma que sim.
- ótimo, então vamos.
...
Capítulo 07
...
Yuchen e mina chegam em casa.
Todos estão dormindo.
- vem comigo.
Yuchen pega mina pela mão.
A leva ao seu quarto.
As duas sentam na cama.
- e então, o que você tem para mim?
" Fechei os olhos, e confie em mim"
Yuchen olha pra ela.
- tá bom então, eu pago pra ver.
Ela fecha os olhos.
Mina toca suas temporas.
Yuchen sente um calor em seu corpo.
Ela abre os olhos.
Está num cemitério.
Lanternas chinesas por toda parte.
Ela vê yanluo Wang.
Ele é o rei do submundo.
Uma figura mítica chinesa.
Yuchen o reconhece.
- eu estou morta?
Ele olha pra ela.
- você não está morta.
- o que eu faço aqui então?
- você está prestes a morrer.
- como assim?
- isto não importa.
- eu não entendi.
Yanluo Wang aponta para Mina.
- você vê esta garota?
- sim.
- ela vai ajudar vc.
- em que sentido.
- em breve você saberá.
O rei do submundo some.
Mina desaparece também.
As lanternas se apagam.
Yuchen está só no cemitério.
Ela ouve um barulho no céu.
Olha pra cima.
Um dragão vem em sua direção.
Ela fecha os olhos.
Yuchen desperta do transe.
Vê Mina parada diante dela.
- o que foi isso?
"Eles me mandaram até você" 
- porque?
"Eu ainda não sei" 
Mina observa ao redor.
"Onde está o fantasma?" 
- ele só aparece quando quer.
Ela fica desapontada.
- não fique assim.
Mina dá de ombros.
Yuchen a pega pela mão.
- vamos tomar café.
As duas vão a cozinha.
...
Capítulo 08
...
Douglas convida zihao ao teatro.
- hum, isto é interessante.
- porque?
- eu estava lendo sobre o teatro grego.
- sério?
- sim.
- vamos ter uma aula de campo.
- você aceita ir comigo?
- claro que sim.
- ótimo, até mais tarde.
A noite chega.
Douglas vai buscá-lo.
Há muita gente.
Conversas e risos.
O espetáculo começa.
É uma peça teatro físico.
Sem diálogos e palavras.
Só a expressão corporal.
O Bacanal Herodes.
Homens e mulheres nus.
Alguns espectadores gostam.
Outros se retiram.
Arte divide opiniões.
Zihao aprecia isto.
Douglas o observa.
Seus olhos brilham.
Sua respiração pesa.
Danças ecoam pelo palco.
O bacanal em si começa.
Alguns atores se beijam.
Outros convidam o público ao palco.
Algumas pessoas aceitam.
Douglas se levanta.
Estende a mão a zihao.
Ele aceita o convite.
Eles vão ao palco.
Dançam no ritmo música.
Zihao puxa Douglas pra si.
Os dois se beijam.
A cena termina.
A peça acaba.
Aplausos ecoam por ali.
Eles se olham.
Caem na risada.
Uma noite perfeita.
...
Capítulo 09
...
Zhiyuan olha para o computador.
Nada sai de sua mente.
Há um café esfriando.
Ele olha pela janela.
Aperta o casaco contra o corpo.
Oscar olha pra ele.
- ainda deste jeito?
- sim.
- eu posso te ajudar.
- como?
- contando minha história.
- porque você ainda está aqui?
- eu não consigo desapegar.
- como você morreu?
- acidente de carro.
- eu sinto muito.
- eu também.
- como é aí do outro lado?
- é confuso pra mim.
- imagino que sim.
- você vai contar minha história?
- isso é importante para você?
- sim.
- porque?
- não quero ter morrido em vão.
- tá bom então, pode começar.
"Eu nasci no exterior.
Meus pais moravam fora.
Eram bem de vida.
Eu tive um irmão.
Não nos dávamos bem.
Eu era diferente.
Gostava de garotos.
Queria ser escritor.
Fui a faculdade.
Conheci um cara.
Tivemos um caso.
Minha família descobriu.
Eles me deserdaram.
Meu irmão me bateu.
O cara me deixou.
Comecei a beber.
Vim parar nesta casa.
Meus pais não me queriam perto.
Fui mal nos estudos.
Comecei a brigar.
Fui expulso da faculdade.
Minha família me abandonou.
Arranjei um emprego.
Deixei a bebida por um tempo.
Arranjei alguém.
Moramos juntos.
Um dia, voltei do trabalho.
Peguei ele com outro na nossa cama.
Nós brigamos.
Ele foi embora.
Voltei A beber.
Briguei no trabalho.
Eu fui despedido.
Enchi a cara.
Fui atropelado.
Agora, eu tô aqui.
Esta é a minha história"
Zhiyuan olha para ele.
- isso é tão triste.
- Eu sei disso.
- vou escrever sobre você.
- obrigado.
Oscar some.
Zhiyuan enxuga os olhos.
O café estava bom.
...
Capítulo 10
...
Zihan chora no quarto.
Ela olha ao seu redor.
Não sabe o que fazer.
Sua vida é estagnada.
os filhos estão crescidos.
O marido tem o seu caminho.
Ela sente-se inútil.
Uma brisa percorre o quarto.
Um retrato cai parede.
Ela olha o que aconteceu.
Uma sombra percorre o corredor.
Ela pensa em chamar o marido.
Ele dorme tranquilo.
Ela veste o roupão.
Escuta um barulho na cozinha.
Vai até lá.
Oscar está parado.
Ele observa a cafeteira.
Zihan fica pasma.
Não sabe o que dizer.
- então é verdade.
Oscar olha pra ela.
- é verdade sim.
Ela se aproxima dele.
- você não tem medo?
- porque eu teria?
Ele volta olhar a cafeteira.
- eu adoro café.
- eu também gosto.
- pena que não posso mais.
- imagino que não.
- eu vi você chorando.
- eu vi que você viu.
- gostaria de poder ajudar.
- você está morto.
- você também está.
Zihan olha os seus pés.
Oscar fica constrangido.
- me desculpa.
- você tem razão.
Ela vai até a cafeteira.
- você quer um café?
- eu aceito sim.
Zihan faz o café.
Prepara uma xícara para ela.
Serve uma xícara para ele.
Oscar agradece a gentileza.
- pelo menos, posso imaginar o gosto.
- como é estar morto?
- é como estar vivo.
Zihan olha confusa para ele.
- um dia você saberá.
- espero que este dia demore.
- pois é.
Ela toma um gole de café.
Oscar aspira o aroma imaginário.
- porque você está triste?
- porque não estou bem.
- eu posso ajudar você.
- como?
- você gosta de dançar?
- sim.
- então feche os olhos.
Zihan fica desconfiada.
- confie em mim.
Ela da um suspiro.
Fecha os olhos.
Oscar sussurra ao seu ouvido.
Ela se vê dançando no céu.
Acima das nuvens.
Leve como vento.
Uma noite estrelada.
Um sentimento de liberdade.
Sem passado, nem futuro.
Apenas o presente.
A lua brilha.
Zihan rodopia pelo ar.
Ela pousa num jardim.
A música termina.
Ela abre os olhos.
Oscar não está mais lá.
Ela contém um choro.
Limpa uma lágrima.
Olha para cima.
Agradece ao fantasma.
...
Capítulo 11
...
Duas xícaras no chão.
Uma cama bagunçada.
Roupas jogadas por aí.
Zihao e Douglas suados.
Nenhum barulho no quarto.
Zihao lê alguma coisa.
Douglas observa cena.
- o que você lê?
- Sêneca.
- legal.
- você conhece?
- já ouvi falar.
- ótimo.
- você está na faculdade?
- sim.
- termina quando?
- ano que vem.
- o que você pretende fazer?
- ser professor.
- aqui?
- eu não sei.
Douglas se levanta.
Veste a roupa.
Vai até a cozinha.
Bebe um copo d'água.
Zihao o abraça por trás.
- eu falei algo errado?
- não.
- porque você ficou assim?
- não é nada.
Zihao o vira para frente dele.
- você pode falar comigo.
Douglas olha para o lado.
Zihao puxa seu rosto para ele.
- fala comigo.
- eu gosto de você.
- eu também gosto de você.
- e então?
- eu não quero te perder.
- eu estou aqui.
- até quando?
Zihao beija Douglas.
- vamos viver o agora.
- eu tento mas...
- não pense em nada.
- como não pensar?
- tudo que temos é o agora.
- sei.
- o amanhã deixa para depois.
- tão filósofo você.
- tão lindo você.
Os dois se abraçam.
- vamos para cama.
- OK.
Zihao dá um meio sorriso.
Douglas compreende tudo.
Lá vão eles novamente.
...
Capítulo 12
...
Os pássaros cantam.
Yuchen vai a um teste.
A gravadora lhe recusa.
Ela esfrega os olhos.
Dá um suspiro.
Joga a ficha de inscrição no lixo.
Vai embora.
Se encontra com mina.
"Como você está?" 
- eu estou péssima.
"Imagino que sim" 
- logo isto passa.
Mina escreve alguma coisa.
Passa mão pela página.
Borboletas ganham vida.
Voam ao redor da amiga.
Depois, desaparecem.
Yuchen fica admirada.
- obrigada.
As duas se abraçam.
- eu posso perguntar uma coisa?
Mina afirma que sim.
- como você ficou assim?
"Meu pai morreu quando era pequena"
- compreendo.
"Então nunca mais falei" 
- mas você não pode falar?
"Eu não quero falar" 
- porque?
"Por enquanto não tenho vontade" 
Yuchen passa mão pelo ombro dela.
A tarde vai indo.
A noite vem chegando.
...
Capítulo 13
...
Zhiyuan dorme.
Oscar aparece para ele.
Sussurra algo ao seu ouvido.
Ele acorda assustado.
Pega o telefone.
Liga para zihan.
Ela não atende.
Ele olha para 0scar.
- eu sinto muito.
Um carro cruza estrada.
Chove lá fora.
Zihan tem uma crise de enxaqueca.
Carros vem em sua direção.
A luz é forte.
Ela não enxerga direito.
O telefone toca.
Ela tenta atender.
O celular cai.
Ela vai pegá-lo.
Perde o controle.
O carro derrapa.
Capota várias vezes.
O alarme dispara.
O silêncio da noite é quebrado.
...
Capítulo 14
...
A chuva cai lá fora.
Folhas caem no quintal.
Zhiyuan olha para o céu.
A lua é nova.
Ele se pergunta porque.
Porque isto aconteceu com ele.
Oscar aparece ali.
- eu sei como é isso.
- isto o que?
- esta sensação.
- já faz 6 meses.
- não fica mais fácil.
- sei que não.
- o que você pretende fazer?
- eu vou embora.
- e o seu livro?
- eu já terminei.
- o que você vai fazer?
- vou publicá-lo, e depois ir embora.
- sentirei sua falta.
- eu também, mas preciso recomeçar.
- creio que preciso disto.
- então se desapegue daqui.
- eu vou tentar.
Zhiyuan vai para o quarto.
Oscar olha para Lua.
Fecha os olhos.
Imagina brisa suave.
Seu espectro desaparece.
...
Capítulo 15
...
O vinho está bom.
A noite agradável.
Pizzaria está agitada.
Hoje é dia de jogo.
Há muito movimento.
Zihao olha através de Douglas.
- você ouviu o que eu disse?
Zihao volta si.
- oi?
- deixa para lá.
Douglas toma um gole de vinho.
- desculpa, meu pensamento tá longe.
- relaxa, está tudo bem.
- você quer ir embora?
- não, está bom aqui. Lembrei de algo.
- você pode contar?
- minha mãe adorava pizza.
- eu não devia ter trazido você aqui.
- relaxa, você não fez nada errado.
- eu passei por isso, sei como é.
Zihao muda de assunto.
- como está cafeteria?
- está ótima, você não foi mais lá.
- desculpa, fim de faculdade é isso aí.
- uma correria só né?
- sim.
O jogo acaba.
A plateia aplaude.
Alguém começa tocar piano.
Uma música romântica no ar.
Zihao estende a mão para Douglas.
- você quer dançar comigo?
- lembrei do teatro.
Ele dá um sorriso.
- só se for agora.
Os dois dançam.
Tudo perde a importância.
O mundo para girar.
Eles se beijam.
A Neve cai.
A lua brilha.
...
Capítulo 16
...
Yuchen pega o microfone.
Olha a plateia.
O foco de luz está em si.
Ela olha pro alto.
Mina está sentada sua frente.
Seu pai e irmão também.
Ela canta música preferida sua mãe.
Sua voz reverbera no restaurante.
Respiração em suspenso.
Yuchen canta cada vez mais.
As notas vibram.
A música termina.
Todos aplaudem.
Ela agradece a gentileza.
Vai para sua mesa.
Sua família abraça.
- você foi ótima, filha.
- obrigada, pai.
- parabéns, irmãzinha.
Ela beija o irmão no rosto.
Se vira para Mina.
- agradeço a sua presença aqui.
Yuchen ergue uma taça.
- um brinde a ela.
Todos erguem as suas taças.
Uns dias se passam.
A família Lee vai a um templo.
Acendem incensos.
Ficam em silêncio.
Só os pássaros cantam.
As árvores conversam entre si.
Seu pensamento está com zihan.
Cada um tem seu sentimento.
Lembranças e saudades.
As coisas são como são.
A vida continua.
...
(Fim)