quarta-feira, 29 de abril de 2026

uma viagem sem fim

Vejo dia começar. 
As flores crescem.
Tudo é bom.
Porém, a nuvem vem.
Ela chega devagar.
Cobre o sol.
Chão fica molhado.
O mundo desce.
A vida falta.
Você não chega.

o clã das cerejeiras

... 
uma criança brinca 
com uma katana 
no meio da carnificina 
...
ela está só 
todos estão mortos 
vento sopra as árvores 
...
corpos pelo chão 
ele não conhece ninguém 
sangue é seco 
...
lá vem um bandoleiro 
ele vê o garoto 
nota a katana 
...
- de quem é isso?
- eu achei por aí.
- eu quero ela.
...
o garoto se nega 
mão no pescoço 
um osso quebra 
...
o bandoleiro vai 
com espada na bainha 
cantando por aí 
...
lá vem o nosso herói 
ban, o samurai 
ele viu tudo 
...
o garoto 
seu sofrimento
a morte 
...
- você é um cretino.
- quem é você?
- aquele que irá fazer justiça.
...
Os dois se preparam 
Espadas se cruzam 
há um perdedor
...
bandoleiro no chão 
cabeça decepada 
garoto enterrado 
...
ban faz uma reverência 
- que Buda ilumine seu espírito 
espada sob o túmulo 
...
ele continua seu caminho 
a noite cai
a chuva começa 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

através da janela

nesta tarde cálida
o sol se põe 
deitado nesta cama 
eu olho a janela 
através dela 
vejo flores e frutos 
isto me faz lembrar 
de alguém doente 
que deitado 
na convalescença 
olhava outra janela 
e que contava 
a outro alguém 
as paisagens 
que via 
daquela janela 
onde nada tinha 
só uma parede 
mas a beleza 
a fé e a resistência 
lhe mostraram 
algo mais que isso 
porém eu vejo
sol se pondo 
o pássaro canta 
vento no quarto 
o tecido dança 
na brisa 
mesmo agora 
eu sinto uma paz
que se traduz nisto 
amanhã será 
um novo dia 

sábado, 25 de abril de 2026

o calor

o tempo me consome 
a fila não anda 
o calor é demais 
muita conversa 
nada paralela 
tudo oblíquo 
personalidade 
que não gosto 
medíocres até o fim 
me chamem 
do que quiserem 
não vou continuar 
pé de chulé 
gente sem noção 
o que se pode fazer?
muita coisa.
é só querer 
o calor continua 
eu estou com fome 
não sou santo.
tudo pode acontecer 
comigo não 
isto não passa 
só eu fico 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

na hora de amar

eu acho até engraçado 
hoje de manhã 
ao viajar 
eu vejo um outdoor 
onde se lê 
você pode amar 
por mais tempo 
e menor preço 
propaganda de motel 
como se isso 
fosse sinônimo de amor 
quando não passa 
de sexo barato 
as pessoas se iludem 
não estou aqui 
sendo contra motel 
nem contra frequentador 
cada um sabe de si 
porém amor em motel 
é como água no deserto 
difícil de encontrar 
já sexo em motel 
é como noite estrelada 
sempre tem uma brilhando 
até porque motel 
é para isso mesmo 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

o astronauta cinza

nada no céu 
eleva a voz
a nave veloz 
provoca o cosmos 
num espaço sem fim
o astronauta cinza 
procura a estrela 
que caiu no mar
sua missão 
está no infinito 
onde nada acontece
e a nuvem nos protege 
brilhos e escuridão 
nasce no mundo 
além do horizonte 
o astronauta cinza 
volta a terra 
sem um ser
extraterrestre 
sendo quem não é

fantasia

mundo de cetim 
cortinas que voam 
gestos de vida 
cristais que brilham
a luz de velas 
a minha fantasia 
vive em fluxo 
numa esperança 
que tudo seja feliz 
nada me deixa 
com um gosto 
de cereja 
onde tudo vai 
eu fico aqui

a senhora e os gatos

A senhora fala com os gatos.
Eles cobram o prato.
Ela despeja o grão.
Vocifera contra os bichos.
Os rabos fustigam o ar.
Eles esticam o corpo e apagam.
No chão, o prato sem comida.

terça-feira, 21 de abril de 2026

no profundo céu macio

Capítulo 01

Tristan faz uma tatuagem.
Uma lua no pulso esquerdo.
É a sua primeira vez.
Faz parte da Wicca.
Agora ele tem a sua Lua.
Vai para casa.
Toma uma cerveja.
Liga TV.
Um programa de auditório.
Ele não gosta.
Desliga TV.
Liga para sua mãe.
Ela não atende.
Joga o celular no sofá.
Vai até a janela.
Olha o céu.
Ele é convidativo.
Decide ir até o boliche.

Capítulo 02

Tristan está no boliche.
Ele joga.
Não acerta nada.
Que jogo chato.
Que dia chato.
Vai ao balcão.
Ele pede uma bebida.
Vê uns caras bonitos.
Sente falta de um namorado.
Olha para o celular.
Nenhuma chamada.
Nenhuma mensagem.
Como ele pôde chegar a isso?
Nem ele mesmo sabe.
Dá um gole na bebida.
O telefone toca.
É a sua mãe.
Ele atende.
É do hospital.
Sua mãe sofreu um acidente.
Sua respiração fica pesada.
Sai dali.
Vai para o hospital.
No caminho, derrapa na pista.
Bate numa árvore.
Fica desacordado.

Capítulo 03

Tristan acorda no hospital.
Um médico lhe atende.
- como você está?
- onde eu estou?
- no hospital.
Ele tenta se levantar.
- cadê a minha mãe?
- não se mexa, você está machucado.
Ele está tonto.
Um braço quebrado.
Rosto machucado.
- onde está minha mãe?
- eu sinto muito, ela morreu.
- não pode ser.
Ele sente-se nauseado.
Um sedativo é aplicado.
Ele dorme.

Capítulo 04

Tristan desperta no outro dia.
Sua visão está embaçada.
O médico volta vê - lo.
- como você está?
- eu quero ver minha mãe.
- você a verá.
- como eu vim parar aqui?
- um rapaz encontrou você.
- onde ele está?
- lá no corredor.
- o que aconteceu com a minha mãe?
- foi um acidente de carro.
Tristan olha para lua no pulso.
- isto não pode ser.
Médico olha o pulso dele.
- isto é estranho mesmo.
Tristan enxuga uma lágrima.
- onde está este cara?
- você quer vê-lo?
- sim.
- eu vou chamá-lo.
Chega telêmaco.
Tristan prende a respiração.
Ele acha o cara lindo.
Como pode ser?
Mesmo naquela hora.
Desejo no meio do caos.
Telêmaco se aproxima.
- como você está?
- do jeito que você vê.
- o médico me contou tudo.
- obrigado por me ajudar.
- de nada.
- como você me achou?
- eu passei por ali na hora.
- não sei o que teria sido de mim.
- sinto muito por sua mãe.
- obrigado.
- posso te dar um abraço?
Tristan engole em seco.
- sim.
Telêmaco o abraça.
- eu tenho que ir pra casa.
- você já fez muito por mim.
- não foi nada.
- qual seu nome?
- telêmaco e você?
- Tristan.
- legal.
Telêmaco vai embora.
Tristan vai com ele.
Em pensamento, é claro.

Capítulo 05

O enterro acontece.
Tristan olha a lápide.
Uma folha cai.
Telêmaco está com ele.
Eles vão embora.
Tristan o abraça.
- obrigado por ter ido.
- não tem de que.
- aceita um café?
- sim.
Ele vai a cozinha.
Telêmaco repara na sala.
Um altar num canto.
Algumas imagens.
Cristais, cálices e ervas secas.
Um pentagrama.
Ele acha interessante.
Tristan volta com café.
- obrigado.
- você gostou?
- de que?
Ele aponta o altar.
Telêmaco observa o local.
- eu gosto.
- você não acha estranho?
- eu respeito que faz bem.
- que bom.
- eu já vou.
- OK.
- se cuida aí.
- obrigado mais uma vez.
- de nada.
Eles se abraçam.
Telêmaco vai embora.
Tristan fecha porta.
Sala é vazia.
Xícara está na mesa.
A respiração pesa.
Ele levanta cabeça.
- eu não vou fazer isso.
Vai até a estante.
Pega um tubo de brinquedo.
Olha para o retrato de sua mãe.
- isto é para você.
Faz bolhas de sabão.
Casa fica leve.

Capítulo 06

Quarto em silêncio.
Ao longe, um pássaro canta.
Tristan pensa nele.
Embora triste, o amor permanece.
Senão amor, um encantamento.
Faz um feitiço para ele mesmo.
Curar suas feridas.
Elevar o seu amor próprio.
É tudo que precisa.
Um ciclo se fechou.
Outro chegou.
É questão de tempo.
Saber lidar com tudo isso.
Tristan vai ao parque.
Nenhum movimento.
Só as árvores ao vento.
Folhas pelo chão.
Ele lê um livro.
Momento de contentamento.

Capítulo 07

Tristan vai a faculdade de telêmaco.
Senta-se nos fundos.
Assisti a toda aula.
Ele nota sua presença.
- olá.
- oi.
- não sabia que gostava de filosofia.
- eu gosto sim.
- que bom, o que você achou da aula?
- ótimo, você é um bom professor.
- obrigado.
O celular toca.
Ele vê uma mensagem.
Lê em silêncio e apaga.
- quem era?
- nada demais.
- está bem.
- você quer tomar uma café comigo?
- seria ótimo.
- então vamos.
Eles vão a cafeteria.
- como você está?
- eu estou melhor, obrigado.
- de nada.
- você é um anjo em minha vida.
- não exagera.
- é verdade.
- se você diz.
- não sei o que eu teria feito sem você.
- o que importa é que estamos aqui.
- verdade.
Tristan pega na mão de telêmaco.
Eles se olham.
O café chega.
Eles conversam.
Vão embora.
Tristan chega em casa.
Ele lembra o acontecimento.
Toma banho.
Agradece aos deuses pelo dia.
Vai dormir.

Capítulo 08

Já é madrugada.
Celular Tristan toca.
É uma mensagem.
- oi.
- Oi, telêmaco. Aconteceu algo?
- não, desculpa o incomodo.
- está tudo bem.
- você quer conversar?
- pode ser.
- se você não quiser, tudo bem.
- relaxa, eu estou de boa.
- ótimo.
- o que você quer dizer?
- lembrei de nossa conversa.
- Ah sim, você gostou?
- sim.
- você crê no mundo espiritual?
- eu sou wicano, isso já diz muito.
- verdade.
- e você crê?
- imagino que tem algo além disso.
- porque isso agora?
- eu creio no carma.
- eu também.
- não quero ter um ruim.
- como assim?
- posso contar algo a você?
- sim.
- eu não vejo meu pai há 10 anos.
- nossa, sinto muito.
- valeu.
- porque?
- ele não aceita quem eu sou.
- compreendo.
- nem o que gosto.
- sei como é.
- nós brigamos por isso.
- o que você quer?
- voltar a vê-lo, e resolver isso.
- entendi, boa sorte a vocês.
- eu quero te pedir uma coisa.
- o que?
- você pode ir comigo?
Tristan olha o abajur.
- porque?
- acho que não consigo fazer isso só.
- você tem certeza?
- só se não for te atrapalhar.
- por mim está tudo bem.
- obrigado.
- onde ele mora?
- do outro lado do país.
- e o seu trabalho?
- vou pedir uma licença.
- tudo bem então.
- agradeço a gentileza.
- você fez tanto por mim.
- é o certo a se fazer.
- agora é a minha vez.
- quando resolver isso te aviso.
- certo.
- boa noite, desculpa o incomodo.
- a você também.
Tristan olha o teto.
Um sonho se realiza.
Um novo ciclo já vem.

Capítulo 09

Telêmaco e Tristan viajam.
Luzes de neon.
Estrada no escuro.
Movimento no centro.
Tudo é agitação.
Tristan sente o vento no rosto.
- você não gosta de voar?
- não é isso.
- você gosta de dirigir?
- também, mas tem outra coisa.
- o que?
- quero aproveitar a sua companhia.
Tristan desvia o olhar.
- eu disse alguma coisa errada?
- não, está tudo bem.
- certeza?
- sim.
- OK.
- você sabe dizer a coisa certa né?
- você nem sabe.
Os dois riem.
Eles passam a noite num hotel.
Tristan troca de roupa.
- eu vou sair.
- onde você vai?
- fazer uma coisa minha.
- é sobre sua crença?
- sim, algum problema?
- não.
- ótimo, eu já volto.
- posso ir com você?
- você tem certeza?
- sim.
- então vamos.
Eles vão a um parque ali perto.
Sentam na grama.
Olham o luar.
A lua está cheia.
Tristan fecha os olhos.
Murmura uma oração.
Telêmaco não entende.
Só vê os lábios vermelhos dele.
Seu cabelo negro.
Ele desvia o olhar.
Seu coração acelera.
Tristan toca o seu ombro.
- já terminei.
- certo, posso saber sobre isso?
- é só uma oração.
- para que?
- para agradecer a deusa mãe.
- legal.
Tristan segura o rosto dele.
- e agradecer por você também.
Ele o beija.
Telêmaco corresponde.
Os dois se olham.
Telêmaco acaricia o seu rosto.
- você é tão lindo.
- você também é.
Telêmaco suspira.
Tristan olha o relógio.
- já é tarde.
- sim, vamos embora?
- OK.
Os dois voltam ao hotel.

Capítulo 10

A nossa dupla já está na estrada.
Tristan ouve música.
Telêmaco pensa na letra.
Ele pensa em Sócrates.
- conhece a ti mesmo.
- oi?
- eu pensei alto aqui.
- o que você pensou?
- em Sócrates.
- isto tem haver comigo?
- tem haver comigo.
- você não se conhece?
- e você, se conhece?
- não.
- pois é.
Eles vêem um outdoor.
Uma corrida irá acontecer.
Telêmaco para o carro.
- olha só.
- você gosta disto?
- eu gosto de velocidade.
- você quer ver?
- sim.
- OK.
A noite chega.
A corrida acontece.
Muita gente no evento.
Eles vão a arquibancada.
Esbarram num homem.
- olha por onde anda.
- desculpa aí.
Eles sentam.
A corrida começa.
Telêmaco fica pensativo.
Tristan encosta o ombro nele.
- o que você tem?
-  penso no meu pai.
- ele gosta disto também?
- nós sempre assistíamos.
- é uma boa memória.
- eu quis ser piloto numa época.
- porque não foi?
- o encanto diminuiu.
- compreendo.
- aí eu conheci a filosofia.
- e você se apaixonou.
- perdidamente.
O homem do lado escuta os dois.
- correr é bom.
Nosso casal olha para ele.
Fica constrangido.
- desculpa, não quis me intrometer.
- está tudo bem.
- o senhor foi piloto?
- sim, meu nome é Andrei.
Ele cumprimenta os dois.
- eu sou Tristan.
- e eu, telêmaco.
- prazer.
- porque parou?
- a idade, e o desencanto.
Ele toma um gole de cerveja.
- eu sinto muito.
- não tem de que.
A corrida termina.
Andrei termina cerveja.
- vocês querem beber algo?
Eles se olham.
- por mim, tudo bem.
- ótimo, então vamos.
Os três estão num bar qualquer.
- vocês são de onde?
- longe daqui.
- este é um bom lugar.
- o senhor mora aqui?
- sim.
- gosta daqui?
- dá para o gasto.
Eles riem.
- para onde vocês vão?
- eu vou ver o meu pai.
- ele mora aqui?
- não, do outro lado do país.
- não seria melhor voar até lá?
- eu gosto de sentir o caminho.
Andrei contempla telêmaco.
- isto é tão zen.
- por isso gosto de filosofia.
- um brinde a filosofia.
Eles bebem.
- algum motivo especial?
- não nos falamos há anos.
Andrei olha para frente.
Se perde no vazio das garrafas.
- eu falei algo errado?
- não, você lembra o meu filho.
- onde ele está?
- morreu.
- sinto muito.
- nós estávamos brigados.
Telêmaco coloca mão no ombro dele.
- gostaria de poder ajudar.
- você pode.
- como?
- não cometa o mesmo erro que eu.
- vou tentar.
Andrei termina bebida.
- eu já vou, foi bom conhecer vocês.
Eles agradecem.
Andrei vai embora.
Telêmaco olha o chão.
Tristan chama atenção dele.
- ei, não fica assim.
- eu estou bem.
- a sua história não é a dele.
- espero que não.
- vamos embora, precisamos dormir.
- a nossa jornada continua.
Eles pagam a conta.
Vão embora.

Capítulo 11

Eles estão no caminho.
Param numa cidade pequena.
Tristan lembra de alguém.
Uma amiga que mora ali.
- eu tenho uma amiga que mora aqui.
- legal.
- você gostaria de conhecê-la?
- sim.
- otimo.
Vão até a casa dela.
Seu nome é Estela.
Ela reconhece Tristan.
- olá meu amigo. Há quanto tempo.
- verdade.
Os dois se abraçam.
- este é meu amigo, telêmaco.
- prazer em conhecê-la.
- bonitão ele. Você tem bom gosto.
O professor fica sem Jeito.
- somos apenas amigos.
- ótimo, entrem.
Eles tomam café.
- e então, conta as novidades.
- eu te disse sobre minha mãe?
- sim, eu sinto muito.
- obrigado.
Telêmaco termina o café.
- eu vou dar uma volta por aí.
- OK.
Ele sai.
Estela dá um toque em Tristan.
- e este bonitão hein?
- foi ele quem me salvou acidente.
- ele é gato, vai em frente.
- somos só amigos.
- hum, conta outra. Nem um beijo?
- só um beijo.
- Ah, seu danadinho.
Eles riem.
- só você mesmo.
- saudades de você.
- também.
- onde vocês vão?
- ver o pai dele, não se falam.
- isso é complicado.
- ele me ajudou, agora é minha vez.
- gentileza gera gentileza.
- você ainda faz consulta?
- sim.
- você pode tirar as cartas para mim?
- claro que sim.
Estela pega o seu tarô.
Pede para ele tirar uma carta.
Tristan pega carta dos amantes.
- isto é tão romântico.
- você sempre foi romântico.
- eu sou sim.
- vocês tem um caminho a seguir.
- nós estamos nele.
- aproveita bem, é a sua chance.
- obrigado, eu estou tranquilo.
- você faz bem.
Telêmaco chega.
Estela olha os dois.
- eu tenho uma proposta para voces.
- o que?
- vamos a um clube de patinação?
Tristan olha para telêmaco.
- eu adoraria, vamos?
- por mim tudo bem.
- ótimo.
Eles vão até lá.
Se divertem patinando.
Telêmaco é atrapalhado nisto.
Tristan o ajuda.
Estela passa por eles.
Eles patinam.
Telêmaco cai.
Tristan ri.
- você está rindo é?
- só um pouquinho.
Telêmaco faz cócegas nele.
Os dois caem.
Eles levantam.
Começa tocar uma música romântica.
Tristan o pega pelo braço.
- vem dançar comigo.
Estela observa eles.
Os dois dançam.
Assim como todos.
Tristan olha para ele.
- eu quero te dizer uma coisa.
- o que?
- eu estou gostando de você.
Balões coloridos começam a cair.
Eles olham para cima.
Telêmaco olha para ele.
- eu também gosto de você.
Os dois se beijam.
Vão para casa de Estela.
Passam a noite lá.
Outro dia chega.
- obrigado pela noite maravilhosa.
- de nada, meu amigo.
- foi bom ver você.
Os dois se abraçam.
Telêmaco fala com ela.
- obrigado por tudo.
- cuide bem dele.
- eu vou sim.
Os dois se cumprimentam.
Eles continuam a viagem.

Capítulo 12

O carro quebra no caminho.
Telêmaco chama o guincho.
A estrada é deserta.
- ajuda vai demorar?
- não.
Uma árvore balança ao vento.
Eles se abrigam em sua sombra.
- você se arrependeu disto?
- claro que não.
- estamos quase chegando.
- não se preocupe.
- este lugar é lindo.
- sim.
Dia está claro.
As nuvens passam.
Vento é suave.
O guincho chega.
Eles vão a cidade mais próxima.
O mecânico faz uma inspeção.
- o motor "ferveu", vai demorar.
- quanto tempo?
- uns 3 dias para arranjar tudo.
Telêmaco olha o relógio.
- não tem um jeito de apressar isso?
- infelizmente não.
- tudo bem então.
Eles se hospedam numa pensão.
Tristan ajeita sua mala.
- o que vamos fazer?
- eu estou com fome.
- eu vi um restaurante no caminho.
- ótimo, vamos lá.
Vão ao restaurante.
Eles olham o cardápio.
Escolhem torta de cereja e café.
Surge um novo personagem.
Alisson, o garçom.
- olá, sejam bem-vindos.
- obrigado.
- o que vão querer?
- torta de cereja e café.
- ótimo pedido.
Ele vai a cozinha.
Volta com pedido.
- bom apetite a vocês.
- obrigado.
Neste momento, chega uma mulher.
- olá, Alisson.
- o que você quer aqui?
- quando você ia em casa, hein?
Ele olha ao redor.
- aqui não é o lugar.
- cadeia mudou você mesmo.
Tristan e telêmaco se olham.
Fixam olhar na torta.
Ela aperta mão com força.
- você é um idiota.
Dá um tapa na cara dele.
Vai embora.
As pessoas olham pra ele.
Alisson esfrega o rosto.
- sinto muito por isso.
Tristan come uma fatia de torta.
- negócio é sério.
- cada um com o seu dia.
- pois é.
Terminam a refeição.
Eles pagam a conta a outra pessoa.
Vão ao estacionamento.
Alisson está lá.
Esfrega um lenço nos olhos.
Ele repara nos dois.
- sinto muito por aquilo.
- não se preocupe, acontece.
Tristan senta num banco.
Telêmaco encosta-se num carro.
- vocês tem cigarro?
- nós não fumamos.
- só faz bem.
- seu turno acabou?
- eu fui despedido.
- sinto muito por você.
- não é fácil com meu passado.
- todo mundo tem um passado.
- não um que envolva cadeia.
Tristan enxuga o suor da testa.
- não adianta pensar no que passou.
- para outras pessoas, não é assim.
Telêmaco senta-se junto a Tristan.
- quem é ela, se posso perguntar?
- minha irmã.
- sei.
- eu matei nosso irmão.
Telêmaco esfrega as mãos.
- isto é difícil.
Alisson junta-se a eles.
- foi num surto de drogas.
Tristan coloca mão no ombro dele.
- sinto muito por vocês.
- eu também sinto, mas é tarde.
- você pode ser diferente.
Alisson olha para estrada.
- e vocês, o que fazem por aqui?
- nosso carro quebrou.
- hum.
- vamos embora amanhã.
- boa viagem então.
Ele levanta-se.
- boa sorte a vocês.
- obrigado, para voce também.
- valeu.
Alisson some no horizonte.
Tristan pega mao de telêmaco.
- isto é tão triste.
- é verdade.
Eles observam o céu.
Começa a chover.

Capítulo 13

O silêncio reina.
Uma casa de campo.
Perfume de flores.
Sol é acolhedor.
Estrada é sinuosa.
Eles chegam.
O destino final.
Saem do carro.
Tristan observa tudo.
- isto é lindo.
- obrigado.
Eles vão em direção a casa.
Um homem está a porta.
É Zion, o pai telêmaco.
- olá pai.
- lembrou que tem um?
Zion entra.
Tristan olha para telêmaco.
- é melhor eu ficar aqui fora.
- não, você vem comigo.
- você tem certeza?
- sim.
Eles entram.
- pai? Cadê você?
- estou aqui na cozinha.
Vão até lá.
- este é Tristan, um amigo meu.
- prazer em conhecê-lo, senhor.
Zion aperta mão dele.
Este olha o filho.
- o que você quer aqui?
- já fazem 10 anos.
- eu sei disso.
Tristan olha janela.
- com licença, eu vou olhar por aí.
Ele sai.
Zion o observa sair.
- este é o seu namorado?
- já vai começar?
- você sabe que não ligo para isso.
- liga para que então?
- a sua indiferença comigo.
- isso não veio de graça.
- claro, a culpa é minha.
- não é isso.
- é o que então?
Telêmaco olha o fogão.
- tem café aí?
- senta que eu faço.
Telêmaco senta-se.
Zion prepara o café.
Seu filho observa o ambiente.
- senhor está bem sozinho?
- nunca estive melhor.
- imagino que não.
- solidão não me assusta.
- nada lhe assusta.
- já passei desta fase.
Zion prepara o café.
Serve para os dois.
- não vai chamar seu amigo?
- ele está bem.
- o que você quer?
- eu vim acabar com isso.
- com isso que?
- esta distância entre nós.
Zion bebe um gole de café.
- muito gentil sua parte.
- isso não precisa ser assim.
- muita coisa não precisa ser assim.
É a vez de telêmaco beber.
Zion coloca mais café.
- o que você tem feito?
- eu sou professor de filosofia.
- que bom então.
- e o senhor?
- cuidando daqui.
- lugar está bem.
- sim.
- não vai falar nada?
- falar o que?
- qualquer coisa.
- palavras são só palavras.
- posso lhe dar um abraço?
Zion segura xícara com força.
- sim.
Os dois se abraçam.
Tristan chega.
- este lugar é muito...
Ele percebe a cena.
Os dois olham para ele.
- eu não queria atrapalhar.
Zion sorri.
- relaxa, garoto. Está tudo bem.
Telêmaco acena para ele.
- vem tomar café.
- cheiro está bom.
Os três sentam-se a mesa.
Zion serve Tristan.
- obrigado.
Zion passa mão pelo cabelo.
- e então, qual é a de vocês?
Tristan engasga com café.
Telêmaco olha o pai.
Zion acha graça.
- Ah, esta juventude.
Sol brilha lá fora.
Vento acaricia as árvores.

(Fim)










segunda-feira, 20 de abril de 2026

infância de chatice

é uma coisa 
que não entendo 
como alguém 
no começo de vida 
já pode ter
um tom tão chato 
cheio de manias 
com não me toques 
e caprichos assim 
tão mal criados
também pudera 
pais ausentes 
avós transbordando
de mimos 
que afundam a infância
num mal querer sem fim 
quem mais sofre 
é o receptor
deste presente de grego 
pois os frutos 
não se colhem agora 
só na aurora

uma tarde de chuva

no meu quarto 
há um aconchego 
nesta tarde de chuva 
os pássaros cantam 
nas árvores molhadas 
o chão úmido 
reflete o pingo d'água 
nuvens descansam 
no céu cinzento 
tudo é silêncio 
bem do jeito 
que eu gosto

domingo, 19 de abril de 2026

caim e abel

briga de família 
caim matou abel
tudo é possível 
nesta terra de ninguém 
aqui na minha rua
um irmão brigou com outro 
a mãe em desespero 
some na rua escura 
afundada em agonia 
fim de noite 
fim de semana 
sofrimento não tem fim 
ser mãe é padecer
em algum lugar 
que não sabemos 
nem quero saber 
estou muito bem 
em minha solidão 
minha paz eu prefiro 
que esta confusão 
quanto a confusão 
dos irmãos 
a polícia foi chamada 
o agressor não foi encontrado 
e tudo continua 
como sempre está 

sábado, 18 de abril de 2026

dia de feira

no dia de hoje 
o centro 
é um inferno 
cheio de gente 
muito barulho por nada 
fruta podre no chão 
é tanta promoção 
que não vende nada 
no meio do caminho 
gente fica 
parada feito poste 
assim não dá 
não consigo ficar 
então eu não vou
para onde não sou 
cabo de guerra 
uma maçã ou tomate 
é tudo abacate
(para meu amor com carinho)

domingo, 12 de abril de 2026

as aventuras de Antônia

(Capítulo 01)

Já é madrugada.
Antônia fuma um cigarro.
As cinzas caem no chão.
Ela bebe algo.
Álbum de fotos no colo.
Ela vê uma imagem.
Um homem sorridente.
Antônia esfrega os olhos.
Um leve fungado.
Fazem oito meses.
Ela lembra tudo.
Uma corrida por aí.
Um pneu furado.
Uma batida no muro.
Um funeral a fazer.
Um lado vazio na cama.

(Capítulo 02)

O sino toca.
A missa termina.
Antônia vai a praça.
Algodão doce.
Cheiro de pipoca.
Terra molhada exala chuva.
O céu cinzento.
Gente que conversa.
Risos pelo ar.
Ela olha tudo.
Não se identifica com nada.
O cão late.
Ela o acaricia.
A noite chega.
Ela pega um táxi.
Vai embora.

(Capítulo 03)

Um dia nublado.
Antônia na cozinha.
Fogo ligado.
Seu olhar perdido.
Café na mesa.
Ela limpa o rosto.
Bochecha molhada.
Lágrima no chão.
Antônia escuta o silêncio.
Pensamento está nele.
Lembrança de uma briga.
Joga o café na pia.
Pega a chave.
Sai porta afora.
Ela treme de frio.
Buzinas dos carros.
Uma árvore na calçada.
Cai uma folha.
Antônia pega a folha.
Guarda no seu livro.
Aperta o casaco.
Pega o bonde.
Um menino na frente.
Brinca com um graveto.
O bonde para.
Alguém desce.
Alguém sobe.
Ela continua.

(Capítulo 04)

Cafeteria aberta.
Algumas mesas ocupadas.
Antônia pede um café.
Ela lê um livro.
Chega um homem.
Pede um sorvete.
Ele prefere morango.
Cheiro chega até ela.
Isto lembra um perfume.
O homem olha pra ela.
Vê o livro.
- eu gosto deste livro.
Antônia olha pra ele.
- é bom sim.
- desculpa atrapalhar vc.
- não se preocupe.
Ele se levanta.
- eu já vou.
- se cuida então.
- boa leitura para você.
- obrigado. Boa escolha.
Ele olha o sorvete.
- sim, é bom. Tchau.
- tchau.
Ele sai.
A porta se fecha.
Antônia olha ele dobrar a esquina.
Ela pede um sorvete de morango.

(Capítulo 05)

Agora já é tarde.
Antônia tá na sala.
Ela lê o mesmo livro.
O telefone toca.
Ela atende.
Uma explosão aconteceu.
O centro da cidade tá em chamas.
Há uma confusão.
Polícia por todo lado.
Prédio em ruína.
Alvoroço na avenida.
Antônia olha pela janela.
Não dá pra ver nada.
Ela põe a mão no coração.
Ele tá acelerado.
Liga TV.
A notícia é dada.
Possível ataque terrorista.
Há vários feridos.
Ainda não se sabe sobre mortos.
Antônia desliga TV.
Olha pro teto.
Se pergunta porque tudo isso.
Ela tenta se acalmar.
Fecha os olhos.
Pratica meditação.

(Capítulo 06)

Uma homenagem é feita.
Várias pessoas morreram.
A cidade está de luto.
Antônia comparece a cerimônia.
Vários discursos são feitos.
Muitos nomes são lidos.
Começa a chover.
Ninguém sai dali.
A cerimônia termina.
Algumas fotos estão no mural.
Ela vai ve-las.
Uma imagem chama atenção.
O homem do sorvete.
Ele está ali.
Uma das vítimas.
Antônia não sabe o que pensar.
Ela aperta sua bolsa.
A chuva ainda cai.
Ela começa a espirrar.
Sabe que uma gripe vem aí.
Passa a mão na foto dele.
Vai embora sem olhar para trás.

(Capítulo 07)

Antônia recebe uma mensagem.
Sua amiga está na cidade.
Ela quer encontrá-la.
As duas vão a uma pizzaria.
- olha como vc está.
- olá, você também está ótima.
As duas se abraçam.
Pedem o cardápio.
- o que você tem feito?
- eu sou advogada.
- que bom, fico feliz por você.
- obrigada.
- e o que você tem feito?
- eu sou escritora.
- legal.
- eu sempre gostei de escrever.
- sim, você é ótima nisto.
- pois é.
- escrevendo algo agora?
- eu vou ao Japão coletar material.
- isso é bom.
- pode ficar ainda melhor.
- como?
- porque você não vem comigo?
Ela toca mão de Antônia.
As duas se olham.
Antônia retira mao.
Toma um gole de vinho.
- eu não posso.
- porque não?
- eu tenho trabalho a fazer.
- você não pode tirar férias?
- você sabe o que passei.
- eu sinto muito.
- além disso, nossa história já passou.
- eu nunca esqueci vc.
Antônia olha pra taça.
- agradeço a gentileza.
- isto não é gentileza.
- por favor, não insista.
A sua amiga respira fundo.
- você continua mesma.
- e você também.
Ela pega sua bolsa, e levanta.
- foi bom encontrar vc.
- não faz isso.
- espero que fique tudo bem.
Antônia segura mão dela.
Ela larga, e vai embora.
Antônia olha pro nada.
O garçom chega.
- mais alguma coisa?
Ela olha pra ele.
- a conta, por favor.

(Capítulo 08)

Antônia acorda cedo.
Ela faz meditação.
Toma um banho.
Prepara o café.
Senta em silêncio.
Sente-se tranquila.
O sol banha a cozinha.
Um pássaro canta na janela.
Ela vai pra o quarto.
Masturba-se.
Toma banho novamente.
Se arruma.
Vai pra o trabalho.

(Capítulo 09)

Antônia volta para casa.
Já é noite.
Ela toma banho.
Janta.
Vai dormir.
Sonha.
Está num bosque.
Seu corpo flutua.
Olha pro lado.
Os pinheiros cheiram.
Vê uma vila.
Se aproxima de uma casa.
Uma senhora está lá.
- olá.
Senhora olha para ela.
- oi.
- que lugar é esse?
- uma vila.
- eu estou morta?
- não.
- o que eu faço aqui?
- alguém quer ver vc.
- quem?
Senhora aponta para uma casa.
Antônia vai até lá.
Ela atravessa a porta.
Um homem está sentado.
Ele olha pra ela.
- você chegou.
- eu te conheço?
- eu não sei.
- o que você quer?
- ela não fala comigo.
- quem?
Ele aponta para uma mulher.
- ela.
- quem é ela?
- minha mãe.
Antônia vai até ela.
Esta mulher conversa com alguém.
Antônia chama, e a toca.
Sua mão atravessa a mulher.
Ela olha pra o homem.
- viu o que eu disse?
Antônia o pega pelo braço.
Leva até a mãe dele.
- porque você não tenta agora?
O homem a chama.
Ele a toca.
Sua mão atravessa o corpo dela.
Nada acontece.
Antônia escuta o vento.
Ela percebe tudo.
- você não sabe o que aconteceu?
- não.
- você está morto.
O homem não diz nada.
Seu rosto é neutro.
Ele volta pra o sofá.
Seu olhar foca na janela.
A senhora reaparece.
- você já fez o seu trabalho.
Toca no rosto de Antônia.
Ela acorda no meio da noite.

(Capítulo 10)

Antônia vai a igreja.
Padre termina missa.
Ele a vê.
- oi, há quanto tempo.
- pois é.
- algum problema?
- não.
- eu soube seu marido.
- já faz um tempo.
- sinto muito por vc.
- obrigado.
- você quer tomar um café?
- sim.
Eles vão a cafeteria.
- está quente hoje.
- sim.
- você não tem ido a missa.
- não tenho vontade.
- não é questão disso.
- não é questão de nada.
- o que você quer?
Antônia segura xícara forte.
- eu quero vc.
O padre engole em seco.
- porque você faz isso comigo?
- porque nós queremos.
Ele toma o seu café.
Os dois saem.
Vão ao apartamento dela.
Eles transam.
Antônia faz um chá.
- era disso que eu precisava.
Ela oferece um chá pra ele.
- você não sente culpa?
- pelo que?
- por isso.
- ele está morto.
- eu sei.
- não há ninguém a culpar.
- só a minha consciência.
- isto é com você.
Ela termina o chá.
Vai tomar banho.
Ele se veste.
- eu já vou.
Som de chuveiro.
Ela aparece nua.
Dá um beijo nele.
- obrigada.
Ele acena com a cabeça.
Ela volta ao banheiro.
Ele vai embora.

(Capítulo 11)

Antônia penteia os cabelos.
Olha cama.
Lençóis usados.
Travesseiro no chão.
Duas taças no tapete.
Janela entreaberta.
Som de moto.
Nenhuma conversa.
Antônia olha pela janela.
Um poste apagado.
Vazio na praça.
Um banco abandonado.
Vento seca seu cabelo.
Um cão late ao longe.
Ela fecha janela.
Anota em seu diário.
Um encontro desejado.
Uma necessidade atendida.
Dor de cabeça.
Água e comprimido.
Sono que chega.
Noite que vai.

(Capítulo 12)

Antônia vai ao confessionário.
Conta o seu sonho de morte.
O padre escuta.
- você costuma ter este sonho?
- não.
- como você se sente?
- eu me lembro o que passei.
- compreendo.
- o que faço?
- não há nada fazer.
- nenhuma oração.
- isto não ajuda.
- é estranho vc dizer isso.
- a vida é estranha.
- vamos tomar um café?
Ele olha os sapatos.
- a resposta não tá aí.
- certo.
Eles saem.
Ja é noite.
O padre observa as pessoas.
- você sente falta?
- do que?
- de quem vc era?
- não.
- porque?
- meu passado não foi bom.
- o de ninguém é.
- eu sei disso.
- pois então.
- eu não gosto dele, simples assim.
- compreendo.
- e você sente falta?
- também não.
- porque?
- não gosto quem sou agora.
- então somos dois.
- sonhei com uma vida diferente.
- sei como é.
Eles passam por um clube de jazz.
Ele escuta música.
- vamos ali?
Ela olha pra ele.
- você tem certeza?
- nos conhecemos há anos.
- eu sei que você gosta disto.
Ele oferece o seu braço.
Ela o aceita.
Eles entram no club.
Tomam uns drinks.
Dançam um pouco.
Vão para o parque.
Sentam na grama.
Noite estrelada.
Antônia toca mão dele.
- obrigada por esta noite.
O padre acaricia os seus cabelos.
- eu que agradeço.
Dá um beijo na testa dela.
Ela encosta cabeça no ombro dele.
A lua ilumina fonte.



quarta-feira, 1 de abril de 2026

o urso no arco íris

Capítulo 01
(Um novo ser)
Velma Reeves faz um show. 
O teatro não está lotado.
Não há empolgação.
Seu olhar cruza o palco.
A porta lhe espera.
As luzes continuam.
Ela vai embora.
A plateia não entende o porquê.
- Velma, o que aconteceu?
Pergunta sua agente.
Ela não responde nada.
Entra no carro.
Vai embora dali.

Capítulo 02
(Tempero)
Ela está em casa.
Prepara algo pra comer.
Velma Reeves gosta de cozinhar.
É seu único prazer atualmente.
Ela olha pra pimenta.
A cor vermelha domina panela.
Ela olha pela janela.
O céu está nublado.
A TV é ligada.
A notícia é sobre ela.
Desliga a TV.
Pega o seu prato.
Vai pro quarto.
O telefone toca.
A parede recebe o prato.
Seu travesseiro está molhado.

Capítulo 03
(Maria Cristina)
Ilha de capri.
Velma Reeves está de férias.
Fugiu daquele lugar.
Ali, ninguém a conhece.
Ela precisa relaxar.
O som do mar.
O vento lhe envolve.
Nada de passado.
Só o presente.
Sem um futuro.
Uma voz lhe chama.
É sua amiga, Maria Cristina.
- oi, há quanto tempo.
- pois é.
- o que você faz aqui.
- eu estou de férias.
- ótimo.
- e você, o que faz?
- eu estou aqui a negócios.
- perfeito.
- vamos nos encontrar mais tarde?
- pode ser sim.
Elas trocam número de telefone.
É noite em Capri.
Uma balada acontece.
As amigas se encontram.
Conversam e se divertem.
Ambas se despedem.
Velma Reeves volta pra casa.

Capítulo 04
(Escrito nas estrelas)
O calor marca presença.
Sam Novaes tenta escrever.
A ideia não vem.
Ele vai a piscina.
A lua lhe inspira.
Sua mente divaga.
Seu telefone toca.
Ele atende a chamada.
Seu pai aparece.
Connor está de olho nele.
Sam escuta por um momento.
- eu já disse que não.
Ele desliga o celular.
Olha pra o seu pai.
- é ele novamente?
Pergunta Connor Novaes.
- não é nada.
- você me envergonha.
Seu pai sai Dali.
San olha pra piscina.
O celular tá no fundo.

Capítulo 05
(A bandeira caída)
Jacob haiala termina o seu trabalho.
Ele fecha a loja.
Sente-se doente.
Vai pra casa.
Coloca uma música de Velma.
Prepara um chá.
Toma um banho.
Bebe o chá.
Deita-se na cama.
Cantarola uma canção de Velma.
Olha rede social.
Vê uma foto de Sam.
Seu coração acelera.
Jacob sonha em ser escritor.
Sair desta rotina.
Conhecer alguém interessante.
Sam Novaes lhe interessa.
Ele sente-se melhor.
O sono chega.
Ele vai dormir.

Capítulo 06
(O urso no arco íris)
Jacob sonha.
Ele tá num jardim.
Há uma profusão de flores.
Os aromas são variados.
A luz irradia.
Abelhas voam por aí.
Os pássaros cantam.
Começa a chover.
Ele sente na pele.
Um arco íris surge.
Jacob decide segui-lo.
O jardim é vasto.
O tempo não passa.
Ele chega ao fim do arco íris.
Um urso brinca.
Os dois fazem contato.
Eles nadam num lago.
Descansam na grama.
Jacob dorme no jardim.
Acorda na sua casa.

Capítulo 07
(Carrossel no parque)
Velma vai até o parque.
Ela quer se distrair.
Observa um carrossel.
Sam tá nele.
O mundo gira.
Ele não quer pensar.
Sai do carrossel.
Sente-se tonto.
Tropeça e cai.
Velma vai ajudá-lo.
Sam vomita.
- você está bem?
- eu vou ficar.
- você quer ajuda?
- por favor.
Ela o leva até um banco.
Ele olha pra ela.
- meu Deus, é você.
- não diga nada, por favor.
Ela olha ao redor.
Óculos e chapéu lhe protegem.
Ele assente com a cabeça.
- você está melhor?
- eu estou sim, obrigado.
- quer que eu chame um táxi?
- não precisa, quero caminhar.
- posso te acompanhar?
- seria uma honra.
Eles passeiam pelo parque.
O celular toca.
Ela não atende.
Começa a chover.
Eles se protegem numa árvore.
O olhar de Sam tá perdido.
Ele olha tudo.
Não vê nada.
Velma olha pra ele.
- aconteceu alguma coisa?
- sempre acontece algo.
- você quer conversar?
- não quero perturbar você.
- você não me perturba.
- tudo bem então.
- então vamos pra casa.
- você confia em mim?
- nada é seguro.
- tenho uma coisa pra dizer.
- o que é?
- eu sou gay.
Ela olha pra ele.
- isto é ótimo.
Velma dá um beijo no rosto dele.
Os dois se abraçam.
Seguem para casa dela.

Capítulo 08
(Uma noite entendiante)
Eles já estão na casa dela.
Pedem um lanche pelo telefone.
Curtem música no karaokê.
O céu está nublado.
Relâmpagos se vêem ao longe.
Sam admira casa de Velma Reeves.
- sua casa é bonita.
- obrigada.
Ela toma um gole de champanhe.
Ele olha fotos dela.
- quando vc volta fazer sohw?
- eu não sei.
- você não gosta mais do que faz?
- sim e não.
- eu não entendi.
- eu também não.
Sam Novaes olha plea janela.
O celular Velma toca.
Ela não atende.
O objeto para no sofá.
Velma vai a cozinha.
- você quer um café?
- eu quero sim, obrigado.
- o que você faz?
- eu sou escritor.
- que bom, eu gosto de ler.
- você já meu algo meu?
- eu não sei.
Ele cita um título de livro qualquer.
- eu não lembro.
- faz parte, é muito livro por aí.
- eu sinto muito.
- relaxa, tá tudo bem.
A chaleira apita.
- o café tá pronto.
- ótimo.
Eles tomam café.
Vão para varanda.
Vento sopra toalha mesa.
Sam olha pra ela.
- você sente-se entediada?
- eu sinto que sim.
- também me sinto assim.
- algo se perdeu no caminho.
- isto é complicado.
Eles olham a noite.
Sam Novaes agradece a companhia.
Ele vai embora.
Velma Reeves olha pela porta.
O táxi some na estrada.
Ela fecha porta.

Capítulo 09
(A hora da luz)
Jacob tá deitado.
Ele pensa em Sam.
Acaba se masturbando.
Ele goza, e vai tomar banho.
No quarto há calor.
Ele liga o ar condicionado.
Pega o caderno.
Escreve alguma coisa.
Uma moto vai ao longe.
Tudo é silêncio.
Ele escuta sua respiração.
Lenta e constante.

Capítulo 10
(Um cão que não tem noção)
Velma tenta compor uma canção.
Ela tá sem inspiração.
Olha pra sua instante.
Seus prêmios estão lá.
Sua assistente chega.
- bom dia Velma.
- bom dia.
- você está bem?
- sim.
- eu soube de ontem.
- soube o que?
- que você teve companhia.
- Ah, não fode.
- isto não é por mim.
- é pelo que então?
- pelo público, você sabe como são.
- faça-me o favor.
O sofá fica vazio.
Assistente fecha os olhos.
Respira lentamente.
Ela vai dar uns telefonemas.

Capítulo 11
(A marca solitária)
Connor está em casa.
Toma um vinho.
Olha fotos antigos.
Seu reflexo é cansado.
Vê imagens do filho.
Jogo de futebol.
Passeio na praia.
Sua primeira namorada.
Ele vê tudo aquilo.
Balança cabeça.
"Onde foi que eu errei?" 
Ele não cabe em si.
Desconta tudo na comida.
Passa mal, e vomita.
Sam chega.
Vê o pai no chão.
Ele chora.
Gosto é amargo.
Filho vai ajudá-lo.
- pai, o que aconteceu?
Connor olha pra ele.
Não diz nada.
Abraça o filho.
O pranto continua.
Ele não entende nada.

Capítulo 12
(Sonhos de pássaros)
Velma sonha com a infância.
Seu tempo em natureza.
Os pássaros cantam.
Ela os imita.
Sol queima pele.
Praia tá cheia.
Dia de feriado.
Movimento é grande.
O sorvete derrete.
Seu pai sorri.
Sua mãe conta uma piada.
Aquela família vai bem.
O tempo passa.
Uma traição acontece.
Algo se quebra.
Seu pai leva as malas.
Sua mãe traz bebida.
Casa em desordem.
Velma fica a deriva.
Música lhe encontra.
Sua tábua de salvação.
Os pássaros lhe vem a mente.
A pessoa certa aparece.
Descoberto é seu talento.
O sucesso acontece.
As folhas caem no outono.
A empolgação decai.
O encanto diminui.
Nada tem o mesmo gosto.
Ela lembra tudo.
Frasco derrubado no tapete.
Comprimidos espalhados no chão.
Uma ambulância tá a caminho.

Capítulo 13
(A viagem)
Velma Reeves tá bem.
Ela melhora aos poucos.
Sua assistente tá lá.
- porque você fez isso?
- porque me deu vontade.
- isto não é resposta.
- isto é a minha resposta.
- você precisa de ajuda.
- eu preciso me livrar disto.
- disto o que?
Velma faz um sinal com a mão.
- de tudo isso.
Assistente dá um suspiro.
- eu vou lá fora falar com a imprensa.
Ela sai do quarto.
Velma olha pela janela.
Sol se põe.
Alguns dias passam.
Ela tá em casa.
Telefona pra Sam.
Ele atende.
- oi.
- olá.
- como você está?
- eu estou melhor, obrigada.
- de nada.
- eu vou viajar.
- que bom então fico feliz por você.
- você quer ir comigo?
- viajar com vc?
- sim.
- seria ótimo.
- perfeito.
- não vou te atrapalhar?
- de jeito nenhum.
- tá bom então, e quando vamos?
- daqui a três Dias.
- certo, vou arrumar tudo aqui.
- até mais então.
Eles desligam.
Sam Novaes conversa com o pai.
- eu vou viajar.
- você vai pra onde?
- sair com uma amiga.
Connor olha pra ele.
Sam percebe isso.
- é só uma amiga.
- eu não disse nada.
- eu lhe conheço bem.
- se você diz né?
- com licença, vou arrumar a mala.
Sam sai dali.
Connor toma um uísque.
Ele senta-se no sofá.
Pensa no assunto.

Capítulo 14
(A estrada)
Velma e Sam viajam.
Eles estão carro.
Andam sem destino.
Vão para lugares pequenos.
Cidades afastadas.
Onde ninguém os reconheça.
Eles se divertem.
Falam sobre as suas vidas.
Comem em restaurante de estrada.
Se hospedam em pensões.
Dão nomes falsos.
Ela aprecia liberdade.
Ele aprecia companhia.
Sam Novaes tem várias ideias.
Anota todas elas.
Seu livro ganha forma.
Velma lê um rascunho do livro.
- você escreve bem.
- obrigado.
- garanto que vai ser um sucesso.
- espero que sim.
A noite, eles vão a uma pizzaria.
- eu gosto de pizza - diz Sam.
- porque?
- ela me lembra infância.
- sei como é.
- me dá uma sensação de segurança.
- eu sinto isto com café.
- eu tbm gosto de café.
- que bom ter encontrado vc.
- tbm digo mesmo.
- obrigado por tudo.
- eu que agradeço.
Os dois se abraçam.
A pizza chega.
Velma Reeves fica alegre.
- ótimo, então vamos lá.
- com certeza sim.
Eles saboreiam a pizza.

Capítulo 15
(Decepção)
Jacob vai a um encontro.
A roupa está passada.
O perfume, colocado.
Relógio no pulso.
Seu coração acelera.
O bar está cheio.
Logo ele vem.
É o pensamento de Jacob.
Ele olha o relógio.
Pede um drink.
O tempo passa.
O gelo derrete.
Jacob olha para porta.
Muita gente chega.
Nenhum deles é ele.
Olha pro chão.
Já sabe o fim da história.
Connor senta-se no balcão.
Olha pro lado.
Jacob acena com a cabeça.
Connor percebe algo em seu olhar.
- você está bem?
Jacob olha para ele.
- eu vou ficar.
- sei como é.
- pois então.
- sempre tem alguma coisa.
- e como tem.
Connor pede um café.
- meu nome é Connor.
- eu sou Jacob.
Os dois apertam as mãos.
Jacob admira Connor.
Acha ele um homem bonito.
- você está esperando alguém?
- não e você?
- sim, mas ele não veio.
Connor observa Jacob.
- sinto muito por vc.
- obrigado.
Connor termina o seu café.
Paga a conta.
- a gente se vê por aí.
- tá bom então.
Connor vai embora.
Jacob paga a sua conta.
Olha mais uma vez para porta.
Também vai embora.

Capítulo 16
(Febre na tarde)
Velma Reeves adoece.
Ela tem febre e frio.
Vai ao hospital.
Assistente acompanha ela.
É uma virose.
Sam Novaes chega lá.
Faz companhia às duas.
Passa um tempo em observação.
É liberada.
Vai para casa.
- agradeço a sua companhia.
- amigos são para isto.
- você fica pra o jantar?
- sim.
- ótimo.
- você está melhor?
- eu estou sim. É o estresse.
- sei como é.
- como vai o livro?
- já passei da metade.
- isso é bom.
- é sim.
- como você está com seu pai?
- do mesmo jeito.
- compreendo.
- quando você volta cantar?
- eu não sei, ando sem vontade.
- entendi.
A noite chega.
Eles jantam.
Conversam mais um pouco.
Velma agradece a companhia.
Sam Novaes vai embora.

Capítulo 17
(Um encontro inesperado)
O escritor dirige a noite.
Vê um restaurante.
Decide parar lá.
Ele entra.
Senta-se no balcão.
Lugar tá quase vazio.
É meia noite.
Sam Novaes chama o garçom.
Quem atende é Jacob.
Ele fica surpreso.
- meu Deus, é você.
- eu te conheço.
- eu gosto de seus livros.
- Ah, obrigado.
- eu tbm sou escritor.
- olha que coisa boa.
- não tenho seu talento, mas tento.
- não diga isto, todos tem talento.
- tá bom então, o que você vai querer?
- um café.
- ótimo.
Jacob dá-lhe uma xícara de café.
- posso te pedir uma coisa?
- sim.
- você pode me dar um autógrafo.
- OK.
Jacob vai a cozinha.
Pega um livro.
Dá para ele.
- você tem uma caneta?
- sim.
Jacob dá-lhe uma caneta.
Sam autografa o livro.
- aqui está.
- muito obrigado.
Ele admira o livro.
- você escreve o que?
- eu escrevo contos.
- eu gosto de contos.
- me inspiro em vc.
- muito gentil.
- não é gentileza, é verdade.
- obrigado.
- você está escrevendo algo?
- sim.
- legal, posso saber o que é?
- não seja apressado.
Jacob fica sem Jeito.
- desculpa.
- relaxa, quando terminar te mostro.
- sério?
- sério.
- isto vai ser demais.
- beleza.
Sam Novaes paga conta.
- agora eu já vou.
- valeu, obrigado pelo Autógrafo.
- de nada, você está escrevendo algo?
- sim.
- eu posso te ajudar com isso.
- não brinca.
- você manda para mim.
- isto vai ser bom.
- eu leio e te indico uns contatos.
- eu agradeço toda ajuda que puder.
- não esquenta, aqui tá meu cartão.
- legal.
- quando terminar me manda.
- eu mndao sim.
Sam Novaes vai saindo.
Jacob interrompe ele.
- só mais uma pergunta.
- pois não?
- porque você tá fazendo isso?
- se eu posso ajudar, porque não?
- tá bom então, obrigado.
- de nada.
Sam acena, sorri pra ele e sai.
Coração de Jacob bate forte.
- ai meu Deus.
Sua mão treme.
Ele toma um uísque.
É quase uma hora da manhã.

Capítulo 18
(Uma estreia por aí)
Noite de estreia.
Sam Novaes lança o seu livro.
Risadas pelo ar.
Dança no salão.
Jornalistas por aí.
A fila é grande.
ele aperta muitas maos.
muitos sorrisos sao dados.
jacob está por ali.
ele tem um livro.
sam olha para ele.
- que bom que veio.
- eu nao perderia por nada.
- otimo.
sam autografa sua cópia.
- muito obrigado.
- de nada.
- em breve será voce.
- espero que sim.
- com certeza.
- agradeco ajuda com meu material.
- nao por isto.
- eu ja vou.
- agradeco o apoio.
- boa noite.
- boa noite.
jacob vai embora.
sam olha para ele.
algo lhe atrai.
chega seu pai.
- oi filho.
- oi pai.
- parabens.
- obrigado.
os dois se abracam.
- eu estou orgulhoso de voce.
- gentileza a sua.
- é a verdade.
- ta bom entao.
- me desculpe por estes dias.
sam olha pros sapatos.
- eu tenho errado com voce.
sam olha para ele.
- eu sou quem eu sou.
- sim, voce é meu filho.
connor lhe dá o livro.
- um autografo?
sam assim o faz.
a noite continua.

Capítulo 19
(O que é isso?)
Velma Reeves vai a Veneza.
Ela gosta da Itália.
Fará um show lá.
Enquanto isso aproveita o tempo.
Passeia de gôndola.
Concede entrevistas.
Conhece um rapaz.
Velma o acha atraente.
Estão hospedados no mesmo lugar.
Se encontram no elevador.
Tomam um drink no Bar.
Conversam sobre tudo.
Ele a faz rir.
Ela sente-se bem.
O nome dele?
Isto não importa.
É uma personalidade.
Como tal é alguém plural.
Ele estuda filosofia.
É alguém que pensa.
Divaga pelo espaço - tempo.
Velma Reeves está renovada.
Seu espírito brilha.
Sua mente é arejada.
O show acontece.
Ele é convidado.
Ambos se divertem muito.
Ela vai embora.
- agradeço a sua companhia.
Ele lhe dá uma rosa.
- eu agradeço a sua gentileza.
Eles se beijam.
Ela cheira a rosa.
- você vai ficar?
- eu vou sim.
- quando quiser me procure.
- eu irei sim.
Eles se despedem.
Ela pega o seu carro.
Ele Caminha pelas ruas.

Capítulo 20
(O estômago ronca)
O gato está na cama.
Sam acaricia ele.
O telefone toca.
Ele atende.
- oi, aqui é o Jacob.
- oi, você está bem?
- eu estou bem, obrigado.
- ótimo, aconteceu alguma coisa?
- meu livro sai amanhã.
- que bom então fico feliz por você.
- obrigado.
- de nada.
- você quer almoçar comigo hoje?
Sam olha o relógio.
- o meu estômago ronca.
Jacob ri do outro lado da linha.
- isto é bom.
- sim, onde você quer ir?
- que tal uma pizzaria?
- beleza, você escolhe?
- sim, eu te mando endereço.
- então até mais tarde.
- até mais tarde.
Eles desligam.
Sam toma banho.
Ele se arruma.
Pega a chave.
Fecha a porta.
Um motor é ligado.
Dia está nublado.