terça-feira, 26 de novembro de 2024

folhas de outono

 Capítulo 1

Um barco navega por um mar sereno.
O vento tá tranquilo.
Céu está azul.
Sol é límpido e brilhante.
Ramsés gosta de navegar.
Sua vida é o mar.
Nada lhe importa.
Mas um dia tudo muda.
Porque numa ilha, ele encontra o amor.

Capítulo 2

Ao aportar numa ilha deserta, Ramsés anseia por paz e liberdade.
Ele percorre toda olha a pé.
Lugar é muito lindo.
Tudo é calmo e tranquilo.
Paisagem é verdejante.
Ele se banha na praia.
E quando pensa em ir embora, ele vê Nefertari.
Ela é uma linda moça.
E pinta uma paisagem.
Ele fica encantado.
Por ela e pela pintura.
E decide conversar com ela.
- Olá, meu nome é Ramsés.
Ela fica surpresa.
- Oi, meu nome é Nefertari.
- Você mora aqui?
- Eu moro sim e você?
- Eu sou aventureiro.
- Ótimo.
- Seu quadro é lindo.
- Obrigada.
- Você mora só aqui?
- Sim.
- Interessante.
- Você quer ver minha casa?
- Eu quero sim.
- Então vem comigo.
Eles atravessam uma selva exuberante.
Sua cabana de palha é bonita.
- Gostei daqui. Você que fez?
- Fui eu sim.
- Você é bem proativa.
- Com certeza sim.
- Compreendo. Eu já vou.
- Tão cedo? Você não quer almoçar comigo?
- Senão for incomodo.
- De jeito nenhum.
- Eu aceito sim.
- Perfeito.
E assim começa mais uma jornada humana e emocionante.

capitulo 3

muitos dias se passam.
ramses e nefertari ficam cada vez mais intimos.
ate que um dia, o romance acontece.
eles se amam a beira da praia.
uma cena romantica cliche.
mas nem tudo eh o que parece.
nefertari conversa com ele.
- saiba que eu nao quero um relacionamento convencional.
- eu tambem nao.
- otimo, devemos ser livres.
- e fazer o que quisermos.
- perfeito.
e eles se amam novamente.
ramses a convida para um passeio no seu barco.
entao ela aceita.
tudo vai bem.
ate que uma tempestade acontece.
o barco vira.
e o ceu escurece.

capitulo 4

quamdo eles acordam, estao num quarto estranho.
parece um navio.
ouvem barulho la fora.
ao irem ao conves, homens jogam cartas e bebem.
ramses pergumta quem sao eles.
um homem gigante e bem humorado fala que o capitao quer falar com eles.
eles sao guiados e introduzidos num quarto luxuoso, amplo e espacoso.
- ola, eu sou capitao priamo. bem vindo ao literato, meu navio.
ambos agradecem.
- eu tirei voces inconscientes do mar.
eles agradecem novamente.
- voces dormiram por 3 dias.
ramses fica espantado.
- tanto tempo assim?
- sim.
nefertari pergunta onde estao.
- nos estamos no meio do pacifico.
- nossa, tao longe assim?
- pois eh.
ramses pergunta se podem leva-los de volta para casa.
- por enquanto nao.
- somos prisioneiros de voces?
- claro que nao. temos que ir a uma ilha. depois que resolvermos um assunto la, voces voltam para casa.
ambos ficam decepcionados.
priamo lhes oferece comida.
e eles aceitam.
o dia entao se vai.
a noite cai.

Capítulo 5

Eles chegam numa ilha.
Todos descem do navio.
Eles procuram um tesouro.
O que esperar de piratas?
Príamo analisa um mapa.
Eles seguem em frente.
Nefertari admira paisagem.
Ela adoraria pinta-la.
Eles chegam em frente a uma caverna.
Um homem idoso os espera.
Esta todo vestido de cinza.
Priamo toma dianteira do grupo.
E fala com ele.
- Nós estamos aqui pelo tesouro.
E o velho responde.
- Eu sei disso.
- E como vc sabe?
- Eu sou oráculo.
- Ótimo, então vamos entrar.
- Só tem um porém.
- O que é?
- Para pegar o tesouro, vocês terão que fazer um sacrifício.
- Sacrifício?
- Sim. Vocês vão ter que sacrifica-la.
Oráculo aponta para Nefertari.
Ramsés a defende.
- Ninguém toca nela.
Príamo olha pra eles por um instante.
E pergunta ao oráculo.
- Tem certeza que não podemos fazer outra coisa sobre isso?
- Vocês não podem.
- Tudo bem então.
Priamo pega uma arma e atira no oráculo.
Os outros ficam surpresos.
Ele fala pra seguirem em frente.
Caverna é longa e escura.
Ambiente é silencioso.
Eles chegam num imenso salão, repleto de jóias.
Todos ficam maravilhados.
Um vento frio percorre o lugar.
Uma gargalhada se ouve ao longe.
Eles se viram.
E vêem o espectro do oráculo.
E ele fala.
- Eu avisei a vocês.
Todos atiram nele.
Mas nada aconteceu.
De repente, Príamo coloca mão no coração.
- O que está acontecendo?
Ele fica assustado.
E cai morto.
Caverna começa a desabar.
Todos fogem dali.
Mas ao sair da caverna, os piratas pegam fogo e morrem.
Só Ramsés e nefertari escapam.
Eles vêem a caverna desabar.
Pegam o barco.
E fogem dali.

Capítulo 6

Ramsés deixa Nefertari na sua ilha.
Ele volta pra casa.
Seu aniversário chega.
Uma festa é feita pra ele.
E ganha vários presentes.
Um deles chama sua atenção.
Uma bola de cristal.
Enviada pelo correio.
E há uma mensagem nela.
"Me encontra no seu barco hoje a noite".
Ramsés fica curioso.
E ele vai até lá.

Capítulo 7 

Ele chega no barco.
E tem uma surpresa.
Encontra um ex namorado seu.
Nome dele é Tito.
- Oi.
- Há quanto tempo.
- Pois é.
- Eu fiquei surpreso.
- Pensei que não vinha.
- Que bom que veio.
- O que vc quer?
- Senti saudades de vc.
- É mesmo?
- Sim.
- O que vc propõe?
- Eu proponho isso.
Tito beija Ramsés.
Tira a roupa.
Joga ele na cama.
Excita o seu corpinho.
Ele fica duro.
Tito sobe em cima dele.
E é penetrando.
Ele cavalga intensamente.
Os dois não aguentam o tesão.
Acabam gozando juntos.
Os dois se desordem.
Cada um volta pra sua casa.

Capítulo 8 

Ramsés vai visitar Nefertari.
Mas ela sumiu.
Sua cabana é revirada.
Ele fica preocupado.
Procura pela ilha.
E não encontra ninguém.
Vê uma canoa encalhada.
Investiga o seu interior.
E encontra um objeto.
Uma pintura de Nefertari.
Uma fortaleza nas nuvens.
É o que mostra pintura.
Ramsés fica intrigado.
Ele olha pra o céu.
E imagina cena.
Volta pro seu barco.
Aciona uma alavanca.
O barco se transforma em nave.
Ele vasculha o céu por 3 dias.
Nenhum sinal dela.
Até que chega o quarto dia.
Um castelo na nuvem.
Eis a sua visão.
Ramsés vai até lá.

Capítulo 9

Ramsés chega na nuvem.
Lá tem um grande castelo dourado.
Ele bate na porta.
Ela se abre sozinha.
Ele entra no lugar.
Há um grande pátio.
Ele é cheio de árvores.
Flores de todo tipo.
Mas não há ninguém.
Ele vê o prédio principal.
Rodeado por colunas gregas.
Várias estátuas de mármore.
Ramsés entra no grande salão.
Cortinas vermelhas adornam o local.
O vento faz elas balançarem.
O salão quase não tem móveis.
Lá dentro é bem iluminado.
O piso é preto e branco.
O teto é abobadado.
No meio do salão, há uma mesa.
E sobre esta mesa, uma caixa de madeira.
Ele vê dentro uma chave.
Pega a chave.
Vê uma porta amarela na sua frente.
Ramsés abre a porta.
E lá dentro ele encontra o rei negro.
- Olá Ramsés.
- Quem é você!?
- Eu sou rei negro.
- O que vc quer? Onde está Nefertari?
- Ela está comigo e eu quero acabar com vc.
- Porque?
- Porque em outras vidas você roubou tudo o que eu tinha e me matou.
- Do que você está falando?
- Eu falo em acabar com vc.
- Eu não quero confusão.
- Mas eu quero sim.
- Como vamos resolver isso?
- Eu tenho um desafio pra você. Se vencer, vocês saem livres daqui. Se perder, você é meu. Aceita?
- Sim.
- Ótimo. Que o desafio comece.

Capítulo 10

Ramsés é enviado para uma sala onde existem 4 portas.
Cada porta representa um elemento.
Água, terra, fogo e ar.
Em cada um destes elementos, terá que conseguir um objetivo valioso a ser recuperado.
A primeira porta que ele atravessa é a terra.
Ele se vê num jardim.
E descobre que está com armadura e uma espada.
No alto de uma coluna rodeada de espinhos, há uma rosa mágica numa redoma de vidro.
Mas antes ele terá que enfrentar um guerreiro de pedra.
Apesar de uma luta perigosa, ele derrota o guerreiro.
Ramsés tenta subir a coluna mas cai várias vezes.
E numa destas quedas ele fere um olho.
Rasga um pedaço de roupa e faz um tapa olho.
Ele sobe novamente na coluna.
E consegue pegar a rosa mágica.

Capítulo 11

A próxima porta que ele atravessa é o ar.
Pendurado numa nuvem, Ramsés vê uma espada de cristal.
Ele se percebe vestindo uma roupa de monge.
E ao seu lado se encontra um bastão de bambú.
Ele tá na beira de um penhasco.
Uma águia gigante cruza o céu.
Ela vai em direção a espada.
Inconscientemente, Ramsés pega o bastão, pula do penhasco e acaba voando com ajuda do bastão.
Ele pula de nuvem em nuvem.
Águia tenta ataca-lo.
Ramsés se desvia do ataque.
Ele alcança a espada.
Águia então desaparece.

Capítulo 12

A próxima porta é do fogo.
Ele se encontra diante de uma ponte de madeira.
E do outro lado, ele vê uma estatueta de gato cinza.
Ramsés percebe na sua mão um leque de seda.
Quando ele começa a atravessar a ponte, ela pega fogo e várias bolas de fogo vão em sua direção.
Ele as desvia com o leque.
Ele corre pela ponte.
Uma bola de fogo atinge a sua mão e o leque cai.
A ponte se quebra.
Ele fica pendurado.
Um abismo se abre sobre ele.
Com muito esforço, Ramsés chega do outro lado.
E pega a estatueta.

Capítulo 13

A última porta é a água.
Ele se vê diante de um lago.
Ramsés se encontra nu.
Há várias carpas japonesas.
No meio do lago, há uma pérola negra.
Ele pula no lago.
As carpas o rodeiam.
E tentam afoga-lo.
Os peixes rodeiam o seu corpo.
Ele sente dificuldade em se mover.
Um desânimo toma conta de Ramsés.
Ele pensa em desistir.
Mas lembra dos bons momentos com Nefertari.
Logo arranja forças.
Afasta as carpas.
E consegue pegar a pérola.

Capítulo 14

Ramsés está de volta a presença do rei Negro.
- Aqui está o que você quer.
A rosa mágica.
A espada de cristal.
A estatueta do gato.
A pérola negra.
- Muito bom.
- Onde está Nefertari.
Uma porta se abre.
Nefertari aparece vestida de negro.
- Aqui estou eu.
Ramsés fica feliz.
- Que bom que vc está bem.
De repente, o rei negro lhe atinge pelas costas com a espada de cristal.
Ramsés cai sangrando.
Ele pede ajuda pra Nefertari.
Ela fica indiferente.
E beija o rei.
Ele fica surpreso.
- O que vc está fazendo?
Ela olha pra ele com sarcasmo.
- Seu idiota. Você ainda não entendeu? Eu estou com ele.
Uma lágrima de decepção percorre o Rosto dele.
Nefertari pega rosa mágica.
- Este é um presente meu pra você.
Ela coloca rosa em cima de Ramsés.
A flor então se ramifica em uma roseira que toma todo corpo do nosso herói.
E ele morre.
O rei negro toca na estatueta do gato.
E este se transforma num dragão.
Os dois se abraçam.
O rei fala que agora é o tempo deles conquistarem o que tanto desejam.
Mas quando se beijam, um raio fulmina o casal.
Então aparece o oráculo e Tito.
- Muito bom, pai. Eles fizeram todo trabalho por nós. Só sinto pelo Ramsés.
- Não se preocupe, meu filho. Toda conquista exige um sacrifício. Ramsés não será esquecido.
O nosso protagonista é enterrado debaixo de uma árvore.
O outono chegou.
As folhas caem.
E a história continua.






quarta-feira, 20 de novembro de 2024

a lanterna vermelha

1.
Numa noite chuvosa, Aline olha pra o céu em busca de um sentido para tudo isso.
Seus pais acabam de se separar.
E o seu irmão está longe.
Ela ainda é uma adolescente.
Procura o seu lugar no mundo.
O vento é mais frio.
Mas ela não se importa.
O seu pensamento está longe.
Bem distante dali.

2.
Numa aula de história, Aline se apaixona pela Grécia antiga.
E o seu sonho é conhecer este lugar.
Ela sonha com os mitos de deuses e monstros.
A noite, escreve poemas.
Poesias que ninguém lê.
Ela sente um vazio n'alma.
Uma vontade de se libertar daquele lugar.
Sair daquela rotina.
Mas Aline não sabe o que fazer.

3.
O fim de ano chega.
Ela vai pra praia com a sua mãe.
Seu pai está longe.
Todos os dias, ela caminha a beira mar.
Aline gosta da sensação do vento no rosto.
Da solidão que lhe acalma.
Até que um dia, ela encontra uma lanterna vermelha.
E junto com a lanterna um bilhete.
"Me encontra na cabana verde hoje".
Ela fica surpresa.
Mas não temerosa.
Finalmente algo misterioso e fascinante acontece em sua vida, ela pensa.
Ela pega lanterna vermelha.
Procura a cabana verde.
E ao longe ela vê algo que não estava lá antes.
Aline vê a cabana.
E com a confiança juvenil, ela segue pra lá.

4.
Ao chegar perto da cabana, Aline vê que a construção é nova e bem cuidada.
E quando ela pensa em bater na porta, esta misteriosamente se abre.
Um gato carinhoso vem lhe dar as boas vindas, se enroscando entre suas pernas.
Ela faz carinho no gato.
E este a conduz para dentro da cabana.
A porta se fecha sozinha.
E a lanterna vermelha ganha vida e sai flutuando até ir pra uma mesa no meio da sala.
Ela percebe que a sala onde se encontra é espaçosa e mobiliada de forma moderada.
Uma lareira no canto da sala está acesa.
De repente, uma mulher de vermelho aparece.
Aline se assusta.
- Olá. Não se preocupe. Meu nome é safira. Estou aqui pra lhe ajudar.
Sem saber o que fazer, Aline se senta numa cadeira.

4.
Muito bem. Eu sei o que se passa na sua vida, diz safira.
É mesmo? E como vc sabe disso? Pergunta Aline.
Eu sei porque é minha natureza saber das coisas, responde safira.
- hum. Este papo é estranho.
- Então você está disposta a dar um novo rumo a sua vida?
- Sim. Eu não tenho nada pra perder mesmo.
- Ótimo. Ali naquela mesa há um caderno e uma caneta. Sente-se e escreva o que lhe vier a mente. Depois daremos mais um passo na sua jornada.
- Tudo bem então.
Aline vai até a mesa, senta-se e decide escrever uma carta pra ela mesma.

5.
Carta de Aline 
...
Eu me vejo numa praia.
Uma mesa e uma cadeira.
Estão na areia.
Em cima da mesa, um relógio.
Os ponteiros estão parados.
O mar está calmo.
O dia está tranquilo.
Eu sinto vento no rosto.
Me sento e olho o céu.
Sol está radiante.
As nuvens deslizam suavemente.
Tudo é perfeito.
Compreendo o tempo.
E olho pra ele.
As brigas de meus pais.
Não tem nada a ver comigo.
Meu irmão está longe.
É sua rota de fuga.
Eu não o recrimino.
Cada um faz o que pode.
Água molha os meus pés.
O relógio volta a funcionar.
Eu olho pra ele.
Me levanto e vou embora.
...
Safira lê a carta.
- Ótimo. Você escreveu bem.
- O que acontece agora?
- Eu tenho algo pra você.
- O que?
- Tome estes presentes.
Safira lhe dá uma caixa amarela.
Aline olha dentro e fica surpresa.
- O que eu faço?
- Dê pra sua família.
- Para que?
- Você saberá na hora certa.
- Tudo bem então. Obrigado.
Ela pega os presentes.
E vai embora.

6.
Elas voltam pra casa.
Aline fala com sua mãe.
- Eu tenho um presente pra você.
- Que presente?
- Este aqui.
Aline tira um véu de sua mochila.
E entrega a ela.
- Que lindo, minha filha. Obrigado.
- De nada.
A mãe beija Aline no rosto.
Aline sai.
Quando ela coloca o véu, adormece.
Ao acordar, sua mãe está num jardim outonal.
Folhas douradas cobrem o chão.
Ela tá sentada num balanço.
Vento sopra levemente.
Ela vê ao longe, seu marido brincando com os filhos.
Eles correm no meio do jardim.
A mulher fica emocionada.
Ela não sabe bem o que aconteceu. 
Mas agradece pela lembrança.
Um dia ela foi feliz.

7.
Aline vai visitar o seu irmão.
- Olá, que surpresa vc aqui.
- Saudades de vc.
- Que bom então.
- Como estão as coisas?
- Do mesmo jeito.
- Compreendo.
- Eu tenho um presente pra vc.
- Ah, não precisa.
- É só uma lembrança.
Ela lhe entrega um par de sandálias.
Elas tem um detalhe.
Um par de pequenas asas.
- Que lindo. Obrigado.
- De nada.
Eles se abraçam.
Eles passeiam por uns dias.
Aline volta pra casa.
Uma noite, seu irmão vê as sandálias.
Ele as coloca.
E quando está no quintal, começa a voar.
Ele fica temeroso.
Mas, estranhamente, uma sensação de calma invade o seu espírito.
Ele voa até às nuvens.
E vê a Lua.
As estrelas dançam ao seu redor.
Ele fica emocionado.
E um pensamento lhe ocorre.
Na verdade, uma lembrança.
Numa noite como aquela, ele e seus pais foram ao cinema.
Foi um filme divertido.
Eles riram muito.
Depois, foram ao restaurante.
Na volta pra casa, ele admira da janela do carro, o céu estrelado.
E a lua que tanto brilhou naquele momento.
E quando dá por si, está novamente no chão.
Ele vai se deitar.
Não entende o que aconteceu.
Mas, emocionado, ele chorou.
E sente saudades daquele tempo.

8.
Aline visita o pai.
Eles se abraçam.
- Oi, minha filha. Como você está?
- Eu tô bem, obrigado. E o senhor?
- Também estou bem.
- Ótimo. Eu lhe trouxe um presente.
Aline lhe dá uma caixa de madeira de cor azul.
- Obrigado, minha filha. É muito lindo.
- De nada.
Ele aperta ela contra o peito.
- Você quer um café?
- Sim.
- Eu vou preparar.
Eles passam uma tarde tranquila.
A noite, Aline volta pra casa.
O seu pai olha pra caixa.
E ao abri-la, ele tem uma visão.
Num hospital, sua ex-mulher se encontra operada.
Sua filha acabou de nascer.
Ele acaricia os cabelos da mulher.
E eles se beijam.
Ele vê a filha no berçário.
Ela dorme tranquilamente.
Ele fica emocionado.
Seu filho chega com a avó.
Ele abraça o filho.
E contemplam a bebê.
Sua mente volta pra o presente.
Seu olhar fica perdido.
E ele se pergunta o que deu errado?

9.
Em casa, Aline pensa nos acontecimentos dos últimos dias.
Algumas semanas passaram.
Campainha de casa toca.
Ela vai atender.
É o seu irmão.
- Ian, que surpresa.
Eles se abraçam.
- Pois é. Deu saudade. Vim ver vocês.
- Entra. Nossa mãe foi no mercado. Logo chega.
- OK.
Eles conversam e comem alguma coisa.
Mãe deles chega.
E fica contente com a visita.
Ela vai preparar o almoço.
Ian diz que vai ficar ali por alguns dias.
Aline adora esta notícia.
A noite, eles se preparem pra sair e jantar.
A campainha toca.
Ian vai atender.
- Pai?
- Oi, filho. Que surpresa.
Os dois se abraçam.
Aline e a mãe também ficam surpresas.
Ele fala com a ex mulher.
- Oi, Cristina. Como você está?
- Olá, Juan. Eu estou bem e vc?
- Também. Espero não ter atrapalhado vocês.
- Nós íamos sair pra jantar.
- Tudo bem então. Eu vou embora.
Ian pede pra ele ir também.
- Eu não sei se devo.
Cristina fala que por ela tudo bem.
Os filhos concordam.
Aline fica feliz.
Todos vão pro restaurante.
No jantar, Juan fala pra eles.
- Me desculpem por tudo. Eu sei que errei com vocês. Isto não tem perdão.
A mae e os filhos ficam atônitos.
Cristina diz que não é fácil.
Juan responde que sabe disso.
Cristina continua a conversa.
- Eu ainda amo vc. E quero tentar outra vez. Se você melhorar.
Juan fica emocionado e diz que promete melhorar.
Todos se abraçam.
Mas Cristina adverte.
- Vamos com calma. 
Juan responde que compreende.
Eles continuam o jantar.
Aline não cabe em si de felicidade.
Ela olha pela janela.
E percebe que alguém olha pra eles.
Do lado de fora, safira sorri pra ela. E Aline devolve o sorriso.

10.
Todos vão embora.
Juan vai pra sua casa.
E eles vão pra deles.
Uma nova etapa começa.
Um futuro promissor.
Uma esperança pra todos.
Ao se deitar, Aline percebe uma luz vermelha.
E ao olhar no corredor, uma lanterna vermelha brilha intensamente.
Aline dorme tranquilamente.


Fim.





quinta-feira, 14 de novembro de 2024

o guardião da floresta

Capítulo 1

Era uma vez um rapaz que vivia insatisfeito com a sua vida.
Ele possuía tudo que queria.
Mas não encontrava consolo em nada.
Toda noite, ele se perguntava o que acontecia com ele para ter este tipo de sentimento.
Então, um dia, lendo um livro de auto ajuda , ele descobriu que existe uma espécie de filosofia que ajuda as pessoas a enfrentarem este tipo de situação na sua vida.
Mas tem um porém.
Para se alcançar este momento de sublimação espiritual, ele teria que percorrer uma jornada na floresta.
E através desta floresta, passar por provações que colocariam em evidência o seu verdadeiro valor espiritual.
O rapaz aceitou este desafio e rumou para floresta mais próxima de sua casa.

Capítulo 2

Durante este tempo, o rapaz se isolou do mundo.
E adentrou cada vez mais o mundo natural da floresta.
Embora ele não soubesse o que iria fazer ali de fato, tentou tranquilizar seus pensamentos.
E enquanto caminhava, ele pensou em desistir.
Talvez fosse uma bobagem tudo isso. E ele resolveu voltar.
Mas no meio do caminho, ele encontra um guardião da floresta.
Um jovem de aparência tranquila e serena.
- Quem é você?
- O meu nome é Willow.
- O que você faz aqui?
- Eu estou numa jornada espiritual.
- Compreendo.
- E você, quem é?
- Eu sou guardião da floresta.
- E o que você faz aqui?
- O meu nome já é auto explicativo.
- Entendi.
- Então você está Numa jornada de herói, não é mesmo?
- Sim.
- Venha comigo. Eu vou te ajudar neste caminho.
- Porque?
- Porque eu quero.
E os nossos dois heróis vão em busca do sentido da vida.

Capítulo 3

Eles então chegam numa cabana de madeira, no meio da floresta.
Tudo lá limpo e organizando.
- Você quer café?
- Eu aceito sim.
O guardião lhe oferece uma xícara de café.
Willow agradece-lhe.
- Seu café é bom.
- Obrigado. Quer me contar a sua história?
- Bem, eu não tenho muito que falar. Resumidamente, eu estou numa crise existencial, e ao ler um livro, eu soube de um jeito de melhorar este sentimento em mim. E agora estou aqui.
- Compreendo. E isto quer dizer que você tem que encontrar um caminho tanto literal quanto figurado numa floresta para lhe dar um propósito de vida, não é isso?
- Sim.
- Entendi. Eu sei como a sua alma está Inquieta. E eu sei também o porquê.
- E como vc sabe disso?
- Digamos que é de minha natureza saber disso.
- Você é alguma espécie de adivinho?
- Algo do gênero.
- E o que eu faço agora então?
- Muito bem.
O guardião vai até um canto da sala, pega um guarda chuva e lhe entrega.
- Para que eu quero um guarda chuva?
- Ande com ele em linha reta, e quando começar a chover, você encontrará alguém para lhe ajudar na sua jornada.
- É só isso?
- Por enquanto sim.
- Tudo bem. Agradeço pelo café.
- Não tem de que.
Willow sai da cabana com o guarda chuva, enquanto o guardião olha para ele.

Capítulo 3

Enquanto Willow caminha com o guarda chuva, o céu está azul e brilhante.
Mas quando ele se aproxima duma caverna, o tempo fecha e começa a chover.
Ele então usa o guarda chuva, e para sua surpresa, um raio de luz sai da caverna.
O nosso herói fica curioso e vai até lá.
E para seu espanto, ao entrar no local, a caverna se mostra uma sala de estar totalmente decorada com vários tipos de relógios.
Ele olha aqueles objetos, quando uma mão misteriosa toca no seu ombro.
Ele se vira e vê um garoto vestido como um príncipe a olha-lo de forma curiosa.
- Olá. Quem é você?
- Oi. O meu nome é Willow. Desculpe eu invadir a sua caverna, mas começou a chover e...
- Não precisa continuar. Eu já sabia que vc viria.
- Já? E quem lhe contou?
- Isto não importa. O meu nome é Wizard.
- Wizard? Engraçado, este nome nao me é estranho.
- Tenho certeza que não.
- Como assim?
- Não é nada.
Wizard olha para um relógio de bolso, e diz que está quase na hora.
- Quase na hora de que?
- Não seja apressado. Tudo a seu tempo.
Os relógios começam a tocar, e algum tempo depois, param.
Willow acha isto estranho.
- Não é nada estranho, fala Wizard. Agora sente-se, por favor.
Willow senta-se, desconfiado.
- Eu sei porque você está aqui.
- Engraçado como todos vocês sabem.
- Claro que sim. Nada se esconde na natureza.
- E como vc pode me ajudar nisto?
- Dizendo a verdade para vc.
- E que verdade é essa?
- Que você matou seus irmãos.
- O que?
- Isto mesmo. Você matou eles por ciúme e despeito. E desde então, você vive vazio. Nada lhe satisfaz.
- Como você ousa falar assim comigo?
- E como vc ousou fazer isto com eles?
- Eu não tive culpa. Foi só uma brincadeira.
- Uma brincadeira que os levou a morte.
- Todo dia eu me lembro disso. E não consigo me perdoar.
- Então olha pra o relógio.
- O que?
- Olha pra ele.
E aponta o relógio atrás dele.
Willow vê na sua frente um lindo relógio em formato de anjo.
E fica fascinado por ele.
- É tão lindo.
- É sim. Fui eu que fiz; desde que vim parar aqui, fiz todos estes relógios.
E aponta para sala inteira.
Willow pergunta como ele foi parar ali.
Wizard reponde que eles tem mais em comum que imagina.
- Você se lembra dos seus irmãos?
- Eu não consigo me lembrar deles. É como uma imagem borrada na minha mente.
- É como um castigo pra você.
- Sim.
Willow olha pra o chão com uma expressão triste.
Wizard levanta-se, pega uma bússola e dá pra ele.
- Tome isto, vai te ajudar na sua jornada. Esta bússola te guiará ao seu próximo passo.
- Eu terei redenção?
- Isto só o tempo dirá.
Os relógios voltam a tocar.
- Obrigado pela bússola.
- De nada.
Willow guarda bússola, e ao sair da caverna, o tempo está claro novamente.
Ao olhar pra caverna, ela simplesmente desapareceu.
Ele pega bússola que aponta para o norte, e segue em frente.
A sua jornada continua.

Capítulo 4

Enquanto caminha pela floresta, o nosso herói ouve o som de pássaros cantando, e o barulho de uma cachoeira por perto.
Ele,então, segue o som e se depara com uma paisagem magnífica e floral.
Várias garças sobrevoam aquele jardim colorido e exuberante.
E uma cachoeira de água pura, cristalina e perfumada se apresenta aos seus sentidos.
Willow tira a roupa e toma um banho revigorante neste paraíso.
Ele flutua na superfície daquela água enquanto o sol banha o seu rosto bom uma luz suave e aconchegante.
Depois de um tempo, ele se deita naquele gramado macio e dorme.
Ao acordar, já é noite.
Ele se veste e segue em frente na sua jornada.

Capítulo 5

Durante a caminhada, sua bússola acende uma luz verde.
Isto significa que ele chegou no local que deveria chegar.
E Willow vê a sua frente uma casa no estilo japonês.
Ao bater na porta, um rapaz vestido de quimono vêm atendê-lo.
- Olá, seja bem-vindo. O meu nome é Walker. Eu já estava a sua espera. Entre.
Willow entra e se admira com o ambiente confortável em estilo oriental.
- Sente-se. Eu vou lhe servir um chá.
- Obrigado, mas como vc sabe de minha chegada?
- Esta floresta é mágica, e aqui tudo pode acontecer.
- Compreendo.
Walker serve chá para ambos e senta-se no tatame, em frente a uma mesa baixa.
- Então você sabe porque estou aqui?
- Eu sei sim.
- Pois é. Como você pode me ajudar?
Walker se levanta, pega papel, pincel e tinta, e senta-se novamente.
Sem dizer uma palavra, ele desenha uma lagoa e mostra pra Willow.
- Isso te lembra alguma coisa?
- Não.
- Pois então. Este é o problema.
- Qual?
- Para você parar de sentir o que sente, deve se lembrar.
- Me lembrar do que?
- Do que você fez.
- Eu não entendo.
- Eu posso ajudar você 
- Como?
- Você confia em mim?
- Não tenho outra opção.
- Então deixa comigo.
Walker faz Willow deitar-se no chão, e começa a recitar uma canção que o faz adormecer.
Willow sonha e se lembra de tudo.

Capítulo 6

Há muito tempo atrás, Willow sai pra um passeio com seus irmãos Wizard e Walker num bosque.
Willow adora guarda chuva.
Wizard gosta muito de relógios.
Walker adora desenhar.
Mas Willow não demonstra interesse em nada.
E isto desgosta seus pais.
E por estes e outros motivos, ele é desfavorecido em relação aos irmãos.
Os outros são sempre alvo de amor, carinho e atenção dos pais, enquanto Willow é relegado em segundo plano.
Isto faz crescer um sentimento de ódio e rancor nele contra os irmãos.
E num lago perto do bosque, Walker desenha o lago no seu caderno, enquanto Wizard conserta um relógio de bolso.
Neste meio tempo, Walker resolve nadar no lago, e passa mal.
Wizard não sabe nadar e pede ajuda pra Willow que não se mexe.
- Ajuda o Walker. Você sabe nadar.
Willow não diz nada.
Sem resposta, Wizard se atira no lago para salvar o irmão.
Os dois morrem afogados.
Willow vê tudo e não faz nada.
Ele tá frio e imperturbavel.
Willow vê o desenho do Walker e o relógio de Wizard no chão.
Ele apanha estes objetos.
Guarda no bolso do seu casaco.
Ele vai pra casa.
E mente pros pais sobre o que aconteceu.

Capítulo 7 

Willow acorda sobressaltado.
Ele olha pra Walker assustado.
- Agora você lembra?
- Eu lembro sim.
- Então você já sabe.
- Mas como isso é possível?
- Isso o que?
- Vocês ainda estarem vivos.
- Nós vivemos na sua mente. 
- Então este é o motivo de minha melancolia?
- Sim. Você acabou conosco e com nossa família. Isto tem um preço.
- Pára com isso. Não é verdade. Eu não tive culpa.
- Você não ajudou.
- Problema de vocês. Pensassem bem antes de querer fazer algo que não sabem.
- Você continua o mesmo.
- E você continua insuportável.
Vocês não vão me assombrar.
Eu vou embora daqui.
- Tudo bem então. Apenas tome isto.
Walker lhe dá um desenho.
Willow vê o desenho, se assusta, amassa o papel, joga no chão e vai embora dali.

Capítulo 8 

Desorientado na floresta, Willow se vê sem alternativa.
Depois de tanto sacrifício, ele se encontra ali.
Sem noção do que fazer.
Entra em cena o guardião da floresta.
Willow olha espantado para ele.
- Era só o que me faltava.
- O que foi?
- Era pra eu vir nesta floresta me curar, e não ter mais problema.
- Você que fez isso.
- Mas que novidade.
- Faça algo novo.
- Quem é você, afinal?
- A sua consciência.
- Não brinca.
- Eu não estou brincando.
- Então você é tipo grilo falante do Pinóquio pra mim?
- Bingo.
- AFF, ninguém merece.
- Você merece sim.
- Dá pra me ajudar, ou vai ficar tirando onda com a minha cara?
- Você quer se ajudar?
- Sim.
- Você se arrepende do que fez?
- Sinceramente, não.
- Eis o problema.
- Pois é. E como podemos mudar isso?
- Só depende de vc.
- E isso quer dizer que...?
- Só há uma forma de vc reverter os seus pensamentos.
- Como?
- Sendo guardião da floresta.
- Eu não entendi.
- Viva em meio a natureza por um tempo. Observe ela sem julgamentos. E talvez haja uma saída pra você.
Willow pensa por um tempo.
E fala pro guardião.
- Tá bom. Eu não tenho nada que me prenda mesmo lá fora. Quem sabe aqui não faça alguma diferença pra mim?
- Ótimo. Que você guarde a floresta e ela lhe abençoe.
Num passe de mágica, ele some e Willow se vê sozinho naquela clareira.
De repente, ele se lembra que esqueceu de perguntar o que um guardião faz.
Mas agora, já é tarde.

Capítulo 9

Alguns dias se passam.
Willow perambula pela floresta, seja no sol ou na chuva.
Estranhamente, ele não sente fome e nem sede.
Mas está tudo bem.
É uma coisa a menos para ele se preocupar.
Os animais chegam até ele sem nenhum medo.
E ele se banha nos rios e lagos.
E se deita sob a luz das estrelas.
Até que um dia, uma coruja pousa no seu ombro e lhe fala.
- Como você está?
Willow, depois de tanta coisa, não se Espanta mais com nada.
- Que ótimo. Uma coruja que fala. Eu estou bem, obrigado.
- Muito bem, então. Eu tenho um convite a fazer para você.
- E que convite é este?
- Me acompanha até o arco íris? Lá tem uma surpresa pra você.
- Que surpresa?
- Venha e verás.
A coruja voa, e no seu rastro luminoso, o céu se sublima.
Willow então o segue.

Capítulo 10

Ao chegar perto do arco íris, Willow fica maravilhado com este espetáculo da natureza.
A coruja lhe pergunta - você gostou?
Sim, ele responde.
- Ótimo. Então vá até aquela árvore onde o arco íris acaba, e lá você encontra algo.
Willow vai até a árvore.
Lá ele vê um baú.
E ao abri-lo, ele se admira.
Há um álbum de fotos da sua família.
Ele vê aquilo tudo e uma certa emoção percorre o seu pensamento.
A coruja vai até ele.
E Willow fala.
- Eu sei o que fiz não foi certo.
- Você se arrepende?
- Do que adianta arrependimento agora? Isto não tem volta.
- Mas tem um novo começo.
- Imagino que sim. Eu deixei a raiva e o orgulho falarem mais alto e isto teve um preço.
- Então se entregue a natureza. E deixe o tempo conduzir você pelo espaço. Tudo se ajeita.
- E como eu faço isso?
- É só você se entregar e relaxar.
- Tudo bem. Espero encontrar alguma redenção no final deste caminho.
Willow se deita na grama verde.
Ele fecha os olhos.
A coruja vai embora.
O céu fica mais azul.
E o sol mais intenso.
De repente, a grama começa envolver o seu corpo.
Mas estranhamente Willow não luta contra isso.
Ele sente paz.
No final, seu corpo se transforma num pequeno jardim natural.
O vento sopra levemente.