Há muito tempo no céu, um anjo sonhava em descer a terra e tomar contato com a maravilhosa raça humana.
O nome deste anjo é Gabriel (não aquele Gabriel, mas outro Gabriel). Ele estava cansado da monotonia do céu.
E queria experimentar uma verdadeira experiência humana.
Porém, os seus superiores nunca permitiam isto.
E ele só ficava no ramo dos serviços burocráticos celestiais, como sonhos, premonições, profecias e coisas do tipo.
Até que um dia tudo mudou.
E ele ficou super feliz por isso.
Um arcanjo apareceu pra ele e disse que tinha uma missão especial na terra a lhe confiar.
E Gabriel ficou muito contente com tal perspectiva.
E esta missão era evitar que um homem cometesse suicídio.
Gabriel logo ficou preocupado.
Mesmo não sendo a forma que ele gostaria de vir a terra, mas mesmo assim viria pra cá.
E ele veio.
Capítulo 2
Já na terra, Gabriel descobriu que este homem chama-se Umberto.
Ele é poeta.
Está em crise romântica.
Brigou com a sua namorada (Júlia). E não sente mais nada da vida, só quer morrer.
Ih, este daí vai dar trabalho, pensa o anjo. Mas o que posso fazer por ele? Isto eu não sei.
Deixa eu pensar aqui.
Enquanto isso, Umberto toma todas e fica jogado na cama, fedendo feito um gambá.
Ah, eu já sei, diz o anjo.
Vou inspirar ele a fazer uma poesia para o seu grande amor.
Então Gabriel viu Umberto.
Ele é um garoto magricela, pensou o anjo.
Como alguém gosta de um garoto assim? Há gosto para tudo mesmo. Mas vamos lá.
Gabriel inspira Umberto através de um sussurro e ele começa a escrever. Então o anjo olha.
POESIA DE UMBERTO
sempre vivemos
Na ilusão do limbo
No meio do sonho
Entre o nada
E o lugar nenhum
Onde vc está agora?
Espero que aqui comigo
Mas que porcaria de poesia é essa, pensou o anjo.
Ele percebeu que este moleque ia dar muito trabalho.
Capítulo 3
Se você pensa que este conto vai ser algo burocrático, você está bem enganado.
Vai ser algo mais ou menos assim. Um dia, Umberto pensa em pular Duma ponte pois não pode viver sem o seu grande amor. Então Gabriel aparece.
Ei cara, você não pode fazer isso.
Quem é você? Algum tipo de anjo?
É isso aí. Eu fui mandado pra cá pra te ajudar a ganhar um novo sentido para vida.
Era só o que me faltava. Deixa eu morrer em paz. Avisa pro cara lá de cima que agradeço a preocupação.
Mas é um turrão mesmo.
Então Gabriel dá um vôo rasante, pega Umberto e leva pra uma montanha distante.
Mas que porra é essa?
Eu te salvei, seu cuzao. Então pára de reclamar.
Nossa, que linguagem tão angelical.
É a única que vc entende.
Umberto então se joga no chão de forma melodramática e começa a chorar.
Eu não posso mais viver sem o amor da minha vida buá.
Gabriel olha com ranço pra Umberto e pensa (aí meu Deus, isto é castigo. Só pode ser).
Vira o jogo cara, levanta daí e toma teu rumo. Se ela não te quer mais arranja outra pessoa.
Mas é só ela que eu quero.
Então fica aí na fossa.
Muito obrigado.
O anjo senta numa pedra e pensa no que fazer.
Capítulo 4
Um dia sem querer Gabriel pega Umberto vendo um vídeo gay na NET e pensa (é isso aí. Um cara é do que ele precisa).
Levanta aí cara. Nós vamos numa boate gay.
O que? Cê tá louco mano.
Tô louco nada. Eu vi você vendo aquele vídeo na NET.
Foi só zoação.
Tá bom então. Vamos embora logo. Balada já começa.
Bem eu tenho uma certa curiosidade sobre o outro lado. Não custa tentar não é mesmo?
Eles então vão pruma balada LGBT. Meio desconfiado Umberto pede um drink.
Ele olha aquele monte de homem e mulher se beijando e pensa em cair fora.
Nem pense em fazer isso.
Fazer o que?
Eu li o seu pensamento.
Você é um saco.
E você é um frouxo.
Vamos ver quem é o frouxo aqui.
Ele pensa que se dane então tudo.
Ele pega um cara que vai passando por ele e beija o bofe.
O boy fala (oi cara. Meu nome é João. Direto você é mas o beijo é gostoso). E o beija novamente.
Obrigado. Meu nome é Umberto.
Você quer dançar? Sim.
Os dois vão dançar na pista.
E quando estão bem empolgados, Umberto esbarra com duas garotas que estavam se beijando.
Quando ele pede desculpas, percebe que uma das garotas é Júlia. E fica estupefato.
Capítulo 5
Olá Julia. Como você está?
Eu estou bem obrigado e você?
Eu estou ótimo.
Que bom então.
Pelo que vejo vc já encontrou alguém pra se divertir.
E você tbm.
Pois é.
Não vamos começar com o melodrama.
Não mesmo.
Julia sai com a sua namorada.
Umberto fica triste.
Ele vai pro bar e pede uma bebida.
Ih lá vai ele de novo. O que foi agora?
De todos os botecos do mundo, ela tinha que vir logo neste?
Ah cara, desencana. Tudo acontece por um bom motivo.
E que motivo é este? Me deixar chateado??
Não, é pra você deixar de ser idiota e não sofrer por quem não merece.
Obrigado pelo carinho.
Não há de que.
E o que você sugere que eu faça?
Deixa eu pensar um pouco. Ah, já sei o que fazer.
Capítulo 6
Vamos fazer uma viagem pela mente de sua ex namorada.
E como vamos fazer isso?
Relaxa, o autor aqui sabe o que fazer.
Então já que eu sou autor, vamos quebrar as regras estritas da lógica pra fazer uma viagem pela mente de Júlia e conhecer o outro lado da história.
Julia é uma moça bonita e inteligente.
Ela é professora de teatro e ama as artes em geral.
Um dia na rua ela conhece Umberto que estava escrevendo algo num café.
Ela sente o impulso como uma mulher moderna de chegar junto dele e investir na ação.
Oi, bom dia. Posso me sentar aqui com você?
Tudo bem então.
Umberto olha pra ela de forma encantadora.
Ele acha ela bonita e interessante.
Os dois conversam sobre artes e amenidades até que num impulso ele a beija.
Os dois se apaixonam e vão pra casa dela pros finalmente.
Eles desenvolvem uma relação de Mente, corpo e espírito.
Isto dá certo por um tempo.
Mas então Umberto se depara com pessoas do passado e este acontecimento acaba desencadeando nele traumas emocionais que não vem ao caso agora.
O resultado disto é que Umberto fica nervoso, briga com Julia sem motivo aparente, some por dias e não fala com ela sobre isso.
Julia fica cansada desta situação.
E a história se desenrola até o ponto em que ela encontra consolo numa amiga de forma mais profunda.
Capítulo 7
Ei cara. Isto não é justo comigo.
Nada é justo nesta vida, Umberto.
Porque você fez isso comigo?
Para vc cair na real.
Eu não tenho culpa que aconteceu comigo.
Eu sei que não mais você tem que superar isso. Não pode viver no passado.
Que papo mais auto ajuda.
Pena que você não se ajuda.
E pra onde esta história vai agora?
Hum deixa eu pensar.
(Neste momento eu como autor faço com que o anjo tenha pena de Umberto e ao mesmo tempo queira experimentar como é uma satisfação sexual entre humanos)
É sério isso autor?
(É sério sim)
Você viu o que ele escreveu?
Eu vi sim, Gabriel.
E então o que você acha?
Vamos lá então. Não tenho mais nada pra perder.
E os dois fazem sexo.
Capítulo 8
Depois de passado todo clichê sentimental em relação a isso, Umberto resolve fazer uma viagem pelo país na esperança de se encontrar.
- Então você vai viajar?
- Eu vou sim.
- E o que você achou?
- O que eu achei do que?
- Da nossa experiência.
- Sabe, eu passei por tanta coisa nestes últimos capítulos que não sei o que fazer.
- Compreendo. Esta história é bem absurda mesmo.
- E você o que vai fazer?
- Eu vou voltar lá pra cima e receber a minha punição pelas transgressões.
- Quer que eu fale com ele?
- Não, obrigado. Este enredo é muito aleatório pra envolver vc nos assuntos de lá. Eu me viro.
- Tudo bem então. Eu gostei de te conhecer. E nosso lance foi ótimo.
- Eu digo mesmo.
Os dois se beijam.
E Gabriel some.
Num passe de mágica.
Capítulo 9
Depois de algumas semanas, Umberto já tá na estrada.
Ele largou a sua vida antiga pra encontrar uma nova razão de viver. Uma vibe bem logoterapia.
E nestas andanças, ele pára num hotel de beira de estrada pra descansar.
E na varanda do hotel, ele vê uma mulher jogando tarot.
E como sempre Umberto foi curioso com assunto místico, ele resolve ler a sua sorte.
- Olá meu jovem. Aproxime-se. O meu nome é madame lenormand. O que posso fazer por você?
- Gostaria que tirasse as cartas pra mim.
- Tudo bem então.
Ela embaralha as cartas e pede pra ele tirar uma.
Ele tira e sem olhar entrega pra ela.
- Muito bem. A carta que saiu pra você é a estrada. Obviamente, esta carta diz que você tem uma escolha difícil pela frente. E que dependendo de sua escolha, sua vida será mais fácil ou mais complicada. A escolha é sua.
- Compreendo. Muito obrigado.
Quando ele vai lhe pagar, ela recusa.
- Não se preocupe. É cortesia da casa.
- Você é dona daqui?
- Eu sou sim.
- Hum, que interessante. Obrigado novamente.
- De nada.
E nosso herói vai se recolher ao seu quarto pra dormir.
Assim como eu também farei.
Até mais então, meus caros leitores.
Capítulo 10
Depois de um sono revigorante, Umberto vai embora daquele lugar e pega estrada novamente.
No meio do caminho, ele vê uma pequena cabana com a placa "vende-se tortas de amora".
Ele tá com fome e decide ir até lá.
A cabana é bem ajeitada.
Ele bate na porta e um senhor atende.
- Olá meu jovem. Bom dia. O que você deseja?
- Uma torta de amora, por favor.
- Ótimo então entre.
A cabana tem uma mobilia modesta mas conservada.
- Sente-se. Eu já vou trazer a torta pra você.
Enquanto espera, Umberto vê numa parede um quadro com vários coelhos.
Ele gosta de coelhos.
O senhor volta com a torta.
Ele o serve.
Umberto agradece.
Ele prova torta em silêncio enquanto o senhor toma uma xícara de café.
Umberto acha torta boa.
De repente, ele fica sonolento e pede pra tirar um cochilo no sofá.
E neste momento, Umberto sonha com um homem desconhecido que dança para ele no ritmo do flamenco.
Isto acontece na cabana.
E ao final da dança, o homem o beija e vai embora.
Umberto então acorda.
Paga ao senhor.
E vai embora.
Capítulo 11
Ao dirigir, Umberto passa por uma floresta na beira da estrada e decide parar.
Ele caminha por ali.
Então percebe que perto dali há um grande salgueiro, onde num dos seus galhos mais altos tem um balanço.
E neste balanço, ele vê uma mulher sentada lendo um livro.
Ele reconhece a mulher.
E vai até ela.
- Júlia? O que você faz aqui??
- Eu não estou aqui. Sou produto de sua mente.
- Ah tá. Deve ser mesmo.
- Pois é.
- Eu gostaria que você estivesse mesmo.
- Eu sei que sim.
- Você me perdoa?
- Não há o que perdoar.
- Eu fui tão negligente com você.
- As coisas acontecem como tem que acontecer.
- Tudo está tão confuso ultimamente.
- Não olhe para trás.
- O que eu faço?
- Viva o presente.
- Tudo bem então.
- Agora você tem que ir.
- Eu posso te pedir uma coisa?
- Sim.
- Eu posso te dar um beijo?
- Sim.
Os dois se beijam.
- Obrigado.
- De nada.
- Se cuida.
- Você também.
Umberto vai embora sem olhar pra trás.
Capítulo 12
Ao voltar pra casa, Umberto percebe que está tudo bagunçado.
Ele ajeita a casa.
E sente-se melhor.
Toma um banho.
E faz um café.
Pega um livro pra ler.
Ele sente-se relaxado.
Alguém bate na porta.
Ele então abre.
E tem uma surpresa.
- Você?
Gabriel abraça ele.
- Oi. Sentiu minha falta?
- Claro que sim.
- Eu posso entrar?
- Sim. Eu fiz café. Você quer?
- Eu quero sim.
Ele serve café pro anjo.
- Pensei que não fosse voltar.
- Eu também não.
- O que aconteceu?
- Eles me expulsaram.
- Nossa, sinto muito.
- Não sinta. Depois de vc, aquele lugar não fez mais sentido.
- Compreendo.
- E você o que fez?
- Eu andei por aí. Descobri coisas sobre mim.
- Entendi.
- E agora o que você vai fazer?
- Eu não sei e você?
- Tentar viver de alguma forma.
- Ótimo.
- Você quer tentar comigo?
- Eu quero sim.
Os dois se abraçam.
Enquanto cheiro de café perfuma o ar com seu aroma acolhedor.