domingo, 29 de dezembro de 2024

narciso e Antino

Capítulo 1

Numa realidade alternativa, vive um músico chamado narciso.
Ele ama música clássica e sua maior paixão é o piano.
Desde sempre, sua família é artística.
E os seus pais lhe incentivaram na sua carreira musical.
Narciso cresceu num ambiente feliz.
E nada lhe foi negado.
Até que um dia, sua felicidade ficou ainda maior.

Capítulo 2

Depois de um concerto de natal no teatro, narciso foi dar uma volta no jardim.
E lá, ele se deparou com o homem dos seus sonhos.
Antino é pintor.
E ele tá no jardim pintando um quadro de rosas.
Ele tá muito concentrado.
Até que o vento derrubou seu chapéu.
E o chapéu pára nos pés de narciso.
Ele o apanha.
E devolve pra Antino.
Os dois se olham por um momento.
Antino agradece a gentileza.
Narciso olha o seu quadro.
E o elogia.
- Obrigado. Eu tento fazer o meu melhor.
- E você com certeza faz.
Os dois se apresentam.
Narciso pergunta se ele sempre está por ali.
Antino diz que sim.
Ele gosta de pintar em meio a natureza.
Os dois se despedem.
E prometem se reencontrar depois.

Capítulo 3

Narciso está muito ansioso hoje.
Ele tem uma apresentação num Zeppelin.
Vai tocar Chopin.
Esta deitado na cama.
Sua mãe lhe traz um chá.
E uma carta.
Ele abre e lê.
Fica muito feliz com o que vê.
Sua mãe perguntou o que é.
Ele diz que não é nada.
Apenas um admirador secreto que gosta de seu trabalho.
Narciso olha pela janela.
Um sorriso cruza o seu rosto.
Esta noite promete.

Capítulo 4

Numa noite estrelada, um Zeppelin corta o céu da metrópole.
E dentro dele, uma plateia seleta ouve mais um espetáculo de narciso.
Ao final do show, todos o aplaudem.
O Zeppelin pousa.
E quando Narciso pretende ir embora, um balão colorido desce dos céus, com um grande show de fogos de artifício.
E quando balão pousa, quem sai dele é Antino.
O pintor vai em sua direção.
Lhe dá um buquê de flores.
E lhe beija.
Todos então aplaudem.
Eles vão embora juntos dali.

Capítulo 5

Mas agora trama se complica.
Porque aparece na história uma mulher misteriosa chamada Margareth.
Ela procura Antino com um propósito.
Que ele pinte um retrato seu.
Pois ela sabe que ele é o melhor pintor da cidade.
Só que ele recusa.
Fala que não pinta quadro de mulheres.
- E porque não?
Ela perguntou.
- Porque uma vez, eu pintei o retrato de uma mulher casada. Ela ficou tão linda que o seu marido pensou que tivéssemos um caso. Ele tentou me matar. Então eu fiz esta promessa mim mesmo.
- Isto é absurdo.
- Pois para mim não é.
- Mas eu não sou casada.
- Isto não importa. Minha resposta é não.
- Você tem certeza?
- Eu tenho sim.
- Muito bem então. Você me paga.
Ela sai furiosa de lá.

Capítulo 6

Narciso vai visitar Antino.
Descobre que ele foi enfeitiçado.
Está preso numa tela de pintura.
Antino deixa uma carta.
Explica narciso a situação  Margarete.
E diz que se alguma coisa acontece com ele, ela é a responsável.
Narciso então vai procurá-la.
Ela ri da cara dele.
E fala que se ele quer salvar o seu amado, vai ter que cumprir 3 tarefas.
Ele aceita o desafio.
Margaret explica Tudo.
Narciso pergunta porque ela faz isso.
Ela responde que quer se divertir.

Capítulo 7

Para realizar a sua missão, narciso lê um livro mágico que o transporta pra jornada ser feita.
E a primeira coisa que ele tem que fazer é viajar até a Itália renascentista.
E lá ele vai falar com Leonardo da Vinci pra não pintar a última ceia.
E assim acontece.
Num passe de mágica, Narciso está na Itália da época.
Ele procura Leonardo por em Milão, até que lhe falam que ele está no convento santa Maria Della Grazie.
Narciso vai até lá.
E encontra Leonardo sentado num banco, observando rascunho de sua obra.
Seu olhar é perdido no horizonte.
Seu coração bate forte.
Narciso está diante de seu ídolo maior.
Leonardo olha pra ele.
- Olá. Quem é você?
- Meu nome é narciso.
- Bonito nome seu.
- Obrigado.
- Este seu sotaque é diferente. De onde vc é?
- Hum... Eu sou de Atenas.
- Que ótimo. Um grego entre nós. O que você quer?
- Parece meio estranho o que tenho pra dizer, mas o fato é que eu vim lhe pedir pra você não pintar este afresco.
- Porque?
- Você não pode se vender assim a igreja. Eles não merecem você.
- É mesmo?
- Sim. Além do maís, toda esta história sobre o cristianismo é uma farsa.
Leonardo levanta-se e vai até ele.
- Você é um rapaz interessante.
- Hã, obrigado. E então?
- Quem me conhece sabe que religião não faz parte da minha personalidade. Isto é tão somente por dinheiro.
- Mas sua arte vai influenciar mais pessoas ainda a seguirem neste engano.
- Infelizmente, eu não posso controlar os outros. Mas eu posso fazer uma coisa.
Leonardo beija narciso.
Ele fica sem palavras.
- Agora, se me dá licença, eu tenho que sair. Prometo pensar na nossa conversa. Foi um prazer conhecê-lo, Narciso.
Leonardo sai.
Ele não diz nada.
Alguém aparece por trás de narciso.
Ele toma um susto.
O estranho fala com ele.
- Seja quem vc for, vá embora daqui e não volta mais.
- Quem é você para falar assim comigo?
- Meu nome é salai. Eu sou protegido dele. E vc não vai atrapalhar o meu caminho. Então, deixa o mestre em paz.
Narciso não pode deixar de notar a beleza deste garoto, enquanto ele se afasta.
De repente, ele fica tonto e desmaia.

Capítulo 8

A segunda missão de narciso é junto a van Gogh.
Na época em que ele corta a sua orelha.
E lá vai o nosso herói pra aquela época histórica.
A paisagem é surreal.
Narciso se encontra na noite estrelada do pintor.
Ele fica admirado.
O vento bate em seu rosto.
Ele sente um momento de paz.
Admira as estrelas.
E pensa em Antino.
Ao longe, ele vê uma cabana na colina.
E da chaminé desta cabana sai uma fumaça.
De alguma forma, ele sabe que van Gogh está lá.
E para lá ele vai.
Narciso bate na porta.
Van Gogh atende.
- O que vc quer?
- Eu quero falar com vc.
- Sobre o que?
- Eu posso entrar?
Vincent olha desconfiado pra ele.
Mas aceita o pedido.
- Tudo bem então.
Narciso entra.
Van Gogh fecha a porta.
E lhe faz uma pergunta.
- Você quer chá?
- Eu aceito sim, obrigado.
Van Gogh prepara o chá.
Narciso olha pra ele.
E para sua orelha decepada.
Van Gogh lhe entrega xícara.
E pega uma pra ele.
Senta-se numa cadeira.
E lhe indaga.
- Qual o seu nome?
- Eu me chamo narciso.
- O que vc quer, Narciso?
Nosso amigo olha pra aparência cansada e triste do gênio holandês.
E prossegue a conversa.
- Eu vim aqui pra ajudar vc.
- Me ajudar?
- Sim 
- Em que sentido?
- Para que você não perca o sentido da vida.
Van Gogh olha forma neutra pra ele.
- O que te faz pensar que eu estou sem rumo?
- Isso.
Narciso aponta para orelha dele.
Vincent coloca mão na orelha.
Levanta-se da cadeira.
E olha pela janela.
Seu olhar fica perdido.
Ele volta olhar pra Narciso.
- Sabe, rapaz. Eu sempre quis ser pintor. Meu pai tentou me transformar em outra coisa. Mas algo dentro de mim sempre me levou pra este caminho. Deus sabe como tentei. Senão fosse pelo meu irmão, Theo, eu não saberia o que fazer da vida. Me apaixonei pela pessoa errada. Num momento de loucura, fiz isso comigo mesmo. Porém, uma força me leva para extremos da mente e do pensamento. Eu não sei o que fazer.
- Eu compreendo. Gostaria de lhe ensinar uma grande filosofia de vida, mas a única coisa que posso dizer é que não desista de vc mesmo. Sua arte é uma grande dádiva pra nós. E vc também.
- É mesmo? Será que eu faço alguma diferença no mundo?
- Para mim sim 
Van Gogh termina tomar o seu chá.
Vai até narciso.
Abraça ele.
E agradece pela atenção.
- Obrigado, meu amigo. Você me ajudou muito hoje. Agora se me dá licença, tenho um quadro pra terminar.
- Eu que agradeço pela gentileza.
Narciso vai embora.
Perdido na noite estrelada.
A lua é coberta por uma nuvem.
E sua mente também.

Capítulo 9

Agora chegou a vez de irmos ao México.
Mais precisamente na década de 1950.
Nesta época, Frida Kahlo já é uma pintora renome mundial.
Mas a sua vida pessoal está em frangalhos.
E sua saúde física e mental se encontram num ponto crítico.
Ela teve a perna direita amputada em consequência de uma poliomielite adquirida na infância.
A pintora entra em depressão por causa desta situação.
E narciso entra na história pra lhe trazer um pouco de conforto.
Ela tá deitada na cama.
Olha pra o teto com o olhar vazio.
E uma lágrima cai pelo seu rosto.
Narciso se apresenta como um admirador sua obra pra família dela, e diz que gostaria de lhe fazer uma visita.
O pai pergunta se ela gostaria de receber uma visita.
Ela diz que sim.
Quem sabe isso não afaste um pouco a tristeza que ela sente?
Narciso entra no quarto.
- Olá, meu nome é narciso. Eu sou músico. E admiro muito sua obra.
- Obrigada, pena que isso não sirva pra muita coisa agora.
- Porque?
- É só olhar pra mim e você terá sua resposta.
- Eu sei que esta é uma situação difícil, mas você não pode desistir.
Você é influência pra muita gente no mundo.
- Será que sou mesmo?
- Com certeza sim. Pelo menos pra mim, sua força vontade diante das adversidades é muito inspirador pra mim.
- Agradeço a gentileza. Isto me conforta. Saber que apesar de tudo, a dor nos ensina a seguir em frente melhor maneira possível.
- Pois é.
- Você é uma boa pessoa.
- Obrigado. Agora tenho que ir. Só vim aqui pra lhe dizer o quanto lhe admiro e o quanto você é maravilhosa pra muitas pessoas no mundo.
- Posso lhe pedir uma coisa antes de você ir?
- O que?
- Um beijo.
Narciso se aproxima cama e lhe dá um beijo suave nos lábios.
Ele então vai embora.

Capítulo 10

Ele volta ao nosso tempo.
Margaret o espera.
- E então como foi a sua missão?
- Achei interessante. Conhecer estes pintores que tanto me inspiram me ajudou muito.
- Ótimo.
- Agora libere Antino deste feitiço.
- Tudo bem então. 
Margaret fala algumas palavras mágicas mas nada acontece.
Antino ainda está no quadro.
Mas uma coisa surpreendente.
Ele tá feliz.
E um gesto de mão surge como a convidar narciso para ficar junto com ele.
A feiticeira explica isto pra Narciso.
- Isso é impossível. Como pode ser?
- As vezes as pessoas tomam atitudes aleatórias. Talvez ele tenha se cansado deste mundo e queira viver na pintura pra sempre.
- Isso é culpa sua. Senão fosse por você nada disso teria acontecido.
- Não importa mais. O que importa é que ele não quer.
- O que eu faço agora?
- A escolha é sua. Vai com ele ou fica aqui?
Narciso pensa por um tempo.
Margaret promete que eles poderão viver em várias paisagens mágicas no seu quadro e sair quando quiserem.
Narciso então aceita o desafio e vai pra dentro do quadro.
Os dois se beijam na imagem.
Margaret olha pros dois.
E vai embora.

FIM.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

a casa do salgueiro

A.
Numa noite quente 
Eu respiro ar puro 
De meu novo lar
Nesta casa de campo 
A chuva é viva
E o céu é límpido 
O vento corre solto 
E a liberdade 
Toma conta de mim 
Mas o que eu não sei 
É que tudo vai mudar 
Para algo pior 

B.
Minha esposa briana
E nossos filhos 
Carine e Bryan 
São meus tesouros 
Nos mudamos da cidade 
Para o campo 
Para termos uma vida 
Melhor e mais tranquila 
Com nossa economia 
Compramos esta casa 
De estilo rústico e colonial 
Com um belo salgueiro 
Mas o que é um sonho 
Se transforma em pesadelo 

C.
Alguns meses depois 
Nos adaptamos aqui 
Eu trabalho em casa 
E Briana viaja 
Para atender os clientes 
Tudo se encaixa 
Como peças de relógio 
Mas como nada é perfeito 
A maré muda 
E a tormenta chega

D.
Numa noite como esta 
O salgueiro chora 
Com o sabor do vento 
Um som eu ouço 
Como uma voz que sussurra 
Lá fora eu vou 
Mas ninguém eu vejo 
E quando eu entro 
Uma sombra por mim passa 
E isso me assusta 

E.
Tomamos café 
E uma xícara se quebra 
Não mão de briana 
Ela vai se limpar 
E meus filhos 
Perguntam o que aconteceu 
Eu digo que não é nada 
Foi apenas um acidente 
Mas eu fico desconfiado 
De alguma coisa a mais 

F.
Uma noite, eu durmo 
E passos eu ouço 
Pelo corredor do quarto 
Eu me levanto 
E vou olhar 
Mas não vejo nada 
A não ser um forte clarão 
Fora da casa 
Perto do salgueiro 
Eu tenho a impressão 
De ver a sombra 
De um homem 
Segurando uma lanterna 
E dando voltas 
Ao redor da árvore 
Eu fico em dúvida 
Se devo ir até lá 
Mas eu resolvo ir 
Saio mais silencioso possível 
Enquanto o homem 
Dá voltas na árvore 
De repente ele pára 
Olha pra mim 
E corre em minha direção 
Eu volto pra casa 
Fecho a porta 
E chamo a polícia 

G.
A polícia chegou 
Vasculha toda área 
Mas não encontra ninguém 
Eles vão embora 
Minha família já está acordada 
E todos estão espantados 
Eu os acalmo 
E nossos filhos vão dormir 
Briana pergunta o que aconteceu 
Eu falei pra ela 
Que fica assustada 
E a noite é tão silenciosa 

H.
Numa tarde de verão 
Carine nada num lago 
Perto do salgueiro 
Ela bóia na superfície 
Encarando o céu 
Quando um vento 
Sacode o salgueiro 
Ela presta atenção 
É vê o vulto 
De uma mulher 
Vestida de vermelho 
Perto da árvore 
Ela chama o pai 
Mas ninguém responde 
E quando ela 
Tenta sair d'água 
Seu corpo é puxado 
Para baixo do lago 
Ela luta contra 
Uma força invisível 
Consegue subir a superfície 
E gritar pela mãe 
Mas é arrastada novamente 
Para debaixo d'água 
Ao quase se afogar 
Ela é salva pelo seu irmão 
Que a puxa pra fora 

I.
Todos estamos nervosos 
Briana fala em 
Deixar este lugar 
Mas por enquanto 
Nós não podemos 
Gastei muito dinheiro 
Reformando esta casa 
E não tenho 
Como sair daqui 
Então resolvemos 
Levar os nossos filhos 
Para casa de minha irmã 
Eles vão passar um tempo lá 
Até ver o que 
Decidimos por aqui 

J.
Falamos com Muitos corretores De imóveis 
Eles não Disseram nada 
Mas percebemos Pelo seu Modo de Agir que Não Acreditam em Nós 
Então esperamos Um Tempo 
As coisas Acalmaram um Pouco 
E achamos Que isso Tinha passado 
Mas nos Enganamos 

K.
Uma noite Enquanto dormíamos 
Um Vento forte Soprou
E a Janela quebrou 
Nós acordamos 
Ouvimos risadas Pela casa 
Ficamos assustados 
Eu saí No corredor 
Para ver Alguma coisa 
Mas não Vi nada 
Briana então Gritou 
Eu voltei Pro quarto 
E nós Vimos da Janela 
Vultos dançam Ciranda 
Ao redor Do salgueiro 
Nós Ficamos em Choque 
Por algum Motivo 
Resolvemos ir Lá fora 
Mas não Havia mais Ninguém 
Chuva começa Cair 
Nós entramos 
E vários Copos 
Voam em Nossa direção 

L.
Fomos embora Dali
Alugamos outra Casa 
E nos Mudamos 
Aquilo foi A gota D'água 
Nossos filhos Voltaram 
Estávamos aliviados 
Aquele lugar Horrível 
Não era Mais nosso 
Ainda tivemos Pesadelos 
Por um Tempo 
Mas aquilo Passou 

M.
Alguns meses Depois 
Vendemos a Casa 
Por um Preço baixo 
Mas foi Melhor que Nada 
Estávamos tranquilos
Não soubemos Daquele lugar 
Por um Tempo 
Mas num Dia tranquilo 
Eu recebi Uma Carta 
Do atual Morador 
Que deseja Me ver 
Eu não Sei porque 
Mas atendi O seu Chamado 
Eu não Disse nada 
A minha Família 
Nós já Sofremos 
Por causa Do lugar 
E voltei Lá 

N.
Quando cheguei Na casa 
Várias lembranças Surgiram 
Fazem 6 meses 
Que saímos De lá 
Mas parece Que foi Ontem 
O novo Dono 
Me Encontrou no Caminho 
Ele é Gentil & educado 
Me convidou Pra um Café 
Mas eu Não quis Entrar 
Perguntei o Que 
Ele quer Comigo 
E me Fala que Encontrou 
Um livro Dedicado a Mim.
Eu fiquei Surpreso
Eu Não sabia 
Da existência Deste Livro 
Ele foi Buscar 
E foi Aí
Que eu Vi 0 salgueiro 
Uma brisa Leve 
O fez Se movimentar 
Como se Estivesse 
Me saudando ali 
Eu Fiquei com Calafrio 

O.
O novo Dono 
Disse que encontrou 
Este livro no
Sótão e ele 
Tinha o meu nome 
Eu olhei pra letra 
E percebi que não 
Era a minha 
Portanto eu não disse nada 
Perguntei a ele 
Se estava gostando dali 
Ele disse que sim.
Sem dizer mais nada 
Olhei pra o salgueiro 
Mas ele estava parado 
Como se me encarasse 
Eu me despedi
Daquele homem e 
Fui embora 
No meio do caminho 
Eu perdi o controle 
Do carro e bati 
Numa árvore ali 
Foi aí então 
Que eu desmaiei 

P.
Quando eu acordo 
Me vejo numa 
Estrada diferente 
É noite e Estou 
Cercado por salgueiros 
Não vejo o carro 
Começo a andar 
Também não vejo 
A casa que morei 
Chamo pelas pessoas 
Ninguém me respondeu 
O livro também sumiu 
O vento começou a soprar 
Tropeço em raízes 
E caio ali 
Eu me sinto vazio 
Como se nada 
Daquilo fizesse sentido 
Então um raio cai 
Num dos salgueiros 
Ele pega fogo 
E na mesma hora 
Um coro de choro 
Ecoa pela noite 
A chuva começa a cair 
E eu corro Dali 
A noite escurece mais ainda 
E vou parar numa cabana 
Onde peco ajuda 
A porta se abre 
E um palhaço 
Aparece pra me receber 

Q.
O palhaço me acolhe 
E convida entrar 
- Olá meu caro amigo 
O que lhe traz 
Ao recanto da felicidade?
Ele me perguntou 
EU não sei o que fazer 
E conto a história pra ele 
Ele ri na minha cara 
E diz que eu não me preocupe
Pois ele tem a
Solução pra mim 
Então eu me sento
Numa cadeira de lona 
Que é toda colorida 
Enquanto ele vai
Até a cozinha 
Eu olho sua casa
Ela é toda colorida 
De material plástico 
Todas as paredes 
São cobertas por 
Quadros de palhaços 
E enfeites de circo 
O palhaço volta
Com uma taça de vinho 
- Tome, isto vai 
Te fazer bem 
Ele me falou 
Sem nem pensar 
Eu tomo vinho 
Então me vejo 
Caindo num buraco 
Negro e sem fim.
Enquanto o palhaço 
Olha pra mim 
Lá de cima 
E ri de minha queda 
Tudo fica escuro 
Não vejo nada 

R.
Quando eu acordo 
Estou amarrado 
Num salgueiro 
Eu tento falar
Mas não consigo 
Tento me mexer 
Mas não posso 
Olho ao redor 
Parece um vale 
Calmo e tranquilo 
Não há ninguém por perto 
Clima está em suspenso 
Nem quente, nem frio.
De repente um leão 
Vem em minha direção 
Ele pára na minha frente 
E me encara 
Sem mover um músculo 
Eu poderia ter medo 
Mas naquele momento 
Eu não senti nada 
Apenas um vazio 
Na minha mente 
Logo leão vai embora 
E eu me vejo 
Livre das amarras
E palavras cobrem 
As minhas mãos 
Eu me levanto 
E olho pra 
Aquele salgueiro 
Depois de um tempo 
Eu começo a andar 
E chego num pequeno jardim 
Onde no seu centro 
Há uma TV antiga 
Ela se liga 
E eu me vejo 
Numa sala decorada 
Com vários espelhos 
E logo me vejo 
Fisicamente nesta sala 

S.
Na sala de espelhos
Eu não vejo o meu reflexo 
Em lugar nenhum 
Apenas uma porta vermelha 
Por onde eu saio 
E ao sair daquela sala 
Entro num tipo 
De igreja gótica 
Onde minha mulher 
Se encontra vestida 
Como uma santa 
Em cima de um altar 

T.
- Briana, o que você 
Esta fazendo aqui?
Eu perguntei 
- Você não sabe?
Eu estou aqui 
Para salvar o salgueiro 
Ela me falou 
Eu não entendi nada 
Ela aponta para fora 
Daquele lugar estranho 

U.
Quando eu saio 
Me vejo novamente 
Na casa do salgueiro 
Só que ela tá queimando 
E o salgueiro se agita 
De repente, meus filhos 
Saem da casa 
Eles correm e gritam 
Eles estão queimados 
E caem aos meus pés 
Eu me desespero 
E começo a gritar 
Mas o som minha voz 
Não emite nada 
E quando chego
Perto dos meus filhos 
Eles viram cinzas 
E são levados pelo vento.

V.
A casa inteira desaba
E o salgueiro cai 
Um barulho imenso 
Ecoa naquele lugar 
A lua brilha tanto 
Que me cega 
Uma mão toca 
O meu ombro 
Uma voz desconhecida 
Fala pra que eu descanse 
E durma logo 
Eu tento lutar 
Contra esse pensamento 
Mas logo eu 
Caio no sono.

W.
Eu acordei num hospício 
Estou numa cela alcochoada 
De paredes brancas 
Ouço gritos ao longe 
Não quero crer nisso 
Deve haver alguma coisa 
Errada nisso tudo
É um engano 
Só pode ser 
A porta se abre 
E o médico aparece 

X.
Então eu sei de tudo 
Me lembro de tudo 
O médico disse 
O que eu me neguei 
A saber todo este tempo 
As minhas alucinações 
Com a casa 
E o salgueiro 
Minhas atitudes aleatórias 
O fogo que coloquei 
Para acabar com tudo isso 
E as suas consequências 

Y.
Eu fiquei calado 
Não soube o que dizer 
Parece tão irreal 
E ao mesmo tempo 
Isso é tão real 
A minha mente 
É o meu mundo 
E destruí tudo 
Não tenho mais 
O que fazer 

Z.
O vento bate na janela 
Um som eu escuto 
Como alguém chorando 
A lua invade 
A minha cela 
E tudo ganha 
Um aspecto irresistível 
Eu olho pela janela 
E não acredito
No que vejo 
Um grande salgueiro 
Está minha espreita.

Fim.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

o detetive Waddington

...
Olá 
Meu nome é Waddington.
Sou detetive particular.
Eu caí da escada.
E quebrei a perna.
Estou a 3 semanas de cama.
Isto é um saco.
Eu sou gay.
Tenho um marido.
Seu nome é Leonardo.
Léo pra mim.
Ele é pintor.
Está pintando um retrato nu meu.
Ele me provoca.
Começa a me chupar.
E nós transamos.
O telefone toca.
Quem fala é o meu amigo Ricardo.
Ele é escritor.
Me ajuda a achar clientes.
- Olá, Waddington. Eu tenho um caso pra você.
- Você sabe como eu estou.
- Não se preocupe. Você pode resolver qualquer caso em qualquer lugar.
- Tudo bem então. O que você tem pra mim?
...
Então ele me diz.
Uma mulher chamada Marie foi morta na prisão.
Ela se matou.
E deixou uma carta.
Isto me deixa deste jeito.
Um jeito pensativo.
Vida e morte sempre se cruzam.
Eu lembro um dia.
Ia para academia.
E passei por um enterro.
Coisa estranha esta é.
Lutamos tanto pelo bem estar físico.
E nosso destino final é a morte.
Decadência em alto nível.
Vale a pena lutar tanto pelas coisas?
Eu fico em dúvida.
Aquele caixão marrom encerra em si todas as perguntas da vida.
...
Marie era uma professora de teatro.
Tinha um gênio difícil.
Batia de frente com muita gente.
Um dia, numa briga, ela agrediu o namorado com uma faca.
Ela foi presa 
Isto foi a 3 meses.
Neste tempo ela recebeu 3 visitas.
Lashana, uma atriz.
Ela se apaixonou pelo namorado de Marie.
As 2 discutiram.
E Marie bateu nela.
Lashana prometeu vingança.
Alan, o namorado dela.
Eles brigaram por razões óbvias.
E Lucy, a irmã dela.
As duas nunca se deram bem.
E por questão de herança, elas se desentenderam mais ainda.
...
Ricardo me passa estas informações.
Os 3 suspeitos foram interrogados.
Nada foi descoberto.
Ela escreveu uma carta 
Não dá nome a ninguém.
Só fala que depois da visita de alguém, ela ficou abalada.
E dias depois, se enforcou.
Alguém revelou um segredo pra ela.
Isto lhe perturbava muito.
E a história terminou desta forma.
Ricardo falou com os três.
E me trouxe os relatos.
...
Lashana visitou na cadeia.
Como um deboche.
As duas ficaram a sós.
Ela contou que Alan preferia a ela.
Pois Marie era passado.
Não tinha mais o encanto de antes.
Ela faria um favor se sumisse do mundo.
Marie deu um tapa nela.
E esta foi a última vez que se viram.
...
Alan foi visitá-la.
Os dois discutiram.
Marie ainda o amava.
Ele não sentia nada.
E revelou seu desprezo por ela.
Isto a magoou.
Ele foi embora.
Ela ficou chorando.
...
Por último, Ricardo encontra Lucy.
Ela não quer falar.
Diz que a irmã teve o que merece.
E vai embora.
Ricardo fica intrigado.
E vasculha a vida das duas.
Ele entrega o material a mim.
...
Eu vejo algumas anotações.
A mãe delas morreu de um ataque cardíaco num parque.
Marie estava com ela.
As duas faziam um piquenique junto a um jardim público.
Marie adormece.
E quando acorda, sua mãe está morta.
O mais interessante de tudo, é que na bolsa de sua mãe, estava o seu remédio.
Que ela nunca esquecia de tomar.
E isto liga um sinal de alerta em mim.
...
Eu ligo pra Lucy.
Ela me atende.
- Alô?
- Oi. Meu nome é Waddington. Sou detetive particular.
- O que vc quer?
- Saber sobre a sua irmã, Marie.
- Eu não tenho nada pra falar sobre isso.
- Tem certeza?
- Sim.
- Pois eu não.
- Problema é seu.
- Eu sei o que aconteceu.
- E o que você sabe?
- Sua irmã se matou por sua causa.
- Minha causa? Porque?
- Você falou com ela sobre a mãe de vocês. Ela morreu de um ataque cardíaco, que poderia ter sido evitado por sua irmã que estava com ela na hora. Mas ela não fez nada. E isto levou ao óbito de sua mãe. Você conhece sua irmã. E sabe muito bem do que ela é capaz. Eu só não entendi qual é a causa.
- Quem contratou você?
- Ninguém. Certas histórias me interessam por si só.
- Muito bem então. Eu vou lhe dizer qual é a causa. Na época, Marie e minha mãe estavam brigando demais pelo jeito de ser dela. Minha mãe ameaçou deserda-la. Marie se enfureceu. E resolver dar cabo dela de forma indireta. Ela combinou este piquenique só as duas pra reconciliação. E Marie ia mata-la de algum modo que eu não sei. Só que a ironia do destino fez minha mãe ter este ataque. E ela aproveitou a ocasião e lugar deserto pra negar auxílio. O resto é história.
- Compreendo. Agradeço a informação.
- Não me ligue mais.
Ela desligou o celular.
E logo entendi que Lucy havia ido na cadeia, e aproveitou a ocasião pra jogar esta história na cara da irmã.
Ela não aguentou a pressão, e se matou.
Isto é a natureza humana.
...
Alguns dias depois, Léo terminou o meu quadro.
Até que me senti um Dorian Gray.
Sem a parte de vender minha alma.
Ricardo publicou seu conto num site.
Com nomes fictícios, é óbvio.
E eu escrevi este texto.
Para minha lembrança.
De como as pessoas podem ser.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

folhas de outono

 Capítulo 1

Um barco navega por um mar sereno.
O vento tá tranquilo.
Céu está azul.
Sol é límpido e brilhante.
Ramsés gosta de navegar.
Sua vida é o mar.
Nada lhe importa.
Mas um dia tudo muda.
Porque numa ilha, ele encontra o amor.

Capítulo 2

Ao aportar numa ilha deserta, Ramsés anseia por paz e liberdade.
Ele percorre toda olha a pé.
Lugar é muito lindo.
Tudo é calmo e tranquilo.
Paisagem é verdejante.
Ele se banha na praia.
E quando pensa em ir embora, ele vê Nefertari.
Ela é uma linda moça.
E pinta uma paisagem.
Ele fica encantado.
Por ela e pela pintura.
E decide conversar com ela.
- Olá, meu nome é Ramsés.
Ela fica surpresa.
- Oi, meu nome é Nefertari.
- Você mora aqui?
- Eu moro sim e você?
- Eu sou aventureiro.
- Ótimo.
- Seu quadro é lindo.
- Obrigada.
- Você mora só aqui?
- Sim.
- Interessante.
- Você quer ver minha casa?
- Eu quero sim.
- Então vem comigo.
Eles atravessam uma selva exuberante.
Sua cabana de palha é bonita.
- Gostei daqui. Você que fez?
- Fui eu sim.
- Você é bem proativa.
- Com certeza sim.
- Compreendo. Eu já vou.
- Tão cedo? Você não quer almoçar comigo?
- Senão for incomodo.
- De jeito nenhum.
- Eu aceito sim.
- Perfeito.
E assim começa mais uma jornada humana e emocionante.

capitulo 3

muitos dias se passam.
ramses e nefertari ficam cada vez mais intimos.
ate que um dia, o romance acontece.
eles se amam a beira da praia.
uma cena romantica cliche.
mas nem tudo eh o que parece.
nefertari conversa com ele.
- saiba que eu nao quero um relacionamento convencional.
- eu tambem nao.
- otimo, devemos ser livres.
- e fazer o que quisermos.
- perfeito.
e eles se amam novamente.
ramses a convida para um passeio no seu barco.
entao ela aceita.
tudo vai bem.
ate que uma tempestade acontece.
o barco vira.
e o ceu escurece.

capitulo 4

quamdo eles acordam, estao num quarto estranho.
parece um navio.
ouvem barulho la fora.
ao irem ao conves, homens jogam cartas e bebem.
ramses pergumta quem sao eles.
um homem gigante e bem humorado fala que o capitao quer falar com eles.
eles sao guiados e introduzidos num quarto luxuoso, amplo e espacoso.
- ola, eu sou capitao priamo. bem vindo ao literato, meu navio.
ambos agradecem.
- eu tirei voces inconscientes do mar.
eles agradecem novamente.
- voces dormiram por 3 dias.
ramses fica espantado.
- tanto tempo assim?
- sim.
nefertari pergunta onde estao.
- nos estamos no meio do pacifico.
- nossa, tao longe assim?
- pois eh.
ramses pergunta se podem leva-los de volta para casa.
- por enquanto nao.
- somos prisioneiros de voces?
- claro que nao. temos que ir a uma ilha. depois que resolvermos um assunto la, voces voltam para casa.
ambos ficam decepcionados.
priamo lhes oferece comida.
e eles aceitam.
o dia entao se vai.
a noite cai.

Capítulo 5

Eles chegam numa ilha.
Todos descem do navio.
Eles procuram um tesouro.
O que esperar de piratas?
Príamo analisa um mapa.
Eles seguem em frente.
Nefertari admira paisagem.
Ela adoraria pinta-la.
Eles chegam em frente a uma caverna.
Um homem idoso os espera.
Esta todo vestido de cinza.
Priamo toma dianteira do grupo.
E fala com ele.
- Nós estamos aqui pelo tesouro.
E o velho responde.
- Eu sei disso.
- E como vc sabe?
- Eu sou oráculo.
- Ótimo, então vamos entrar.
- Só tem um porém.
- O que é?
- Para pegar o tesouro, vocês terão que fazer um sacrifício.
- Sacrifício?
- Sim. Vocês vão ter que sacrifica-la.
Oráculo aponta para Nefertari.
Ramsés a defende.
- Ninguém toca nela.
Príamo olha pra eles por um instante.
E pergunta ao oráculo.
- Tem certeza que não podemos fazer outra coisa sobre isso?
- Vocês não podem.
- Tudo bem então.
Priamo pega uma arma e atira no oráculo.
Os outros ficam surpresos.
Ele fala pra seguirem em frente.
Caverna é longa e escura.
Ambiente é silencioso.
Eles chegam num imenso salão, repleto de jóias.
Todos ficam maravilhados.
Um vento frio percorre o lugar.
Uma gargalhada se ouve ao longe.
Eles se viram.
E vêem o espectro do oráculo.
E ele fala.
- Eu avisei a vocês.
Todos atiram nele.
Mas nada aconteceu.
De repente, Príamo coloca mão no coração.
- O que está acontecendo?
Ele fica assustado.
E cai morto.
Caverna começa a desabar.
Todos fogem dali.
Mas ao sair da caverna, os piratas pegam fogo e morrem.
Só Ramsés e nefertari escapam.
Eles vêem a caverna desabar.
Pegam o barco.
E fogem dali.

Capítulo 6

Ramsés deixa Nefertari na sua ilha.
Ele volta pra casa.
Seu aniversário chega.
Uma festa é feita pra ele.
E ganha vários presentes.
Um deles chama sua atenção.
Uma bola de cristal.
Enviada pelo correio.
E há uma mensagem nela.
"Me encontra no seu barco hoje a noite".
Ramsés fica curioso.
E ele vai até lá.

Capítulo 7 

Ele chega no barco.
E tem uma surpresa.
Encontra um ex namorado seu.
Nome dele é Tito.
- Oi.
- Há quanto tempo.
- Pois é.
- Eu fiquei surpreso.
- Pensei que não vinha.
- Que bom que veio.
- O que vc quer?
- Senti saudades de vc.
- É mesmo?
- Sim.
- O que vc propõe?
- Eu proponho isso.
Tito beija Ramsés.
Tira a roupa.
Joga ele na cama.
Excita o seu corpinho.
Ele fica duro.
Tito sobe em cima dele.
E é penetrando.
Ele cavalga intensamente.
Os dois não aguentam o tesão.
Acabam gozando juntos.
Os dois se desordem.
Cada um volta pra sua casa.

Capítulo 8 

Ramsés vai visitar Nefertari.
Mas ela sumiu.
Sua cabana é revirada.
Ele fica preocupado.
Procura pela ilha.
E não encontra ninguém.
Vê uma canoa encalhada.
Investiga o seu interior.
E encontra um objeto.
Uma pintura de Nefertari.
Uma fortaleza nas nuvens.
É o que mostra pintura.
Ramsés fica intrigado.
Ele olha pra o céu.
E imagina cena.
Volta pro seu barco.
Aciona uma alavanca.
O barco se transforma em nave.
Ele vasculha o céu por 3 dias.
Nenhum sinal dela.
Até que chega o quarto dia.
Um castelo na nuvem.
Eis a sua visão.
Ramsés vai até lá.

Capítulo 9

Ramsés chega na nuvem.
Lá tem um grande castelo dourado.
Ele bate na porta.
Ela se abre sozinha.
Ele entra no lugar.
Há um grande pátio.
Ele é cheio de árvores.
Flores de todo tipo.
Mas não há ninguém.
Ele vê o prédio principal.
Rodeado por colunas gregas.
Várias estátuas de mármore.
Ramsés entra no grande salão.
Cortinas vermelhas adornam o local.
O vento faz elas balançarem.
O salão quase não tem móveis.
Lá dentro é bem iluminado.
O piso é preto e branco.
O teto é abobadado.
No meio do salão, há uma mesa.
E sobre esta mesa, uma caixa de madeira.
Ele vê dentro uma chave.
Pega a chave.
Vê uma porta amarela na sua frente.
Ramsés abre a porta.
E lá dentro ele encontra o rei negro.
- Olá Ramsés.
- Quem é você!?
- Eu sou rei negro.
- O que vc quer? Onde está Nefertari?
- Ela está comigo e eu quero acabar com vc.
- Porque?
- Porque em outras vidas você roubou tudo o que eu tinha e me matou.
- Do que você está falando?
- Eu falo em acabar com vc.
- Eu não quero confusão.
- Mas eu quero sim.
- Como vamos resolver isso?
- Eu tenho um desafio pra você. Se vencer, vocês saem livres daqui. Se perder, você é meu. Aceita?
- Sim.
- Ótimo. Que o desafio comece.

Capítulo 10

Ramsés é enviado para uma sala onde existem 4 portas.
Cada porta representa um elemento.
Água, terra, fogo e ar.
Em cada um destes elementos, terá que conseguir um objetivo valioso a ser recuperado.
A primeira porta que ele atravessa é a terra.
Ele se vê num jardim.
E descobre que está com armadura e uma espada.
No alto de uma coluna rodeada de espinhos, há uma rosa mágica numa redoma de vidro.
Mas antes ele terá que enfrentar um guerreiro de pedra.
Apesar de uma luta perigosa, ele derrota o guerreiro.
Ramsés tenta subir a coluna mas cai várias vezes.
E numa destas quedas ele fere um olho.
Rasga um pedaço de roupa e faz um tapa olho.
Ele sobe novamente na coluna.
E consegue pegar a rosa mágica.

Capítulo 11

A próxima porta que ele atravessa é o ar.
Pendurado numa nuvem, Ramsés vê uma espada de cristal.
Ele se percebe vestindo uma roupa de monge.
E ao seu lado se encontra um bastão de bambú.
Ele tá na beira de um penhasco.
Uma águia gigante cruza o céu.
Ela vai em direção a espada.
Inconscientemente, Ramsés pega o bastão, pula do penhasco e acaba voando com ajuda do bastão.
Ele pula de nuvem em nuvem.
Águia tenta ataca-lo.
Ramsés se desvia do ataque.
Ele alcança a espada.
Águia então desaparece.

Capítulo 12

A próxima porta é do fogo.
Ele se encontra diante de uma ponte de madeira.
E do outro lado, ele vê uma estatueta de gato cinza.
Ramsés percebe na sua mão um leque de seda.
Quando ele começa a atravessar a ponte, ela pega fogo e várias bolas de fogo vão em sua direção.
Ele as desvia com o leque.
Ele corre pela ponte.
Uma bola de fogo atinge a sua mão e o leque cai.
A ponte se quebra.
Ele fica pendurado.
Um abismo se abre sobre ele.
Com muito esforço, Ramsés chega do outro lado.
E pega a estatueta.

Capítulo 13

A última porta é a água.
Ele se vê diante de um lago.
Ramsés se encontra nu.
Há várias carpas japonesas.
No meio do lago, há uma pérola negra.
Ele pula no lago.
As carpas o rodeiam.
E tentam afoga-lo.
Os peixes rodeiam o seu corpo.
Ele sente dificuldade em se mover.
Um desânimo toma conta de Ramsés.
Ele pensa em desistir.
Mas lembra dos bons momentos com Nefertari.
Logo arranja forças.
Afasta as carpas.
E consegue pegar a pérola.

Capítulo 14

Ramsés está de volta a presença do rei Negro.
- Aqui está o que você quer.
A rosa mágica.
A espada de cristal.
A estatueta do gato.
A pérola negra.
- Muito bom.
- Onde está Nefertari.
Uma porta se abre.
Nefertari aparece vestida de negro.
- Aqui estou eu.
Ramsés fica feliz.
- Que bom que vc está bem.
De repente, o rei negro lhe atinge pelas costas com a espada de cristal.
Ramsés cai sangrando.
Ele pede ajuda pra Nefertari.
Ela fica indiferente.
E beija o rei.
Ele fica surpreso.
- O que vc está fazendo?
Ela olha pra ele com sarcasmo.
- Seu idiota. Você ainda não entendeu? Eu estou com ele.
Uma lágrima de decepção percorre o Rosto dele.
Nefertari pega rosa mágica.
- Este é um presente meu pra você.
Ela coloca rosa em cima de Ramsés.
A flor então se ramifica em uma roseira que toma todo corpo do nosso herói.
E ele morre.
O rei negro toca na estatueta do gato.
E este se transforma num dragão.
Os dois se abraçam.
O rei fala que agora é o tempo deles conquistarem o que tanto desejam.
Mas quando se beijam, um raio fulmina o casal.
Então aparece o oráculo e Tito.
- Muito bom, pai. Eles fizeram todo trabalho por nós. Só sinto pelo Ramsés.
- Não se preocupe, meu filho. Toda conquista exige um sacrifício. Ramsés não será esquecido.
O nosso protagonista é enterrado debaixo de uma árvore.
O outono chegou.
As folhas caem.
E a história continua.






quarta-feira, 20 de novembro de 2024

a lanterna vermelha

1.
Numa noite chuvosa, Aline olha pra o céu em busca de um sentido para tudo isso.
Seus pais acabam de se separar.
E o seu irmão está longe.
Ela ainda é uma adolescente.
Procura o seu lugar no mundo.
O vento é mais frio.
Mas ela não se importa.
O seu pensamento está longe.
Bem distante dali.

2.
Numa aula de história, Aline se apaixona pela Grécia antiga.
E o seu sonho é conhecer este lugar.
Ela sonha com os mitos de deuses e monstros.
A noite, escreve poemas.
Poesias que ninguém lê.
Ela sente um vazio n'alma.
Uma vontade de se libertar daquele lugar.
Sair daquela rotina.
Mas Aline não sabe o que fazer.

3.
O fim de ano chega.
Ela vai pra praia com a sua mãe.
Seu pai está longe.
Todos os dias, ela caminha a beira mar.
Aline gosta da sensação do vento no rosto.
Da solidão que lhe acalma.
Até que um dia, ela encontra uma lanterna vermelha.
E junto com a lanterna um bilhete.
"Me encontra na cabana verde hoje".
Ela fica surpresa.
Mas não temerosa.
Finalmente algo misterioso e fascinante acontece em sua vida, ela pensa.
Ela pega lanterna vermelha.
Procura a cabana verde.
E ao longe ela vê algo que não estava lá antes.
Aline vê a cabana.
E com a confiança juvenil, ela segue pra lá.

4.
Ao chegar perto da cabana, Aline vê que a construção é nova e bem cuidada.
E quando ela pensa em bater na porta, esta misteriosamente se abre.
Um gato carinhoso vem lhe dar as boas vindas, se enroscando entre suas pernas.
Ela faz carinho no gato.
E este a conduz para dentro da cabana.
A porta se fecha sozinha.
E a lanterna vermelha ganha vida e sai flutuando até ir pra uma mesa no meio da sala.
Ela percebe que a sala onde se encontra é espaçosa e mobiliada de forma moderada.
Uma lareira no canto da sala está acesa.
De repente, uma mulher de vermelho aparece.
Aline se assusta.
- Olá. Não se preocupe. Meu nome é safira. Estou aqui pra lhe ajudar.
Sem saber o que fazer, Aline se senta numa cadeira.

4.
Muito bem. Eu sei o que se passa na sua vida, diz safira.
É mesmo? E como vc sabe disso? Pergunta Aline.
Eu sei porque é minha natureza saber das coisas, responde safira.
- hum. Este papo é estranho.
- Então você está disposta a dar um novo rumo a sua vida?
- Sim. Eu não tenho nada pra perder mesmo.
- Ótimo. Ali naquela mesa há um caderno e uma caneta. Sente-se e escreva o que lhe vier a mente. Depois daremos mais um passo na sua jornada.
- Tudo bem então.
Aline vai até a mesa, senta-se e decide escrever uma carta pra ela mesma.

5.
Carta de Aline 
...
Eu me vejo numa praia.
Uma mesa e uma cadeira.
Estão na areia.
Em cima da mesa, um relógio.
Os ponteiros estão parados.
O mar está calmo.
O dia está tranquilo.
Eu sinto vento no rosto.
Me sento e olho o céu.
Sol está radiante.
As nuvens deslizam suavemente.
Tudo é perfeito.
Compreendo o tempo.
E olho pra ele.
As brigas de meus pais.
Não tem nada a ver comigo.
Meu irmão está longe.
É sua rota de fuga.
Eu não o recrimino.
Cada um faz o que pode.
Água molha os meus pés.
O relógio volta a funcionar.
Eu olho pra ele.
Me levanto e vou embora.
...
Safira lê a carta.
- Ótimo. Você escreveu bem.
- O que acontece agora?
- Eu tenho algo pra você.
- O que?
- Tome estes presentes.
Safira lhe dá uma caixa amarela.
Aline olha dentro e fica surpresa.
- O que eu faço?
- Dê pra sua família.
- Para que?
- Você saberá na hora certa.
- Tudo bem então. Obrigado.
Ela pega os presentes.
E vai embora.

6.
Elas voltam pra casa.
Aline fala com sua mãe.
- Eu tenho um presente pra você.
- Que presente?
- Este aqui.
Aline tira um véu de sua mochila.
E entrega a ela.
- Que lindo, minha filha. Obrigado.
- De nada.
A mãe beija Aline no rosto.
Aline sai.
Quando ela coloca o véu, adormece.
Ao acordar, sua mãe está num jardim outonal.
Folhas douradas cobrem o chão.
Ela tá sentada num balanço.
Vento sopra levemente.
Ela vê ao longe, seu marido brincando com os filhos.
Eles correm no meio do jardim.
A mulher fica emocionada.
Ela não sabe bem o que aconteceu. 
Mas agradece pela lembrança.
Um dia ela foi feliz.

7.
Aline vai visitar o seu irmão.
- Olá, que surpresa vc aqui.
- Saudades de vc.
- Que bom então.
- Como estão as coisas?
- Do mesmo jeito.
- Compreendo.
- Eu tenho um presente pra vc.
- Ah, não precisa.
- É só uma lembrança.
Ela lhe entrega um par de sandálias.
Elas tem um detalhe.
Um par de pequenas asas.
- Que lindo. Obrigado.
- De nada.
Eles se abraçam.
Eles passeiam por uns dias.
Aline volta pra casa.
Uma noite, seu irmão vê as sandálias.
Ele as coloca.
E quando está no quintal, começa a voar.
Ele fica temeroso.
Mas, estranhamente, uma sensação de calma invade o seu espírito.
Ele voa até às nuvens.
E vê a Lua.
As estrelas dançam ao seu redor.
Ele fica emocionado.
E um pensamento lhe ocorre.
Na verdade, uma lembrança.
Numa noite como aquela, ele e seus pais foram ao cinema.
Foi um filme divertido.
Eles riram muito.
Depois, foram ao restaurante.
Na volta pra casa, ele admira da janela do carro, o céu estrelado.
E a lua que tanto brilhou naquele momento.
E quando dá por si, está novamente no chão.
Ele vai se deitar.
Não entende o que aconteceu.
Mas, emocionado, ele chorou.
E sente saudades daquele tempo.

8.
Aline visita o pai.
Eles se abraçam.
- Oi, minha filha. Como você está?
- Eu tô bem, obrigado. E o senhor?
- Também estou bem.
- Ótimo. Eu lhe trouxe um presente.
Aline lhe dá uma caixa de madeira de cor azul.
- Obrigado, minha filha. É muito lindo.
- De nada.
Ele aperta ela contra o peito.
- Você quer um café?
- Sim.
- Eu vou preparar.
Eles passam uma tarde tranquila.
A noite, Aline volta pra casa.
O seu pai olha pra caixa.
E ao abri-la, ele tem uma visão.
Num hospital, sua ex-mulher se encontra operada.
Sua filha acabou de nascer.
Ele acaricia os cabelos da mulher.
E eles se beijam.
Ele vê a filha no berçário.
Ela dorme tranquilamente.
Ele fica emocionado.
Seu filho chega com a avó.
Ele abraça o filho.
E contemplam a bebê.
Sua mente volta pra o presente.
Seu olhar fica perdido.
E ele se pergunta o que deu errado?

9.
Em casa, Aline pensa nos acontecimentos dos últimos dias.
Algumas semanas passaram.
Campainha de casa toca.
Ela vai atender.
É o seu irmão.
- Ian, que surpresa.
Eles se abraçam.
- Pois é. Deu saudade. Vim ver vocês.
- Entra. Nossa mãe foi no mercado. Logo chega.
- OK.
Eles conversam e comem alguma coisa.
Mãe deles chega.
E fica contente com a visita.
Ela vai preparar o almoço.
Ian diz que vai ficar ali por alguns dias.
Aline adora esta notícia.
A noite, eles se preparem pra sair e jantar.
A campainha toca.
Ian vai atender.
- Pai?
- Oi, filho. Que surpresa.
Os dois se abraçam.
Aline e a mãe também ficam surpresas.
Ele fala com a ex mulher.
- Oi, Cristina. Como você está?
- Olá, Juan. Eu estou bem e vc?
- Também. Espero não ter atrapalhado vocês.
- Nós íamos sair pra jantar.
- Tudo bem então. Eu vou embora.
Ian pede pra ele ir também.
- Eu não sei se devo.
Cristina fala que por ela tudo bem.
Os filhos concordam.
Aline fica feliz.
Todos vão pro restaurante.
No jantar, Juan fala pra eles.
- Me desculpem por tudo. Eu sei que errei com vocês. Isto não tem perdão.
A mae e os filhos ficam atônitos.
Cristina diz que não é fácil.
Juan responde que sabe disso.
Cristina continua a conversa.
- Eu ainda amo vc. E quero tentar outra vez. Se você melhorar.
Juan fica emocionado e diz que promete melhorar.
Todos se abraçam.
Mas Cristina adverte.
- Vamos com calma. 
Juan responde que compreende.
Eles continuam o jantar.
Aline não cabe em si de felicidade.
Ela olha pela janela.
E percebe que alguém olha pra eles.
Do lado de fora, safira sorri pra ela. E Aline devolve o sorriso.

10.
Todos vão embora.
Juan vai pra sua casa.
E eles vão pra deles.
Uma nova etapa começa.
Um futuro promissor.
Uma esperança pra todos.
Ao se deitar, Aline percebe uma luz vermelha.
E ao olhar no corredor, uma lanterna vermelha brilha intensamente.
Aline dorme tranquilamente.


Fim.





quinta-feira, 14 de novembro de 2024

o guardião da floresta

Capítulo 1

Era uma vez um rapaz que vivia insatisfeito com a sua vida.
Ele possuía tudo que queria.
Mas não encontrava consolo em nada.
Toda noite, ele se perguntava o que acontecia com ele para ter este tipo de sentimento.
Então, um dia, lendo um livro de auto ajuda , ele descobriu que existe uma espécie de filosofia que ajuda as pessoas a enfrentarem este tipo de situação na sua vida.
Mas tem um porém.
Para se alcançar este momento de sublimação espiritual, ele teria que percorrer uma jornada na floresta.
E através desta floresta, passar por provações que colocariam em evidência o seu verdadeiro valor espiritual.
O rapaz aceitou este desafio e rumou para floresta mais próxima de sua casa.

Capítulo 2

Durante este tempo, o rapaz se isolou do mundo.
E adentrou cada vez mais o mundo natural da floresta.
Embora ele não soubesse o que iria fazer ali de fato, tentou tranquilizar seus pensamentos.
E enquanto caminhava, ele pensou em desistir.
Talvez fosse uma bobagem tudo isso. E ele resolveu voltar.
Mas no meio do caminho, ele encontra um guardião da floresta.
Um jovem de aparência tranquila e serena.
- Quem é você?
- O meu nome é Willow.
- O que você faz aqui?
- Eu estou numa jornada espiritual.
- Compreendo.
- E você, quem é?
- Eu sou guardião da floresta.
- E o que você faz aqui?
- O meu nome já é auto explicativo.
- Entendi.
- Então você está Numa jornada de herói, não é mesmo?
- Sim.
- Venha comigo. Eu vou te ajudar neste caminho.
- Porque?
- Porque eu quero.
E os nossos dois heróis vão em busca do sentido da vida.

Capítulo 3

Eles então chegam numa cabana de madeira, no meio da floresta.
Tudo lá limpo e organizando.
- Você quer café?
- Eu aceito sim.
O guardião lhe oferece uma xícara de café.
Willow agradece-lhe.
- Seu café é bom.
- Obrigado. Quer me contar a sua história?
- Bem, eu não tenho muito que falar. Resumidamente, eu estou numa crise existencial, e ao ler um livro, eu soube de um jeito de melhorar este sentimento em mim. E agora estou aqui.
- Compreendo. E isto quer dizer que você tem que encontrar um caminho tanto literal quanto figurado numa floresta para lhe dar um propósito de vida, não é isso?
- Sim.
- Entendi. Eu sei como a sua alma está Inquieta. E eu sei também o porquê.
- E como vc sabe disso?
- Digamos que é de minha natureza saber disso.
- Você é alguma espécie de adivinho?
- Algo do gênero.
- E o que eu faço agora então?
- Muito bem.
O guardião vai até um canto da sala, pega um guarda chuva e lhe entrega.
- Para que eu quero um guarda chuva?
- Ande com ele em linha reta, e quando começar a chover, você encontrará alguém para lhe ajudar na sua jornada.
- É só isso?
- Por enquanto sim.
- Tudo bem. Agradeço pelo café.
- Não tem de que.
Willow sai da cabana com o guarda chuva, enquanto o guardião olha para ele.

Capítulo 3

Enquanto Willow caminha com o guarda chuva, o céu está azul e brilhante.
Mas quando ele se aproxima duma caverna, o tempo fecha e começa a chover.
Ele então usa o guarda chuva, e para sua surpresa, um raio de luz sai da caverna.
O nosso herói fica curioso e vai até lá.
E para seu espanto, ao entrar no local, a caverna se mostra uma sala de estar totalmente decorada com vários tipos de relógios.
Ele olha aqueles objetos, quando uma mão misteriosa toca no seu ombro.
Ele se vira e vê um garoto vestido como um príncipe a olha-lo de forma curiosa.
- Olá. Quem é você?
- Oi. O meu nome é Willow. Desculpe eu invadir a sua caverna, mas começou a chover e...
- Não precisa continuar. Eu já sabia que vc viria.
- Já? E quem lhe contou?
- Isto não importa. O meu nome é Wizard.
- Wizard? Engraçado, este nome nao me é estranho.
- Tenho certeza que não.
- Como assim?
- Não é nada.
Wizard olha para um relógio de bolso, e diz que está quase na hora.
- Quase na hora de que?
- Não seja apressado. Tudo a seu tempo.
Os relógios começam a tocar, e algum tempo depois, param.
Willow acha isto estranho.
- Não é nada estranho, fala Wizard. Agora sente-se, por favor.
Willow senta-se, desconfiado.
- Eu sei porque você está aqui.
- Engraçado como todos vocês sabem.
- Claro que sim. Nada se esconde na natureza.
- E como vc pode me ajudar nisto?
- Dizendo a verdade para vc.
- E que verdade é essa?
- Que você matou seus irmãos.
- O que?
- Isto mesmo. Você matou eles por ciúme e despeito. E desde então, você vive vazio. Nada lhe satisfaz.
- Como você ousa falar assim comigo?
- E como vc ousou fazer isto com eles?
- Eu não tive culpa. Foi só uma brincadeira.
- Uma brincadeira que os levou a morte.
- Todo dia eu me lembro disso. E não consigo me perdoar.
- Então olha pra o relógio.
- O que?
- Olha pra ele.
E aponta o relógio atrás dele.
Willow vê na sua frente um lindo relógio em formato de anjo.
E fica fascinado por ele.
- É tão lindo.
- É sim. Fui eu que fiz; desde que vim parar aqui, fiz todos estes relógios.
E aponta para sala inteira.
Willow pergunta como ele foi parar ali.
Wizard reponde que eles tem mais em comum que imagina.
- Você se lembra dos seus irmãos?
- Eu não consigo me lembrar deles. É como uma imagem borrada na minha mente.
- É como um castigo pra você.
- Sim.
Willow olha pra o chão com uma expressão triste.
Wizard levanta-se, pega uma bússola e dá pra ele.
- Tome isto, vai te ajudar na sua jornada. Esta bússola te guiará ao seu próximo passo.
- Eu terei redenção?
- Isto só o tempo dirá.
Os relógios voltam a tocar.
- Obrigado pela bússola.
- De nada.
Willow guarda bússola, e ao sair da caverna, o tempo está claro novamente.
Ao olhar pra caverna, ela simplesmente desapareceu.
Ele pega bússola que aponta para o norte, e segue em frente.
A sua jornada continua.

Capítulo 4

Enquanto caminha pela floresta, o nosso herói ouve o som de pássaros cantando, e o barulho de uma cachoeira por perto.
Ele,então, segue o som e se depara com uma paisagem magnífica e floral.
Várias garças sobrevoam aquele jardim colorido e exuberante.
E uma cachoeira de água pura, cristalina e perfumada se apresenta aos seus sentidos.
Willow tira a roupa e toma um banho revigorante neste paraíso.
Ele flutua na superfície daquela água enquanto o sol banha o seu rosto bom uma luz suave e aconchegante.
Depois de um tempo, ele se deita naquele gramado macio e dorme.
Ao acordar, já é noite.
Ele se veste e segue em frente na sua jornada.

Capítulo 5

Durante a caminhada, sua bússola acende uma luz verde.
Isto significa que ele chegou no local que deveria chegar.
E Willow vê a sua frente uma casa no estilo japonês.
Ao bater na porta, um rapaz vestido de quimono vêm atendê-lo.
- Olá, seja bem-vindo. O meu nome é Walker. Eu já estava a sua espera. Entre.
Willow entra e se admira com o ambiente confortável em estilo oriental.
- Sente-se. Eu vou lhe servir um chá.
- Obrigado, mas como vc sabe de minha chegada?
- Esta floresta é mágica, e aqui tudo pode acontecer.
- Compreendo.
Walker serve chá para ambos e senta-se no tatame, em frente a uma mesa baixa.
- Então você sabe porque estou aqui?
- Eu sei sim.
- Pois é. Como você pode me ajudar?
Walker se levanta, pega papel, pincel e tinta, e senta-se novamente.
Sem dizer uma palavra, ele desenha uma lagoa e mostra pra Willow.
- Isso te lembra alguma coisa?
- Não.
- Pois então. Este é o problema.
- Qual?
- Para você parar de sentir o que sente, deve se lembrar.
- Me lembrar do que?
- Do que você fez.
- Eu não entendo.
- Eu posso ajudar você 
- Como?
- Você confia em mim?
- Não tenho outra opção.
- Então deixa comigo.
Walker faz Willow deitar-se no chão, e começa a recitar uma canção que o faz adormecer.
Willow sonha e se lembra de tudo.

Capítulo 6

Há muito tempo atrás, Willow sai pra um passeio com seus irmãos Wizard e Walker num bosque.
Willow adora guarda chuva.
Wizard gosta muito de relógios.
Walker adora desenhar.
Mas Willow não demonstra interesse em nada.
E isto desgosta seus pais.
E por estes e outros motivos, ele é desfavorecido em relação aos irmãos.
Os outros são sempre alvo de amor, carinho e atenção dos pais, enquanto Willow é relegado em segundo plano.
Isto faz crescer um sentimento de ódio e rancor nele contra os irmãos.
E num lago perto do bosque, Walker desenha o lago no seu caderno, enquanto Wizard conserta um relógio de bolso.
Neste meio tempo, Walker resolve nadar no lago, e passa mal.
Wizard não sabe nadar e pede ajuda pra Willow que não se mexe.
- Ajuda o Walker. Você sabe nadar.
Willow não diz nada.
Sem resposta, Wizard se atira no lago para salvar o irmão.
Os dois morrem afogados.
Willow vê tudo e não faz nada.
Ele tá frio e imperturbavel.
Willow vê o desenho do Walker e o relógio de Wizard no chão.
Ele apanha estes objetos.
Guarda no bolso do seu casaco.
Ele vai pra casa.
E mente pros pais sobre o que aconteceu.

Capítulo 7 

Willow acorda sobressaltado.
Ele olha pra Walker assustado.
- Agora você lembra?
- Eu lembro sim.
- Então você já sabe.
- Mas como isso é possível?
- Isso o que?
- Vocês ainda estarem vivos.
- Nós vivemos na sua mente. 
- Então este é o motivo de minha melancolia?
- Sim. Você acabou conosco e com nossa família. Isto tem um preço.
- Pára com isso. Não é verdade. Eu não tive culpa.
- Você não ajudou.
- Problema de vocês. Pensassem bem antes de querer fazer algo que não sabem.
- Você continua o mesmo.
- E você continua insuportável.
Vocês não vão me assombrar.
Eu vou embora daqui.
- Tudo bem então. Apenas tome isto.
Walker lhe dá um desenho.
Willow vê o desenho, se assusta, amassa o papel, joga no chão e vai embora dali.

Capítulo 8 

Desorientado na floresta, Willow se vê sem alternativa.
Depois de tanto sacrifício, ele se encontra ali.
Sem noção do que fazer.
Entra em cena o guardião da floresta.
Willow olha espantado para ele.
- Era só o que me faltava.
- O que foi?
- Era pra eu vir nesta floresta me curar, e não ter mais problema.
- Você que fez isso.
- Mas que novidade.
- Faça algo novo.
- Quem é você, afinal?
- A sua consciência.
- Não brinca.
- Eu não estou brincando.
- Então você é tipo grilo falante do Pinóquio pra mim?
- Bingo.
- AFF, ninguém merece.
- Você merece sim.
- Dá pra me ajudar, ou vai ficar tirando onda com a minha cara?
- Você quer se ajudar?
- Sim.
- Você se arrepende do que fez?
- Sinceramente, não.
- Eis o problema.
- Pois é. E como podemos mudar isso?
- Só depende de vc.
- E isso quer dizer que...?
- Só há uma forma de vc reverter os seus pensamentos.
- Como?
- Sendo guardião da floresta.
- Eu não entendi.
- Viva em meio a natureza por um tempo. Observe ela sem julgamentos. E talvez haja uma saída pra você.
Willow pensa por um tempo.
E fala pro guardião.
- Tá bom. Eu não tenho nada que me prenda mesmo lá fora. Quem sabe aqui não faça alguma diferença pra mim?
- Ótimo. Que você guarde a floresta e ela lhe abençoe.
Num passe de mágica, ele some e Willow se vê sozinho naquela clareira.
De repente, ele se lembra que esqueceu de perguntar o que um guardião faz.
Mas agora, já é tarde.

Capítulo 9

Alguns dias se passam.
Willow perambula pela floresta, seja no sol ou na chuva.
Estranhamente, ele não sente fome e nem sede.
Mas está tudo bem.
É uma coisa a menos para ele se preocupar.
Os animais chegam até ele sem nenhum medo.
E ele se banha nos rios e lagos.
E se deita sob a luz das estrelas.
Até que um dia, uma coruja pousa no seu ombro e lhe fala.
- Como você está?
Willow, depois de tanta coisa, não se Espanta mais com nada.
- Que ótimo. Uma coruja que fala. Eu estou bem, obrigado.
- Muito bem, então. Eu tenho um convite a fazer para você.
- E que convite é este?
- Me acompanha até o arco íris? Lá tem uma surpresa pra você.
- Que surpresa?
- Venha e verás.
A coruja voa, e no seu rastro luminoso, o céu se sublima.
Willow então o segue.

Capítulo 10

Ao chegar perto do arco íris, Willow fica maravilhado com este espetáculo da natureza.
A coruja lhe pergunta - você gostou?
Sim, ele responde.
- Ótimo. Então vá até aquela árvore onde o arco íris acaba, e lá você encontra algo.
Willow vai até a árvore.
Lá ele vê um baú.
E ao abri-lo, ele se admira.
Há um álbum de fotos da sua família.
Ele vê aquilo tudo e uma certa emoção percorre o seu pensamento.
A coruja vai até ele.
E Willow fala.
- Eu sei o que fiz não foi certo.
- Você se arrepende?
- Do que adianta arrependimento agora? Isto não tem volta.
- Mas tem um novo começo.
- Imagino que sim. Eu deixei a raiva e o orgulho falarem mais alto e isto teve um preço.
- Então se entregue a natureza. E deixe o tempo conduzir você pelo espaço. Tudo se ajeita.
- E como eu faço isso?
- É só você se entregar e relaxar.
- Tudo bem. Espero encontrar alguma redenção no final deste caminho.
Willow se deita na grama verde.
Ele fecha os olhos.
A coruja vai embora.
O céu fica mais azul.
E o sol mais intenso.
De repente, a grama começa envolver o seu corpo.
Mas estranhamente Willow não luta contra isso.
Ele sente paz.
No final, seu corpo se transforma num pequeno jardim natural.
O vento sopra levemente.








quarta-feira, 30 de outubro de 2024

notícias do paraíso

Capítulo 1

Há muito tempo no céu, um anjo sonhava em descer a terra e tomar contato com a maravilhosa raça humana.
O nome deste anjo é Gabriel (não aquele Gabriel, mas outro Gabriel). Ele estava cansado da monotonia do céu.
E queria experimentar uma verdadeira experiência humana.
Porém, os seus superiores nunca permitiam isto.
E ele só ficava no ramo dos serviços burocráticos celestiais, como sonhos, premonições, profecias e coisas do tipo.
Até que um dia tudo mudou.
E ele ficou super feliz por isso.
Um arcanjo apareceu pra ele e disse que tinha uma missão especial na terra a lhe confiar.
E Gabriel ficou muito contente com tal perspectiva.
E esta missão era evitar que um homem cometesse suicídio.
Gabriel logo ficou preocupado.
Mesmo não sendo a forma que ele gostaria de vir a terra, mas mesmo assim viria pra cá.
E ele veio.

Capítulo 2

Já na terra, Gabriel descobriu que este homem chama-se Umberto.
Ele é poeta.
Está em crise romântica.
Brigou com a sua namorada (Júlia). E não sente mais nada da vida, só quer morrer.
Ih, este daí vai dar trabalho, pensa o anjo. Mas o que posso fazer por ele? Isto eu não sei.
Deixa eu pensar aqui.
Enquanto isso, Umberto toma todas e fica jogado na cama, fedendo feito um gambá.
Ah, eu já sei, diz o anjo.
Vou inspirar ele a fazer uma poesia para o seu grande amor.
Então Gabriel viu Umberto.
Ele é um garoto magricela, pensou o anjo.
Como alguém gosta de um garoto assim? Há gosto para tudo mesmo. Mas vamos lá.
Gabriel inspira Umberto através de um sussurro e ele começa a escrever. Então o anjo olha.

POESIA DE UMBERTO 

sempre vivemos 
Na ilusão do limbo
No meio do sonho
Entre o nada
E o lugar nenhum 
Onde vc está agora?
Espero que aqui comigo 

Mas que porcaria de poesia é essa, pensou o anjo.
Ele percebeu que este moleque ia dar muito trabalho.

Capítulo 3

Se você pensa que este conto vai ser algo burocrático, você está bem enganado.
Vai ser algo mais ou menos assim. Um dia, Umberto pensa em pular Duma ponte pois não pode viver sem o seu grande amor. Então Gabriel aparece.
Ei cara, você não pode fazer isso.
Quem é você? Algum tipo de anjo?
É isso aí. Eu fui mandado pra cá pra te ajudar a ganhar um novo sentido para vida.
Era só o que me faltava. Deixa eu morrer em paz. Avisa pro cara lá de cima que agradeço a preocupação.
Mas é um turrão mesmo.
Então Gabriel dá um vôo rasante, pega Umberto e leva pra uma montanha distante.
Mas que porra é essa?
Eu te salvei, seu cuzao. Então pára de reclamar.
Nossa, que linguagem tão angelical.
É a única que vc entende.
Umberto então se joga no chão de forma melodramática e começa a chorar.
Eu não posso mais viver sem o amor da minha vida buá.
Gabriel olha com ranço pra Umberto e pensa (aí meu Deus, isto é castigo. Só pode ser).
Vira o jogo cara, levanta daí e toma teu rumo. Se ela não te quer mais arranja outra pessoa.
Mas é só ela que eu quero.
Então fica aí na fossa.
Muito obrigado.
O anjo senta numa pedra e pensa no que fazer.

Capítulo 4

Um dia sem querer Gabriel pega Umberto vendo um vídeo gay na NET e pensa (é isso aí. Um cara é do que ele precisa).
Levanta aí cara. Nós vamos numa boate gay.
O que? Cê tá louco mano.
Tô louco nada. Eu vi você vendo aquele vídeo na NET.
Foi só zoação.
Tá bom então. Vamos embora logo. Balada já começa.
Bem eu tenho uma certa curiosidade sobre o outro lado. Não custa tentar não é mesmo?
Eles então vão pruma balada LGBT. Meio desconfiado Umberto pede um drink.
Ele olha aquele monte de homem e mulher se beijando e pensa em cair fora.
Nem pense em fazer isso.
Fazer o que?
Eu li o seu pensamento.
Você é um saco.
E você é um frouxo.
Vamos ver quem é o frouxo aqui.
Ele pensa que se dane então tudo.
Ele pega um cara que vai passando por ele e beija o bofe.
O boy fala (oi cara. Meu nome é João. Direto você é mas o beijo é gostoso). E o beija novamente.
Obrigado. Meu nome é Umberto.
Você quer dançar? Sim.
Os dois vão dançar na pista.
E quando estão bem empolgados, Umberto esbarra com duas garotas que estavam se beijando.
Quando ele pede desculpas, percebe que uma das garotas é Júlia. E fica estupefato.

Capítulo 5

Olá Julia. Como você está?
Eu estou bem obrigado e você?
Eu estou ótimo.
Que bom então.
Pelo que vejo vc já encontrou alguém pra se divertir.
E você tbm.
Pois é.
Não vamos começar com o melodrama.
Não mesmo.
Julia sai com a sua namorada.
Umberto fica triste.
Ele vai pro bar e pede uma bebida.
Ih lá vai ele de novo. O que foi agora?
De todos os botecos do mundo, ela tinha que vir logo neste?
Ah cara, desencana. Tudo acontece por um bom motivo.
E que motivo é este? Me deixar chateado??
Não, é pra você deixar de ser idiota e não sofrer por quem não merece.
Obrigado pelo carinho.
Não há de que.
E o que você sugere que eu faça?
Deixa eu pensar um pouco. Ah, já sei o que fazer.

Capítulo 6

Vamos fazer uma viagem pela mente de sua ex namorada.
E como vamos fazer isso?
Relaxa, o autor aqui sabe o que fazer.
Então já que eu sou autor, vamos quebrar as regras estritas da lógica pra fazer uma viagem pela mente de Júlia e conhecer o outro lado da história.
Julia é uma moça bonita e inteligente.
Ela é professora de teatro e ama as artes em geral.
Um dia na rua ela conhece Umberto que estava escrevendo algo num café.
Ela sente o impulso como uma mulher moderna de chegar junto dele e investir na ação.
Oi, bom dia. Posso me sentar aqui com você?
Tudo bem então.
Umberto olha pra ela de forma encantadora.
Ele acha ela bonita e interessante.
Os dois conversam sobre artes e amenidades até que num impulso ele a beija.
Os dois se apaixonam e vão pra casa dela pros finalmente.
Eles desenvolvem uma relação de Mente, corpo e espírito.
Isto dá certo por um tempo.
Mas então Umberto se depara com pessoas do passado e este acontecimento acaba desencadeando nele traumas emocionais que não vem ao caso agora.
O resultado disto é que Umberto fica nervoso, briga com Julia sem motivo aparente, some por dias e não fala com ela sobre isso.
Julia fica cansada desta situação.
E a história se desenrola até o ponto em que ela encontra consolo numa amiga de forma mais profunda.

Capítulo 7

Ei cara. Isto não é justo comigo.
Nada é justo nesta vida, Umberto.
Porque você fez isso comigo?
Para vc cair na real.
Eu não tenho culpa que aconteceu comigo.
Eu sei que não mais você tem que superar isso. Não pode viver no passado.
Que papo mais auto ajuda.
Pena que você não se ajuda.
E pra onde esta história vai agora?
Hum deixa eu pensar.
(Neste momento eu como autor faço com que o anjo tenha pena de Umberto e ao mesmo tempo queira experimentar como é uma satisfação sexual entre humanos)
É sério isso autor?
(É sério sim)
Você viu o que ele escreveu?
Eu vi sim, Gabriel.
E então o que você acha?
Vamos lá então. Não tenho mais nada pra perder.
E os dois fazem sexo.

Capítulo 8

Depois de passado todo clichê sentimental em relação a isso, Umberto resolve fazer uma viagem pelo país na esperança de se encontrar.
- Então você vai viajar?
- Eu vou sim.
- E o que você achou?
- O que eu achei do que?
- Da nossa experiência.
- Sabe, eu passei por tanta coisa nestes últimos capítulos que não sei o que fazer.
- Compreendo. Esta história é bem absurda mesmo.
- E você o que vai fazer?
- Eu vou voltar lá pra cima e receber a minha punição pelas transgressões. 
- Quer que eu fale com ele?
- Não, obrigado. Este enredo é muito aleatório pra envolver vc nos assuntos de lá. Eu me viro.
- Tudo bem então. Eu gostei de te conhecer. E nosso lance foi ótimo.
- Eu digo mesmo.
Os dois se beijam.
E Gabriel some.
Num passe de mágica.

Capítulo 9

Depois de algumas semanas, Umberto já tá na estrada.
Ele largou a sua vida antiga pra encontrar uma nova razão de viver. Uma vibe bem logoterapia.
E nestas andanças, ele pára num hotel de beira de estrada pra descansar.
E na varanda do hotel, ele vê uma mulher jogando tarot.
E como sempre Umberto foi curioso com assunto místico, ele resolve ler a sua sorte.
- Olá meu jovem. Aproxime-se. O meu nome é madame lenormand. O que posso fazer por você?
- Gostaria que tirasse as cartas pra mim.
- Tudo bem então.
Ela embaralha as cartas e pede pra ele tirar uma.
Ele tira e sem olhar entrega pra ela.
- Muito bem. A carta que saiu pra você é a estrada. Obviamente, esta carta diz que você tem uma escolha difícil pela frente. E que dependendo de sua escolha, sua vida será mais fácil ou mais complicada. A escolha é sua.
- Compreendo. Muito obrigado.
Quando ele vai lhe pagar, ela recusa.
- Não se preocupe. É cortesia da casa.
- Você é dona daqui?
- Eu sou sim.
- Hum, que interessante. Obrigado novamente.
- De nada.
E nosso herói vai se recolher ao seu quarto pra dormir.
Assim como eu também farei.
Até mais então, meus caros leitores.

Capítulo 10

Depois de um sono revigorante, Umberto vai embora daquele lugar e pega estrada novamente.
No meio do caminho, ele vê uma pequena cabana com a placa "vende-se tortas de amora".
Ele tá com fome e decide ir até lá.
A cabana é bem ajeitada.
Ele bate na porta e um senhor atende.
- Olá meu jovem. Bom dia. O que você deseja?
- Uma torta de amora, por favor.
- Ótimo então entre.
A cabana tem uma mobilia modesta mas conservada.
- Sente-se. Eu já vou trazer a torta pra você.
Enquanto espera, Umberto vê numa parede um quadro com vários coelhos.
Ele gosta de coelhos.
O senhor volta com a torta.
Ele o serve.
Umberto agradece.
Ele prova torta em silêncio enquanto o senhor toma uma xícara de café.
Umberto acha torta boa.
De repente, ele fica sonolento e pede pra tirar um cochilo no sofá.
E neste momento, Umberto sonha com um homem desconhecido que dança para ele no ritmo do flamenco.
Isto acontece na cabana.
E ao final da dança, o homem o beija e vai embora.
Umberto então acorda.
Paga ao senhor.
E vai embora.

Capítulo 11

Ao dirigir, Umberto passa por uma floresta na beira da estrada e decide parar.
Ele caminha por ali.
Então percebe que perto dali há um grande salgueiro, onde num dos seus galhos mais altos tem um balanço.
E neste balanço, ele vê uma mulher sentada lendo um livro.
Ele reconhece a mulher.
E vai até ela.
- Júlia? O que você faz aqui??
- Eu não estou aqui. Sou produto de sua mente.
- Ah tá. Deve ser mesmo.
- Pois é.
- Eu gostaria que você estivesse mesmo.
- Eu sei que sim.
- Você me perdoa?
- Não há o que perdoar.
- Eu fui tão negligente com você.
- As coisas acontecem como tem que acontecer.
- Tudo está tão confuso ultimamente.
- Não olhe para trás.
- O que eu faço?
- Viva o presente.
- Tudo bem então.
- Agora você tem que ir.
- Eu posso te pedir uma coisa?
- Sim.
- Eu posso te dar um beijo?
- Sim.
Os dois se beijam.
- Obrigado.
- De nada.
- Se cuida.
- Você também.
Umberto vai embora sem olhar pra trás.

Capítulo 12

Ao voltar pra casa, Umberto percebe que está tudo bagunçado.
Ele ajeita a casa.
E sente-se melhor.
Toma um banho.
E faz um café.
Pega um livro pra ler.
Ele sente-se relaxado.
Alguém bate na porta.
Ele então abre.
E tem uma surpresa.
- Você?
Gabriel abraça ele.
- Oi. Sentiu minha falta?
- Claro que sim.
- Eu posso entrar?
- Sim. Eu fiz café. Você quer?
- Eu quero sim.
Ele serve café pro anjo.
- Pensei que não fosse voltar.
- Eu também não.
- O que aconteceu?
- Eles me expulsaram.
- Nossa, sinto muito.
- Não sinta. Depois de vc, aquele lugar não fez mais sentido.
- Compreendo.
- E você o que fez?
- Eu andei por aí. Descobri coisas sobre mim.
- Entendi.
- E agora o que você vai fazer?
- Eu não sei e você?
- Tentar viver de alguma forma.
- Ótimo.
- Você quer tentar comigo?
- Eu quero sim.
Os dois se abraçam.
Enquanto cheiro de café perfuma o ar com seu aroma acolhedor.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

5 dias pra mim

Capítulo 1

Noite de chuva.
Ele ronca ao meu lado.
Isso me irrita.
Eu me levanto.
Vou para cozinha.
Tomo um copo d'água 
E sento na mesa.
***
Meu nome é Aldo.
Conto esta história 
Porque quero deixar 
Algo importante pra mim.
Justificar minha existência 
Nesta terra vazia 
Sem significado nenhum.
***
Meu marido, brino,
É importante pra mim.
Me ajudou muito 
E sou grato a ele.
Mas a rotina 
E a solidão 
Acabou com tudo.
***
Escutando a chuva 
Eu ouvi outro som.
Então ao meu lado 
Um anjo da morte 
Aparece pra mim.
Ele era alto e brilhante.
Seu nome é Cariel.
***
Por algum motivo 
Eu fico paralisado.
Não consigo me mexer.
Nem falar nada.
Só observo aquele ser
Que conversa comigo.
E nada respondo.
***
- Olá, Aldo.
Eu conheço vc.
Meu nome é Cariel.
Sou anjo da morte.
Estou aqui pra levá-lo.
Porém, antes disto 
Eu tenho algo pra você.
***
Antes de morrer 
Te dou 5 días 
Para fazer o que quiser.
Este prazo é final.
E depois disto 
Te levarei comigo.
Até mais então.

Capítulo 2

Quando ele desapareceu 
Voltei a me movimentar.
Fiquei um tempo 
Pensando que estava 
Louco ou algo assim.
Mas dentro de mim 
Eu sabia que era verdade.
***
Fiquei revoltado com àquilo 
E chorei alto.
Brino se levanta 
E pergunta o que tenho.
Não consigo responder.
Ele me abraça forte.
Choro mais ainda.
***
No primeiro dia 
Eu conto pra Brino 
Que traí ele.
Ficou tão chocado 
Que não falou nada 
Ficou ali parado 
Com olhar perdido.
***
No segundo dia
Procurei o meu pai.
Há muito tempo 
Não nos falavamos.
Ele ficou surpreso.
Lhe disse muitas coisas 
Que não agradaram.
***
Saímos pra um
Passeio no deserto.
Não dissemos nada.
Apenas curtimos 
A viagem insólita 
E o por do sol.
Então nós abraçamos.
***
Meu pai me disse:
- Sinto muito por isso.
Eu não queria que 
Esta situação chegasse 
A este ponto.
Eu apenas respondi:
- As coisas acontecem.
***
A próxima pessoa 
De minha lista 
É o meu ex amigo.
Seu nome é Miranda.
Num passado distante 
Tive um caso 
Com seu noivo.

Capítulo 3

Então nunca mais 
Nós nos falamos.
Depois eu soube 
Que ele adoeceu 
E quase morreu.
Logo eu decidi 
Que era hora.
***
Ao chegar em sua casa 
Ele olhou pra mim 
E me deu um tapa.
Depois me abraçou.
E nós começamos 
A chorar juntos.
Um verdadeiro melodrama.
***
Ele me perguntou:
- Você quer café?
Eu disse sim.
Eu pedi perdão.
Ele só me ouvia.
Tomei um gole do café 
E aquilo me acalmou.
***
Miranda me falou:
- Durante muito tempo 
Eu te odiei.
Eu só culpei vc.
Mas eu também errei.
Ele fez parte disso 
E não só você.
***
Quando eu adoeci 
Pensei que ia morrer.
Fiquei de cama.
E refleti sobre Tudo.
Inclusive sobre vc.
Talvez eu te perdoe.
Mas não posso esquecer.
***
Eu só te peço 
Um favor pra mim.
Eu não te odeio mais.
Mas por enquanto 
Não me procure 
Até esta mágoa 
Passar no meu pensamento.
***
Eu não disse nada.
Apenas o abracei.
Fui embora de lá.
No caminho de casa 
Parei numa padaria 
E com alma mais leve 
Tomei outro café com bolo.

Capítulo 4

Este foi o fim 
Do terceiro dia.
No quarto dia 
Eu não soube 
O que fazer
Então fui até 
Um bordel e transei.
***
Fiquei com vários 
Garotos de uma
Só vez e não 
Me arrependo por isso.
Já que vou morrer 
É melhor viver 
Enquanto ainda consigo.
***
Hoje é o 
Quinto dia.
A hora do 
Meu juízo final.
Eu vou para
Uma colina alta.
E fico lá.
***
Tudo é silêncio.
O vento está parado.
O sol está radiante 
E o clima ameno.
Brino me liga 
Mas não atendi.
Não quero falar.
***
Só observo tudo 
E deixo a 
Vida me levar.
Então de repente 
Cariel aparece pra 
Mim com uma
Expressão tranquila.
***
- Você está pronto?
Eu afirmo que sim 
Com a cabeça 
E fecho os olhos.
Eu pergunto se
Vai doer e ele 
Me diz que não.
***
Eu sinto seu
Toque como uma
Corrente de energia 
Passando por mim
E tudo é vazio.
Sem angústia e dor.
Apenas o infinito.

FIM.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

cama de gato

Capítulo 1

Numa manhã fria 
Tijuana cuida de seus gatos 
Quando um som estranho 
Ela ouve vindo do quintal 
Parece um grito 
Mas é uma canção 
Que ela nunca ouviu antes 
***
Ela então vai pra fora 
E uma chuva de pétalas 
De cereja cai sobre ela 
E no meio do quintal 
Ela vê um buraco 
Que ela tem certeza 
Não estava ali antes 
***
E ao mesmo tempo 
Ela vê um homem de branco 
Entrando por este buraco 
Curiosa ela fica 
E sem pensar 
Ela também se joga
Naquele buraco estranho 
***
Tijuana então se vê 
Caindo por um corredor 
Vertical e iluminado 
Com uma luz ofuscante 
Ela não vê nada 
Até que cai 
Numa cama de gatos 
***
Esta cama é muito grande 
Mas também fofa e cheirosa 
Ela vê gatos enormes 
Com três metros de altura 
E Fica espantada 
- Será que eu morri?
Ela se pergunta 
***
Então de repente 
Ela vê o homem de branco 
Correndo por um corredor 
Cheio de flores 
E se perde ao longe 
Quando ela tenta segui-lo
Um gato verde aparece 
***
- Olá, quem é você?
Pergunta o gato verde 
- Eu sou Tijuana e você?
- Eu sou gato verde 
- Isto é interessante 
- De onde você é?
- Lá de cima 

Capítulo 2

- O que você faz aqui?
- Eu não sei.
- Hum, cada vez mais interessante.
- Onde está ele?
- Ele quem?
- O homem de branco.
- Ele foi para lá.
***
Tijuana segue o arco-íris 
Até chegar no seu fim 
E perceber uma caixa de areia
E nesta caixa
Está o homem de branco.
Ele fuma uma erva 
E olha para ela.
***
- Olá, Tijuana.
- Como você sabe meu nome?
- Isto não interessa.
- E o que interessa?
- Isto aqui.
Ele oferece a erva para ela
E ela experimenta.
***
De repente ela se vê 
Numa caixa de bolas coloridas 
Que a engolem numa
Onda de sons e cheiros 
Que vislumbram o seu passado 
E deixa o seu futuro 
Numa neblina indefinida.
***
Quando ela acorda 
Tijuana se vê 
Na caixa de areia.
Mas o homem branco 
Não esta lá.
Ao seu lado, só um bilhete.
"Ainda nos encontraremos".
***
Tijuana se levanta
E uma placa luminosa 
Aponta para o 
Seu lado esquerdo.
Ela então segue 
Numa estrada feita d'água 
Onde peixes andam normalmente.
***
Um peixe dourado 
Anda com bengala 
E olha espantado para ela.
- O que vc faz aqui?
- Você fala?
- É claro que sim.
- Mas você é um peixe.

Capítulo 3

- Eu sei quem eu sou.
E você sabe quem você é?
- Eu sou eu, oras.
- Hum, então eu vou 
Lhe dar uma dica.
Siga pela floresta 
E encontre o relojoeiro.
***
- O relojoeiro?
- Sim. Ele vai ter dizer 
O que fazer.
- O que fazer 
Sobre o que?
- Isto só você vai saber.
E o peixe dourado se vai.
***
Tijuana anda na floresta 
E no meio dela 
Encontra uma cabana 
Feita de pedra.
A luz está acesa
Porque é noite.
Tijuana bate na porta.
***
Ela se abre 
De forma mágica 
E ela entra 
Num outro mundo 
Coberto de seda
E com chão de prata 
Iluminado por três luas.
***
Uma voz estranha 
Chama seu nome.
Ela olha pra trás 
E vê um homem de pedra 
Sentado numa rocha 
Segurando um pássaro 
Feito de bronze.
***
O homem de pedra fala:
- O que vc quer aqui?
- Eu procuro relojoeiro.
- Ele não mora aqui.
- E onde ele vive?
- Na curva do tempo.
- Onde fica isso?
***
- No labirinto do mago cinzento.
- E onde encontro este lugar?
- O pássaro de bronze 
Vai lhe ensinar.
- Muito obrigada então.
O pássaro voa 
E Tijuana o segue.

Capítulo 4

O pássaro de bronze 
Chega no portal
De um labirinto 
E quando nossa heroina 
Vê o local 
Ave se vai
E ela entra lá 
***
- Olá. Ela chama por alguém 
Mas ninguém responde 
Tijuana adentra o labirinto 
Feito por várias estantes 
De perfumes coloridos 
Ela vê um vidro de cristal 
E cheira o perfume 
***
O cheiro intenso 
A deixa relaxada 
E ela vê se firmar no ar 
A figura do mago cinzento 
Ele pergunta: O que vc quer?
- Quero encontrar o relojoeiro 
- Muito bem então.
***
- Tome isto aqui.
O mago cinzento lhe
Entrega uma maçã 
E lhe diz o seguinte:
- Coma está maçã 
E você encontrará 
O grande relojoeiro.
***
Tijuana come a maçã 
E ela se torna uma coruja 
Por algum instinto mágico 
Ela alça vôo 
E vai parar na curva do tempo 
Um local desolado 
Com uma torre de relógio 
***
Tijuana volta ser mulher 
E procura por uma porta 
Mas a torre é fechada 
Por todos os lados 
O relógio da torre 
Bate a meia noite 
E uma escada aparece 
***
Ela sobe até o topo 
Da torre do relógio 
E lá ela encontra 
O grande relojoeiro 
Um senhor idoso 
De aparência frágil 
Mas postura imponente.

Capítulo 5

Ele olha pra ela 
De forma neutra 
E faz uma pergunta:
- Você é Tijuana?
- Sou eu sim 
- O que vc quer?
- Eles me falaram sobre vc.
***
- O que disseram sobre mim?
- Que você me ajudaria.
- Muito bem então.
Eu vou te ajudar 
A se encontrar.
- A me encontrar?
- É por isso que você está aqui.
***
- Todo este tempo perdida.
Ele mostra um relógio.
E sua vida inteira até ali 
Passa pelos seus olhos.
Tijuana então chora 
Uma tristeza repentina 
Nasceu dentro dela.
***
- Tenho vivido até hoje 
Uma existência de sombra 
Sem desejo e sem vontade.
Talvez este mundo caótico 
Seja expressão inconsciente 
De uma necessidade de
Escapar do tédio e da rotina.
***
Tijuana chora amargamente 
E o relojoeiro a consola.
- Não fique assim.
Eu vou lhe ajudar 
A encontrar a tranquilidade 
Que só o tempo traz 
Para você ser feliz.
***
Ele lhe dá um cristal amarelo.
- Isto é uma bússola.
Siga sua luz 
E você encontrará o 
Homem de branco.
Ele te ajudará a 
Voltar pra casa.
***
Tijuana o abraça 
E lhe agradece.
O relojoeiro flutua 
Com ela pra 
Fora da torre.
Ele lhe diz:
- Vá e seja feliz.

Capítulo 6

Tijuana caminha por 
Muitos dias indefinidos 
Numa espécie de deserto 
Onde as estações mudam 
E a paisagem surpreende.
A bússola amarela 
Sempre lhe guia.
***
Até que um dia 
Ela se encontra 
Numa fortaleza feita 
Do mais puro gelo 
E por curiosidade 
Tijuana entra ali.
Alguém a espera.
***
- Olá, minha querida. Entre.
Uma mulher de azul 
Então lhe abraça.
E lhe acomoda num sofá.
Apesar da construção 
Não faz frio.
Clima é agradável.
***
- Meu nome é Neva.
Espero por vc.
- Porque?
- O porque não é importante.
E sim o para que.
Aqui tudo é diferente.
Nada faz sentido.
***
- Sei que sim.
Eu deveria estranhar 
Mas de alguma forma 
Eu não me sinto assim.
Isto pra mim 
É tão familiar.
É um mundo aceitável.
***
- Sua mente criou este lugar 
Como um refúgio todo seu
Para fugir da mediocridade 
Duma vida monótona.
Para se renovar.
E começar de novo 
Dum Jeito melhor.
***
- E como eu faço isso?
- O homem de branco 
É a chave pra você.
- Quem é ele?
- Ele não é ninguém 
E sim um conceito.
Uma ideia necessária.

Capítulo 7

- Uma ideia de que?
- Do que você quer 
Ou não quer.
- Eu não entendi.
- Não pense muito.
Apenas sinta isso.
E você saberá 
***
- O caos é o que me resta.
- O caos define a ordem.
- Onde encontro ele?
- Siga a bússola 
E você o encontrará.
Agora está mais perto.
Fim se aproxima.
***
- Você aceita um chá?
- Eu aceito sim, obrigado.
Neva lhe oferece um chá 
E as duas ficam em silêncio.
Contemplam aquele grande 
Salão de gelo azulado.
Tijuana sente-se em paz.
***
Sem falar nada 
Ela abraça neva
E segue seu caminho.
Ao olhar pra trás 
A fortaleza desapareceu.
Tijuana segue em frente.
A bússola lhe guia.
***
Num tempo indeterminado 
Ela vê uma linha de trem
E um único vagão.
A bússola brilha forte 
E some de suas mãos.
De algum modo
Este é o destino final.
***
Ao se aproximar do vagão 
A porta se abre 
E Tijuana entra.
Dentro do ambiente 
Muito bem decorado 
O homem de branco 
Lhe dá as boas vindas.
***
- Olá, seja bem vinda.
- Finalmente nos encontramos.
- Sim, aqui está você.
- Você sabe o que quero.
- Claro que sim.
Todo este tempo 
Eu estava contigo.

Capítulo 8

- Como assim?
- Todos estes personagens 
Que vc encontrou 
Por este caminho 
Eram representações minhas.
Até a bússola que vc recebeu.
A bússola ali aparece.
***
- Porque tudo isso?
- Porque você precisa.
Eu sou fruto 
De sua imaginação.
- Eu criei isso tudo?
- Inconscientemente sim.
- Eu estou presa em mim?
***
- Aí depende de vc
E sua vontade.
- Eu não tenho 
Vontade de nada.
- Então mude isso
Se quiser seguir em frente.
- É fácil falar.
***
- Difícil é viver assim.
Você tem problemas
Como todo mundo.
Mas isso não te define 
A não ser que vc queira.
Lute por sua vida 
E você será grande.
***
- E como eu faço isso?
- Use a sua imaginação 
Como você faz agora.
Mesmo sem saber 
Isto é um poder
Que vai te transformar.
Mas só se vc quiser.
***
- Eu quero mais que tudo.
- Então faça isso 
Sem ilusão nenhuma.
Que tudo pode acontecer 
Mas você vai superar.
Tijuana olha pela janela 
E um colibri voa ao seu redor.
***
Ela pensa um momento.
Então se levanta 
E agradece ao homem.
Ele pega sua mão 
E a beija suavemente.
Ela fecha os olhos 
E volta pra casa.