segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

o detetive Waddington

...
Olá 
Meu nome é Waddington.
Sou detetive particular.
Eu caí da escada.
E quebrei a perna.
Estou a 3 semanas de cama.
Isto é um saco.
Eu sou gay.
Tenho um marido.
Seu nome é Leonardo.
Léo pra mim.
Ele é pintor.
Está pintando um retrato nu meu.
Ele me provoca.
Começa a me chupar.
E nós transamos.
O telefone toca.
Quem fala é o meu amigo Ricardo.
Ele é escritor.
Me ajuda a achar clientes.
- Olá, Waddington. Eu tenho um caso pra você.
- Você sabe como eu estou.
- Não se preocupe. Você pode resolver qualquer caso em qualquer lugar.
- Tudo bem então. O que você tem pra mim?
...
Então ele me diz.
Uma mulher chamada Marie foi morta na prisão.
Ela se matou.
E deixou uma carta.
Isto me deixa deste jeito.
Um jeito pensativo.
Vida e morte sempre se cruzam.
Eu lembro um dia.
Ia para academia.
E passei por um enterro.
Coisa estranha esta é.
Lutamos tanto pelo bem estar físico.
E nosso destino final é a morte.
Decadência em alto nível.
Vale a pena lutar tanto pelas coisas?
Eu fico em dúvida.
Aquele caixão marrom encerra em si todas as perguntas da vida.
...
Marie era uma professora de teatro.
Tinha um gênio difícil.
Batia de frente com muita gente.
Um dia, numa briga, ela agrediu o namorado com uma faca.
Ela foi presa 
Isto foi a 3 meses.
Neste tempo ela recebeu 3 visitas.
Lashana, uma atriz.
Ela se apaixonou pelo namorado de Marie.
As 2 discutiram.
E Marie bateu nela.
Lashana prometeu vingança.
Alan, o namorado dela.
Eles brigaram por razões óbvias.
E Lucy, a irmã dela.
As duas nunca se deram bem.
E por questão de herança, elas se desentenderam mais ainda.
...
Ricardo me passa estas informações.
Os 3 suspeitos foram interrogados.
Nada foi descoberto.
Ela escreveu uma carta 
Não dá nome a ninguém.
Só fala que depois da visita de alguém, ela ficou abalada.
E dias depois, se enforcou.
Alguém revelou um segredo pra ela.
Isto lhe perturbava muito.
E a história terminou desta forma.
Ricardo falou com os três.
E me trouxe os relatos.
...
Lashana visitou na cadeia.
Como um deboche.
As duas ficaram a sós.
Ela contou que Alan preferia a ela.
Pois Marie era passado.
Não tinha mais o encanto de antes.
Ela faria um favor se sumisse do mundo.
Marie deu um tapa nela.
E esta foi a última vez que se viram.
...
Alan foi visitá-la.
Os dois discutiram.
Marie ainda o amava.
Ele não sentia nada.
E revelou seu desprezo por ela.
Isto a magoou.
Ele foi embora.
Ela ficou chorando.
...
Por último, Ricardo encontra Lucy.
Ela não quer falar.
Diz que a irmã teve o que merece.
E vai embora.
Ricardo fica intrigado.
E vasculha a vida das duas.
Ele entrega o material a mim.
...
Eu vejo algumas anotações.
A mãe delas morreu de um ataque cardíaco num parque.
Marie estava com ela.
As duas faziam um piquenique junto a um jardim público.
Marie adormece.
E quando acorda, sua mãe está morta.
O mais interessante de tudo, é que na bolsa de sua mãe, estava o seu remédio.
Que ela nunca esquecia de tomar.
E isto liga um sinal de alerta em mim.
...
Eu ligo pra Lucy.
Ela me atende.
- Alô?
- Oi. Meu nome é Waddington. Sou detetive particular.
- O que vc quer?
- Saber sobre a sua irmã, Marie.
- Eu não tenho nada pra falar sobre isso.
- Tem certeza?
- Sim.
- Pois eu não.
- Problema é seu.
- Eu sei o que aconteceu.
- E o que você sabe?
- Sua irmã se matou por sua causa.
- Minha causa? Porque?
- Você falou com ela sobre a mãe de vocês. Ela morreu de um ataque cardíaco, que poderia ter sido evitado por sua irmã que estava com ela na hora. Mas ela não fez nada. E isto levou ao óbito de sua mãe. Você conhece sua irmã. E sabe muito bem do que ela é capaz. Eu só não entendi qual é a causa.
- Quem contratou você?
- Ninguém. Certas histórias me interessam por si só.
- Muito bem então. Eu vou lhe dizer qual é a causa. Na época, Marie e minha mãe estavam brigando demais pelo jeito de ser dela. Minha mãe ameaçou deserda-la. Marie se enfureceu. E resolver dar cabo dela de forma indireta. Ela combinou este piquenique só as duas pra reconciliação. E Marie ia mata-la de algum modo que eu não sei. Só que a ironia do destino fez minha mãe ter este ataque. E ela aproveitou a ocasião e lugar deserto pra negar auxílio. O resto é história.
- Compreendo. Agradeço a informação.
- Não me ligue mais.
Ela desligou o celular.
E logo entendi que Lucy havia ido na cadeia, e aproveitou a ocasião pra jogar esta história na cara da irmã.
Ela não aguentou a pressão, e se matou.
Isto é a natureza humana.
...
Alguns dias depois, Léo terminou o meu quadro.
Até que me senti um Dorian Gray.
Sem a parte de vender minha alma.
Ricardo publicou seu conto num site.
Com nomes fictícios, é óbvio.
E eu escrevi este texto.
Para minha lembrança.
De como as pessoas podem ser.

Nenhum comentário:

Postar um comentário