quinta-feira, 14 de novembro de 2024

o guardião da floresta

Capítulo 1

Era uma vez um rapaz que vivia insatisfeito com a sua vida.
Ele possuía tudo que queria.
Mas não encontrava consolo em nada.
Toda noite, ele se perguntava o que acontecia com ele para ter este tipo de sentimento.
Então, um dia, lendo um livro de auto ajuda , ele descobriu que existe uma espécie de filosofia que ajuda as pessoas a enfrentarem este tipo de situação na sua vida.
Mas tem um porém.
Para se alcançar este momento de sublimação espiritual, ele teria que percorrer uma jornada na floresta.
E através desta floresta, passar por provações que colocariam em evidência o seu verdadeiro valor espiritual.
O rapaz aceitou este desafio e rumou para floresta mais próxima de sua casa.

Capítulo 2

Durante este tempo, o rapaz se isolou do mundo.
E adentrou cada vez mais o mundo natural da floresta.
Embora ele não soubesse o que iria fazer ali de fato, tentou tranquilizar seus pensamentos.
E enquanto caminhava, ele pensou em desistir.
Talvez fosse uma bobagem tudo isso. E ele resolveu voltar.
Mas no meio do caminho, ele encontra um guardião da floresta.
Um jovem de aparência tranquila e serena.
- Quem é você?
- O meu nome é Willow.
- O que você faz aqui?
- Eu estou numa jornada espiritual.
- Compreendo.
- E você, quem é?
- Eu sou guardião da floresta.
- E o que você faz aqui?
- O meu nome já é auto explicativo.
- Entendi.
- Então você está Numa jornada de herói, não é mesmo?
- Sim.
- Venha comigo. Eu vou te ajudar neste caminho.
- Porque?
- Porque eu quero.
E os nossos dois heróis vão em busca do sentido da vida.

Capítulo 3

Eles então chegam numa cabana de madeira, no meio da floresta.
Tudo lá limpo e organizando.
- Você quer café?
- Eu aceito sim.
O guardião lhe oferece uma xícara de café.
Willow agradece-lhe.
- Seu café é bom.
- Obrigado. Quer me contar a sua história?
- Bem, eu não tenho muito que falar. Resumidamente, eu estou numa crise existencial, e ao ler um livro, eu soube de um jeito de melhorar este sentimento em mim. E agora estou aqui.
- Compreendo. E isto quer dizer que você tem que encontrar um caminho tanto literal quanto figurado numa floresta para lhe dar um propósito de vida, não é isso?
- Sim.
- Entendi. Eu sei como a sua alma está Inquieta. E eu sei também o porquê.
- E como vc sabe disso?
- Digamos que é de minha natureza saber disso.
- Você é alguma espécie de adivinho?
- Algo do gênero.
- E o que eu faço agora então?
- Muito bem.
O guardião vai até um canto da sala, pega um guarda chuva e lhe entrega.
- Para que eu quero um guarda chuva?
- Ande com ele em linha reta, e quando começar a chover, você encontrará alguém para lhe ajudar na sua jornada.
- É só isso?
- Por enquanto sim.
- Tudo bem. Agradeço pelo café.
- Não tem de que.
Willow sai da cabana com o guarda chuva, enquanto o guardião olha para ele.

Capítulo 3

Enquanto Willow caminha com o guarda chuva, o céu está azul e brilhante.
Mas quando ele se aproxima duma caverna, o tempo fecha e começa a chover.
Ele então usa o guarda chuva, e para sua surpresa, um raio de luz sai da caverna.
O nosso herói fica curioso e vai até lá.
E para seu espanto, ao entrar no local, a caverna se mostra uma sala de estar totalmente decorada com vários tipos de relógios.
Ele olha aqueles objetos, quando uma mão misteriosa toca no seu ombro.
Ele se vira e vê um garoto vestido como um príncipe a olha-lo de forma curiosa.
- Olá. Quem é você?
- Oi. O meu nome é Willow. Desculpe eu invadir a sua caverna, mas começou a chover e...
- Não precisa continuar. Eu já sabia que vc viria.
- Já? E quem lhe contou?
- Isto não importa. O meu nome é Wizard.
- Wizard? Engraçado, este nome nao me é estranho.
- Tenho certeza que não.
- Como assim?
- Não é nada.
Wizard olha para um relógio de bolso, e diz que está quase na hora.
- Quase na hora de que?
- Não seja apressado. Tudo a seu tempo.
Os relógios começam a tocar, e algum tempo depois, param.
Willow acha isto estranho.
- Não é nada estranho, fala Wizard. Agora sente-se, por favor.
Willow senta-se, desconfiado.
- Eu sei porque você está aqui.
- Engraçado como todos vocês sabem.
- Claro que sim. Nada se esconde na natureza.
- E como vc pode me ajudar nisto?
- Dizendo a verdade para vc.
- E que verdade é essa?
- Que você matou seus irmãos.
- O que?
- Isto mesmo. Você matou eles por ciúme e despeito. E desde então, você vive vazio. Nada lhe satisfaz.
- Como você ousa falar assim comigo?
- E como vc ousou fazer isto com eles?
- Eu não tive culpa. Foi só uma brincadeira.
- Uma brincadeira que os levou a morte.
- Todo dia eu me lembro disso. E não consigo me perdoar.
- Então olha pra o relógio.
- O que?
- Olha pra ele.
E aponta o relógio atrás dele.
Willow vê na sua frente um lindo relógio em formato de anjo.
E fica fascinado por ele.
- É tão lindo.
- É sim. Fui eu que fiz; desde que vim parar aqui, fiz todos estes relógios.
E aponta para sala inteira.
Willow pergunta como ele foi parar ali.
Wizard reponde que eles tem mais em comum que imagina.
- Você se lembra dos seus irmãos?
- Eu não consigo me lembrar deles. É como uma imagem borrada na minha mente.
- É como um castigo pra você.
- Sim.
Willow olha pra o chão com uma expressão triste.
Wizard levanta-se, pega uma bússola e dá pra ele.
- Tome isto, vai te ajudar na sua jornada. Esta bússola te guiará ao seu próximo passo.
- Eu terei redenção?
- Isto só o tempo dirá.
Os relógios voltam a tocar.
- Obrigado pela bússola.
- De nada.
Willow guarda bússola, e ao sair da caverna, o tempo está claro novamente.
Ao olhar pra caverna, ela simplesmente desapareceu.
Ele pega bússola que aponta para o norte, e segue em frente.
A sua jornada continua.

Capítulo 4

Enquanto caminha pela floresta, o nosso herói ouve o som de pássaros cantando, e o barulho de uma cachoeira por perto.
Ele,então, segue o som e se depara com uma paisagem magnífica e floral.
Várias garças sobrevoam aquele jardim colorido e exuberante.
E uma cachoeira de água pura, cristalina e perfumada se apresenta aos seus sentidos.
Willow tira a roupa e toma um banho revigorante neste paraíso.
Ele flutua na superfície daquela água enquanto o sol banha o seu rosto bom uma luz suave e aconchegante.
Depois de um tempo, ele se deita naquele gramado macio e dorme.
Ao acordar, já é noite.
Ele se veste e segue em frente na sua jornada.

Capítulo 5

Durante a caminhada, sua bússola acende uma luz verde.
Isto significa que ele chegou no local que deveria chegar.
E Willow vê a sua frente uma casa no estilo japonês.
Ao bater na porta, um rapaz vestido de quimono vêm atendê-lo.
- Olá, seja bem-vindo. O meu nome é Walker. Eu já estava a sua espera. Entre.
Willow entra e se admira com o ambiente confortável em estilo oriental.
- Sente-se. Eu vou lhe servir um chá.
- Obrigado, mas como vc sabe de minha chegada?
- Esta floresta é mágica, e aqui tudo pode acontecer.
- Compreendo.
Walker serve chá para ambos e senta-se no tatame, em frente a uma mesa baixa.
- Então você sabe porque estou aqui?
- Eu sei sim.
- Pois é. Como você pode me ajudar?
Walker se levanta, pega papel, pincel e tinta, e senta-se novamente.
Sem dizer uma palavra, ele desenha uma lagoa e mostra pra Willow.
- Isso te lembra alguma coisa?
- Não.
- Pois então. Este é o problema.
- Qual?
- Para você parar de sentir o que sente, deve se lembrar.
- Me lembrar do que?
- Do que você fez.
- Eu não entendo.
- Eu posso ajudar você 
- Como?
- Você confia em mim?
- Não tenho outra opção.
- Então deixa comigo.
Walker faz Willow deitar-se no chão, e começa a recitar uma canção que o faz adormecer.
Willow sonha e se lembra de tudo.

Capítulo 6

Há muito tempo atrás, Willow sai pra um passeio com seus irmãos Wizard e Walker num bosque.
Willow adora guarda chuva.
Wizard gosta muito de relógios.
Walker adora desenhar.
Mas Willow não demonstra interesse em nada.
E isto desgosta seus pais.
E por estes e outros motivos, ele é desfavorecido em relação aos irmãos.
Os outros são sempre alvo de amor, carinho e atenção dos pais, enquanto Willow é relegado em segundo plano.
Isto faz crescer um sentimento de ódio e rancor nele contra os irmãos.
E num lago perto do bosque, Walker desenha o lago no seu caderno, enquanto Wizard conserta um relógio de bolso.
Neste meio tempo, Walker resolve nadar no lago, e passa mal.
Wizard não sabe nadar e pede ajuda pra Willow que não se mexe.
- Ajuda o Walker. Você sabe nadar.
Willow não diz nada.
Sem resposta, Wizard se atira no lago para salvar o irmão.
Os dois morrem afogados.
Willow vê tudo e não faz nada.
Ele tá frio e imperturbavel.
Willow vê o desenho do Walker e o relógio de Wizard no chão.
Ele apanha estes objetos.
Guarda no bolso do seu casaco.
Ele vai pra casa.
E mente pros pais sobre o que aconteceu.

Capítulo 7 

Willow acorda sobressaltado.
Ele olha pra Walker assustado.
- Agora você lembra?
- Eu lembro sim.
- Então você já sabe.
- Mas como isso é possível?
- Isso o que?
- Vocês ainda estarem vivos.
- Nós vivemos na sua mente. 
- Então este é o motivo de minha melancolia?
- Sim. Você acabou conosco e com nossa família. Isto tem um preço.
- Pára com isso. Não é verdade. Eu não tive culpa.
- Você não ajudou.
- Problema de vocês. Pensassem bem antes de querer fazer algo que não sabem.
- Você continua o mesmo.
- E você continua insuportável.
Vocês não vão me assombrar.
Eu vou embora daqui.
- Tudo bem então. Apenas tome isto.
Walker lhe dá um desenho.
Willow vê o desenho, se assusta, amassa o papel, joga no chão e vai embora dali.

Capítulo 8 

Desorientado na floresta, Willow se vê sem alternativa.
Depois de tanto sacrifício, ele se encontra ali.
Sem noção do que fazer.
Entra em cena o guardião da floresta.
Willow olha espantado para ele.
- Era só o que me faltava.
- O que foi?
- Era pra eu vir nesta floresta me curar, e não ter mais problema.
- Você que fez isso.
- Mas que novidade.
- Faça algo novo.
- Quem é você, afinal?
- A sua consciência.
- Não brinca.
- Eu não estou brincando.
- Então você é tipo grilo falante do Pinóquio pra mim?
- Bingo.
- AFF, ninguém merece.
- Você merece sim.
- Dá pra me ajudar, ou vai ficar tirando onda com a minha cara?
- Você quer se ajudar?
- Sim.
- Você se arrepende do que fez?
- Sinceramente, não.
- Eis o problema.
- Pois é. E como podemos mudar isso?
- Só depende de vc.
- E isso quer dizer que...?
- Só há uma forma de vc reverter os seus pensamentos.
- Como?
- Sendo guardião da floresta.
- Eu não entendi.
- Viva em meio a natureza por um tempo. Observe ela sem julgamentos. E talvez haja uma saída pra você.
Willow pensa por um tempo.
E fala pro guardião.
- Tá bom. Eu não tenho nada que me prenda mesmo lá fora. Quem sabe aqui não faça alguma diferença pra mim?
- Ótimo. Que você guarde a floresta e ela lhe abençoe.
Num passe de mágica, ele some e Willow se vê sozinho naquela clareira.
De repente, ele se lembra que esqueceu de perguntar o que um guardião faz.
Mas agora, já é tarde.

Capítulo 9

Alguns dias se passam.
Willow perambula pela floresta, seja no sol ou na chuva.
Estranhamente, ele não sente fome e nem sede.
Mas está tudo bem.
É uma coisa a menos para ele se preocupar.
Os animais chegam até ele sem nenhum medo.
E ele se banha nos rios e lagos.
E se deita sob a luz das estrelas.
Até que um dia, uma coruja pousa no seu ombro e lhe fala.
- Como você está?
Willow, depois de tanta coisa, não se Espanta mais com nada.
- Que ótimo. Uma coruja que fala. Eu estou bem, obrigado.
- Muito bem, então. Eu tenho um convite a fazer para você.
- E que convite é este?
- Me acompanha até o arco íris? Lá tem uma surpresa pra você.
- Que surpresa?
- Venha e verás.
A coruja voa, e no seu rastro luminoso, o céu se sublima.
Willow então o segue.

Capítulo 10

Ao chegar perto do arco íris, Willow fica maravilhado com este espetáculo da natureza.
A coruja lhe pergunta - você gostou?
Sim, ele responde.
- Ótimo. Então vá até aquela árvore onde o arco íris acaba, e lá você encontra algo.
Willow vai até a árvore.
Lá ele vê um baú.
E ao abri-lo, ele se admira.
Há um álbum de fotos da sua família.
Ele vê aquilo tudo e uma certa emoção percorre o seu pensamento.
A coruja vai até ele.
E Willow fala.
- Eu sei o que fiz não foi certo.
- Você se arrepende?
- Do que adianta arrependimento agora? Isto não tem volta.
- Mas tem um novo começo.
- Imagino que sim. Eu deixei a raiva e o orgulho falarem mais alto e isto teve um preço.
- Então se entregue a natureza. E deixe o tempo conduzir você pelo espaço. Tudo se ajeita.
- E como eu faço isso?
- É só você se entregar e relaxar.
- Tudo bem. Espero encontrar alguma redenção no final deste caminho.
Willow se deita na grama verde.
Ele fecha os olhos.
A coruja vai embora.
O céu fica mais azul.
E o sol mais intenso.
De repente, a grama começa envolver o seu corpo.
Mas estranhamente Willow não luta contra isso.
Ele sente paz.
No final, seu corpo se transforma num pequeno jardim natural.
O vento sopra levemente.








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