Numa noite quente
Eu respiro ar puro
De meu novo lar
Nesta casa de campo
A chuva é viva
E o céu é límpido
O vento corre solto
E a liberdade
Toma conta de mim
Mas o que eu não sei
É que tudo vai mudar
Para algo pior
B.
Minha esposa briana
E nossos filhos
Carine e Bryan
São meus tesouros
Nos mudamos da cidade
Para o campo
Para termos uma vida
Melhor e mais tranquila
Com nossa economia
Compramos esta casa
De estilo rústico e colonial
Com um belo salgueiro
Mas o que é um sonho
Se transforma em pesadelo
C.
Alguns meses depois
Nos adaptamos aqui
Eu trabalho em casa
E Briana viaja
Para atender os clientes
Tudo se encaixa
Como peças de relógio
Mas como nada é perfeito
A maré muda
E a tormenta chega
D.
Numa noite como esta
O salgueiro chora
Com o sabor do vento
Um som eu ouço
Como uma voz que sussurra
Lá fora eu vou
Mas ninguém eu vejo
E quando eu entro
Uma sombra por mim passa
E isso me assusta
E.
Tomamos café
E uma xícara se quebra
Não mão de briana
Ela vai se limpar
E meus filhos
Perguntam o que aconteceu
Eu digo que não é nada
Foi apenas um acidente
Mas eu fico desconfiado
De alguma coisa a mais
F.
Uma noite, eu durmo
E passos eu ouço
Pelo corredor do quarto
Eu me levanto
E vou olhar
Mas não vejo nada
A não ser um forte clarão
Fora da casa
Perto do salgueiro
Eu tenho a impressão
De ver a sombra
De um homem
Segurando uma lanterna
E dando voltas
Ao redor da árvore
Eu fico em dúvida
Se devo ir até lá
Mas eu resolvo ir
Saio mais silencioso possível
Enquanto o homem
Dá voltas na árvore
De repente ele pára
Olha pra mim
E corre em minha direção
Eu volto pra casa
Fecho a porta
E chamo a polícia
G.
A polícia chegou
Vasculha toda área
Mas não encontra ninguém
Eles vão embora
Minha família já está acordada
E todos estão espantados
Eu os acalmo
E nossos filhos vão dormir
Briana pergunta o que aconteceu
Eu falei pra ela
Que fica assustada
E a noite é tão silenciosa
H.
Numa tarde de verão
Carine nada num lago
Perto do salgueiro
Ela bóia na superfície
Encarando o céu
Quando um vento
Sacode o salgueiro
Ela presta atenção
É vê o vulto
De uma mulher
Vestida de vermelho
Perto da árvore
Ela chama o pai
Mas ninguém responde
E quando ela
Tenta sair d'água
Seu corpo é puxado
Para baixo do lago
Ela luta contra
Uma força invisível
Consegue subir a superfície
E gritar pela mãe
Mas é arrastada novamente
Para debaixo d'água
Ao quase se afogar
Ela é salva pelo seu irmão
Que a puxa pra fora
I.
Todos estamos nervosos
Briana fala em
Deixar este lugar
Mas por enquanto
Nós não podemos
Gastei muito dinheiro
Reformando esta casa
E não tenho
Como sair daqui
Então resolvemos
Levar os nossos filhos
Para casa de minha irmã
Eles vão passar um tempo lá
Até ver o que
Decidimos por aqui
J.
Falamos com Muitos corretores De imóveis
Eles não Disseram nada
Mas percebemos Pelo seu Modo de Agir que Não Acreditam em Nós
Então esperamos Um Tempo
As coisas Acalmaram um Pouco
E achamos Que isso Tinha passado
Mas nos Enganamos
K.
Uma noite Enquanto dormíamos
Um Vento forte Soprou
E a Janela quebrou
Nós acordamos
Ouvimos risadas Pela casa
Ficamos assustados
Eu saí No corredor
Para ver Alguma coisa
Mas não Vi nada
Briana então Gritou
Eu voltei Pro quarto
E nós Vimos da Janela
Vultos dançam Ciranda
Ao redor Do salgueiro
Nós Ficamos em Choque
Por algum Motivo
Resolvemos ir Lá fora
Mas não Havia mais Ninguém
Chuva começa Cair
Nós entramos
E vários Copos
Voam em Nossa direção
L.
Fomos embora Dali
Alugamos outra Casa
E nos Mudamos
Aquilo foi A gota D'água
Nossos filhos Voltaram
Estávamos aliviados
Aquele lugar Horrível
Não era Mais nosso
Ainda tivemos Pesadelos
Por um Tempo
Mas aquilo Passou
M.
Alguns meses Depois
Vendemos a Casa
Por um Preço baixo
Mas foi Melhor que Nada
Estávamos tranquilos
Não soubemos Daquele lugar
Por um Tempo
Mas num Dia tranquilo
Eu recebi Uma Carta
Do atual Morador
Que deseja Me ver
Eu não Sei porque
Mas atendi O seu Chamado
Eu não Disse nada
A minha Família
Nós já Sofremos
Por causa Do lugar
E voltei Lá
N.
Quando cheguei Na casa
Várias lembranças Surgiram
Fazem 6 meses
Que saímos De lá
Mas parece Que foi Ontem
O novo Dono
Me Encontrou no Caminho
Ele é Gentil & educado
Me convidou Pra um Café
Mas eu Não quis Entrar
Perguntei o Que
Ele quer Comigo
E me Fala que Encontrou
Um livro Dedicado a Mim.
Eu fiquei Surpreso
Eu Não sabia
Da existência Deste Livro
Ele foi Buscar
E foi Aí
Que eu Vi 0 salgueiro
Uma brisa Leve
O fez Se movimentar
Como se Estivesse
Me saudando ali
Eu Fiquei com Calafrio
O.
O novo Dono
Disse que encontrou
Este livro no
Sótão e ele
Tinha o meu nome
Eu olhei pra letra
E percebi que não
Era a minha
Portanto eu não disse nada
Perguntei a ele
Se estava gostando dali
Ele disse que sim.
Sem dizer mais nada
Olhei pra o salgueiro
Mas ele estava parado
Como se me encarasse
Eu me despedi
Daquele homem e
Fui embora
No meio do caminho
Eu perdi o controle
Do carro e bati
Numa árvore ali
Foi aí então
Que eu desmaiei
P.
Quando eu acordo
Me vejo numa
Estrada diferente
É noite e Estou
Cercado por salgueiros
Não vejo o carro
Começo a andar
Também não vejo
A casa que morei
Chamo pelas pessoas
Ninguém me respondeu
O livro também sumiu
O vento começou a soprar
Tropeço em raízes
E caio ali
Eu me sinto vazio
Como se nada
Daquilo fizesse sentido
Então um raio cai
Num dos salgueiros
Ele pega fogo
E na mesma hora
Um coro de choro
Ecoa pela noite
A chuva começa a cair
E eu corro Dali
A noite escurece mais ainda
E vou parar numa cabana
Onde peco ajuda
A porta se abre
E um palhaço
Aparece pra me receber
Q.
O palhaço me acolhe
E convida entrar
- Olá meu caro amigo
O que lhe traz
Ao recanto da felicidade?
Ele me perguntou
EU não sei o que fazer
E conto a história pra ele
Ele ri na minha cara
E diz que eu não me preocupe
Pois ele tem a
Solução pra mim
Então eu me sento
Numa cadeira de lona
Que é toda colorida
Enquanto ele vai
Até a cozinha
Eu olho sua casa
Ela é toda colorida
De material plástico
Todas as paredes
São cobertas por
Quadros de palhaços
E enfeites de circo
O palhaço volta
Com uma taça de vinho
- Tome, isto vai
Te fazer bem
Ele me falou
Sem nem pensar
Eu tomo vinho
Então me vejo
Caindo num buraco
Negro e sem fim.
Enquanto o palhaço
Olha pra mim
Lá de cima
E ri de minha queda
Tudo fica escuro
Não vejo nada
R.
Quando eu acordo
Estou amarrado
Num salgueiro
Eu tento falar
Mas não consigo
Tento me mexer
Mas não posso
Olho ao redor
Parece um vale
Calmo e tranquilo
Não há ninguém por perto
Clima está em suspenso
Nem quente, nem frio.
De repente um leão
Vem em minha direção
Ele pára na minha frente
E me encara
Sem mover um músculo
Eu poderia ter medo
Mas naquele momento
Eu não senti nada
Apenas um vazio
Na minha mente
Logo leão vai embora
E eu me vejo
Livre das amarras
E palavras cobrem
As minhas mãos
Eu me levanto
E olho pra
Aquele salgueiro
Depois de um tempo
Eu começo a andar
E chego num pequeno jardim
Onde no seu centro
Há uma TV antiga
Ela se liga
E eu me vejo
Numa sala decorada
Com vários espelhos
E logo me vejo
Fisicamente nesta sala
S.
Na sala de espelhos
Eu não vejo o meu reflexo
Em lugar nenhum
Apenas uma porta vermelha
Por onde eu saio
E ao sair daquela sala
Entro num tipo
De igreja gótica
Onde minha mulher
Se encontra vestida
Como uma santa
Em cima de um altar
T.
- Briana, o que você
Esta fazendo aqui?
Eu perguntei
- Você não sabe?
Eu estou aqui
Para salvar o salgueiro
Ela me falou
Eu não entendi nada
Ela aponta para fora
Daquele lugar estranho
U.
Quando eu saio
Me vejo novamente
Na casa do salgueiro
Só que ela tá queimando
E o salgueiro se agita
De repente, meus filhos
Saem da casa
Eles correm e gritam
Eles estão queimados
E caem aos meus pés
Eu me desespero
E começo a gritar
Mas o som minha voz
Não emite nada
E quando chego
Perto dos meus filhos
Eles viram cinzas
E são levados pelo vento.
V.
A casa inteira desaba
E o salgueiro cai
Um barulho imenso
Ecoa naquele lugar
A lua brilha tanto
Que me cega
Uma mão toca
O meu ombro
Uma voz desconhecida
Fala pra que eu descanse
E durma logo
Eu tento lutar
Contra esse pensamento
Mas logo eu
Caio no sono.
W.
Eu acordei num hospício
Estou numa cela alcochoada
De paredes brancas
Ouço gritos ao longe
Não quero crer nisso
Deve haver alguma coisa
Errada nisso tudo
É um engano
Só pode ser
A porta se abre
E o médico aparece
X.
Então eu sei de tudo
Me lembro de tudo
O médico disse
O que eu me neguei
A saber todo este tempo
As minhas alucinações
Com a casa
E o salgueiro
Minhas atitudes aleatórias
O fogo que coloquei
Para acabar com tudo isso
E as suas consequências
Y.
Eu fiquei calado
Não soube o que dizer
Parece tão irreal
E ao mesmo tempo
Isso é tão real
A minha mente
É o meu mundo
E destruí tudo
Não tenho mais
O que fazer
Z.
O vento bate na janela
Um som eu escuto
Como alguém chorando
A lua invade
A minha cela
E tudo ganha
Um aspecto irresistível
Eu olho pela janela
E não acredito
No que vejo
Um grande salgueiro
Está minha espreita.
Fim.
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