quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

a casa do salgueiro

A.
Numa noite quente 
Eu respiro ar puro 
De meu novo lar
Nesta casa de campo 
A chuva é viva
E o céu é límpido 
O vento corre solto 
E a liberdade 
Toma conta de mim 
Mas o que eu não sei 
É que tudo vai mudar 
Para algo pior 

B.
Minha esposa briana
E nossos filhos 
Carine e Bryan 
São meus tesouros 
Nos mudamos da cidade 
Para o campo 
Para termos uma vida 
Melhor e mais tranquila 
Com nossa economia 
Compramos esta casa 
De estilo rústico e colonial 
Com um belo salgueiro 
Mas o que é um sonho 
Se transforma em pesadelo 

C.
Alguns meses depois 
Nos adaptamos aqui 
Eu trabalho em casa 
E Briana viaja 
Para atender os clientes 
Tudo se encaixa 
Como peças de relógio 
Mas como nada é perfeito 
A maré muda 
E a tormenta chega

D.
Numa noite como esta 
O salgueiro chora 
Com o sabor do vento 
Um som eu ouço 
Como uma voz que sussurra 
Lá fora eu vou 
Mas ninguém eu vejo 
E quando eu entro 
Uma sombra por mim passa 
E isso me assusta 

E.
Tomamos café 
E uma xícara se quebra 
Não mão de briana 
Ela vai se limpar 
E meus filhos 
Perguntam o que aconteceu 
Eu digo que não é nada 
Foi apenas um acidente 
Mas eu fico desconfiado 
De alguma coisa a mais 

F.
Uma noite, eu durmo 
E passos eu ouço 
Pelo corredor do quarto 
Eu me levanto 
E vou olhar 
Mas não vejo nada 
A não ser um forte clarão 
Fora da casa 
Perto do salgueiro 
Eu tenho a impressão 
De ver a sombra 
De um homem 
Segurando uma lanterna 
E dando voltas 
Ao redor da árvore 
Eu fico em dúvida 
Se devo ir até lá 
Mas eu resolvo ir 
Saio mais silencioso possível 
Enquanto o homem 
Dá voltas na árvore 
De repente ele pára 
Olha pra mim 
E corre em minha direção 
Eu volto pra casa 
Fecho a porta 
E chamo a polícia 

G.
A polícia chegou 
Vasculha toda área 
Mas não encontra ninguém 
Eles vão embora 
Minha família já está acordada 
E todos estão espantados 
Eu os acalmo 
E nossos filhos vão dormir 
Briana pergunta o que aconteceu 
Eu falei pra ela 
Que fica assustada 
E a noite é tão silenciosa 

H.
Numa tarde de verão 
Carine nada num lago 
Perto do salgueiro 
Ela bóia na superfície 
Encarando o céu 
Quando um vento 
Sacode o salgueiro 
Ela presta atenção 
É vê o vulto 
De uma mulher 
Vestida de vermelho 
Perto da árvore 
Ela chama o pai 
Mas ninguém responde 
E quando ela 
Tenta sair d'água 
Seu corpo é puxado 
Para baixo do lago 
Ela luta contra 
Uma força invisível 
Consegue subir a superfície 
E gritar pela mãe 
Mas é arrastada novamente 
Para debaixo d'água 
Ao quase se afogar 
Ela é salva pelo seu irmão 
Que a puxa pra fora 

I.
Todos estamos nervosos 
Briana fala em 
Deixar este lugar 
Mas por enquanto 
Nós não podemos 
Gastei muito dinheiro 
Reformando esta casa 
E não tenho 
Como sair daqui 
Então resolvemos 
Levar os nossos filhos 
Para casa de minha irmã 
Eles vão passar um tempo lá 
Até ver o que 
Decidimos por aqui 

J.
Falamos com Muitos corretores De imóveis 
Eles não Disseram nada 
Mas percebemos Pelo seu Modo de Agir que Não Acreditam em Nós 
Então esperamos Um Tempo 
As coisas Acalmaram um Pouco 
E achamos Que isso Tinha passado 
Mas nos Enganamos 

K.
Uma noite Enquanto dormíamos 
Um Vento forte Soprou
E a Janela quebrou 
Nós acordamos 
Ouvimos risadas Pela casa 
Ficamos assustados 
Eu saí No corredor 
Para ver Alguma coisa 
Mas não Vi nada 
Briana então Gritou 
Eu voltei Pro quarto 
E nós Vimos da Janela 
Vultos dançam Ciranda 
Ao redor Do salgueiro 
Nós Ficamos em Choque 
Por algum Motivo 
Resolvemos ir Lá fora 
Mas não Havia mais Ninguém 
Chuva começa Cair 
Nós entramos 
E vários Copos 
Voam em Nossa direção 

L.
Fomos embora Dali
Alugamos outra Casa 
E nos Mudamos 
Aquilo foi A gota D'água 
Nossos filhos Voltaram 
Estávamos aliviados 
Aquele lugar Horrível 
Não era Mais nosso 
Ainda tivemos Pesadelos 
Por um Tempo 
Mas aquilo Passou 

M.
Alguns meses Depois 
Vendemos a Casa 
Por um Preço baixo 
Mas foi Melhor que Nada 
Estávamos tranquilos
Não soubemos Daquele lugar 
Por um Tempo 
Mas num Dia tranquilo 
Eu recebi Uma Carta 
Do atual Morador 
Que deseja Me ver 
Eu não Sei porque 
Mas atendi O seu Chamado 
Eu não Disse nada 
A minha Família 
Nós já Sofremos 
Por causa Do lugar 
E voltei Lá 

N.
Quando cheguei Na casa 
Várias lembranças Surgiram 
Fazem 6 meses 
Que saímos De lá 
Mas parece Que foi Ontem 
O novo Dono 
Me Encontrou no Caminho 
Ele é Gentil & educado 
Me convidou Pra um Café 
Mas eu Não quis Entrar 
Perguntei o Que 
Ele quer Comigo 
E me Fala que Encontrou 
Um livro Dedicado a Mim.
Eu fiquei Surpreso
Eu Não sabia 
Da existência Deste Livro 
Ele foi Buscar 
E foi Aí
Que eu Vi 0 salgueiro 
Uma brisa Leve 
O fez Se movimentar 
Como se Estivesse 
Me saudando ali 
Eu Fiquei com Calafrio 

O.
O novo Dono 
Disse que encontrou 
Este livro no
Sótão e ele 
Tinha o meu nome 
Eu olhei pra letra 
E percebi que não 
Era a minha 
Portanto eu não disse nada 
Perguntei a ele 
Se estava gostando dali 
Ele disse que sim.
Sem dizer mais nada 
Olhei pra o salgueiro 
Mas ele estava parado 
Como se me encarasse 
Eu me despedi
Daquele homem e 
Fui embora 
No meio do caminho 
Eu perdi o controle 
Do carro e bati 
Numa árvore ali 
Foi aí então 
Que eu desmaiei 

P.
Quando eu acordo 
Me vejo numa 
Estrada diferente 
É noite e Estou 
Cercado por salgueiros 
Não vejo o carro 
Começo a andar 
Também não vejo 
A casa que morei 
Chamo pelas pessoas 
Ninguém me respondeu 
O livro também sumiu 
O vento começou a soprar 
Tropeço em raízes 
E caio ali 
Eu me sinto vazio 
Como se nada 
Daquilo fizesse sentido 
Então um raio cai 
Num dos salgueiros 
Ele pega fogo 
E na mesma hora 
Um coro de choro 
Ecoa pela noite 
A chuva começa a cair 
E eu corro Dali 
A noite escurece mais ainda 
E vou parar numa cabana 
Onde peco ajuda 
A porta se abre 
E um palhaço 
Aparece pra me receber 

Q.
O palhaço me acolhe 
E convida entrar 
- Olá meu caro amigo 
O que lhe traz 
Ao recanto da felicidade?
Ele me perguntou 
EU não sei o que fazer 
E conto a história pra ele 
Ele ri na minha cara 
E diz que eu não me preocupe
Pois ele tem a
Solução pra mim 
Então eu me sento
Numa cadeira de lona 
Que é toda colorida 
Enquanto ele vai
Até a cozinha 
Eu olho sua casa
Ela é toda colorida 
De material plástico 
Todas as paredes 
São cobertas por 
Quadros de palhaços 
E enfeites de circo 
O palhaço volta
Com uma taça de vinho 
- Tome, isto vai 
Te fazer bem 
Ele me falou 
Sem nem pensar 
Eu tomo vinho 
Então me vejo 
Caindo num buraco 
Negro e sem fim.
Enquanto o palhaço 
Olha pra mim 
Lá de cima 
E ri de minha queda 
Tudo fica escuro 
Não vejo nada 

R.
Quando eu acordo 
Estou amarrado 
Num salgueiro 
Eu tento falar
Mas não consigo 
Tento me mexer 
Mas não posso 
Olho ao redor 
Parece um vale 
Calmo e tranquilo 
Não há ninguém por perto 
Clima está em suspenso 
Nem quente, nem frio.
De repente um leão 
Vem em minha direção 
Ele pára na minha frente 
E me encara 
Sem mover um músculo 
Eu poderia ter medo 
Mas naquele momento 
Eu não senti nada 
Apenas um vazio 
Na minha mente 
Logo leão vai embora 
E eu me vejo 
Livre das amarras
E palavras cobrem 
As minhas mãos 
Eu me levanto 
E olho pra 
Aquele salgueiro 
Depois de um tempo 
Eu começo a andar 
E chego num pequeno jardim 
Onde no seu centro 
Há uma TV antiga 
Ela se liga 
E eu me vejo 
Numa sala decorada 
Com vários espelhos 
E logo me vejo 
Fisicamente nesta sala 

S.
Na sala de espelhos
Eu não vejo o meu reflexo 
Em lugar nenhum 
Apenas uma porta vermelha 
Por onde eu saio 
E ao sair daquela sala 
Entro num tipo 
De igreja gótica 
Onde minha mulher 
Se encontra vestida 
Como uma santa 
Em cima de um altar 

T.
- Briana, o que você 
Esta fazendo aqui?
Eu perguntei 
- Você não sabe?
Eu estou aqui 
Para salvar o salgueiro 
Ela me falou 
Eu não entendi nada 
Ela aponta para fora 
Daquele lugar estranho 

U.
Quando eu saio 
Me vejo novamente 
Na casa do salgueiro 
Só que ela tá queimando 
E o salgueiro se agita 
De repente, meus filhos 
Saem da casa 
Eles correm e gritam 
Eles estão queimados 
E caem aos meus pés 
Eu me desespero 
E começo a gritar 
Mas o som minha voz 
Não emite nada 
E quando chego
Perto dos meus filhos 
Eles viram cinzas 
E são levados pelo vento.

V.
A casa inteira desaba
E o salgueiro cai 
Um barulho imenso 
Ecoa naquele lugar 
A lua brilha tanto 
Que me cega 
Uma mão toca 
O meu ombro 
Uma voz desconhecida 
Fala pra que eu descanse 
E durma logo 
Eu tento lutar 
Contra esse pensamento 
Mas logo eu 
Caio no sono.

W.
Eu acordei num hospício 
Estou numa cela alcochoada 
De paredes brancas 
Ouço gritos ao longe 
Não quero crer nisso 
Deve haver alguma coisa 
Errada nisso tudo
É um engano 
Só pode ser 
A porta se abre 
E o médico aparece 

X.
Então eu sei de tudo 
Me lembro de tudo 
O médico disse 
O que eu me neguei 
A saber todo este tempo 
As minhas alucinações 
Com a casa 
E o salgueiro 
Minhas atitudes aleatórias 
O fogo que coloquei 
Para acabar com tudo isso 
E as suas consequências 

Y.
Eu fiquei calado 
Não soube o que dizer 
Parece tão irreal 
E ao mesmo tempo 
Isso é tão real 
A minha mente 
É o meu mundo 
E destruí tudo 
Não tenho mais 
O que fazer 

Z.
O vento bate na janela 
Um som eu escuto 
Como alguém chorando 
A lua invade 
A minha cela 
E tudo ganha 
Um aspecto irresistível 
Eu olho pela janela 
E não acredito
No que vejo 
Um grande salgueiro 
Está minha espreita.

Fim.

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