terça-feira, 21 de abril de 2026

no profundo céu macio

Capítulo 01

Tristan faz uma tatuagem.
Uma lua no pulso esquerdo.
É a sua primeira vez.
Faz parte da Wicca.
Agora ele tem a sua Lua.
Vai para casa.
Toma uma cerveja.
Liga TV.
Um programa de auditório.
Ele não gosta.
Desliga TV.
Liga para sua mãe.
Ela não atende.
Joga o celular no sofá.
Vai até a janela.
Olha o céu.
Ele é convidativo.
Decide ir até o boliche.

Capítulo 02

Tristan está no boliche.
Ele joga.
Não acerta nada.
Que jogo chato.
Que dia chato.
Vai ao balcão.
Ele pede uma bebida.
Vê uns caras bonitos.
Sente falta de um namorado.
Olha para o celular.
Nenhuma chamada.
Nenhuma mensagem.
Como ele pôde chegar a isso?
Nem ele mesmo sabe.
Dá um gole na bebida.
O telefone toca.
É a sua mãe.
Ele atende.
É do hospital.
Sua mãe sofreu um acidente.
Sua respiração fica pesada.
Sai dali.
Vai para o hospital.
No caminho, derrapa na pista.
Bate numa árvore.
Fica desacordado.

Capítulo 03

Tristan acorda no hospital.
Um médico lhe atende.
- como você está?
- onde eu estou?
- no hospital.
Ele tenta se levantar.
- cadê a minha mãe?
- não se mexa, você está machucado.
Ele está tonto.
Um braço quebrado.
Rosto machucado.
- onde está minha mãe?
- eu sinto muito, ela morreu.
- não pode ser.
Ele sente-se nauseado.
Um sedativo é aplicado.
Ele dorme.

Capítulo 04

Tristan desperta no outro dia.
Sua visão está embaçada.
O médico volta vê - lo.
- como você está?
- eu quero ver minha mãe.
- você a verá.
- como eu vim parar aqui?
- um rapaz encontrou você.
- onde ele está?
- lá no corredor.
- o que aconteceu com a minha mãe?
- foi um acidente de carro.
Tristan olha para lua no pulso.
- isto não pode ser.
Médico olha o pulso dele.
- isto é estranho mesmo.
Tristan enxuga uma lágrima.
- onde está este cara?
- você quer vê-lo?
- sim.
- eu vou chamá-lo.
Chega telêmaco.
Tristan prende a respiração.
Ele acha o cara lindo.
Como pode ser?
Mesmo naquela hora.
Desejo no meio do caos.
Telêmaco se aproxima.
- como você está?
- do jeito que você vê.
- o médico me contou tudo.
- obrigado por me ajudar.
- de nada.
- como você me achou?
- eu passei por ali na hora.
- não sei o que teria sido de mim.
- sinto muito por sua mãe.
- obrigado.
- posso te dar um abraço?
Tristan engole em seco.
- sim.
Telêmaco o abraça.
- eu tenho que ir pra casa.
- você já fez muito por mim.
- não foi nada.
- qual seu nome?
- telêmaco e você?
- Tristan.
- legal.
Telêmaco vai embora.
Tristan vai com ele.
Em pensamento, é claro.

Capítulo 05

O enterro acontece.
Tristan olha a lápide.
Uma folha cai.
Telêmaco está com ele.
Eles vão embora.
Tristan o abraça.
- obrigado por ter ido.
- não tem de que.
- aceita um café?
- sim.
Ele vai a cozinha.
Telêmaco repara na sala.
Um altar num canto.
Algumas imagens.
Cristais, cálices e ervas secas.
Um pentagrama.
Ele acha interessante.
Tristan volta com café.
- obrigado.
- você gostou?
- de que?
Ele aponta o altar.
Telêmaco observa o local.
- eu gosto.
- você não acha estranho?
- eu respeito que faz bem.
- que bom.
- eu já vou.
- OK.
- se cuida aí.
- obrigado mais uma vez.
- de nada.
Eles se abraçam.
Telêmaco vai embora.
Tristan fecha porta.
Sala é vazia.
Xícara está na mesa.
A respiração pesa.
Ele levanta cabeça.
- eu não vou fazer isso.
Vai até a estante.
Pega um tubo de brinquedo.
Olha para o retrato de sua mãe.
- isto é para você.
Faz bolhas de sabão.
Casa fica leve.

Capítulo 06

Quarto em silêncio.
Ao longe, um pássaro canta.
Tristan pensa nele.
Embora triste, o amor permanece.
Senão amor, um encantamento.
Faz um feitiço para ele mesmo.
Curar suas feridas.
Elevar o seu amor próprio.
É tudo que precisa.
Um ciclo se fechou.
Outro chegou.
É questão de tempo.
Saber lidar com tudo isso.
Tristan vai ao parque.
Nenhum movimento.
Só as árvores ao vento.
Folhas pelo chão.
Ele lê um livro.
Momento de contentamento.

Capítulo 07

Tristan vai a faculdade de telêmaco.
Senta-se nos fundos.
Assisti a toda aula.
Ele nota sua presença.
- olá.
- oi.
- não sabia que gostava de filosofia.
- eu gosto sim.
- que bom, o que você achou da aula?
- ótimo, você é um bom professor.
- obrigado.
O celular toca.
Ele vê uma mensagem.
Lê em silêncio e apaga.
- quem era?
- nada demais.
- está bem.
- você quer tomar uma café comigo?
- seria ótimo.
- então vamos.
Eles vão a cafeteria.
- como você está?
- eu estou melhor, obrigado.
- de nada.
- você é um anjo em minha vida.
- não exagera.
- é verdade.
- se você diz.
- não sei o que eu teria feito sem você.
- o que importa é que estamos aqui.
- verdade.
Tristan pega na mão de telêmaco.
Eles se olham.
O café chega.
Eles conversam.
Vão embora.
Tristan chega em casa.
Ele lembra o acontecimento.
Toma banho.
Agradece aos deuses pelo dia.
Vai dormir.

Capítulo 08

Já é madrugada.
Celular Tristan toca.
É uma mensagem.
- oi.
- Oi, telêmaco. Aconteceu algo?
- não, desculpa o incomodo.
- está tudo bem.
- você quer conversar?
- pode ser.
- se você não quiser, tudo bem.
- relaxa, eu estou de boa.
- ótimo.
- o que você quer dizer?
- lembrei de nossa conversa.
- Ah sim, você gostou?
- sim.
- você crê no mundo espiritual?
- eu sou wicano, isso já diz muito.
- verdade.
- e você crê?
- imagino que tem algo além disso.
- porque isso agora?
- eu creio no carma.
- eu também.
- não quero ter um ruim.
- como assim?
- posso contar algo a você?
- sim.
- eu não vejo meu pai há 10 anos.
- nossa, sinto muito.
- valeu.
- porque?
- ele não aceita quem eu sou.
- compreendo.
- nem o que gosto.
- sei como é.
- nós brigamos por isso.
- o que você quer?
- voltar a vê-lo, e resolver isso.
- entendi, boa sorte a vocês.
- eu quero te pedir uma coisa.
- o que?
- você pode ir comigo?
Tristan olha o abajur.
- porque?
- acho que não consigo fazer isso só.
- você tem certeza?
- só se não for te atrapalhar.
- por mim está tudo bem.
- obrigado.
- onde ele mora?
- do outro lado do país.
- e o seu trabalho?
- vou pedir uma licença.
- tudo bem então.
- agradeço a gentileza.
- você fez tanto por mim.
- é o certo a se fazer.
- agora é a minha vez.
- quando resolver isso te aviso.
- certo.
- boa noite, desculpa o incomodo.
- a você também.
Tristan olha o teto.
Um sonho se realiza.
Um novo ciclo já vem.

Capítulo 09

Telêmaco e Tristan viajam.
Luzes de neon.
Estrada no escuro.
Movimento no centro.
Tudo é agitação.
Tristan sente o vento no rosto.
- você não gosta de voar?
- não é isso.
- você gosta de dirigir?
- também, mas tem outra coisa.
- o que?
- quero aproveitar a sua companhia.
Tristan desvia o olhar.
- eu disse alguma coisa errada?
- não, está tudo bem.
- certeza?
- sim.
- OK.
- você sabe dizer a coisa certa né?
- você nem sabe.
Os dois riem.
Eles passam a noite num hotel.
Tristan troca de roupa.
- eu vou sair.
- onde você vai?
- fazer uma coisa minha.
- é sobre sua crença?
- sim, algum problema?
- não.
- ótimo, eu já volto.
- posso ir com você?
- você tem certeza?
- sim.
- então vamos.
Eles vão a um parque ali perto.
Sentam na grama.
Olham o luar.
A lua está cheia.
Tristan fecha os olhos.
Murmura uma oração.
Telêmaco não entende.
Só vê os lábios vermelhos dele.
Seu cabelo negro.
Ele desvia o olhar.
Seu coração acelera.
Tristan toca o seu ombro.
- já terminei.
- certo, posso saber sobre isso?
- é só uma oração.
- para que?
- para agradecer a deusa mãe.
- legal.
Tristan segura o rosto dele.
- e agradecer por você também.
Ele o beija.
Telêmaco corresponde.
Os dois se olham.
Telêmaco acaricia o seu rosto.
- você é tão lindo.
- você também é.
Telêmaco suspira.
Tristan olha o relógio.
- já é tarde.
- sim, vamos embora?
- OK.
Os dois voltam ao hotel.

Capítulo 10

A nossa dupla já está na estrada.
Tristan ouve música.
Telêmaco pensa na letra.
Ele pensa em Sócrates.
- conhece a ti mesmo.
- oi?
- eu pensei alto aqui.
- o que você pensou?
- em Sócrates.
- isto tem haver comigo?
- tem haver comigo.
- você não se conhece?
- e você, se conhece?
- não.
- pois é.
Eles vêem um outdoor.
Uma corrida irá acontecer.
Telêmaco para o carro.
- olha só.
- você gosta disto?
- eu gosto de velocidade.
- você quer ver?
- sim.
- OK.
A noite chega.
A corrida acontece.
Muita gente no evento.
Eles vão a arquibancada.
Esbarram num homem.
- olha por onde anda.
- desculpa aí.
Eles sentam.
A corrida começa.
Telêmaco fica pensativo.
Tristan encosta o ombro nele.
- o que você tem?
-  penso no meu pai.
- ele gosta disto também?
- nós sempre assistíamos.
- é uma boa memória.
- eu quis ser piloto numa época.
- porque não foi?
- o encanto diminuiu.
- compreendo.
- aí eu conheci a filosofia.
- e você se apaixonou.
- perdidamente.
O homem do lado escuta os dois.
- correr é bom.
Nosso casal olha para ele.
Fica constrangido.
- desculpa, não quis me intrometer.
- está tudo bem.
- o senhor foi piloto?
- sim, meu nome é Andrei.
Ele cumprimenta os dois.
- eu sou Tristan.
- e eu, telêmaco.
- prazer.
- porque parou?
- a idade, e o desencanto.
Ele toma um gole de cerveja.
- eu sinto muito.
- não tem de que.
A corrida termina.
Andrei termina cerveja.
- vocês querem beber algo?
Eles se olham.
- por mim, tudo bem.
- ótimo, então vamos.
Os três estão num bar qualquer.
- vocês são de onde?
- longe daqui.
- este é um bom lugar.
- o senhor mora aqui?
- sim.
- gosta daqui?
- dá para o gasto.
Eles riem.
- para onde vocês vão?
- eu vou ver o meu pai.
- ele mora aqui?
- não, do outro lado do país.
- não seria melhor voar até lá?
- eu gosto de sentir o caminho.
Andrei contempla telêmaco.
- isto é tão zen.
- por isso gosto de filosofia.
- um brinde a filosofia.
Eles bebem.
- algum motivo especial?
- não nos falamos há anos.
Andrei olha para frente.
Se perde no vazio das garrafas.
- eu falei algo errado?
- não, você lembra o meu filho.
- onde ele está?
- morreu.
- sinto muito.
- nós estávamos brigados.
Telêmaco coloca mão no ombro dele.
- gostaria de poder ajudar.
- você pode.
- como?
- não cometa o mesmo erro que eu.
- vou tentar.
Andrei termina bebida.
- eu já vou, foi bom conhecer vocês.
Eles agradecem.
Andrei vai embora.
Telêmaco olha o chão.
Tristan chama atenção dele.
- ei, não fica assim.
- eu estou bem.
- a sua história não é a dele.
- espero que não.
- vamos embora, precisamos dormir.
- a nossa jornada continua.
Eles pagam a conta.
Vão embora.

Capítulo 11

Eles estão no caminho.
Param numa cidade pequena.
Tristan lembra de alguém.
Uma amiga que mora ali.
- eu tenho uma amiga que mora aqui.
- legal.
- você gostaria de conhecê-la?
- sim.
- otimo.
Vão até a casa dela.
Seu nome é Estela.
Ela reconhece Tristan.
- olá meu amigo. Há quanto tempo.
- verdade.
Os dois se abraçam.
- este é meu amigo, telêmaco.
- prazer em conhecê-la.
- bonitão ele. Você tem bom gosto.
O professor fica sem Jeito.
- somos apenas amigos.
- ótimo, entrem.
Eles tomam café.
- e então, conta as novidades.
- eu te disse sobre minha mãe?
- sim, eu sinto muito.
- obrigado.
Telêmaco termina o café.
- eu vou dar uma volta por aí.
- OK.
Ele sai.
Estela dá um toque em Tristan.
- e este bonitão hein?
- foi ele quem me salvou acidente.
- ele é gato, vai em frente.
- somos só amigos.
- hum, conta outra. Nem um beijo?
- só um beijo.
- Ah, seu danadinho.
Eles riem.
- só você mesmo.
- saudades de você.
- também.
- onde vocês vão?
- ver o pai dele, não se falam.
- isso é complicado.
- ele me ajudou, agora é minha vez.
- gentileza gera gentileza.
- você ainda faz consulta?
- sim.
- você pode tirar as cartas para mim?
- claro que sim.
Estela pega o seu tarô.
Pede para ele tirar uma carta.
Tristan pega carta dos amantes.
- isto é tão romântico.
- você sempre foi romântico.
- eu sou sim.
- vocês tem um caminho a seguir.
- nós estamos nele.
- aproveita bem, é a sua chance.
- obrigado, eu estou tranquilo.
- você faz bem.
Telêmaco chega.
Estela olha os dois.
- eu tenho uma proposta para voces.
- o que?
- vamos a um clube de patinação?
Tristan olha para telêmaco.
- eu adoraria, vamos?
- por mim tudo bem.
- ótimo.
Eles vão até lá.
Se divertem patinando.
Telêmaco é atrapalhado nisto.
Tristan o ajuda.
Estela passa por eles.
Eles patinam.
Telêmaco cai.
Tristan ri.
- você está rindo é?
- só um pouquinho.
Telêmaco faz cócegas nele.
Os dois caem.
Eles levantam.
Começa tocar uma música romântica.
Tristan o pega pelo braço.
- vem dançar comigo.
Estela observa eles.
Os dois dançam.
Assim como todos.
Tristan olha para ele.
- eu quero te dizer uma coisa.
- o que?
- eu estou gostando de você.
Balões coloridos começam a cair.
Eles olham para cima.
Telêmaco olha para ele.
- eu também gosto de você.
Os dois se beijam.
Vão para casa de Estela.
Passam a noite lá.
Outro dia chega.
- obrigado pela noite maravilhosa.
- de nada, meu amigo.
- foi bom ver você.
Os dois se abraçam.
Telêmaco fala com ela.
- obrigado por tudo.
- cuide bem dele.
- eu vou sim.
Os dois se cumprimentam.
Eles continuam a viagem.

Capítulo 12

O carro quebra no caminho.
Telêmaco chama o guincho.
A estrada é deserta.
- ajuda vai demorar?
- não.
Uma árvore balança ao vento.
Eles se abrigam em sua sombra.
- você se arrependeu disto?
- claro que não.
- estamos quase chegando.
- não se preocupe.
- este lugar é lindo.
- sim.
Dia está claro.
As nuvens passam.
Vento é suave.
O guincho chega.
Eles vão a cidade mais próxima.
O mecânico faz uma inspeção.
- o motor "ferveu", vai demorar.
- quanto tempo?
- uns 3 dias para arranjar tudo.
Telêmaco olha o relógio.
- não tem um jeito de apressar isso?
- infelizmente não.
- tudo bem então.
Eles se hospedam numa pensão.
Tristan ajeita sua mala.
- o que vamos fazer?
- eu estou com fome.
- eu vi um restaurante no caminho.
- ótimo, vamos lá.
Vão ao restaurante.
Eles olham o cardápio.
Escolhem torta de cereja e café.
Surge um novo personagem.
Alisson, o garçom.
- olá, sejam bem-vindos.
- obrigado.
- o que vão querer?
- torta de cereja e café.
- ótimo pedido.
Ele vai a cozinha.
Volta com pedido.
- bom apetite a vocês.
- obrigado.
Neste momento, chega uma mulher.
- olá, Alisson.
- o que você quer aqui?
- quando você ia em casa, hein?
Ele olha ao redor.
- aqui não é o lugar.
- cadeia mudou você mesmo.
Tristan e telêmaco se olham.
Fixam olhar na torta.
Ela aperta mão com força.
- você é um idiota.
Dá um tapa na cara dele.
Vai embora.
As pessoas olham pra ele.
Alisson esfrega o rosto.
- sinto muito por isso.
Tristan come uma fatia de torta.
- negócio é sério.
- cada um com o seu dia.
- pois é.
Terminam a refeição.
Eles pagam a conta a outra pessoa.
Vão ao estacionamento.
Alisson está lá.
Esfrega um lenço nos olhos.
Ele repara nos dois.
- sinto muito por aquilo.
- não se preocupe, acontece.
Tristan senta num banco.
Telêmaco encosta-se num carro.
- vocês tem cigarro?
- nós não fumamos.
- só faz bem.
- seu turno acabou?
- eu fui despedido.
- sinto muito por você.
- não é fácil com meu passado.
- todo mundo tem um passado.
- não um que envolva cadeia.
Tristan enxuga o suor da testa.
- não adianta pensar no que passou.
- para outras pessoas, não é assim.
Telêmaco senta-se junto a Tristan.
- quem é ela, se posso perguntar?
- minha irmã.
- sei.
- eu matei nosso irmão.
Telêmaco esfrega as mãos.
- isto é difícil.
Alisson junta-se a eles.
- foi num surto de drogas.
Tristan coloca mão no ombro dele.
- sinto muito por vocês.
- eu também sinto, mas é tarde.
- você pode ser diferente.
Alisson olha para estrada.
- e vocês, o que fazem por aqui?
- nosso carro quebrou.
- hum.
- vamos embora amanhã.
- boa viagem então.
Ele levanta-se.
- boa sorte a vocês.
- obrigado, para voce também.
- valeu.
Alisson some no horizonte.
Tristan pega mao de telêmaco.
- isto é tão triste.
- é verdade.
Eles observam o céu.
Começa a chover.

Capítulo 13

O silêncio reina.
Uma casa de campo.
Perfume de flores.
Sol é acolhedor.
Estrada é sinuosa.
Eles chegam.
O destino final.
Saem do carro.
Tristan observa tudo.
- isto é lindo.
- obrigado.
Eles vão em direção a casa.
Um homem está a porta.
É Zion, o pai telêmaco.
- olá pai.
- lembrou que tem um?
Zion entra.
Tristan olha para telêmaco.
- é melhor eu ficar aqui fora.
- não, você vem comigo.
- você tem certeza?
- sim.
Eles entram.
- pai? Cadê você?
- estou aqui na cozinha.
Vão até lá.
- este é Tristan, um amigo meu.
- prazer em conhecê-lo, senhor.
Zion aperta mão dele.
Este olha o filho.
- o que você quer aqui?
- já fazem 10 anos.
- eu sei disso.
Tristan olha janela.
- com licença, eu vou olhar por aí.
Ele sai.
Zion o observa sair.
- este é o seu namorado?
- já vai começar?
- você sabe que não ligo para isso.
- liga para que então?
- a sua indiferença comigo.
- isso não veio de graça.
- claro, a culpa é minha.
- não é isso.
- é o que então?
Telêmaco olha o fogão.
- tem café aí?
- senta que eu faço.
Telêmaco senta-se.
Zion prepara o café.
Seu filho observa o ambiente.
- senhor está bem sozinho?
- nunca estive melhor.
- imagino que não.
- solidão não me assusta.
- nada lhe assusta.
- já passei desta fase.
Zion prepara o café.
Serve para os dois.
- não vai chamar seu amigo?
- ele está bem.
- o que você quer?
- eu vim acabar com isso.
- com isso que?
- esta distância entre nós.
Zion bebe um gole de café.
- muito gentil sua parte.
- isso não precisa ser assim.
- muita coisa não precisa ser assim.
É a vez de telêmaco beber.
Zion coloca mais café.
- o que você tem feito?
- eu sou professor de filosofia.
- que bom então.
- e o senhor?
- cuidando daqui.
- lugar está bem.
- sim.
- não vai falar nada?
- falar o que?
- qualquer coisa.
- palavras são só palavras.
- posso lhe dar um abraço?
Zion segura xícara com força.
- sim.
Os dois se abraçam.
Tristan chega.
- este lugar é muito...
Ele percebe a cena.
Os dois olham para ele.
- eu não queria atrapalhar.
Zion sorri.
- relaxa, garoto. Está tudo bem.
Telêmaco acena para ele.
- vem tomar café.
- cheiro está bom.
Os três sentam-se a mesa.
Zion serve Tristan.
- obrigado.
Zion passa mão pelo cabelo.
- e então, qual é a de vocês?
Tristan engasga com café.
Telêmaco olha o pai.
Zion acha graça.
- Ah, esta juventude.
Sol brilha lá fora.
Vento acaricia as árvores.

(Fim)










Nenhum comentário:

Postar um comentário