segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

o caso da vassoura

Capítulo 1 (Brenda)

Olá.
Meu nome é brenda.
Eu sou uma advogada bem sucedida.
Estou no tribunal defendendo uma causa importante.
Um homem qualquer atropelou sem querer a tartaruga dum poderoso empresário.
Então este mesmo empresário processou o homem comum.
Quer tomar tudo dele.
Agora, eu faço a sua defesa final.
Digo às senhoras e senhores do júri que este homem que defendo não tem culpa alguma da morte da tartaruga.
O único culpado é o empresário que deixou seu animal de estimação fugir de casa.
Numa noite muito escura infelizmente o meu cliente atropelou o bichinho.
Sem intenção de matar.
Então levem isto em conta por favor. Então, no final de tudo, eles só precisaram de oito minutos pra deliberar em favor de meu cliente.
Este foi um ótimo momento pra mim.
Eu fui pra casa.
Tomei um bom banho.
E usei um de meus inúmeros perfumes franceses.
Até porque eu mereço.
Me olhei no espelho e falei pra mim mesmo - é pra isto que trabalho.
Minha satisfação olfativa é quase um ápice sexual.
O telefone toca.
Eu atendo.
Ouço alguem por um tempo.
Deixo telefone cair.
Vou para frente da penteadeira.
Me perfumo de forma automática.
Sento-me na cama.
Fico perplexa e Sem reação.
Alguém me dá a notícia de que minha mãe acaba de morrer.

Capítulo 2 (Antônia)

Meu nome é Antônia.
Sou namorada de Brenda.
Nos conhecemos numa feira literária. Eu sou editora.
Nós estamos já há um ano juntas.
Entre altos e baixos, ainda estamos aqui.
Esta semana sua mãe morreu.
Eu a consolei nestes dias.
São horas difíceis.
Já se passou uma semana do acontecimento todo.
Uma coisa curiosa aconteceu.
A mãe dela deixou uma vassoura mágica pra filha.
Sua mãe era wica.
Isto foi um presente de suas amigas do coven.
Ela tinha muita estimação.
Brenda era fascinada nesta vassoura desde criança.
Sua mãe lhe dizia que a vassoura seria sua quando ela morresse.
Este tempo chegou.
Por estes dias nós brigamos.
Brenda ficou com ciúmes de mim com uma antiga colega de faculdade.
Não achei isto certo.
E o que é pior.
Ela terminou comigo.
Eu tentei tudo pra me acertar com ela. Ameacei até me matar.
E ela nada.
Perguntei porque isso agora.
Ela me disse que cansou de mim.
Quer um tempo.
É tempo que ela quer?
Então tempo ela terá.
Confesso que a odeio por isso.
E o que eu fiz?
Roubei a vassoura dela por vingança. É isso aí.
Eu sei que isto foi mesquinho de minha parte.
Mas a raiva não é uma boa conselheira.
O que está feito, está feito.
Agora ela tá louca.
Procura esta vassoura.
Eu não sei no que isto vai dar.
É ver no que vai ser.

Capítulo 3 (clara)

Eu tento escrever uma matéria nesta tarde monótona.
Mas a minha sobrinha no quarto ao lado está cantando.
Minha concentração não está funcionando bem com isso.
Como eu adoro criança.
SQN.
Então paro tudo e me deito na cama. Olho pro teto.
Os pássaros cantam.
Me sinto entendiada.
Procuro inspiração pra escrever algo, mas nada me vem a mente.
Talvez eu devesse fazer uma viagem, mas pra onde?
Isto eu não sei.
Então eu me levanto.
Vou a cafeteria.
O café é a única coisa que me acalma neste momento.
Eu pego uma grande e fumegante xícara de café.
Sento-me perto da janela.
Olho movimento na rua.
Pessoas e carros que passam.
O sol acariciando o asfalto.
As árvores que balançam ao sabor do vento.
Ao olhar pro outro lado, vejo uma garota com expressão triste.
De forma sensitiva, ela também olha pra mim.
Não sei o que deu em mim, mas me aproximo dela e pergunto se está tudo bem.
Ela me conta a história da mãe, vassoura e namorada que vcs já viram nos outros capítulos.
Eu vejo nisto uma forma de escrever uma crônica interessante pra mim.
Me ofereço pra ajudá-la recuperar a vassoura e ela aceita.
Então vamos lá.

Capítulo 4 (André)

Eu estou na minha sala.
Ligo a TV.
Vejo o jogo de futebol.
O time que já joguei ganhou.
O campeonato é deles.
Tomo um gole de cerveja.
Olho aqueles caras felizes.
Comemorando a vitória.
Lembro de mim.
Do tempo em que jogava.
Eu era famoso.
Hoje não sou nada.
Vivo de glórias do passado.
Sem nenhuma perspectiva.
Um presente vazio.
Um futuro incerto.
Bebo mais um pouco.
Minha cabeça gira.
Desligo a TV.
Vou pro quarto.
Me deito na cama.
Olho pro teto.
Meus pensamentos divagam.
Eu me lembro de clara.
Nós já ficamos.
Pego meu celular.
Ligo pra ela.
Pergunto se está tudo bem.
Ela responde que sim.
Pergunta o que eu quero.
Respondo que quero ela.
Ficar com ela.
Clara aceita o convite.
Vem ficar comigo.
Nós transamos.
Pergunto que ela tem feito.
Ela fala sobre Brenda.
A sua vassoura mágica.
Eu fico interessado.
Algo diferente pra mim.

Capitulo 5 (Benício)

Meu pai não dá mínima pra mim.
Sua fama de jogador acabou.
Sua atenção comigo também.
Ele desconta isto em mim.
Eu não tenho culpa.
Minha mãe o deixou.
Foram muitas traições.
Eu quis ficar com ele.
Não entendi a situação.
Agora eu me arrependo.
Não sei o que fazer.
Mas tenho que fazer algo.

Capítulo 6 (diva)

Minha voz não é mais a mesma.
Tudo para mim é difícil.
Eu sou uma grande estrela da ópera.
Você não me conhece?
Isto é impossível.
O meu nome é diva.

Capítulo 7 (Clementino)

Diva sempre foi uma filha insuportável pra mim.
Desde pequena, sempre me deu trabalho com seus caprichos.
Ela se tornou cantora de ópera.
Agora que é fracassada, está mais insuportável ainda.
Me casei por imposição social.
Não tinha vocação pra isso.
Culpa é minha.
Não tive coragem pra dizer não.
E deu nisto.
Minha filha nasceu.
Minha mulher morreu.
Agora eu tô aqui.
Aposentado e sem perspectiva.
Vivi uma vida cinza.
A única coisa que me conforta é a leitura.

Capítulo 8 (Gabriele)

Esta nossa vida não é fácil.
Deitar com vários homens.
Atraentes ou não.
Febris ou gentis.
Violentos ou não.
Escolha eu não tenho.
Isto é o que me resta.
Ainda bem que há exceção.
Brenda é uma delas.
Eu gosto de mulher.
Nos conhecemos por aí.
Um homem me agrediu.
Ela é defensora pública.
Resolveu me ajudar.
Tudo então começou.
Ela ficou comigo estes dias.
Me contou tudo.
A mãe. A namorada. A vassoura.
Eu fiquei puta da vida.
Falei que quero ajudar.
Mas não sei como.
Vou pensar nisto.
Coloco uma música latina.
Eu gosto deste estilo.
Me faz relaxar.

Capítulo 9 (Janice)

Meu nome é Janice.
Eu sou enfermeira.
Trabalho num hospital.
Eu gosto de selfie.
Queria ser modelo.
Mas não deu.
Eu nasci pobre.
Consegui um empréstimo.
E fiz enfermagem.
Fiz isto por dinheiro.
Eu confesso.
Mas não gosto disso.
Este trabalho não me agrada.
Uma mulher é atropelada.
Não é nada grave.
Seu nome é Brenda.
Ela é advogada.
Eu tomo conta dela.
Nós ficamos amigas.
Ela me conta tudo.
Eu me solidarizo com ela.

Capítulo 10 (Othon)

Eu tenho muita costura.
Já chega o final de ano.
Os pedidos não param.
Graças a Deus.
Tenho que ir na igreja.
Louvar ao senhor.
E pedir ajuda.
Que Janice me deixe em paz.
Ela é minha prima.
Quer ficar comigo.
Mas eu não posso fazer isso.
Prometi a minha castidade.
Sou devoto ao senhor.
Não posso me dar ao desfrute.
Ela não entende isso.
Vou fazê-la entender.
Hoje recebi uma encomenda.
Uma roupa de bruxa.
Uma tal Antônia me pediu isso.
Eu não gosto disto.
Mas trabalho é trabalho.
Então eu devo fazer isso.

Capítulo 11 (Brenda)

Um Gato dorme em minha cama.
Não sei de onde veio.
Eu olho pra ele.
Gabriele tá comigo.
Tivemos uma noite daquelas.
Ela é o meu apoio.
Seu carinho me consola.
Penso na vassoura.
Porque ela fez isso?
Eu não mereço.
Antônia me traiu.
Isto é imperdoável.
Gato me arranha.
Ele vai a cozinha.
Vou atrás dele.
Antônia está lá.
Vestida de bruxa.
Algo bem clichê.
Ela diz que me ama.
Quer voltar comigo.
Eu não a quero mais.
Peço que me devolva vassoura.
Ela fica furiosa.
Gabriele chega pra me ajudar.
Antônia lança um feitiço.
Gabrielle tenta impedir.
Mas não consegue.
Fico presa no espelho.
Ela quebra o espelho.
Agora tô só aqui.
Com a minha consciência.

Capítulo 12 (Antônia)

Eu aprendi uns feitiços.
Comprei um livro na internet.
Mandei fazer uma roupa de bruxa.
Estudei um tempo.
Dominei o vôo de vassoura.
Comprei um gato.
Eu Enfeiticei ele.
Mandei pra casa dela.
Meu espião felino.
Esta noite fui lá.
Tentei reatar nosso namoro.
Ela não quis.
Então fiquei maluca.
Lancei hum feitiço nela.
A prendi no espelho.
Quebrei o espelho.
Voltei pra casa.
Agora me arrependo.
Eu chorei muito.
Não adianta nada.
Queimo a vassoura e a roupa.
Jogo livro fora.
Gato faz carinho em mim.
Olho pra foto de Brenda.
Me pergunto que eu fiz.

Capítulo 13 (Clara)

Eu procurei Brenda.
Não a encontrei.
Fui a casa dela.
Tudo parecia normal.
Exceto um espelho quebrado.
Achei aquilo estranho.
Fui na casa da Antônia.
Falei com ela.
Perguntei por Brenda.
Ela diz que não sabe de nada.
Comentei que sei da história.
Que não creio nela.
Ela me manda ir embora sua casa.
Que eu não volte mais lá.
Eu vou a polícia.
Conto tudo a eles.
Eles prometem investigar.
Volto pra casa.
Porta está aberta.
Eu fico com medo.
Tento ligar pra polícia.
Sinal não pega.
Entro em casa.
Antônia está sentada no sofá.
"Eu falei pra vc não se meter comigo" ela diz.
Eu tento gritar.
Mas não consigo.
Minha boca tá fechada.
Ela aponta o dedo pra mim.
Eu me desfaço numa poeira.
Só minha consciência fica.

Capítulo 14 (André)

Eu ligo pra clara.
Ela não atende.
Acho que esta com raiva.
Porque? Eu não sei.
Tomo uma cerveja.
Para espantar o tédio.
Vejo uma bola no canto.
Eu pego ela.
Vou pro quintal.
Tarde é abafada.
Céu é cinzento.
Ameaça chover.
Mas não chove.
Começo a jogar bola.
Minha cabeça gira.
Eu fico tonto.
Tento me segurar.
Mas não consigo.
Minha visão escurece.
Eu então desmaio.
Bato com olho numa pedra.
Ele tá furado.
Meu filho me encontra.
Me leva pro hospital.
Acordo três dias depois.
Perdi o meu olho.
Isto me perturba.
Benício me consola.
Volto pra casa.
Uso um tapa olho.
Agora tô só.
Um passarinho canta.
Olho pela janela.
Um balão vermelho flutua.
Vem em minha direção.
Eu seguro na corda.
Balão voa pra longe.
Eu vou com ele.
Me perco nas nuvens.

Capítulo 15 (Benício)

Eu estou no mundo.
Bebo com amigos.
Picho muros pela cidade.
Estravaso a minha raiva.
Eu quero bater no meu pai.
Eu quero xingar ele.
Mas me contenho 
Eu não posso fazer isso.
Ele é meu pai.
Meus amigos vão embora.
Eu fico no parque.
Já é meia noite.
Calor é sufocante.
Não há ninguém na rua.
Me sento num banco.
Olho pra lua.
Ela é tão linda.
Algo chama minha atenção.
Olho pro lado.
Algo está estendido numa moita.
Eu me levanto banco.
Vou até lá.
Vejo um braço peludo 
Eu não grito.
Não sei porque.
Aquilo me fascina.
Eu me agacho.
Olho braço detidamente.
Não tem cheiro.
E nem fede 
Parece ser alguém jovem.
Não há mancha de sangue.
Corte é cirúrgico.
Trabalho de um artista.
Eu penso nisto.
Porque alguém faria isto?
Eu não sei
Ouço passos próximos a mim.
Um casal vem ao longe.
Eu me despeço daquele braço.
Volto pra casa.

Capítulo 16 (diva)

Eu estou enlouquecendo.
Ouco vozes em minha mente.
Os objetos dançam para mim.
A casa fala comigo.
Eu não sei o que fazer.
Estou muito nervosa.
Eu como cada vez mais.
Ganhei mais peso.
Minha vida desaba.
Telefono para meu pai.
Ele não me atende.
Nunca nos demos bem.
Ele me culpa pela morte de minha mãe.
Eu não tenho culpa disto 
Será que ele não entende?
Eu não sei o que fazer.
Telefone para os meus amigos.
Ninguém me atende 
Eu vou até a casa deles
Ninguém me recebe.
Todos dão uma desculpa qualquer.
Eu não sei o que fazer.
Não tenho mais vontade de nada.
Saio por aí.
Sem rumo e sem ilusão 
Paro diante de 1 ponte.
Vejo rio lá embaixo.
As águas seguem o seu curso.
Eu quero seguir com elas.

Capítulo 17 (Clementino)

Eu leio agora.
O telefone toca.
Vejo o visor.
É a minha filha.
Eu não atendo.
Não tô afim de nada.
Muito menos falar com ela.
Sei que não devia ser assim 
Tão rude com ela.
Mas me tira do sério.
Só a sua existência já me irrita.
Não sei o que fazer com isto.
Já tentei tudo.
Deus sabe que sim.
Mas não dá.
Simplesmente não dá.
É simples assim.
Volto pro meu livro.
É a única coisa que me conforta.
Me tira desta amargura.
Na literatura eu viajo.
Esqueço de tudo.
Vivo aqui e agora.

Capítulo 18 (Gabriele)

Passei a noite com Brenda.
Foi muito bom.
Um Gato apareceu.
Ele arranhou Brenda.
Vai pra cozinha.
Brenda vai atrás 
Um tempo passa.
Ouço gritos na cozinha.
Vou ver o que é.
Antônia está lá.
Vestida de bruxa.
Ela ameaça Brenda.
Eu tento impedir.
Mas não consigo.
Ela é presa num espelho.
Que é quebrado.
Eu tento pegar Antônia.
Mas ela some 
Num passe mágico.
Eu estou parada aqui.
Olhando pra o espelho.
Os pedaços pelo chão.
Minha mente entra em confusão.

Capítulo 19 (Janice)

Eu vejo no noticiário algo sobre Brenda.
Repórter diz que ela desapareceu.
Eu olho a foto.
Vejo no meu celular.
Me lembro dela.
Achei uma mulher interessante.
Mais interessante do que a maioria.
Mas o que eu posso fazer?
Eu não tenho tempo para nada.
Só aqui neste hospital.
Minha vida é um tédio só.
Uma rotina sem fim.
Este é o mal do mundo.
Estamos todos cansados.
E desesperados também.
Não vejo mais futuro para mim.
Queria ser escritora.
Mas não deu.
Meu plantão neste inferno adabou.
Vou para casa.
Tomo uma cerveja.
É uma das poucas coisas boas de minha vida.
Pego o celular.
Tiro uma selfie.
Me olho na imagem.
Eu estou horrível 
Não consigo me ver.
Tantos anos de de solidão.
Eles acabaram comigo.
Não sou mais quem eu era.
Isto me angustia.
Jogo celular na parede.
Termino a cerveja.
Vou pra o meu quarto.
Abro a janela.
Rua tá calma.
Eu pulo dela.
Mergulho no invisível.

Capítulo 20 (Othon)

Eu fiz o que devia ter feito.
Vesti uma bruxa.
Paguei caro por isto.
A noite fui arrebatado.
Me vi fora do meu corpo 
Lá no espaço.
As estrelas me rodeavam.
Não sei como isto aconteceu.
Orei a Deus.
Só ouço silêncio.
Flutuo no espaço.
Vejo cometas e planetas.
Não sinto frio.
Tudo é tão escuro
Confuso eu estou.
Isto é uma benção?
Ou um castigo?
Será que minha hora já chegou?
Eu olho meu corpo.
Estou completamente nú.
Mas não sinto frio.
E nem calor 
Olho planeta daqui.
Tudo parece tão calmo.
E tão silencioso.
Isto deve ser um presente divino.
Só pode ser.
Não encontro outro motivo.
Fecho os meus olhos.
Toda minha vida passa diante de meus olhos.
Revejo tudo que vivi.
Tudo que passei 
Será que valeu a pena?
Lágrimas banham meu rosto 
Logo se transformam em cristais.
E se perdem no espaço.
Sinto muitas coisas.
Não consigo entender.
Apenas me entrego.
Deixo a vida acontecer.






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