terça-feira, 21 de janeiro de 2025

um dia assim

Numa tarde abafada, a chuva começou a cair.
Eu estou na janela.
E vejo tudo acontecer.
Ele passa em frente a minha casa.
Com seu guarda chuva amarelo.
Léo é encantador.
Seu sorriso é radiante.
Ele olha pra mim.
E o sol se ilumina dentro de mim.
Eu faço um café.
Sento no sofá.
E aprecio o aroma da vida.
Ouço a chuva tamborilar no teto.
E penso em tanta coisa.
Etapas de minha vida.
Lembro de minha mãe.
De sua agonia.
A doença que lhe levou.
Mas eu não quero ser melancólico.
Isto não serve pra nada.
Lembrar, sim.
Ficar preso ao passado, não.
Ainda tem o meu pai.
Não nos damos bem.
Não sei porque.
É um mistério pra mim.
Coisas da vida.
Ele mora longe.
Eu moro aqui.
Hoje me deu vontade de nadar.
Começa a chover.
Eu não me importo.
Vou pra praia.
Vento é forte.
Céu está escuro.
Água é agitada.
Eu entro nela.
Estou seguro disso.
Nado com cuidado.
Me sinto em paz.
Gotas de chuva caem no meu rosto.
Me sinto tranquilo.
Praia é deserta.
Depois de um tempo, saio d'água.
Sento na areia molhada.
Ouço som das ondas.
Contemplo minha solidão.
Olho horizonte infinito.
Agradeço pela vida.
Vou pra casa.
Tomo um banho quente.
Faço um café.
Me deito na cama.
Tudo é silêncio.
Exceto pela melodia chuvosa.
A colcha me esquenta.
Eu fico sonolento.
O sono me visita.
Já é outro dia.
Hoje quero sair.
Ir numa pizzaria.
Eu quero ir com Léo.
Ele aceita o convite.
Encontro ele em casa.
Ele mora só.
E eu também.
Vamos pra pizzaria.
Está muito animado.
Muita gente alegre.
Percebi Léo triste.
- o que você tem?
- não é nada.
- você tem certeza?
- eu tenho sim.
- tudo bem então.
Nós pedimos a pizza.
Eu adoro 4 queijos.
Ele ama portuguesa.
Então nós comemos.
Dançamos um pouco.
Já é madrugada.
Nós vamos embora.
Chamo ele pra dormir lá em casa.
Ele então aceita.
Nós chegamos em casa.
Bebemos umas cervejas.
Conversamos um pouco.
E nos beijamos.
E fazemos amor.
Vamos pra cama.
Sono não chega.
Nós continuamos acordados.
De repente, ele chora.
Eu pergunto o que é.
Seu avô está doente.
Eu abraço ele 
- me desculpa por isso.
- porque?
- não queria estragar essa noite.
- você não estragou nada.
- obrigado pelo carinho.
nós nos abraçamos.
E vamos dormir.
Alguns dias depois.
Uma notícia triste.
O avô de Léo morreu.
Vou com ele ao enterro.
Esta tarde é quente.
Calor é sufocante.
Algo estranho aconteceu.
Caixão transborda d'água.
Terra fica encharcada.
Todos olham isto.
Ninguém parece se importar.
Ele é enterrado.
Todos vão pra casa.
Eu fico com Léo.
Nós vamos pra sorveteria.
Compramos um sorvete.
Matamos o tempo.
Leo olha pro nada.
Eu tento anima-lo.
Ele dá um sorriso amarelo.
Nós vemos pra casa.
A noite cai.
A chuva começa.
O clima muda.
Ele dorme comigo.
Eu leio um pouco.
Para me distrair.
Pensamentos me atormentam.
Me desvio deles 
Minha barriga ronca.
Estou com fome.
Vou na cozinha.
Preparo um sanduíche.
Um copo de leite.
E me satisfaço.
Então vou dormir.
Alguns dias depois.
Eu vou à academia.
Treino um pouco.
Dou em cima do treinador.
Ele finge não entender.
Eu sei que isso não é bom.
Eu amo Léo.
Mas faz parte de mim.
Não me julguem.
Vou tentar melhor.
Volto pra casa.
Tomo um banho.
Assistir um filme.
E eu relaxo.
O telefone toca.
É minha madrasta.
Nós conversamos um pouco.
Eu pergunto por meu pai.
Ele tá bem, ela fala.
Que bom então.
Fico mais aliviado.
Ela pergunta quando vou lá.
Eu não sei.
Quando eu for, aviso.
Ela desliga o celular.
Eu penso no assunto.
Então me masturbo.
Para relaxar um pouco.
Eu vou trabalhar.
Dia é corrido.
A noite chega.
Começou a chover.
De repente, tenho uma ideia.
Vou fazer uma caminhada.
Sair pela floresta.
O vento é forte.
O clima é bom.
Floresta é imensa.
Caminho sozinho.
Vegetação é verde.
Sensação de liberdade.
Não penso em nada.
Só estou aqui e agora.
Árvores tão imensas.
Flores tão belas.
Nenhum animal a vista.
Silêncio é absoluto.
Me deparo com uma cabana.
Ela tá abandonada.
Eu entro nela.
Está relativamente conservada.
Chamo por alguém.
E ninguém aparece.
Acendo o fogão.
Coloco água no fogo.
Faço um café.
Vou pra varanda.
Me sento num banco de madeira.
Observo a paisagem.
Me sinto confortável.
Uma sensação serena.
A chuva pára.
Eu vou embora.
Volto pra casa.
Hoje é domingo.
Estou de folga.
Vou a praça.
Estou com Léo e sua sobrinha.
Ela brinca com bolha de sabão.
E nós conversamos.
Clima é quente.
Sol está radiante.
depois vamos embora.
começa a chover.
léo leva sua sobrinha em casa.
depois ele vai para minha.
lá nós transamos.
eu conto á ele sobre o treinador.
ele se senta na cama.
olha para janela.
chuva bate no vidro.
- voce nao vai dizer nada?
- eu sei o que acontece entre nós.
- e o que acontece?
- é só diversao e nada mais.
ele levanta e veste a roupa.
- para onde voce vai?
- eu vou embora.
- a chuva nao passou.
- nao tem problema.
ele me dá un beijo.
e vai embora.
sei que ele ficou chateado.
nao sei o que fazer.
eu tenho que mudar.
Uma sombra paira sobre mim.
Eu recebo uma má notícia.
Léo está morto.
Acidente de carro.
Eu fico em choque.
Não consigo falar nada.
Vou ao enterro.
Família está abalada 
Eu cumprimento seus pais.
Então vou embora.
Alguns dias se passam.
Fico pensando nisso.
Eu me desespero.
E tomo um porre.
Fico bêbado e desmaio.
Acordo no outro dia.
Cenário é estranho.
Estou numa sala azul.
Sofás e cortinas azuis.
Um gato aparece.
Ele se deita no sofá.
Eu tento falar e me mexer.
Mas não consigo.
Ele vem pro meu colo.
E olha para mim.
Eu vejo ele.
O gato fala comigo.
Não se preocupe.
Leo está bem.
Ele me pediu pra te avisar.
O gato vai embora.
Então eu durmo.
Acordo na minha casa.
1 mês depois.
Alguém bate na porta.
Eu atendo.
É uma cigana.
- preciso falar com vc.
- quem é você?
- meu nome é Brenda.
- o que você quer?
- preciso ler sua sorte.
- porque?
- sua energia me chamou.
- o que?
- não interessa.
- eu não acredito nisso.
- mas eu sim.
Ela pega minha mão.
A observa por um bom tempo.
Eu tento recuar.
Mas não consigo.
Uma energia me paralisa.
Então ele fala.
- isto é incrível.
- o que é incrível?
- sua história não termina aqui.
- como assim?
- o show deve continuar.
Ela não diz mais nada.
E vai embora.
Eu fico atônito.
Só tenho uma coisa pra dizer.
Isto é tudo, pessoal.


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