Era uma vez uma gatinha chamada Marie.
Ela tinha o pelo branco como a neve.
E os olhos azuis como um dia ensolarado de ceu azul.
Ela vivia com a sua dona, que se chamava Maria.
Dona Maria era uma mulher apaixonada por animais.
E a gatinha Marie era menina dos seus olhos.
Mas um dia, Marie quis passear e foi parar num jardim em frente a sua casa.
Estava lá ela toda contente, brincando com as folhas quando, de repente, ela viu um esquilo apressado correndo pelo jardim, com um livro.
Capítulo 2
A gatinha Marie foi atrás do esquilo, e viu que ele subia numa pequena escada de madeira até entrar num buraco feito no meio do tronco da árvore.
Sem pensar em nada, Marie também subiu a escada de madeira, e quando chegou no buraco, ao entrar, ela se deparou com um lugar escuro.
Ela tropeçou em algo pelo chão e ficou temerosa (será que havia animais ali prontos pra devora-la?)
Até que ela viu uma luz no fim do túnel, e passou pelo portal.
O que ela viu foi algo inacreditável.
Uma grande biblioteca, com estantes por todos os lados, repletos de livros, num salão enorme.
No meio daquele salão, ela vê uma poltrona confortável e uma pequena mesinha ao lado.
Ela senta-se na poltrona.
Vê que na mesa há uma xícara de café, um prato com cookies, e um livro aberto.
Ela pega o livro e lê o título (a história de minha vida).
Ela toma café.
E come um cookie.
Marie folheia as páginas do livro.
Está todo em branco.
Uma porta ao longe se abre.
E uma raposa aparece.
Capítulo 3
A raposa cumprimenta a gata.
- Olá minha cara. O que você faz aqui?
- Olá senhor raposa. Eu segui um esquilo com um livro pelo jardim e vim parar aqui.
- Hum. Que interessante. O esquilo vai fazer uma leitura pra o rei leão.
- Uma leitura pra o rei leão?
- Sim. O nosso rei gosta de livros.
- Cada vez mais curioso.
- Pois é. Eu também gostaria de ir pra esta leitura, mas eu não posso.
- E porque você não pode?
- Meus filhotes estão doentes.
- Pobrezinhos. O que eles tem?
- Estão com dor de dente e não tenho com quem deixá-los.
- E a mãe deles?
- Ela morreu num incêndio florestal.
- Tadinhos. Eu posso ficar com eles pra você.
- Tem certeza? Eu não quero atrapalhar.
- Não me atrapalha.
- Então venha comigo.
Neste momento, a raposa lança um olhar malicioso para gatinha, mas ela não percebe.
Os dois seguem pela floresta.
Capítulo 4
Ao chegar perto Duma fazenda abandonada, ela entra num celeiro escuro.
- eu não vejo nada.
Os olhos da raposa cintilam.
- mas é claro que não, sua estúpida. Não tem ninguém aqui.
- o que?
A porta do celeiro se fecha.
A gatinha Marie grita.
- me tira daqui.
- sinto muito minha querida. Hoje a noite, você vai ser o meu jantar.
A raposa dá uma gargalhada vilanesca.
E sai dali.
Nossa heroína se vê em apuros.
- meu deus, o que eu faço agora?
Ela tentou percorrer o celeiro pra achar uma saída.
Mas tudo é escuro.
Ela não viu nada.
De repente, ela escuta passos do lado de fora.
- socorro, por favor. Alguém me ajuda.
Uma sombra para diante da porta.
- quem é você?
- meu nome é Marie. Eu fui presa aqui por uma raposa. Ela quer me devorar.
A porta se abre.
Ela vê um cão.
- olá gatinha. Meu nome é Kiko.
- olá Kiko. Eu preciso sair daqui. Antes que a raposa volte.
- aquela raposa não tem jeito. Ela já fez isso várias vezes. Nunca aprende. Para onde vc vai?
- eu estava seguindo um esquilo com um livro. Ele ia fazer uma leitura pra o rei leão.
- ah. Entendi. Então venha comigo. Eu te levo até ele.
- obrigada.
Eles saem dali.
E começa a chover.
Capítulo 5
Kiko e Marie param perto de uma caverna e ficam ali até a chuva passar.
O cão então resolve contar uma história para ela.
- um dia eu estava na casa de meus donos, quando eles foram abordados no meio da noite por pessoas mascaradas e sumiram. Nunca mais eu os vi. Dias e dias se passaram. Eu fiquei sozinho naquela casa imensa. Eu latia para os vizinhos mas ninguém me escutava.
Então já morrendo de fome, eu pulei pela janela e me vi livre.
Todo bairro estava abandonado.
Não sei por qual motivo.
Fui em todas as casas.
Mas elas estavam abandonandas.
Comi os restos que encontrei.
E depois isto acabou também.
Sem mais o que fazer, eu vim para floresta e aqui estou até hoje.
- nossa, que história mais triste. Você nunca mais vi os seus donos?
- não. E sabe o que é mais engraçado?
- o que?
- que eles caíram na mesma história que você.
A gatinha Marie olha para ele espantada.
- como assim?
Kiko olha para ela forma perversa.
- eu me mostrei para eles como um cão dócil e abandonado. Até que eles me adotaram, e depois dum tempo eu devorei todos eles.
Sem esperar mais um segundo, Kiko rosna para o lado dela e tenta morde-la.
Ela da um arranhão na cara dele e sai correndo no meio chuva.
O cão está em seu encalço.
Um trovão soa ao longe.
Até que Marie cai dum barranco, bate a cabeça e desmaia.
Lar, doce lar, 05 de janeiro
Olá querido diário.
Estou escrevendo para vc para te contar sobre as coisas que passei nesta minha aventura pelo jardim
Já faz algum tempo desde que cai daquele barranco e desmaiei.
Então quando eu acordei estava num quarto deitada.
E ao meu lado encontrei um livreiro.
Eu me assustei mas ele me acalmou.
- olá minha querida. Não tenha medo. Eu sou o livreiro. Estava passeando por aí quando encontrei vc desmaiada. Te trouxe pra cá. Tome uma sopa. Você deve estar com fome.
Eu fiquei desconfiada.
Ele percebeu e disse.
- não precisa ficar assim. Eu saio se você quiser.
Eu fiz que sim com a cabeça.
- tudo bem então. A sopa está aqui. Qualquer coisa é só me chamar.
Ele saiu do quarto
Eu dei uma boa olhada no lugar.
Todas as paredes estavam cheias de livros.
Eu me senti fraca e tonta.
Tomei a sopa.
Sono chegou novamente.
E eu dormi.
Depois eu acordei.
E não vi ninguém.
Sai do quarto.
E entrei numa grande sala.
E para minha surpresa ela está repleta de livros.
...
O livreiro está sentado numa cadeira de vidro, tomando chá numa mesa também de vidro.
- olá minha querida. Que bom que vc acordou. Está sentindo-se bem?
- sim, obrigado.
- ótimo, então venha tomar um chá comigo.
Eu me sento e não paro de olhar os livros.
- são muitos livros não é?
- sim, eu sou apaixonado por literatura.
- eu percebi isso.
Não sei porque mas me senti mais confiante nele.
E contei toda minha história até ali.
- história interessante a sua é.
- pois então.
- você quer jogar?
- jogar o que?
- o jogo do inconsciente.
- e como é isso?
- eu escolho palavras aleatórias e você me dá o seu significado para elas.
Eu refleti por um instante.
E resolvi aceitar.
Quero me divertir um pouco.
- tudo bem então vamos lá.
...
Lar, doce lar, 06 de janeiro
Oi
Desculpa a demora.
Tive um monte de coisa pra resolver hoje.
Mas agora estou aqui.
Então vamos continuar a narrativa.
O livreiro me fez a seguinte pergunta.
- o que você acha do bispo?
- uma vez o bispo de nossa cidade foi a nossa casa jantar, convidado pelos meus humanos. Daí ele derramou sem querer meu pires de leite, e eu arranhei a cara dele.
Nunca mais acompanhei os meus donos a igreja.
- o que você pensa do peão?
- ele é um idiota.
- porque você acha isso?
- porque ele só faz o que os outros querem e sempre se dá mal no final.
- e do cavalo?
- há "animais" piores.
- como assim? Eu não entendi.
- prefiro não comentar. Que vc (e o leitor) usem a imaginação.
- tá bom então e sobre o rei?
- é um idiota porque só faz o que a rainha manda.
- e a rainha?
- ah, esta daí é muito esperta.
- e por último, o que tem a me dizer sobre a torre?
- uma vez os meus humanos me levaram a Paris, e eu adorei lá.
- ótimo. Agora você está preparada para viagem.
- que viagem?
- aquela que vc está fazendo.
- hum, entendi (só que não).
- já que vc está indo, vou lhe dar um presente de recordação.
- eu estou indo?
- com certeza sim.
Então ele me deu de presente uma caneta tinteiro.
E eu perguntei o que ia fazer com aquilo.
Ele respondeu que não sabe.
Que para esta pergunta, só o tempo tem a resposta.
Logo fui embora dali.
Agora estou com sono.
Eu vou Dormir.
Amanhã te conto mais.
Tchau.
...
(A gatinha Marie caminha pela floresta)
(Ela encontra dois patos - tini e Toni)
TINI
oi. O que você faz aqui?
TONI
e quem é você?
MARIE
Meu nome é Marie. Eu quero ir pro encontro de leitura rei leão.
TINI
hum. Isto é tão bom. Meu nome é tini.
TONI
é sim. Nós vamos participar leitura também. Meu nome é Toni.
TINI
você quer vir conosco?
MARIE
Sim por favor
(Eles vão caminhando até que finalmente chegam numa clareira)
(Marie fica espantada. Vários bichos estão lá mas eles são estátuas de pedra)
MARIE
que coisa mais interessante.
TINI & TONI
É sim.
MARIE
mas onde está o rei leão?
(Entra o esquilo)
ESQUILO
logo ele chega.
MARIE (surpresa)
Você está aqui.
ESQUILO
sim. Eu sou leitor oficial do rei.
MARIE
que legal. Vocês viram isso?
(Ela procura dupla de Patos mas eles sumiram)
MARIE
Ué. Onde eles estão?
ESQUILO
não se preocupa. Eles não importam mais.
MARIE
Como assim?
ESQUILO
é assim que as coisas funcionam por aqui.
(Entra o rei leão)
REI LEÃO
Olá a todos.
É um prazer tê-los aqui.
(Ele olha pra gatinha Marie)
Vejo que temos uma convidada hoje.
ESQUILO
sim meu amo. Ela se chama Marie
REI LEÃO
Ótimo. Seja bem-vinda. Que a história comece.
(Marie fica pronta pra ouvir a história)
...
A história final vem de um lugar desconhecido.
Todos viram a floresta queimar.
E nenhum animal saiu vivo.
Isto foi há muito tempo.
Mas eles ainda lembram.
E o fogo também.
O céu hoje é quente.
As folhas não se mexem.
As árvores estão preguiçosas.
Até mesmo vento tirou uma folga.
O rei leão foi escolhido.
E a gatinha Marie também.
Tudo foi um plano.
Para que ela aqui viesse.
(Marie fica espantada)
- Vocês me escolheram pra que?
O rei leão respondeu.
- Para você ser a nova rainha da floresta.
- Porque eu?
- Porque eu já estou velho e o meu tempo chegou ao fim. Além do maís, o oráculo nos mostrou a sua imagem como a responsável pelo equilíbrio deste lugar.
- Mas eu não posso aceitar porque eu vivo em outro lugar. E não saberia o que fazer.
O esquilo diz.
- Você vive indo pra onde deve estar. Tudo acontece naturalmente.
A gatinha Marie não sabe o que fazer.
O rei leão lhe propõe um dia pra pensar no assunto.
Ela concorda com isso.
...
Capítulo final
Um dia depois, Marie pensa no assunto.
Ela está decidida a não ficar ali.
Pois seu lugar é outro.
O que ela resolve fazer é fugir a noite.
E no meio da floresta, ela encontra um barco ancorado num rio.
A gatinha Marie entra neste barco e vai embora com um vento suave deslizando pela superfície daquele rio.
Ela passa por construções abandonadas, árvores caídas, animais que correm ao primeiro ruído do barco.
Tudo lhe Fascina.
A chuva começa.
O céu escurece.
Mas a nossa heroína continua firme e forte na sua decisão.
A chuva passa.
A neve cai
O sol volta.
Numa Noite estrelada, ela adormece.
E ao acordar pela manhã, ela se encontra deitada no seu jardim.
FIM
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