A chuva cai.
O reino mágico está em silêncio.
O campo dorme.
As árvores cantam.
Tudo é paz.
Os animais confraternizam.
O chão se molha
-
Regina acorda.
Ela procura sua mãe.
Não a encontra.
Vê um bilhete.
"Fui atrás da estrela líquida".
Regina não entende nada.
O que ela faz agora?
-
Regina vai a floresta.
O céu está cinza.
O lago é tranquilo.
Ela pensa no que fazer.
Então se lembra dele.
Vai até Aníbal.
Sua cabana é aconchegante.
-
Aníbal a recebe
- o que você quer?
- eu procuro minha mãe.
- onde ela está?
- foi procurar a estrela líquida.
- compreendo.
- o que eu faço?
- você vê aquele espelho?
- sim.
- atravesse ele.
- o que tem doutro lado?
- a sua mãe.
Regina atravessa o espelho.
-
Do outro lado, ela vê uma escada.
Sobe ela.
Vai parar numa plataforma.
Lá há uma porta.
Ela atravessa.
Chega a um templo.
Alguém medita nele.
-
Regina olha o ser a sua frente.
É um homem.
Ele usa armadura.
Ela se aproxima dele.
- olá.
Ele abre os olhos.
Se levanta.
-
O cavaleiro olha pra ela.
Analisa o seu aspecto.
- quem é você?
- eu sou Regina.
- o que você quer?
- eu procuro minha mãe.
- não sei quem é ela.
- seu nome é Denise.
- o que tenho a ver com isso?
- eu não sei.
- então não me perturbe.
- eu preciso de sua ajuda.
- porque?
- você é um cavaleiro.
- que resposta estúpida.
- que atitude grosseira.
Ele aponta espada pra ela.
- cuidado com o que você fala.
- você vai me matar?
- eu não sou assassino.
- ótimo.
Ele abaixa espada.
Ela senta-se no chão.
- qual é o seu nome?
- meu nome é Connor.
- bonito nome seu.
- obrigado.
Ele também senta.
- você pode me ajudar?
- me conte o que aconteceu.
- minha mãe foi atrás da estrela.
- que estrela?
- a estrela líquida.
Connor olha pra o céu.
- o que sua mãe quer com ela?
- eu não sei.
- isto é interessante.
Você me ajuda?
- sim, mas com uma condição.
- qual?
- contemple o céu comigo.
- tá bom então.
Eles se deitam na grama.
A lua sorri pra eles.
As estrelas dançam entre si.
As nuvens fazem acrobacias.
-
Eles caminham por aí.
Chegam a uma cafeteria.
Regina está cansada.
Connor tem fome.
- vamos para comer algo.
Regina concorda.
Eles entram na padaria.
Eles pedem café.
Começa a chover.
Regina observa o ambiente.
Um homem olha para ela.
Ele escreve algo num caderno.
- aquele homem está me olhando.
- quem?
Regina aponta para ele.
Connor vai até ele.
O homem se levanta.
- olá meu bom cavaleiro.
- o que você quer?
- meu nome é flamarion, sou poeta.
- bom para você.
- obrigado.
- o que você quer com ela?
- eu escrevi um Haikai para ela.
- um o que?
- um poema.
Regina vai até eles.
- eu adoro poemas.
Flamarion faz um gamanteio.
- olá minha nobre dama.
- vamos nos sentar.
Todos se acomodam.
A chuva continua.
- eu posso ver seu poema?
- claro, ele é seu.
Flamarion lhe dá um papel.
"dias de chuva -
uma linda flor
adorna meu jardim"
Regina aperta folha contra o peito.
- isto é tão lindo, obrigada.
- de nada.
Flamarion começa a chorar.
Regina olha pra ele.
- o que aconteceu?
- eu estou triste.
- porque?
- aconteceu algo comigo.
- você quer conversar?
- sim.
- então diga o que aconteceu.
- aí vem minha história.
O café está quente.
-
Eu sou filho único.
Meu pai é escultor.
Minha mãe era dona de casa.
Ela morreu.
Eu vivia só.
Meus livros eram meus amigos.
Ainda são.
Nunca gostei de multidão.
Menos ainda gente.
Meu pai trabalhava muito.
Minha mãe era obcecada por limpeza.
Ela vivia doente.
Isto era difícil para mim.
Dias de tristeza.
Manhãs de solidão.
Eu não tinha vontade de nada.
Só queria ser escritor.
Tento ser até hoje.
Um dia, minha mãe morreu.
Fiquei mais só ainda.
Não tenho conexão com meu pai.
Somos diferentes um do outro.
Eu sou gay.
Ele descobriu.
Brigou comigo.
Nós estamos afastados.
Moro com meu namorado.
Eu estou infeliz.
Não com ele.
Comigo mesmo.
Só o café me salva.
Ele me dá sensação de segurança.
Conforto e aconchego.
Gosto de outono e inverno.
Posso ser melancólico.
Agora estou aqui.
Procuro uma razão de viver.
-
Regina segura mão dele.
- não fique assim.
- como você quer que eu fique?
Ela olha pra fora.
- venha comigo.
Eles saem.
A chuva continua.
O arco íris surge.
Regina abraça flamarion.
- vamos dançar.
Eles bailam uma música celeste.
Levitam no ar.
Dançam nas nuvens.
A chuva fica dourada.
O arco íris termina.
Eles voltam ao chão.
Regina olha pra ele.
- como você está?
- eu estou melhor, obrigado.
Connor se aproxima deles.
- vamos embora.
Regina abraça flamarion.
- espero que você fique bem.
O poeta inclina cabeça.
- obrigado pela ajuda.
Connor e ela vão embora.
Flamarion se transforma numa águia.
Voa por aí.
-
Regina e Connor chegam a um lago.
Há uma bruxa nua.
Ela dança sobre as águas.
A nossa dupla admira cena.
Ela termina dança.
Volta ao chão.
Olha pra Regina.
Sua mãe disse que você viria.
Você conhece minha mãe?
A bruxa estala os dedos.
Uma roupa lhe veste.
Eu conheço ela.
Você sabe onde ela tá?
A propósito, meu nome é baronix.
O meu é...
Eu sei quem vocês são.
Connor se aproxima dela.
Então onde está mãe dela?
Baronix aponta para Connor.
Ela tá em você.
O que?
Ambos ficam confusos.
Você é um guerreiro.
Eu sou sim.
Ela precisa de sua força.
Para que?
Para achar estrela líquida.
Regina toma frente da conversa.
Que estrela é essa?
Baronix aponta para o lago.
Olhe lá.
Regina se aproxima lago.
Vários Peixes dançam.
Voam pela superfície.
Formam a imagem de uma estrela.
O que é isso?
Isto é você.
Regina olha pra bruxa.
Como é?
Sua mãe foi salvar vc.
Eu não entendi.
Seu parto foi difícil.
Eu sei disso.
Você quase morreu.
Ela me contou.
Ela fez um pacto com a estrela.
Que pacto?
A vida dela pela sua.
Connor desembainha espada.
Ela tá louca. Vamos embora.
A bruxa aponta para o céu.
Agora estrela cobra dívida.
Regina vê as nuvens.
Isto não pode ser.
Baronix olha pra ela
Isto é o que é.
Eu posso impedir isso?
Sim.
Como?
Sacrificando a sua vida.
Regina olha pra o Lago.
Connor aperta os punhos.
Cerra os dentes.
Você está brincando.
Eu não estou.
Nossa heróina pergunta bruxa.
Onde posso encontrar a minha mãe?
Na montanha azul.
Certo.
Sua mãe e a estrela estão lá.
Obrigado.
Eles vão embora.
Baronix mergulha no lago.
Medita com os Peixes.
-
As horas passam.
Caminhada é longa.
Cidade é cheia.
Um festival acontece.
Prédios enfeitados.
Bandeirolas nas ruas.
Crianças fantasiadas.
Nossa dupla observa.
Eles param numa pousada.
Resolvem descansar.
Connor esbarra com um inimigo.
Coisa do passado.
Eles brigam.
São expulsos do lugar.
Prometem se reencontrar.
Acertar as coisas.
Continuam a caminhada.
Dormem num pomar.
-
Eles chegam a montanha azul.
O lugar é auto explicativo no nome.
Ao longe vêem uma entrada.
Uma luz interior dá o sinal.
Vão até lá.
Regina encontra Denise.
Mãe.
Ela não olha.
Está enfeitiçada.
Costura numa máquina.
Regina tenta toca-la.
Um campo invisível as separa.
Ela olha o ambiente.
O que está acontecendo?
Eu não sei.
Connor tenta golpear com a espada.
Seu golpe não tem efeito.
Regina aponta pro fundo da caverna.
Olha aquilo ali.
Ele observa a cena.
Uma estrela líquida flutua.
Sua luz irradia o cenário.
Denise levanta da máquina.
Está com um tecido brilhante.
Regina chama seu nome.
Nada acontece.
Denise cobre a estrela com tecido.
A estrela se transforma numa pessoa.
Ela assume a forma de baronix.
Regina não acredita no que vê.
Você?
Sim, sou eu.
Eu não entendi.
Meu espírito está preso nesta estrela.
Como assim?
Foi um feitiço, história antiga.
Porque a minha mãe?
Só ela tem esta magia.
Que magia?
Libertar as almas.
Denise vira uma cerejeira.
Regina se desespera.
Baronix flutua pelo lugar.
Não se preocupe, ela voltará.
A heroina pega espada de Connor.
Tenta atingi - la.
A espada se desfaz em pó.
Você não pode me atingir.
Porque a minha mãe?
Este é o preço a se pagar.
Regina entra em transe.
Baronix olha pra Connor.
Daqui a um ano, elas voltarão.
A nossa personagem some.
Connor segura Regina.
A coloca na sombra da cerejeira.
Ele vai embora.
Lá fora, uma nuvem passa.
Um aroma perfuma o ar.
(Fim)
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