Que é bem estranha
Ela não está
Em lugar nenhum
Sua forma é absurda
E seu senso é ilógico
Tudo ao contrário
...
Eu não sei
Como vim parar ali
Um dia acordei
E lá estava
Tudo do avesso
Sem nenhum aviso
E nem volta
...
Paredes pelo chão
Chão pelo teto
Teto que se move
Um quarto quieto
Que vive calado
Apenas a cama
Cobre o seu segredo
...
Flores que fogem
Dum jardim maluco
Onde quem entra
Já não sai
E as rosas
Ficaram tão mudas
Não são margaridas
...
Eu moro sozinho
Com meu pensamento
E a fantasia
Preenche a sala
Com ideias vazias
E sonhos floridos
Numa grande ilusão
...
Meus amigos aparecem
E damos uma festa
Para comemorar minha
Mudança tão mundana
Muito tempo passa
Já estou cansado
Vou pro jardim.
...
Folhas ao vento
Caídas ao chão
São só poesias
Como sementes de verão
Eu leio todas
Enquanto a noite vai
E a chuva desce
...
Tudo é silêncio
Meus amigos se foram
Apenas ela fica
Seus olhos verdes
Combinam com tudo
Que reluz como ouro
E nós ficamos
...
A graça nos envolve
As rosas vermelhas
Nos fazem a corte
A madrugada cintilante
Descobre nossos corpos
Em poses naturais
Como fonte cristalina
...
Eu bebi desta água
E matei minha sede
O pássaro foi embora
Para bem longe
Deixou a recordação
A casa suspirou
E ficou ao contrário
...
Eu andei pelo teto
E um gato voou
As rosas vermelhas
Correm na janela
E saem pelo quintal
Para olhar o sol
Que pinta amarelo
...
Eu escrevo e anoto
Tudo que acontece
Logo use perfume
Quando já anoitece
Saio pela rua
Tão torta quanto a porta
Já nem me importa
...
Eu escuto música
Que a nuvem toca
Num arco íris
Em preto e branco
Que nada no lago
E me chama pra dançar
No meio do Mar
...
A cidade néon
Fica toda parecida
Com um jardim de Pedra
Sem muita gente
Os prédios dormem
Um sono tranquilo
Feito de concreto
...
Isto é tão abstrato
A minha casa
Me chama de saudade
Eu volto correndo
Para o seu lar
De algodão doce
Que cheira margarida
...
Minha família não vem
No dia de domingo
Para jantar Comigo
E poder comemorar
Tudo que consigo
Suas sombras se foram
No meio dos arbustos
...
A casa canta e dança
Quando ninguém vê
Ela me provoca
Com sua alegria
Que é tão abstrata
Numa rua qualquer
Onde mora um chofer
...
Eu lhe peço uma carona
Ele me leva pra longe
Onde o vento
Não me encontra
No meio da floresta
Levo meus livros
E a minha sede
...
Ela me dá propósito
De beber numa fonte
Onde isso é possível
Sem nada pedir
Ou tudo exigir
Apenas ser eu
E nada mais
...
Mas ao dormir
A casa me chama
E me mostra
Que sem ela
Eu não sou nada
E suas paredes
São minha liberdade
...
Logo me arrependo
E volto pra casa
Onde as flores me
Abraçam tão forte
Que tudo fica
Tão quente e sereno
Na sala de estar.
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