domingo, 10 de dezembro de 2023

o colar amarelo

1.
Com você eu fui mais feliz.
Por um dia que seja.
Quando cruzei o limite do céu, Olhei nos seus olhos
E vi que o vento lembra de nós.
Notei que o relógio me convidou Para andar por aí sem rumo.
Querendo uma maneira de Recomeçar e ter pelo que lutar.
E quando eu menos mereci você Me amou assim do seu jeito.
Naquela viagem pelas luzes da Cidade, vi aquele colar amarelo. Combina com o seu sonho.
Comprei ele para você.
Ficou tão feliz.
Sua felicidade é minha.
Mas tudo desmoronou.

2.
Você então partiu.
Cansado de tudo.
Quis um tempo só seu.
Eu respeito a sua decisão.
Mas não aguento por muito Tempo, então te procuro.
Você não está mais lá.
Fugiu pra o sonho.
Deixou o colar amarelo.
Então eu choro.
Faço uma promessa.
Vou te encontrar.
Fazer você ficar.
Logo fui dormir.
No sonho te encontrar.

3.
Um café quente
É tudo que preciso.
Acordo no seu mundo.
Tempo e espaço
Aqui são invertidos.
Como todo sonho.
Rios de leite
Molham meus pés.
Conto as estrelas.
Que vivem nas árvores.
Ruas tão quietas
Que dormem nas esquinas.
E logo aparece
A primeira pista
Uma gaveta solitária
Aparece na grama.
E dentro dela
Há uma fotografia.
Um livro vermelho
Com o título de
Rosa dos ventos.
E na capa o leste
Está marcado com
Uma fita rosa.
Então é para lá
Que eu vou.

4.
O colar amarelo
Sempre me acompanha.
E quando olho ele
Eu penso em você.
Indo para o leste
Eu vejo uma árvore
Que é prateada.
Em cima desta árvore
Há uma casa de madeira.
Ela parece novinha.
Então eu subo
Para olhar o que há lá.
Uma serpente dourada
Repousa sobre um ovo azul.
Ela olha para mim
E sai do ninho.
Eu fico tenso
Mas nada faço.
Logo eu vejo
Que junto do ovo
Há um bilhete 
Onde se lê
"Quebre-me"
Então eu quebro
E dentro dele
Sai um anel.
Sem pensar muito
Coloco no dedo.
Um holograma aparece.
Eu vejo uma imagem
De um viveiro de pássaros
Numa cabana isolada.
Logo vou para lá.

5.
Então pelo caminho
Eu vejo a cabana.
Entro nela e
Numa sala arrumada
Está o viveiro.
Muitos pássaros cantam
E são coloridos.
E no meio deles 
Há um pombo.
Em seu peito
Há um pergaminho.
Eu pego ele
E leio o conteúdo
"Quando eu me for
Não procure por mim
No meio da floresta.
Mas sim no fundo do rio
Onde mora o silêncio"
Então me pergunto
Onde será este rio.
O colar amarelo
Começa a brilhar.
E um pensamento
Logo me guia
Para fora da cabana.
Um barco pequeno
Vejo por trás 
Duma clareira ali perto.
Colar brilha mais forte
E eu percebo
Que ele me guiará.
Subo neste barco
E comeco a navegar.

6.
No curso só rio
Um pássaro pousa
Junto a mim.
E me pede
Para que eu
Lhe conte uma história.
E eu conto a história
Dum castelo encantado.
Lá vivia uma senhora
Que tomava conta
Dum mágico triste.
Ele está triste
Porque perdeu a magia
Que vive dentro de si.
E agora no mundo
Nada mais o encanta.
A senhora pensa
No que pode fazer
Para trazê-lo de volta
Para o mundo mágico.
Ela então se lembra
Que na sua infância
Havia um jardim
Onde no meio dele
Uma tulipa mágica
Era sua melhor amiga.
E lhe dava alegria.
A senhora então
Viaja pelo tempo-espaco
E volta na infância
Do menino triste.
No meio daquele jardim
Ela procura pela tulipa
E a encontra numa 
Redoma de vidro.
Ela a leva
Para o castelo encantado
E a coloca junto
A cama do mágico.
Ao acordar ele percebe
Sua amiga esquecida.
E uma alegria
Toma conta dele
Fazendo esquecer logo
Toda tristeza que sentia.
O sol voltou a brilhar
E o castelo mágico
Ficou mais encantado.
O pássaro então
Agradeceu pela história.
E voou para longe.
No meio daquele rio
Um vórtice aparece.
Eu me atiro nele
E caio numa toca.

7.
Dentro desta toca
Um quadro em branco
Reflete minha imagem.
Todo o chão
Está coberto por flores
Que iluminam o teto
Num ambiente tranquilo.
O lugar está vazio
Mas sobre a mesa
Um chá é servido
E o bolo ainda
Está bem quente
Numa linda travessa
De motivos florais.
Me sento na mesa
E olho pra tudo
Com infinita atenção.
Tudo é silêncio
Naquele lugar perfeito.
Então eu me sirvo
E o sabor daquilo
Lembra minha infância
Onde minha mãe
De forma gentil
Me abraça forte
Quando eu tropeço
E me oferece chocolate
Além de tranquilidade.
Eu me sinto triste
E choro devagar.
Cada lágrima silenciosa
Percorre o meu rosto.
E eu choro tanto
Que um dilúvio
Se apossa do lugar.
Então eu nado
Para não me afogar.
Uma porta atrás de mim
Logo se abre.
E eu passo por ela
E chego num jardim.

8.
E neste jardim
Eu descubro que
Perdi o colar amarelo.
Não sei onde foi
Mas sinto falta dele.
Não há o que fazer.
Eu me levanto
E olho ao redor.
Tudo é tão extravagante
Que não acredito.
Uma nuvem de fumaça
Entra pela chaminé
Duma cada esquecida.
E quando entro nela
Um esquilo de cartola
Me passa uma carta
De baralho verde.
Nesta carta há uma foto
Do meu amado
Segurando um peixe.
E este peixe
Sorri para foto.
Pergunto onde fica
Este peixe estranho.
O esquilo me diz
Que fica num castelo
Perto daquele lugar.
Ele me aponta direção
E vou até lá.
E quando chego
Uma menina de óculos
Vestida de rosa
Me atende a porta 
E pede para entrar.
Eu então entro
E lá está meu amado.
O peixe está na mesa
Dum grande banquete
Com peças coloridas
Dum tipo plástico.
Nós nós abraçamos
E eu peço para
Você voltar comigo.
Mas se nega
E diz que ainda
Tem muito a viajar.
Então me dá um beijo
De despedida solitária
E some no ar.
Em pensamento pergunto
Porque não me leva
E você me diz
Que para onde vai
Eu não posso ir.
Logo o peixe
Sorri para mim
E me oferece
Uma taça de vinho.
Triste eu aceito
E ao beber
Eu pego no sono.
Então acordo em 
Um submarino amarelo.
Ele me leva para
O continente perdido.
E no meu pescoço
Eu vejo que está
Um colar amarelo.


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